clichés que se tornam armadilhas na produção de opinião sobe diversas matérias. Na Educação tornou-se um estribilho dizer que não é preciso ser professor para ser ministro, pois não é preciso ser médico para ser ministro da Saúde. Ou que a prioridade são os alunos e não os professores quando se trata da Educação.

  • Quanto ao primeiro aspecto, morre a boca pelo peixe, pois a actual ministra da Saúde é médica.
  • Quanto ao segundo, também me parece que a prioridade na Saúde devem ser os doentes, na Justiça os cidadãos e não os juízes ou advogados e podemos ir por aí abaixo.

Só que o que me parece profundamente anormal é que por mais de quatro anos exista uma titular de uma pasta governamental que repetida e consistentemente avilte o papel dos profissionais que tutela e os ofenda de modo repetido em todas as entrevistas que dá.

Hoje, no Diário Económico, Maria de Lurdes Rodrigues, demonstra até que ponto não tem qualquer interesse em despedir-se com um mínimo de delicadeza ou elegância.

É pena. Para a recordista de permanência na 5 de Outubro é obra. Acabar o mandato com a dose de acrimónia que ela demonstra é algo trágico do ponto de vista político, pessoal e institucional.

Quando alguns tentam camuflar o rasto de MLR e desdramatizar a total quebra de confiança entre professores e ME, ela afirma coisas como as seguintes:

Temos a abertura de ano lectivo com a gripe A. É sempre exigente e este ano é particularmente exigente, porque além da gripe temos as eleições que vão coincidir com a semana da abertura das aulas. É necessário estar atento porque tudo será aproveitado para o combate político e as escolas estão mal preparadas, no geral, dessa instrumentalização e portanto é necessário proteger as escolas. (Diário Económico, 31 de Agosto de 2009, p. 6)

Esqueçamos que MLR parece desconhecer o calendário eleitoral. As aulas arrancam duas semanas antes das eleições.

Quanto à instrumentalização, é verdade que as escolas estão desprotegidas, pois estão vulneráveis a todo o tipo de inaugurações, visitas e cerimónias promovidas pelo ME em pleno período de campanha eleitoral. Vai ser lindo de ver como Sócrates e Ciª vão atacar em força por esses dias.

Quanto a proteger as escolas, isto cheira-me a evidewntes instruções para tornar opaco o arranque do ano lectivo em tudo o que possa ser menos agradável para o Governo. Quer-me parecer que os Directores andarão de rédea curta e a máquina de propaganda irá controlar, ou tentar controlar, tudo ao milímetro.

E isso é preocupante. Não sei se é asfixia democrática. Sei apenas que autonomia e transparência vão ser palavras vãs.

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