Contam-me que por alguns recantos da tuítosfera - já me inscrevi, tuítei duas vezes e ainda não espreitei o mundo – andam com algum esforço a procurar colar-me ao PSD para desacreditar as minhas posições e até os dados que eu tenho tratado.

A razão mais directa parece ser o facto de algumas das minhas análises terem sido colhidas com receptividade em alguns sectores desse partido.

Ou seja, se um dia formos arrumar politicamente as rosas, elas serão todas do PS, só porque o PS as escolheu para símbolo.

Uma espécie de lógica às avessas, já nem de tubérculo, mais de lentilha seca.

De qualquer modo, e porque desgosto de estragar mitologias pessoais, gostaria de aqui deixar alguns momentos simbólicos do meu trajecto ascensional em direcção ao âmago da laranja. Desculpem se não uso uma ordem cronológica pura mas, para usar uma expressão genial de Mário Crespo no Sol de hoje, não costumo gratinar o currículo.

  • Participação num comunicado conjunto apelando a uma manifestação unitária dos professores em Novembro de 2008 com dois militantes do Bloco de Esquerda, que como sabemos é uma secção esquerdista dentro do PSD.
  • Colaboração na revista OPS, dirigida por Manuel Alegre, destacado dirigente laranja.
  • Participação em diversos debates organizados por diferentes promotores, nenhum deles estando ligado ao PSD.
  • Inclusão de textos ou contributos meus em publicações  ligadas à estrutura partidária laranja como o jornal do SPGL (Fenprof), o Diário de Notícias ou a Visão, entre outros
  • Reunião na Assembleia da República com os grupos parlamentares do PCP e Bloco de Esquerda.
  • Criticas recorrentes à acção do Presidente da República, figura claramente próxima do PS, em matéria de decisões relativas à Educação.

Tudo isto prova a minha aproximação ao PSD.

Vamos lá ser um pouco sérios (o que é difícil nestas circunstâncias com determinados voluntários pagos para o ser): eu estou interessado antes de mais – e vamos deixar de ser demagógicos com o «bem da Nação» porque esse todos têm desrespeitado – antes de mais, em defender aquilo que considero pessoalmente serem as melhores políticas para a Educação em Portugal e em seguida naquelas que melhores condições permitam para o trabalho dos docentes.

Se isso me for garantido por este ou aquele partido, vivo bem com isso. Não sou desideologizado, mas os actuais partidos são-no em elevado grau. Todos, excepto raríssimas excepções são pragmáticos antes de mais e desrespeitam de forma consistente o que deveria ser o seu legado ideológico matricial.

Perante isso, associar-me a este ou aquele partido é um esforço patusco, por parte de gente patusca, que anda a apanhar bonés e esferográficas em tempo de campanha eleitoral. Se me pudessem ter rastreado ligação a qualquer sindicato, partido, movimento ou obra, já o teriam feito tão boa é a sua base de dados.

Aliás, seria muito simples. Bastaria alguns destes aparelhistas sazonais – se tivessem um mínimo interesse na verdade – inquirirem figuras bem mais graúdas na sua agremiação, que me conheceram em outros tempos quando os convites poderiam ter seduzido e não seduziram, que teriam resposta rigorosa. Se fosse isso que os interessasse.

Quanto ao futuro? Prognósticos só depois de saber o nome do árbitro.

Se fosse homem de Fé, daquelas que promete a salvação das almas desde que consigamos safar-nos na terra com boas indemnizações e mais-valias, ou muitas virgens celestiais em caso de martírio, eu diria que o futuro a um qualquer Deus Grande pertence.

Sendo homem de fé mais pequena, humana, digo que o futuro é construído por cada um de nós, a cada dia que passa, de acordo com as nossas convicções (ou falta delas).

Corto