É tão elementar que até me deixou boquiaberto. Ao ir trabalhando os dados da propaganda oficial do ME, comecei a aperceber-me de algo no mínimo curioso. Apesar do alarde em torno do aumento dos alunos a concluir o 9º ano e a inscreverem-se no 10º, os níveis de sucesso no 9º ano praticamente não evoluíram desde o início da década e o grande ganho é em relação ao início deste mandato, quando se atingiram os níveis mais baixos de sucesso desde 2000.
O cálculo é simples. Basta usar os dados divulgados e fazer o cálculo do sucesso, a partir das tabelas das matrículas e conclusões do 9º ano (páginas 2 e 3 desta apresentação).
Se conseguirmos ultrapassar a barragem de nevoeiro em torno da quantidade, percebe-se que o sucesso é exactamente o mesmo do que em 2003/04 e apenas mais 2% do que em 2000/01. Ganhou-se 10%, é certo, mas em relação ao primeiro ano lectivo que decorreu já sob a actual gerência ministerial.
Pelos vistos o início dos mandatos do PS em matéria de Educação tendem a ser algo calamitosos. Depois, é verdade, torna-se mais fácil recuperar…
E esta, einh?!


Agosto 26, 2009 at 6:38 pm
Percentagem de alunos que, na falta de CEFs, PCAs e Milagres, ficariam retidos:
7,7% (currículos regulares, segundo os dados do ME)
+ 20% (CEF+PCA)
+ 6% (Milagres nos currículos regulares)
– 3% (CEF+PCA que poderiam transitar)
= 30,7%
Agosto 26, 2009 at 6:47 pm
Esta questão do “sucesso escolar” faz-me náuseas. Toda a gente sabe que o que deve ser aferido é a QUALIDADE desse sucesso. E esse todos sabemos que é medíocre e mau conforme o sector e a perpectiva.
Vivemos num país em que se tornou normal a desonestidade intelectual. Aliás tão normal como é a desonestidade dos actores políticos desta “democracia” podre e já com tiques de 1ª República.
Sócrates e a sua Lurdinhas conseguem ser do pior em termos de carácter intelectual pois enganham o país e os portugueses a torto e a direito com as suas falácias, a sua demagogia e também com o mais vil e rasteiro sentido da mentira.
Consegue ser revoltante verificar que se apregoa o “sucesso” como resultado do indesmentivel facilitismo! Qualquer dia teremos doutores analfabetos e um qualquer Sócrates apregoará que esse é um grande sucesso! O país agradece no engano e na vil tristeza de se destruir ainda mais.
É o país que temos governado por esta gente que temos!
Já não tenho palavras para adjectivar estes sabujos!
Agosto 26, 2009 at 6:57 pm
A ver se o Pauilo Guinote percebe a diferença: a taxa manteve-se (à volta dos 86%), mas num ano a base é de 108 mil alunos, noutro é de 140 mil. E destes 32 mil alunos a mais no sistema, falamos dos alunos com mais dificuldades.
Agosto 26, 2009 at 7:41 pm
#3,
Se bem percebo, considera que o aumento de alunos no sistema se deve à permanência de alunos com mais dificuldades no sistema e que passaram de ano.
É isso?
Agosto 26, 2009 at 7:51 pm
…mais 32 mil alunos com dificuldades? Para justificar o milagre do ME? Os Deuses andam loucos. E têm quem os acompanhe!!!!!
Agosto 26, 2009 at 7:53 pm
#4
Bem, as coisas que tu descobres. Então, com tantos CEF e tantas provas de recuperação, estamos no mesmo patamar que em 2004?
Agosto 26, 2009 at 7:54 pm
Aquela queda vertiginosa entre 2003 e 2005 é que me faz espécie…
Agosto 26, 2009 at 8:05 pm
Não falei apenas de permanência; pode dar-se o caso de serem alunos que já tinham abandonado o sistema. Mas essa discussão não é relevante para o caso; o que a sua comparação das taxas não pode pura e simplesmente ignorar é que há um aumento de 30% (32 mil/108 mil) de alunos matriculados.
Agosto 26, 2009 at 8:38 pm
Recordo que passámos a ter muito menos retenções nos outros anos: 7º e 8º. Mais gente a frequentar o 9º e mais facilitismo = mais sucesso.
Agosto 26, 2009 at 8:47 pm
Agosto 26, 2009 at 8:51 pm
#8,
Já analisou as taxas de natalidade para essa coorte de alunos ou é demasiado complexo?
Eu já comecei.
Não explica tudo, mas como método é melhor do que meramente atirar com o argumento de mais alunos.
Agosto 26, 2009 at 9:50 pm
Qualquer que seja a análise feita ao quadro é abusivo concluir que o ensino melhorou. O ensino melhora quando for gratuito e universal, quando a sociedade onde está inserido não for de carácter neoliberal mas sim inclusiva; quando o desemprego estiver resolvido, quando não houver emprego precário, quando 20% dos portugueses não se alimentar mal ou mesmo passar fome. Enquanto não mudaram a horta os tomates sairão sempre minguados.
Agosto 26, 2009 at 9:59 pm
2005 foi o ano de estreia dos exame no 9.º ano. Daí…
Agosto 26, 2009 at 10:04 pm
Exames só a portugu~es e matemática.
A queda começa um ano antes…
Agosto 26, 2009 at 10:16 pm
O declive do gráfico de 2006/2007 para 2008/2009 é acentuado e não tenho a menor das dúvidas que o Estatuto do Aluno teve um papel primordial para este acentuado aumento de “sucesso estatístico”
Assim como a pressão exercido pelas estruturas do ME a diversos níveis e a excessiva burocratização dos conselhos de turma de avaliação.
Agosto 26, 2009 at 11:16 pm
Na minha escola ( TEIP) as reprovações passaram a ser 2/3 alunos por turma.
Não vá o diabo tecê-las.
Agosto 27, 2009 at 12:26 am
Muito bom trabalho!
Parabéns.
Agosto 27, 2009 at 12:46 am
pedro.na-escola, que contas fantásticas!
Paulo Guinote, não é importante para si, enquanto professor, ter mais 23 752 jovens com o 9º ano concluído do que no princípio da década? Curiosos só referir a percentagem…. Já agora, na página 4´do tal documento(é fácil encontrar, é logo a seguir à 3, não significa nada para si, enquanto professor, ter mais 20 674 alunos a inscrever-se no 10º ano do que há 4 anos atrás?
Agosto 27, 2009 at 1:13 am
# 18
Ó mulher, perceba isto: o importanto seria mais alunos = mais sucesso escolar REAL = progresso.
O que nós, professores, aqui denunciamos é que isto não corresponde a um aumento de conhecimentos ou competências efectivas por parte dos alunos; trata-se meramente de transitar de ano, independentemente do que evoluíram, ou não, enquanto tal. E a esmagadora maioria sai a saber quase tanto – ou seja, quase nada – como quando entrou.
E, depois, isto certamente terá repercussões graves no futuro. Quem nunca trabalhou / estudou, quem foi «educado» segundo o princípio do não esforço, mas atinjo os «objectivos», como poderá estar devidamente preparado para o mercado de trabalho? Dito de outro modo: por que razão os alunos sentem enormes dificuldades quando atingem o 10.º ano? Porque muitos deles passaram nove anos pela escola, simplesmente «passaram». Quando atingem esse degrau, conclui-se que o escada que percorreram está cheia de buracos e foi construída com areia sem cimento. Assim sendo, cai para a maioria que se encontra nestas condições.
Peço desculpa pela imagem esfarrapada.
Agosto 27, 2009 at 1:51 am
[...] num texto muito aflito onde tenta amortecer os textos do Paulo Guinote desmontando a recente manipulação estatística sobre sucesso escolar, escrever uma frase que subscrevo integralmente: Manter os alunos na escola com aproveitamento em [...]
Agosto 27, 2009 at 11:05 am
Na vida real:
Conheço uma mulher de quarenta e poucos anos que andou à procura de emprego na área de Lisboa. Disse-me que em muitas empresas, apesar da crise e da falta de oferta de empregos, lhe afirmaram que a idade dela era um factor importante de selecção! Parece que nessas empresas valorizam gente nos quarenta em detrimento de malta mais nova. Já devem ter experimentado empregar gente mais nova e fartaram-se…
Não é de admirar. O facilitismo imposto por este governo, o Estatuto do Aluno extremamente permissivo, a desobrigação legal dos pais quanto ao sucesso ou comportamento dos seus filhos e a desautorização dos professores, esvaziaram a Escola pública das suas funções. Os alunos podem sair como entraram: praticamente analfabetos ou analfabetos funcionais, sem conhecimentos significativos em muitas áreas importantes e sem as tão apregoadas “atitudes e valores”. Os conhecimentos, as atitudes e os valores continuam a ser os mesmos que trazem da aldeia ou do bairro. A escola, com a legislação actual, nem sequer faz o mínimo dos mínimos que é lançar as sementes da dúvida e da curiosidade nas mentes dos jovens. Muitos entram já broncos e saem broncos das escolas (com as cabecitas cheias de ídolos rascas que os ocs rascas lhes enfiam pelas meninges–ouvir a rapariguita mediática, agora com funções políticas, que confeça preferir fazer batota a perder e que pede à criada para lhe tirar as sementes da fruta!!!ISTO EM PORTUGAL, NO SÉC. XXI!! CHIÇA! FXXX-SE! PQP!!!….todo o vernáculo conhecido não chega para expressar o asco que esta gente me causa).
Coitados dos jovens. Este governo PS condena-os à mediocridade. Entretanto os dirigentes políticos matriculam os filhos em escolas particulares, onde as palavras Esforço, Rigor, Disciplina, Respeito, ainda fazem sentido.
Agosto 27, 2009 at 12:41 pm
Esse Adalberto e a Inês devem ser os capachos de serviço. Para estes tanto faz qualquer alimária ter o 9º ano…não interessa se sabe OU não ..isso é secundário…enfim com alimárias destas o nosso país deve um dia destes estar num patamaR EQUIVALENTE AO BURKINA FASO…iNTÉ…
A Queda
E eu que sou o rei de toda esta incoerência,
Eu próprio turbilhão, anseio por fixá-la
E giro até partir… Mas tudo me resvala
Em bruma e sonolência.
Se acaso em minhas mãos fica um pedaço de ouro,
Volve-se logo falso… ao longe o arremesso…
Eu morro de desdém em frente dum tesouro,
Morro á mingua, de excesso.
Alteio-me na côr à fôrça de quebranto,
Estendo os braços de alma – e nem um espasmo venço!…
Peneiro-me na sombra – em nada me condenso…
Agonias de luz eu vibro ainda entanto.
Não me pude vencer, mas posso-me esmagar,
- Vencer ás vezes é o mesmo que tombar –
E como inda sou luz, num grande retrocesso,
Em raivas ideais, ascendo até ao fim:
Olho do alto o gêlo, ao gêlo me arremesso…
Tombei…
E fico só esmagado sobre mim!…
Mário de Sá-CarneirO
Agosto 27, 2009 at 9:53 pm
O video que está no comentário 10 é a prova bem cabal que esta ministra, assim como muita outra gente, não sabe o que diz nem o que faz. Pior que isso parece que querem saber mais do que aqueles que lá andam e conhecem por conseguinte a realidade. Vivemos num sistema de falácias para o “povão” engolir. Há muito que este sistema de ensino é facilitista e, com esta equipa ministrial continua e acentua-se!
Deixem de contar mentiras, se faz favor e façam deste país um país honesto e intelectualmente sádio!