Não há que ter nenhuma dúvida a esse respeito. Desde 2006 que o sucesso no Ensino Secundário tem vindo a ser galopante. Não há forma de dar a volta à coisa. Se é verdade que a quebra no insucesso tem o seu início em 2001/02 e 2002/03, não há que negar que desde 2006/07 os ganhos são substanciais.
O fenómeno corresponde ao triunfo dos cursos EFA neste nível de escolaridade, uma espécie de currículos alternativos para chegar ao 12º ano.
Não vou entrar na discussão do eventual facilitismo existente nestes cursos. O termo presta-se a equívocos desnecessários. Uma coisa é inegável, mesmo se paradoxal: é mais fácil e rápido um aluno abaixo da média concluir um curso EFA com sucesso, do que um aluno mediano fazer o Ensino Secundário regular.
O resto é conversa fiada sobre o aumento da qualificação da população portuguesa.
Há estudos que demonstrem que a este aumento da certificação e diplomação aos molhos corresponda uma maior qualidade das aprendizagens ou, já agora, cacapacidade de inserção no mercado de trabalho?
Já fizeram um inquérito a sério sobre a opinião dos empresários e empregadores acerca do que acham de quem lhes aparece com estes diplomas (tal como das Novas Oportunidades)?

Agosto 24, 2009 at 9:56 pm
Acabo de ligar para uma aluna minha que acabou agora o 12ºano profissional de Secretariado.Perguntei-lhe se tinha ficado na empresa onde estagiou….Claro que não:está no Mac Donald ! Perguntei pelas suas colegas de turma :nenhuma ficou na empresa onde estagiou.Estão todos a servir em restaurantes ou à procura de emprego .´
E os EFA ,esses saiem sem saber rigorosamente nada de nada.Qual vai ser o futuro destes jovens que andam a ser enganados ??
Agosto 24, 2009 at 9:57 pm
Será mesmo necessário um gráfico? Todos sabemos como aparece o sucesso. Na verdade não é preciso sequer ser professor para o entender.
Apoios, fichas extra, simplificação dos testes, redução da matéria… Credo! Nem vale a pena enumerar. Já não falando nas directrizes de outra ordem ou natureza.
Agosto 24, 2009 at 9:59 pm
Os gráficos estão muito claros e ilustram tudo bem. Só que nós profs sabemos muito bem como se chegam a estes resultados.
Agosto 24, 2009 at 10:21 pm
Agora imaginem os papalvos a lerem isto a julgarem que a estatística é uma ciência exacto e que, contra nºs, não há argumentos.
Paulo, só espero que os jornais te leiam e tenham coragem para publicar os estudos que aqui tens feito.
Agosto 24, 2009 at 10:29 pm
#4
Reb, achas que os jornais vão publicar os estudos que o Paulo tem desmontado e/ou feito?
Eu não tenho muitas esperanças, mas……..
Agosto 24, 2009 at 10:36 pm
E não são só os EFAS.
Fui Professora de Cursos profissionais e sei como acabam os cursos. Quase somos obrigados a passá-los nos módulos. A pressão é grande.
E, tal como o overno apregoa, os cursos profissionais representam quase 50% do número de alunos no secundário.
É só fazer as contas.
É um sucesso forjado. Ao menos, os jornalistas que abram os olhos e denunciem esta situação.
Agosto 24, 2009 at 10:37 pm
Paulo andas a comprimidos de rapidez!!!!
ainda não consegui ler tudo!!!!
Agosto 24, 2009 at 10:59 pm
«Ao menos, os jornalistas que abram os olhos e denunciem esta situação.»
Não podem, têm o patrão em cima deles e contas para pagar. Na área da CS o emprego é mais difícil do que no Ensino Público. E se nós calámos tanta coisa, porque hão-de ser eles a denunciar?
Os pais que se nos apoiem e se manifestem. Afinal, é o futuro dos filhos deles que está em jogo. No Brasil deixaram andar até verem que os filhos chegavam ao 9º ano sem saber ler ou escrever. Chorar ajuda mas não resolve.
Agosto 24, 2009 at 10:59 pm
que nos apoiem
Agosto 24, 2009 at 11:14 pm
“8 Pipa,
O 9º ano é a quarta classe de adultos de antigamente. Não tenham a menor dúvida de que isto caminha a passos largos para o analfabetismo do passado. Somos um País adiado. Se fosse mais nova? Acho que ia procurar vida noutro lugar.
Agosto 24, 2009 at 11:31 pm
#5, Margarida, escrevamos para os jornais a pedir o nosso contraditório. Anexemos este post.
Agosto 24, 2009 at 11:34 pm
http://iluminacoes.wordpress.com/2009/08/24/unthinkable-desires/
O Paulo tá super-sónico!
Agosto 24, 2009 at 11:45 pm
A nossa resposta cabe por colocar incómodas às seguintes questões:
A nível do ensino profissional:
1) É ou não verdade que existem equipas especiais das DRE’s a “vigiar” o sucesso destes cursos?
2) É ou não verdade que num grande número de escolas as provas de recuperação são repetidas até à exaustão até que o professor já cansado manda o aluno efectuar um simples questionário, ou repetir um simples teste, dado na véspera, para que o aluno conclua um módulo?
3) É ou não verdade que um grande número alunos dos cursos profissionais, em estágio, são expulsos ou convidados a sair de empresas por mau comportamento e/ou por mal saberem ler e escrever e efectuar cálculos básicos?
4) É ou não verdade que muitos dos alunos referidos em 3) vão para estágio noutras empresas que os mandam para trabalhos menores: varrer oficinas ou efectuar recados em troca de um estágio virtual certificado, porque esses alunos não reúnem os conhecimentos mínimos funcionais para estagiarem no curso que frequentam?
5) É ou não verdade que as PAP são muitas vezes realizadas por alguns professores que fazem parte do júri?
NO ensino Tecnológico:
1) É ou não verdade que as DRE’s acabaram com os cursos tecnológicos nas escolas do ensino público enquanto que as escolas do ensino privado e cooperativo podem ministrar este tipo de cursos? Será para diminuir o insucesso pelas estatísticas? Ou será para separar os alunos que querem seguir uma via profissionalizante mas querem saber algo mais para prosseguirem estudos superiores?
No Ensino de Adultos:
1) Porque razão as DRE’s estão a fechar o ensino recorrente por módulos, tanto os científico-humanísticos, como os tecnológicos, com programas idênticos aos alunos do regime normal, em detrimento dos EFA?
2) É ou não verdade que os professores nos cursos EFA fazem ou não os trabalhos de avaliação de muitos alunos?
3) É verdade ou não que nos CNO muitos alunos vão reconhecer competências (RVCC) com trabalhos e dossiers não realizados pelos próprios alunos?
4) É ou não verdade que muitos alunos que concluíram o 12º ano em regime EFA são rejeitados quando procuram novos empregos a favor de outros alunos?
5) É ou não verdade que nos EFA secundários os conteúdos matemáticos são quase sempre inexistentes?
Chegou a hora de todos os professores denunciarem SE HOUVER RAZÃO PARA TAL, os alegados factos que se ouvem em voz “off” na sala de professores e que também relatados por empresários.
Agosto 24, 2009 at 11:51 pm
Pedro, vamos fazer uma recolha disso tudo de que falas?
Seria interessante ter, como fontes, professores desses cursos e empregadores desses miúdos.
A verdade! Já não me interessa mais nada senão repor a verdade!
Agosto 24, 2009 at 11:54 pm
#13
Pedro:
Tudo isso é verdade,infelizmente.
É pena que tentem enganar os portugueses com estas estatísticas.
Devemos ser nós a denunciar esta farsa.
Agosto 24, 2009 at 11:59 pm
# 13 Escrevi de rajada:
Corrigir para:
” colocar as seguintes questões incómodas”
” e que também são relatados por empresários”
Agosto 25, 2009 at 12:07 am
Revejam “os cavalheiros do Apocalipse”…
Agosto 25, 2009 at 12:23 am
Concordo. Estes 18% de insucesso referem-se ao Secundário Regular, que deixou de ser frequentado pelos alunos mais fracos. Na verdade só estavam lá a acumular chumbos.
Nos sistemas educativos com melhores resultados há selecção de alunos à entrada do Secundário.
Julgo que o Paulo a referir-se aos EFA engloba os profissionais.
#1
Sei de uma turma de Turismo, de uma escola profissional, de 22 alunos, onde só 1 está a trabalhar na área. É uma ilusão achar que a maioria vai trabalhar na área de formação.
Os politécnicos e universidades estão a abrir CET (Cursos de Especialização Tecnológica) aos molhos, destinados aos alunos com o 12.º ano que não entraram no Superior via concurso nacional, muitos dos alunos dos profissionais vão seguir esta via.
Agosto 25, 2009 at 12:28 am
“ao referir-se aos EFA”
Agosto 25, 2009 at 12:35 am
Como é que podia ser de outro modo? Eles não aprendem nada de jeito e vão passando. Quem é que os quer a trabalhar? Muitos nem querem nem estão habituados a fazer coisa nenhuma, porque “andaram” pela escola anos a fio sem ser preciso trabalhar. Quem pensa que eles querem agora esforçar-se no local de trabalho?! Claro que não se deve generalizar mas é a pura verdade. Os patrões pagam mal e eles não estão muito interessados em trabalhar. Esta gente está a dar cabo do Ensino e caminhamos para o anlfabetismo do passado. Já o escrevi e volto a escrever porque nunca é demais relembrar.
Agosto 25, 2009 at 12:54 am
#13
Pedro Castro, respostas:
A nível do ensino profissional
Não conheço, visto a escola onde ainda estou só ter 10 alunos num Curso Profissional.
No ensino Tecnológico:
1) É ou não verdade que as DRE’s acabaram com os cursos tecnológicos nas escolas do ensino público enquanto que as escolas do ensino privado e cooperativo podem ministrar este tipo de cursos? Será para diminuir o insucesso pelas estatísticas?
Nas públicas estes cursos tinham taxas de reprovação superiores a 50%. Nas privadas o insucesso era e é muito baixo. Nas primeiras foram extintos, nas segundas continuam.
Tive um primo que depois de reprovar na Secundária de S.Mamede Infesta, foi aconselhado a inscrever-se no INED – Maia. Fez o 12.º ano, curso de comunicação, com relativa facilidade.
Os tecnológicos dada a exigência que tinham nunca poderiam ser uma via massificada. Deviam concentrar-se em escolas de referência, nas diferentes áreas, com selecção de alunos.
No Ensino de Adultos:
1) Porque razão as DRE’s estão a fechar o ensino recorrente por módulos, tanto os científico-humanísticos, como os tecnológicos, com programas idênticos aos alunos do regime normal, em detrimento dos EFA?
Altas taxas de insucesso e abandono. Aulas com meia dúzia de alunos…
Os EFAS são mais baratos, têm financiamento comunitário, e produzem melhores estatísticas.
É mau é para quem quiser aprender História, Português, Matemática, etc. Restam-lhes os livros.
O ensino recorrente tinha problemas e desperdícios, mas não merecia este fim.
Sobre os CNO, a minha mãe (está desempregada) foi enviada pelo centro de emprego para um. Tinha a 4.ª classe ficou com o 6.º ano, isto porque fez um dossier pobre (poucas páginas, sem fotos, etc.) e não tinha motivação para aquilo, o restante grupo ficou com o 9.º ano.
Pelo que me descreveu pouco aprendeu. De positivo apenas o convívio e a recuperação dos hábitos de escrita.
Na altura fiquei com a ideia que se tivesse sido encaminhada para um EFA sempre teria aprendido mais alguma coisa. Sempre existem áreas de formação específicas e a carga horária é bem maior. Mas pela descrição que tem sido feito dos EFA, já não tenho a mesma opinião.
Agosto 25, 2009 at 1:36 am
#21, Concordo com a tua análise.
Mas o importante é denunciar.
Agosto 25, 2009 at 12:14 pm
Pedro,
é tudo verdade ! Não percebo é porque é que só agora começa toda a gente a denunciar isto !Eu pensava que era eu a maluquinha.
Agosto 25, 2009 at 12:33 pm
Paulo: os EFAS de nível secundário começaram em 2008 e ainda nem acabaram. Parece-me que esse sucesso galopante se chama Cursos Profissionais.
Em termos práticos só não acaba um EFA quem desiste, e num CP é mais ou menos o mesmo.
Março 12, 2010 at 11:37 pm
ola a todos venho aqui anunciar a minha maior desilusao a nivel do ensino secundário nao o convencional mas o alternativo. apos 3 vezes quase a concluir o 9º ano e sempre quase no fim tinha que desistir, optei agora recentemente por fazer no rvcc. porque é mais rapido e como eu ja estive quase a terminar por 3x achei que era melhor para nao perder mais tempo com o mesmo. e agora quero concluir o secundário para depois ir para a universidade qual o meu espanto que a alternativa ao ensino convencional so me resta cursos efa de dupla certeficação ou nao, mas o pior e que a minha intenção era aprender mais para seguir para a universidade, mas nao me vai ser possivel faze-lo porque como vou eu fazer um curso efa onde nao tenho que estudar nao faço exames nao vou ter avaliação quantitativa, e a unica coisa que tenho de fazer é ir as supostas aulas colaborar nos trabalhos de grupo com os outros colegas basicamente ir lá conviver e validar os supostos modúlos com aprovado ou nao (como se alguem nao ficasse aprovado numa coisa onde nao há notas)nao se dá matematica nem ciencias nem historia. Posto o que iria aprender e como iria eu para a faculdade sem média ou sem ter aprendido nada. eu queria era aprender e nao conviver porque para isso posso faze-lo com os meus amigos e até perco a vontade de querer fazer seja o que for a nivel escolar