O Miguel Pinto acha que encontrou uma falta de coerência na minha defesa de todos se candidatarem à prova pública de ingresso na carreira de titular – e atenção que não é a aprovação nela que assegura o título que depois fica sujeito a concurso com quotas – e repesca posições críticas minhas quando da questão dos OI.

O Miguel só falha – acredito que por distracção e feitos do calor, pois penso que chegámos a discutir isso -  no facto de  no arranque no modelo de ADD eu ter defendido que deveríamos entupir a sua aplicação com recurso a todos os trâmites do complex.

Como acho que deveríamos fazer agora.

Depois vieram os simplex - o primeiro pela mão dos que o Miguel acham estar sempre correctos na estratégia – e as coisas mudaram. Os OI não estavam no ECD e efectivamente eu achei mal que os delegados sindicais apelassem á sua entrega.

Também falha – já agora e está registado no livro do blogue e em um ou dois artigos impressos e julgo que em Setembro em obra colectiva – porque eu até defendi a opção de uma prova ou aula pública para mudança de escalão, a ser feita no fim de cada período de avaliação, preferencialmente de 3 a 5 anos.

Mas o Miguel acha que tudo é imutável, se podem isolar momentos diferentes, em contextos diferentes e que tudo vai dar ao mesmo.

Importante seria o Miguel dizer o que pensa sobre a situação desta prova. Mas o Miguel é prudente. O Miguel está à espera da voz do alto, que comande. E então escreve, de forma circular o seguinte:

O Paulo diria há uns meses que a sua inflexão seria uma incoerência. Diria precisamente: “quer-me parecer que há quem deseje o melhor de dois mundos: recusar a avaliação para efeitos de luta e depois tê-la para assegurar a vidinha.” Mas ainda bem que inflectiu porque não se trata de desejar o melhor de dois mundos, como escreveu ao classificar a acção da FENPROF. Trata-se de escolher a melhor estratégia de luta para o combate político: Estratégia susceptível de se verificar inócua e até de suscitar resultados opostos aos desejáveis. Mas, como diria uma personagem aqui do Norte, prognósticos… só no fim do jogo ;)

Mantenho o que escrevera há uns meses: há uma linha muito ténue que separa a incoerência do desacerto na escolha de uma estratégia de luta. Por todas as razões e principalmente porque a melhor estratégia terá de ser tangível àquilo que a maioria está disposta a dar! E quando se trata de aferir a vontade das maiorias… estamos conversados 8)

Se tomarem atenção, no fundo e à superfície, o Miguel não tem uma posição por falta manifesta de uma opinião que não passe pela crítica à minha.

Ao menos eu penso pela minha cabeça e anuncio o que vou fazer, de forma clara, perante as circunstâncias que se me oferecem. Até poderei vir a mudar, ou inflectir, mas será sempre às claras e à vista de todos, sem ser a mando de. Não, não entreguei os OI, não, não entreguei a FAA, nem a declaração de objecção de consciência dos sindicatos. Entreguei o que achei que dignificava o meu trabalho e o retratava com alguma fidelidade.

E isso sempre assumi às claras… quando achei por bem… sem ser a reboque de. Por isso há quem não goste.

O Miguel fez o que a Fenprof determinou. A opção inócua, sem riscos, tangível para a maioria. Ou algo assim.

O Miguel espera pela Fenprof que, por estes tempos, está a banhos com todo o resto da Plataforma, excepto um ou outro comunicado contra.

Quando a Fenprof se pronunciar, o Miguel fornecerá uma leitura ligeiramente sofisticada da posição dominante, para consumo da maioria.

Já agora, maioria por maioria, acho que foi essa a argumentação – fazer o que a maioria está disposta a dar – que levou o Sócrates a este poder quase absoluto.

Mas se lermos bem, o Miguel defende isso, mas não só, pois não se percebe bem se deixa a porta aberta para outra coisa.

O Miguel é prudente.

O Miguel sabe que não deve arriscar neste momento. Sabe apenas que deve manter-me à distância, com as minhas inflexões e opiniões.

Ele lá saberá porque acha prioritário comentar a minha posição e não a medida do ME.

Estranhas prioridades, Miguel. ;)