Agosto 2009


Rolling Stones, She’s So Cold (e a versão original de 1979)

I’m so hot for her, I’m so hot for her
I’m so hot for her and she’s so cold
I’m so hot for her, I’m on fire for her
I’m so hot for her and she’s so cold

I’m the burning bush, I’m the burning fire
I’m the bleeding volcano
I’m so hot for her, I’m so hot for her
I’m so hot for her and she’s so cold

lemos 7

Não sei como vos comunicar tamanha alegria. É que o João Cardoso conseguiu, à custa de muito fustigar o equipamento, enviar-me 8 imagens da entrevista de Valter Lemos ao jornal As Beiras e que não está disponível online, enquanto o João B. me prometeu a passagem a texto da entrevista da MLR.

É assim…

A modos que não sei que faça, para onde me vire.

Estou quem nem um Nuno Eiró ou uma Maya em plena sessão televisiva  da tarde, com revistas cor-de–rosa assim ao redor.

É só doces.

Por causa das cáries e do diabetes, há que dosear porque amanhã também é dia.

Obrigado, Senhor, eu estava mesmo a precisar que me animassem, que isto estava com a hubris muito descaída.

Perante a tirada anterior, os entrevistadores engoliram em seco e perguntaram se «É possível fazer reformas contra os principais agentes do sistema que as podem concretizar?»

A resposta é um portento de vazio de substância do género comme ci, comme ça… desde que não diga porquoi

Bersejei em gálico ou é impressão minha?

Há muitos aspectos de mudança, depende do que estamos a falar. Nesse campo fazem-se generalizações que se baseiam em preconceitos. É uma ideia bondosa dizer que não se pode fazer uma mudança a não ser com aqueles que são alvo dessa mudança. A história está cheia de exemplos em que assim é, mas também de exemplos em que assim não é.

À disciplina que permite este conhecimento tão acutilante do devir histórico das sociedades costuma chamar-se Sociologia Histórica da Balela.

As duas primeiras páginas da entrevista de MLR ao Diário Económico mereceriam prosa própria caso estivéssemos em 2005, 2006 ou mesmo 2007. Agora até já chateia e sinceramente faltam-me o tempo, a paciência e o ânimo. Vou apenas retirar dela umas passagens que demonstram até que ponto passa por aqui um rasto de… bom, deixa-me ficar calado.

Por ordem de entrada em cena na entrevista, começando pela parte em que discorda que destruam o seu trabalho, visto que ela respeitou o dos antecessores:

Procurei imprimir uma orientação de total respeito pela herança que recebi, colocar o interesse do país, dos jovens e das famílias acima de qualquer outro interesse e continuar o caminho daquilo que são grandes consensos.

Publicada no passado dia 27 de Agosto. Afinal sempre é feito o devido remendo na Lei de Bases do Sistema Educativo.

Continuam umas pontas por acertar em termos de operacionalização, mas isso depois logo se trata.

clichés que se tornam armadilhas na produção de opinião sobe diversas matérias. Na Educação tornou-se um estribilho dizer que não é preciso ser professor para ser ministro, pois não é preciso ser médico para ser ministro da Saúde. Ou que a prioridade são os alunos e não os professores quando se trata da Educação.

  • Quanto ao primeiro aspecto, morre a boca pelo peixe, pois a actual ministra da Saúde é médica.
  • Quanto ao segundo, também me parece que a prioridade na Saúde devem ser os doentes, na Justiça os cidadãos e não os juízes ou advogados e podemos ir por aí abaixo.

Só que o que me parece profundamente anormal é que por mais de quatro anos exista uma titular de uma pasta governamental que repetida e consistentemente avilte o papel dos profissionais que tutela e os ofenda de modo repetido em todas as entrevistas que dá.

Hoje, no Diário Económico, Maria de Lurdes Rodrigues, demonstra até que ponto não tem qualquer interesse em despedir-se com um mínimo de delicadeza ou elegância.

É pena. Para a recordista de permanência na 5 de Outubro é obra. Acabar o mandato com a dose de acrimónia que ela demonstra é algo trágico do ponto de vista político, pessoal e institucional.

Quando alguns tentam camuflar o rasto de MLR e desdramatizar a total quebra de confiança entre professores e ME, ela afirma coisas como as seguintes:

Temos a abertura de ano lectivo com a gripe A. É sempre exigente e este ano é particularmente exigente, porque além da gripe temos as eleições que vão coincidir com a semana da abertura das aulas. É necessário estar atento porque tudo será aproveitado para o combate político e as escolas estão mal preparadas, no geral, dessa instrumentalização e portanto é necessário proteger as escolas. (Diário Económico, 31 de Agosto de 2009, p. 6)

Esqueçamos que MLR parece desconhecer o calendário eleitoral. As aulas arrancam duas semanas antes das eleições.

Quanto à instrumentalização, é verdade que as escolas estão desprotegidas, pois estão vulneráveis a todo o tipo de inaugurações, visitas e cerimónias promovidas pelo ME em pleno período de campanha eleitoral. Vai ser lindo de ver como Sócrates e Ciª vão atacar em força por esses dias.

Quanto a proteger as escolas, isto cheira-me a evidewntes instruções para tornar opaco o arranque do ano lectivo em tudo o que possa ser menos agradável para o Governo. Quer-me parecer que os Directores andarão de rédea curta e a máquina de propaganda irá controlar, ou tentar controlar, tudo ao milímetro.

E isso é preocupante. Não sei se é asfixia democrática. Sei apenas que autonomia e transparência vão ser palavras vãs.

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Escola a tempo inteiro um anacronismo?

A perversa construção do mercado na educação

Pelo diário As Beiras no sábado passado. Rezam as crónicas que são 5 páginas memoráveis.

Enquanto não se consegue arranjar imagens, visto não existir na edição online, fica aqui ligação para o post do Aventar onde se abordar o evento digno das maiores hossanas.

A questão que agora se coloca é: onde e quando aparecerá Jorge Pedreira a ser entrevistado?

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Mais logo espero conseguir suportar o esforço de ler mais uma longa entrevista (neste caso ao Diário Económico) em que MLR demonstra nada ter conseguido perceber após este 4,5 anos no Ministério da Educação.

A linguagem sempre a raiar o ofensivo, mas que retrata fielmente uma certa forma de pensar. O azedume sempre a aflorar nas declarações. O auto-elogio fácil e com escasso pudor. A manipulação ou a obliteração dos factos. Uma verdadeira incapacidade para compreender que a razão não lhe assiste a 110%. E a atitude de quem se sente uma espécie da Pasionaria irritam qualquer um, mas mesmo que seja um trabalho pouco limpo, alguém terá de desmontar mais esta investida.


Explicações, recomendações e outras acções na caixa de comentários.

Caro ao país saiu pagar-lhe durante mais de quatro anos o salário mais os extras…

“Paz com professores vai sair muito cara ao país”

Maria de Lurdes Rodrigues diz que a oposição erra ao tentar “comprar a paz com os professores”.

Durante toda a entrevista, Maria de Lurdes Rodrigues manteve a determinação que lhe é reconhecida e que os opositores, nomeadamente os sindicatos, caracterizam de teimosia. A ministra da Educação fez o balanço do mandato e respondeu aos críticos dentro do PS. Quanto às promessas da oposição, avisa: “Estão a comprar a paz com os professores por um preço que o país não pode pagar”.

O PSD já disse que se vencer as eleições vai deitar abaixo algumas das suas principais reformas…
Já vimos muitas coisas voltar atrás, com efeitos muito negativos para o país. Procurei conduzir a política educativa ao longo destes quatro anos valorizando e potenciando a herança que recebi. Podíamos simplesmente ter destruído a introdução dos exames no 9º ano, decidida pelo governo anterior. Mas considerámos que era muito importante não ter hesitações nessa matéria. Houve, nos últimos anos, decisões muito importantes de outros executivos que foram decisivas para algumas realizações deste mandato. Se a atitude for “vamos ver o que é que eu consigo destruir do que o meu antecessor fez”, isso é muitíssimo negativo e certamente prejudica o sistema educativo que, ainda por cima, tem na memória muitos traços dessas hesitações. Procurei imprimir uma orientação de total respeito pelas heranças que recebi, colocar o interesse do país, dos jovens e das famílias acima de qualquer outro interesse e continuar o caminho daquilo que são grandes consensos.

Até ao último momento esta mulher há-de ser incapaz de entender que errou, que fracassou e que manipulou. Não consigo perceber se é uma prolongada ilusão se algo de carácter mais patológico.

Deprimente.

MAs uma prova de que com os actuais mandantes nada de essencial mudará.

Dizem-me que na página 23 do DN de hoje, Albino Almeira reclama um lugar no Conselho Económico e Social porque quer ter uma palavra sobre o Orçamento de Estado, pois é parceiro (leia-se, Confap) do Estado desde 1997.

Pois. Sabemos.

Se por parceiro entendermos quem recebe subsídios e está sempre ao lado das posições do subsidiante e aparece sempre que é necessário, tem toda a arazão, com destaque para as suas gerências.

Mais comentários são dispensáveis perante tamanho desplante.

Uma recomendação: porque não trata Albino Almeida de criar uma conferderação parental para o ensino privado? Era mais coerente e assim poderia ser um duplo parceiro…

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Primal Scream, Uptown/Beautiful Future

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Este é o 6º episódio da saga épica e grandiosa em cinemascope do Antero.

Ainda hoje comentava com alguém ao final do dia que, se uma rede de creches é algo necessariamente bom, o mesmo não se passa com esta ideologia de armazenar crianças o dia inteiro em espaços destinados a garantir que os pais podem ir trabalhar até cair para o lado.

Sócrates promete rede pública de guarda de crianças

Repito: este modelo de «Estado Social» está nos antípodas daquele que tem caracterizado as sociedades europeias mais avançadas. E não há albino que me desconvença disso.

Carolina Patrocínio satisfeita com o fim da recessão técnica

Na “condição de cidadã atenta e preocupada” com o seu país, a mandatária do PS para a juventude, a apresentadora de televisão Carolina Patrocínio, participou ontem na rentrée do partido e centrou o seu discurso no elogio de duas notícias que atribuiu às medidas do actual Governo: o “fim da recessão técnica” e a “redução do insucesso escolar”.
“Portugal foi objectivamente dos primeiros países a sair da recessão técnica e isto assinala o início da retoma económica”, declarou a mandatária, lendo um papel, no parque municipal de Santa Cruz, que ficou apenas a metade da sua capacidade.
(…)
O PÚBLICO sabe que a apresentadora foi aconselhada a não dar entrevistas, depois de declarações a uma televisão em que dizia que é a sua empregada que lhe tira os caroços das cerejas e que prefere fazer batota a perder.

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A luta pela desigualdade

Sócrates nega a existência de “facilitismo”, o que é um facto se tivermos em conta que, por enquanto, o Estado não distribui doutoramentos por recém-nascidos

A notícia de que as reprovações no ensino “básico” e “secundário” caíram vertiginosamente durante os últimos anos apanhou-me desprevenido. Sinceramente, julgava que o eng. Sócrates e a sra. ministra já tinham conseguido erradicar total e definitivamente tal calamidade, e que a figura do “chumbo” estava hoje restrita às decisões de Cavaco Silva sobre as leis governamentais. Erro meu. Pelos vistos, ainda há alunos que reprovam. Permitam-me uma pergunta: como? Permitam-me agora uma resposta: não é fácil e, em abono da verdade, há que reconhecer os esforços do Governo em sentido contrário, embora no mesmo sentido dos governos anteriores. Se bem se lembram, foi o presente ministério da Educação que alertou para o peso de cada reprovação no sensível bolso dos contribuintes. Foi o ME que transformou a reprovação numa tortura burocrática que Kafka não se atreveu imaginar. Foi o ME que inventou o novo “Estatuto do Aluno”, o qual praticamente ilegaliza as “retenções”. Foi o ME que vinculou a avaliação dos professores e das escolas às notas dos alunos. Foi o ME que deixou alunos com 8 ou 9 negativas “transitarem” de ano. Foi o ME que dissipou a pouca autoridade que restava aos decentes sobre as crianças. Foi o ME que baixou a exigência dos exames nacionais para níveis acessíveis a uma ou, vá lá, a duas alforrecas. Foi, enfim, o ME que criou as Novas Oportunidades de forma a legitimar com diplomas do 9.º e do 12.º anos os analfabetos não legitimados pelo “ensino” tradicional. Perante isto, o eng. Sócrates nega a existência de “facilitismo”, o que é um facto se tivermos em conta que, por enquanto, o Estado não distribui doutoramentos por recém-nascidos. Mas é só isso que falta para consagrar de vez o maravilhoso sistema que, sob o argumento da igualdade, esmera-se em distinguir a criança privilegiada da pelintra: a primeira beneficia da formação familiar, de colégios decentes e do que calhar; a segunda não tem o que a salve do dispendioso atraso de vida que é a escola pública. Termino com um exemplo. Nas suas recomendáveis memórias (A Personal Odissey), o economista Thomas Sowell lembra o ano do liceu em que falhou semanas de aulas devido a doença. Ao regressar à escola, soube que a sua turma beneficiara de uma espécie de passagem colectiva que o obrigava, também a ele, a mudar-se para o ano seguinte. Certo de que não fazia sentido passar de ano sem ter aprendido a matéria do ano anterior, Sowell iniciou (sozinho: filho de pretos pobres, os seus familiares não eram exactamente participativos no “ambiente” escolar) uma pequena batalha com as autoridades do liceu de modo a que o deixassem reprovar. Ganhou. Anos depois, graduou-se em Harvard e na Columbia e tornou-se um dos mais lúcidos intelectuais americanos, felizmente ainda vivo. No Portugal do eng. Sócrates e da sra. ministra, subordinado ao fogo fátuo, nem o raro espírito de Sowell teria hipótese: naquilo a que, por eufemismo ou ironia, se chama a escola democrática, os fracos perdem sempre e perdem tudo. Excepto o ano.

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