Público, 22 de Julho de 2009
Julho 2009
Julho 22, 2009
Julho 22, 2009
A TRAIÇÃO DOS EXAMES NACIONAIS
Há dois anos, por esta altura, foi publicado um pequeno artigo crítico meu com este título na secção “Cartas ao Director” no jornal Público, onde me referia aos exames nacionais do Ensino Secundário. Agora faço uma reflexão idêntica aqui.
Até há um ano atrás, tanto as disciplinas bianuais como as trianuais eram sujeitas a exame nacional com a totalidade dos seus conteúdos programáticos. Desde o ano passado, as trianuais são sujeitas apenas aos conteúdos do 12º ano, o que representa um alívio muito significativo para os alunos; mas os exames das bianuais, sejam terminais no 11º ou no 12º, mantêm a carga completa.
Antes da reforma curricular que originou a situação presente, as disciplinas do ensino secundário eram sujeitas a exame apenas no 12º e com matéria desse ano. Além disso, o Ministério da Educação estabelecia até alguns conteúdos como prioritários, e eram sobretudo esses que apareciam em exame.
Vejamos o que se passa actualmente, tomando como exemplo disciplinas bianuais que lecciono. Os três anos das disciplinas de Geometria Descritiva e de História da Cultura e das Artes (antes designadas por Desenho e Geometria Descritiva e por História da Arte) foram condensados em dois. Quando trianuais, estas disciplinas funcionavam com duas aulas por semana; agora bianuais funcionam com três. Não esquecer ainda que anteriormente cada aula era de 50m+50m e que agora é de 90m.
Além disso, disciplinas como Geometria Descritiva precisam de tempo para treinar e assimilar; um programa muito extenso e com três aulas por semana não o permite. O programa de História e Cultura das Artes é agora excessivo para a maturidade de alunos com 15-16 anos; além de Arte e História em geral, aborda religião, filosofia, economia, política, estratégia militar, etc. Assim, cedo chegam as dificuldades, as aulas de apoio, as explicações, o desinteresse e até o abandono.
Os resultados obtidos nestas disciplinas, e noutras em condições análogas, tanto em frequência como em exame nacional estão muito aquém dos que se obtinham anteriormente. Cumprir, ensinando e assimilando os conteúdos programáticos ao longo de três anos, a duas aulas por semana, não é o mesmo que o fazer em dois anos e com três aulas por semana.
Mais velhos, mais maduros e mais treinados, os alunos do Ensino Superior são sujeitos a exames semestrais. Os do Ensino Secundário são sujeitos a exames que comportam matéria de quatro semestres; até há pouco tempo também de seis, no caso das disciplinas trianuais. Que sentido faz tudo isto?
São feitos estudos sobre muita coisa, mas ainda um (pelo menos que se tenha tornado público) que se debruçasse sobre este problema, que é actualmente talvez a principal causa de insucesso nos exames nacionais do Ensino Secundário. Seria interessante fazer-se um estudo comparativo entre os resultados obtidos nos últimos anos e os que se obtinham antes da actual reforma. Mas teria de ser um estudo sério, que pusesse de parte, claro está, facilitismos que entretanto se implantaram a Português e a Matemática com o objectivo de forjar o sucesso, ao gosto da actual equipa do Ministério da Educação.
Julgo que se solucionava o problema e se motivariam os alunos se fossem adoptados dois dos seguintes procedimentos: voltar a fazer funcionar estas disciplinas, e outras que apresentem as mesmas dificuldades, em três anos; fazer incidir o exame apenas sobre os conteúdos do ano terminal; diminuir o grau de dificuldade dos programas; reduzir os conteúdos programáticos; definir conteúdos prioritários.
António Galrinho
Julho 22, 2009
Cartoons de Nate Beeler, Mike Keefe e Patrick Corrigan
Desculpem-me os incondicionais do fenómeno, mas eu sou pré-pós-pós-moderno.
Julho 22, 2009
No momento que escrevo, já 39 blogues ligaram (e falo apenas daqueles que usam o Twingly) para a notícia do Público que dá conta do aluno que passou de ano com nove negativas.
O assunto já corria pela net há dias, já tinha assomado na blogosfera, mas uma espécie de indiferença apossou-se de mim ao ler os detalhes da situação.
A sério, só se entusiasma muito com isto quem não anda mesmo por dentro dos meandros do sistema educativo e só vê a espuma das ondas e se esquece que o importante são as correntes submarinas.
Passar de ano com 9 negativas, num conjunto de 14 fatias curriculares no 3º ciclo não é coisa inédita, embora talvez, mas apenas talvez, rara. Já vi no 2º ciclo passarem com 6 ou 7 em 9 e houve mesmo um ano em que fui obrigado a usar uma espécie de voto de qualidade como Director de Turma, quando tentaram passar uma aluna com negativa a todas as disciplinas excepto um nível 5 na disciplina da pessoa que a protegia e a deixava ficar nas suas aulas de outras turmas, enquanto faltava às restantes disciplinas. E bastantes críticas sofri por ter desempatado um votação que estava 4-4.
E não era por nenhuma razão transcendente.
Há algo que devemos ter sempre em conta: as leis existem, com toda a sua permissibilidade, mas somos nós que as aplicamos e temos a hipótese de usar ou não as margens de indefinição/autonomia que elas ainda nos permitem.
No caso da avaliação dos alunos, abandonou-se há perto de 20 anos a rigidez do chumbo automático com três negativas. Que em muitos casos significa quatro negativas, porque a terceira era quase sempre objecto de análise, discussão e eliminação.
A partir de então passámos a navegar num pântano em que, por causa dos preconceitos soixante-huitard da maior parte dos nossos pedagogos e políticos da maior parte da esquerda e mesmo da direita, se passou a associar avaliação a classificação, a selecção, a hierarquização e a exclusão. Com todas as acusações possíveis de elitismo a quem não adere à ideologia desculpabilizadora do insucesso.
Todos os anos 90 sedimentaram esta postura que é muito característica em especial de uma esquerda bem-pensante e socialmente prozaquiana. Foi aqui que floresceram os gualteres. Do coutismo ao benaventismo.
E sempre com a possibilidade de desculpabilização individual pelas decisões formalmente colectivas. Ou seja, é o Conselho de Turma que é colegialmente responsável pela avaliação dos alunos. O que abre a porta a um intercâmbio e partilha de ideias e decisões, mas também a intromissões indecorosas e a desresponsabilizações vergonhosas.
Quem anda por dentro do sistema sabe bem o que se passa em muitas reuniões de avaliação, quando as coisas atingem este tipo de proporção. Ou, na inversa, quando alguém decide atribuir nível 1 a qualquer aluno.
Mas eu volto á mesma tecla: a legislação está lá, permite muito desmando. Mas não é menos verdade que está nas nossas mãos aproveitar essa flexibilidade de acordo com as nossas convicções.
Não adianta deitar as mãos à cabeça publicamente com este caso e depois replicá-lo, com esta ou aquela desculpa.
O miúdo passou com 9 negativas e o beneplácito de um conselho de turma e um conselho pedagógico?
Business as usual.
Siga em frente, é menos um nas Novas Oportunidades e a candidatar-se a fazer um curso universitário naquela coisa do 23+ ou maiores de 23.
Já não me excito por coisa tão comum.
Até posso escrever assim, longamente, mas não se deixem enganar, é só spleen. Só spleen. Com um ligeiro soriso à mistura.
Julho 22, 2009
O Portugal De Sucesso
Posted by Paulo Guinote under O Portugal de Sucesso, Perturbações[17] Comments
Dias Loureiro suspeito num novo processo por corrupção
O Ministério Público abriu um novo processo contra o ex-conselheiro de Estado no âmbito da investigação ao caso BPN. Dias Loureiro é agora suspeito de ter recebido luvas na venda da Plêiade à SLN.
Já sei que a presunção da inocência é algo sagrado numa Estado de Direito, mas a ascensão meteórica de Dias Loureiro após a saída do cavaquismo sempre me fez alguma confusão, em especial a passagem de alguém que tutelou a Administração Interna e sempre apresentou um perfil político para cargos na área empresarial e financeira.
E depois há aquela conjugação estranha de ser um dos pretensos senadores da Nação (conselheiro de Estado), uma espécie de eminência parda do PSD, mas ao mesmo tempo o prefaciador do menino d’oiro e o um dos pólos do centrão dos negócios que tem Jorge Coelho (curiosamente também um ex-ministro da Administração Interna) como estrela simétrica.
Julho 22, 2009
Benzósdeus
Posted by Paulo Guinote under Perturbações, Portugal Profundo, Portuguesismos[5] Comments
Julho 22, 2009
Dave Matthews Band, You Might Die Trying
Julho 21, 2009
O Ministério da Educação pretende que a calendarização da avaliação no próximo ano lectivo esteja definida dia 30 de Outubro.
A Fenprof propôs que essa calendarização pudesse ser feita até 18 de Dezembro.
Tudo bem, são discordâncias. Agora a razão que Jorge Pedreira adianta para não aceitar a data é que é risível:
«A proposta da Fenprof representaria criar dificuldades à aplicação do modelo porque era colocar um prazo de tal forma tardio, que as condições para fazer a avaliação no próximo ano lectivo já seriam bastante difíceis», entendeu.
Mas então nos últimos anos quando é que foi feita a calendarização? Neste abno lectivo foi em Janeiro que saiu o simplex2 e no ano anterior foi em Maio.
Aliás, há escolas para quem a calendarização inicial foi letra absolutamente morta e acabo de saber que na sequência da mudança de gerência em mais uma Secundária aqui perto de mim voltaram a mudar as regras em relação aos Objectivos Individuais.
Mas em que mundo vive Jorge Pedreira?
Há escolas em que a ficha de autoavaliação deste biénio tem prazo de entrega provavelmente posterior ao início do processo de avaliação que querem implementar com base no simplex3247!
Julho 21, 2009
R.I.P. – Frank McCourt (1930-2009)
Posted by Paulo Guinote under Protagonistas, Tristeza[9] Comments
Autor tardio de um dos meus livros de sempre, professor depois de uma infância e adolescência dificílimas e com uma vida acidentada que deixou registo tanto no fabuloso Angela’ Ashes, como no menor ‘Tis e no mais interessante Teacher Man que tenho por ai na badana do blogue.
Notícias do Público e do Irish Times.
Julho 21, 2009
Leituras – O Peso Da Responsabilidade
Posted by Paulo Guinote under Leituras, Responsabilidade[12] Comments
De Tony Judt, de 1998, quando ainda ia a caminho do estrelato global:
Três pensadores mestiços até à medula: Blum, Camus e Aron.
Julho 21, 2009
Aplica-se Aquela Coisa Do Fazer Fé Na Palavra, Como Com Os Deputados?
Posted by Paulo Guinote under Deixa-me Rir[62] Comments
Ministra da Educação falta a audição no Parlamento por indisposição
Terá sido o croquete que estava estragado? Ou o filete que era malandro?
Já sei!!! Foram as bolachinhas que se lhe atravessaram no goto!!! Com um cházinho e umas pancadinhas nas costas diz que passa.
Julho 21, 2009
E Eu Que Tenho Feito Isto Sempre De Borla!
Posted by Paulo Guinote under Certificação, Dúvidas, Manuais, Negócios[29] Comments
Eis o despacho n.º 16497/2009 que fica o montante a pagar aos avaliadores do manuais escolares
17 de Julho, determina -se o seguinte:
1 — A remuneração a atribuir aos membros das comissões de avaliação dos manuais escolares a que se refere o artigo 9.º da Lei n.º 47/2006, de 28 de Agosto, é fixada por manual escolar avaliado, da seguinte forma:
a) Coordenador da comissão de avaliação — € 1400;
b) Restantes membros da comissão de avaliação — € 900.
2 — Da aplicação do número anterior não pode resultar o montante global superior a € 5000 por manual avaliado.
30 de Junho de 2009. — O Ministro de Estado e das Finanças, Fernando
Teixeira dos Santos. — Pela Ministra da Educação, Jorge Miguel
de Melo Viana Pedreira, Secretário de Estado Adjunto e da Educação.
Não é nada mau, mas o que eu gostava mesmo era de saber os critérios de selecção dos avaliadores,a começar pelos coordenadores…
Porque o plafond de 5.000 € dá para cinco avaliadores por manual (!!!). Multipliquem-me lá isto pelo número de manuais em circulação…
Garanto-vos, acho que neste momento há muito autor de manual que preferia estar a certificá-los. Certamente ganharia mais…
Julho 21, 2009
Agora Expliquem-me A Diferença Como Se Eu Fosse Tão Louro, Tão Louro, Que Me Passava A Chamar Albino!
Posted by Paulo Guinote under A Lógica do Tubérculo, Bocejo, Dúvidas[26] Comments
O jornal I apresenta, ao que parece em defesa da tese de na maioria dos países europeus existir liberdade de escolha das escolas pelos encarregados de educação, o seguinte mapa:
Sobre o dito cujo mapa só vou pedir que me esclareçam o seguinte:
Qual é a diferença substancial entre um país (como Portugal, assinalado a cinzento), em que «os estudantes são colocados na escola da área de residência», sendo «necessário um pedido para a dispensa da decisão» e um país (como a Alemanha ou a Finlândia, assinalados a rosa) onde «os estudantes são colocados na escola da área de residência», mas em que «os pais podem requerer uma alternativa»?
Eu sei que sou fraco na distinção de subtis matizes de significado e significante (ou vice-versa) na traiçoeira língua pessoana, mas a mim quer-me parecer que, sem ser preciso chegar ao fundo, as consequências práticas são as mesmas, correcto?
Com a (des)agravante de em Portugal o controle efectivo sobre os dados fornecidos pelos encarregados de educação ser uma ficção e na Alemanha ou Finlândia ser a sério.
Julho 21, 2009
O Eterno Retorno De Um Falso Problema
Posted by Paulo Guinote under Educação, Irrelevâncias, Liberalismo?, Liberdade?, Redundância, Superficialidades[22] Comments
Acho que a matéria ainda não está na edição online do jornal I.
É um assunto que me diverte pela sua irrelevância prática.
Na esmagadora maioria dos casos, os pais e encarregados de educação já colocam os filhos e/ou educandos onde muito bem entendem, desde que exista vaga e sejam bem-vindos.
Vamos ser sinceros: só não consegue escolher a escolha dos seus filhos quem não a poderia escolher de qualquer maneira, mesmo com um método de escolha livre. Porque ou não teria meios para o efeito – e os efeitos de um eventual cheque-ensino seriam quase residuais – ou então porque os métodos de selecção das escolas melhores os manteriam fora, por não cumprirem os critérios mínimos ou serem indesejáveis.
A verdade é esta, mas é sempre interessante ver este tema renascer de forma periódica, normalmente a partir de uma direita que se afirma liberal e bem-pensante.
Por mim, que não me costumo achar muito de direita, tanto se me faz. Liberdade de escolha ou não.
A favor, tenho o argumento de, caso fosse legislada a total liberdade de escolha, a discussão ficar resolvida por uns tempos (poucos) até se perceber o falhanço da medida ou, no mínimo, o pouco que alteraria no panorama educativo nacional. Contra tenho a evidência de, onde a prática está mais instalada (EUA) o modelo acabar com a guetização socio-escolar da miudagem.
Por isso, o melhor mesmo é decretarem de jure algo que já existe de facto. e pelo menos haveria todo um largo sector da opinião sobre Educação que ficaria sem razão para protestar.
Julho 21, 2009
Pedro Vieira [primeiro português a ganhar uma medalha na competição], 18 anos, falou ao CM sobre as Olimpíadas Internacionais de Matemática.
– O Plano de Acção para a Matemática não ajudou a melhorar as coisas, como diz o Governo?
– Nunca senti isso. Importante foi o projecto Delfos, que nos prepara para estas competições.
Julho 21, 2009
Julho 21, 2009
Iliteracia Funcional
Posted by Paulo Guinote under Língua de Trapos, Obediências, Truques, Vícios[79] Comments
Acontece em muitas casas de família. É um problema nacional. Dificuldade na compreensão de textos escritos, em particular aqueles que estão em idiomas da estranja, mesmo que seja em inglês, a língua que o nosso primeiro decretou universal desde a mais tenra idade.
Só que as gerações mais antigas não beneficiaram de tal medida e depois é o que se vê. Frequentaram cursos acelerados de Inglês Técnico e a coisa fica difícil.
Vejamos o caso do editorialista de hoje do Diário de Notícias, ao tentar analisar as conclusões do relatório da OCDE. Quanto às opiniões dele(a) nem vale pena falar muito. Concentremo-nos na parte factual:
Em suma, a OCDE concorda com uma estratégia incremental de maior exigência e complexidade do modelo em vigor, passo a passo, à medida que se criarem as condições técnicas e a qualificação humana para o fazer.
Para já gosto do incremental, que é uma palavra gira. Mas o que me preocupa mesmo é a parte que avivei para maior destaque.
Vejamos o que diz efectivamente o relatório da OCDE na versão original em Inglês, e não na súmula disponibilizada no site do ME, que por qualquer razão não coloca a ligação para o relatório completo.
Comecemos pela página 45:
Lighten the current model for use as predominantly career-progression teacher evaluation, mostly internal to the school but with an external element, based on common national-level criteria across schools, and with consequences for career advancement.
Pronto, pronto, o editorialista do DN não é obrigado a saber o que significa lighten. Pode pensar que é qualquer relacionada com luz e pode ter pensado que o modelo era iluminado. Acontece. O inglês é assim, uma linguagem malandra. Nunca se percebe bem o que estão a dizer, daí as subtilezas do humor britânico. Lighten the current model poderia querer dizer iluminem o actual modelo, na perspectiva de o tornar mais claro, quiçá mais incremental, exigente e complexo.
Mas infelizmente não é porque mais adiante, na página 48, se escreve acerca da aplicação do modelo que a equipa que fez o estudo:
(…) recommends pursuing its implementation with three main adjustments. First, it would seem sensible, given the time needed to develop expertise on teacher evaluation and the current burden placed on school actors, to proceed with some simplifications to the current model. These, in particular, could involve reducing the frequency of career-progression evaluation and simplifying evaluation criteria and instruments.
Aqui é que é o caraças. Então não é que aparece o proceed with some simplifications to the current model e o symplifying evaluation criteria and instruments.
Ó cum camandro, como é que um tipo consegue traduzir simplifications e simplifying por maior complexidade?
Só mesmo com muita falta de atenção ou na base daquela perspectiva pacheco-pereiriana de que os políticos (e por extensão os jornalistas) se expressam tão mal na sua língua materna (?) que aquilo que dizem não é bem o que querem dizer, mas outra coisa conforme as circunstâncias.
Portanto, a modos que é assim: o relatório da OCDE recomenda explicitamente a simplificação do modelo de avaliação e dos seus critérios e instrumentos mas o editorialista diz que recomenda uma maior complexidade.
Alguém mais desconfiado do que eu poderia acusar o escriba de má-fé, distorção objectiva dos factos, de escrever por encomenda ou para satisfazer desígnios mais altos do que os seus.
Eu apenas acho que é alguém que, ao não beneficiar da introdução do inglês desde o primeiro ciclo, ficou marcado para a vida por um défice na compreensão da língua do P. G. Woodehouse, John Cleese, Rowan Atkinson ou mesmo do Benny Hill.
E no fundo, tudo isto é uma enorme comédia. O editorialista de hoje do DN é apenas mais um figurante inocente.
Julho 21, 2009
Será Que Vamos Ter Direito A Mais Alguma Pérola?
Posted by Paulo Guinote under Debates, Educação, Parlamento[14] Comments
Avaliação de professores leva de novo a ministra à AR
Dificilmente Maria de Lurdes Rodrigues voltará ao Parlamento até ao final da legislatura. A despedida aos deputados da comissão parlamentar de Educação acontece hoje. E far-se-
-á, para não variar, a responder a perguntas sobre a avaliação do desempenho dos professores.
O PCP utilizou o seu último pedido de agendamento potestativo para obrigar a ministra da Educação a ir ao Parlamento prestar esclarecimentos. O concurso de colocação, que, este ano, deixou milhares de docentes de fora das escolas, é outro tema em cima da mesa.
Tal como tem sido reclamado pelos sindicatos, o PCP quer que a avaliação de que este ano foram alvo mais de cem mil professores não tenha quaisquer consequências na progressão das carreiras ou em termos de concurso de colocação. Um projecto de resolução apresentado pelos comunistas nesse sentido vai também ser debatido na comissão parlamentar.
Para além da questão dos concursos, seria mesmo bom que sublinhassem o facto de muitas das escolas mais preocupadas em cumprir o processo de avaliação serem as que mais atropelos fizeram, nomeadamente em dois planos:
- Impedimento dos docentes reformularem os seus objectivos individuais, obrigando-os a aplicar a versão extensiva da avaliação e negando o simplex (procurem em algumas escolas de grandes lideranças, seja dos grupo dos 13, seja em alguns dos primeiros directores escolhidos…).
- Recalendarização sucessiva da entrega dos objectivos individuais, normalmente sem suporte documental claro, permitindo que os mesmos fossem entregues, na prática, com a ficha de autoavaliação.
Julho 21, 2009
Boas Práticas – 4
Posted by Paulo Guinote under Adesivagem, Avaliação, Objectivos Individuais, Truques[14] Comments
Mail reencaminhado:
Na Escola Secundária Seomara da Costa Primo Amadora, o prazo de entrega dos objectivos individuais, foi alargado ate 30 de Julho.
O director informou que receberá a ficha de quem não entregar os objectivos, mas estes professores não serão avaliados.
Sinceramente, muito me espanta que se possam definir objectivos já em período de férias. Neste caso o SE Pedreira achará que a lei se está a cumprir?
Julho 21, 2009
Exma Sra. Directora-Geral Joana Brocardo,
Recebi, pelo correio, certificado da minha participação na Acção de Formação designada “O papel do Conselho de turma na gestão das áreas curriculares não disciplinares”, tendo-me sido atribuída a menção de Regular.
Estranhei, não só por ser a primeira vez, em tantos anos de ensino, que recebo uma classificação tão baixa, como porque desconheço os critérios que lhe presidiram.
Frequentei a dita acção com assiduidade, participei em vários grupos de trabalho de forma dinâmica e elaborei o meu relatório crítico final.
Foi-nos solicitado que escolhêssemos um dos grupos de trabalho e sobre ele incidíssemos o conteúdo do nosso relatório.
Escolhi o da “Avaliação”, que decorreu de forma bastante participada pela discordância da maioria dos presentes relativamente às teorias apresentadas. Contestei a demasiada “ideologização” dessa comunicação, pouco relacionada com a nossa prática , uma vez que éramos professores de vários níveis de ensino e com larga experiência lectiva.
Devo, assim, inferir que a minha baixa classificação se deve à minha posição crítica.
Como nessa comunicação se salientava a expressão “Avaliar é Comunicar”, julgo ter havido falta de comunicação entre as partes.
Com os melhores cumprimentos,
A professora QE do grupo 220,
























