Julho 2009


Traições

Tempos houve em que os intelectuais eram verdadeiros contra-poderes. Hoje, e depois da ‘traição’ de que falava Julien Benda, os intelectuais servem apenas para enfeitar os poderes. Basta olhar para o caso Miguel Vale de Almeida. Nos últimos anos, Vale de Almeida foi um crítico feroz do PS e da mediocridade dos seus deputados.

Agora, Vale de Almeida é candidato a deputado pelo partido que publicamente execrava. Como explicar a metamorfose? Alguns líricos garantem que o PS é tão pluralista que até convida quem violentamente o critica. Outros, mais cínicos, afirmam que é sempre bom ter um conhecido activista gay para contentar a esquerda e as minorias que tradicionalmente votam Bloco. Pessoalmente, é-me indiferente: na sua edificante amnésia, Vale de Almeida é sobretudo o exemplo do intelectual doméstico que o poder usa e abusa como adorno.

O visado tem um laborioso e muito aborrecido texto a justificar o seu situacionismo aqui. Nem de propósito, o blogue dele já era rosinha. Fica tudo em família.

José Sócrates encabeça lista do PS

(…)
A decisão foi confirmada na noite de quarta-feira numa reunião daquele órgão.
A acompanhar José Sócrates surgem em segundo lugar Fernando Serrasqueiro, secretário de Estado do Comércio e da Defesa do Consumidor, em terceiro Hortense Martins, actual deputada, e em quarto Valter Lemos, secretário de Estado da Educação do mesmo Governo.

Ontem dei conta da aparente desorientação que tomou conta da imprensa em relação aos números que a propaganda governamental fez sair em torno da avaliação dos desempenho dos funcionários públicos.

Achei aquilo tudo muito estranho, porque nada parecia bater certo com nada. Durante a noite chegou-me uma cópia do material enviado pelo gabinete do secretário de Estado da Administração Interna com os dados relativos a essa avaliação. Julgo que corresponde aos dados que caíram na redacção dos jornais.

E então tudo encaixou.

Observemos o quadro para perceber como a avaliação dos docentes é central em todo este processo e como está a ser manipulada para efeitos de construção estatística de uma realidade virtual para efeitos de propaganda eleitoral.

SIADAPRepare-se como para o total de funcionários avaliados, o Ministério da Educação contribui com mais de 50% do valor apresentado.

O problema é mesmo esse.

Como é possível que em 2008 se considere que foram avaliados mais de 160.000 funcionários do ME e não foram apenas 25.000, quando sabemos perfeitamente que cerca de 130.000 professores não foram objecto de qualquer avaliação?

A verdade é que sem esse valor, o número total de funcionários avaliados desceria para pouco mais de 150.000, pois também há muitos funcionários da estrutura administrativa do ME que não foram objecto de qualquer avaliação.

O que significa algo muito simples: os dados apresentados são falsos.

Falsos

Falsos

Falsos.

Entendem?

O que está neste quadro é completamente falso.

E ando por aqui em bolandas em busca do link que me mandaram ontem para um post  no qual se demonstra a falsidade dos dados apresentados para o próprio Ministério das Finanças, devido à não avaliação em 2008 dos funcionários da DGCI. Só me lembro que, com base nos indicadores apresentados naquela tabela, equivalendo o número de funcionários da DGCI ao 1,2% que se declara não ter sido avaliados, isso significaria que o Min. Finanças teria mais de um milhão de funcionários. O que se passa é que consideram avaliação individual de funcionários, uma avaliação global dos objectivos de um dado serviço de acordo com os QUAR.

Mas encontrei a ligação para um documento que demonstra que o SIADAP só vai começar a ser aplicado na DGCI este ano. Basta, pois, confirmar o número de funcionários da DGCI e perceber que o universo de funcionários a avaliar apresentado (12.662) é uma completa mistificação.

Quanto aos outros Ministérios não sei, mas os casos das Finanças (alegado melhor desempenho) e o da Educação (alegado pior desempenho) são basdeados em dados falseados. Completamente manipulados, amputados, acrescidos, o que quiram chamar.

É a elevação da mentira descarada a discurso oficial do Estado.

E seria bom que isso fosse denunciado, após apurado escrutínio.

E a comunicação social tem essa obrigação, antes de ecoar dados de forma acrítica.

E os partidos da oposição, antes de irem a banhos, poderiam fazer o seu trabalhinho de casa.

Não pode ser apenas a malta dos blogues porque, acreditem, também temos outras coisas para fazer e pouco a ganhar.

A primeira série conseguiu divertir-me. O primeiro episódio da segunda série (esta noite, AXN) foi apenas médio. Mas fico na expectativa. Preciso rir-me.

A negociar na 2ª feira. Documento chegado por mão amiga (ECD – Proj Alt 23.07.2009).

Anote-se esta passagem comovente do intróito:

Durante o processo negocial, que se prolongou durante todo o primeiro semestre de 2009, o Ministério da Educação apresentou um conjunto de propostas que, mantendo os princípios fundamentais da revisão aprovada pelo Decreto-Lei n.º 15/2007, de 19 de Janeiro, procuraram ir ao encontro das preocupações manifestadas pelas organizações sindicais e pelos docentes que representam. As alterações a introduzir, que encontram expressão no presente Decreto-Lei, sem sacrificar o rigor e a exigência necessários para o ingresso na profissão e o desenvolvimento da carreira, facultam melhores condições de progressão e promoção a todos os docentes.

O resto será analisado durante o fim de semana, assim apeteça tarefa tão chata.

Não há nada como atentar na transparência e rigor dos números para percebermos como a avaliação do desempenho é algo estruturante e essencial para o progresso da Nação.

Como já vimos, no Expresso diz-se que mais de 80% dos funcionários na área da Educação (incluindo professores) foram avaliados:

Saúde ou Educação estiveram entre os piores desempenhos, ainda que acima dos 80%.

O Jornal de Negócios concretiza mesmo, avançando com o valor de 86,5%, o que daria algo na ordem dos 120.000 avaliados, no mínimo. Ou será que foram 70%??? Mesmo assim, seriam perto de 100.000, quando sabemos que o ano passado foram efectivamente avaliados 7 a 10.000 docentes.

O Ministério da Educação foi o segundo pior (86,5%), devido ao polémico processo de avaliação dos professores, com uma taxa da ordem dos 70%.

Bom… ficamos assim: 86,5% no conjunto do Ministério e 70% dos docentes?

Não, afinal, 70% terá sido a proporção de docentes  no conjunto dos funcionários não avaliados de acordo com a TSF:

Em 2008, foram avaliados por este sistema de desempenho da administração pública perto de 300 mil funcionários, sendo que 30 mil ficaram por avaliar. Deste número, mais de 70 por cento são professores.

Isto partindo do princípio que o «este número» se aplica aos 30.000 e não aos 300.000. Nem faria sentido 210.000 professores avaliados. Ou sei lá.

Bom, assim terão sido 21.000 os professores não avaliados?

Mas então terão sido avaliados 120.000? Como lá mais acima se dizia? Ou apenas 12.000 como foi noticiado num dia faustoso de Setembro de 2008?

Ou será que 120.000 equivalem a 12.000 visto que um zero é um zero?

E 70% de avaliados correspondem a 70% do conjunto de não avaliados da Função Pública??

Ou os 80%, digo 86,5% são equivalentes a qualquer coisa, tudo dependendo se chove ou faz sol?

Ou conforme?

Confusos?

Eu também.

Solução: ignorar a propaganda.


Observatório da Melhoria da Eficácia da Escola é criado no Porto

O Ministério da Educação, a Universidade Lusíada e a câmara de Famalicão assinam, esta tarde, o protocolo de criação do Observatório da Melhoria da Eficácia da Escola, disse à Lusa fonte ligada ao projecto.
(…)
“Com a criação do Observatório da Melhoria da Eficácia da Escola vai também ser elaborado, como projecto-piloto, o primeiro Plano Municipal de Famalicão de Melhoria e Eficácia”, referiu Armindo Costa, o presidente da autarquia famalicense.

A Fundação Minerva, proprietária da Universidade Lusíada, o ministério da Educação e a câmara de Famalicão assinam, na tarde de sexta-feira, no Porto, o protocolo para a criação de um observatório pioneiro em Portugal.

Não está em causa que muda de camisola a tempo de um lugar elegível, nem como de fracturante se passa a não sei quê.

Miguel Vale de Almeida tem toda a legitimidade para aceitar o lugar de deputado garantido que lhe é oferecido pelo PS, na sua estratégia de pesca à Esquerda

Agora o que é estranho é que alguém que sempre fez por aparecer como defensor das minorias, dos modos de vida alternativos e do direito à diferença afirme que nas eleições se está a optar sobretudo entre PS e PSD.

É nestas alturas que atiro o politicamente correcto às malvas – e esqueço que até fiz trabalhos de História nesta área e tenho verdadeiro respeito pelos direitos de todos expressarem a sua diversidade, sexual ou outra -  e me apetece dizer ao putativo deputado que então é melhor, na hora da verdade, decidirmos se somos mulheres ou homens. Ou sobretudo. Porque o resto – leia-se partidos alternativos ou minoritários – é mera paisagem e nem merecem o nosso voto.

Maria de Lurdes Rodrigues deve ter um calendário no seu gabinete onde vai riscando com fervor os dias que faltam para sair do cargo e ser recompensada pelos serviços prestados ao seu adorado engenheiro.

Enquanto não vai e não vê o nome no Guiness da 5 de Outubro, faz os possíveis por deixar rasto na forma de declarações que deturpam completamente os factos como na sua visita – já mais bem dispostinha – à Comissão de Educação do Parlamento:

Avaliação de desempenho docente garante ao país que não há progressões automáticas

(…)
Durante uma audição na Comissão de Educação e Ciência da Assembleia da República, Maria de Lurdes Rodrigues defendeu que “o pior que poderia ter acontecido” era a suspensão da avaliação de desempenho, sublinhando que o Governo “deu a garantia ao país de que não há progressões automáticas”.

“Este processo, apesar de difícil, conflituoso e turbulento, chegou a resultados positivos. A avaliação é hoje um facto incontornável nas escolas, a progressão deixou de ser automática e há uma diferenciação dos professores. Nada disto existia”, afirmou a ministra.

Isto é objectivamente mentira.

Não existiam progressões automáticas. Aliás, talvez agora seja mais correcto dizer que existem progressões automáticas, pois basta fazer a fichinha do Ministério, ter dados as aulitas e apresentar acções de formação desde o ano de 1876 e lá se tem o Bom para progredir. Antes pelo menos as acções de formação eram as do período em avaliação e o relatório crítico era bem mais exigente que a fichinha de autoavaliação, da qual em algumas escolas só se preenchem uns oito parâmetros com banalidades.

É que não se vê a hora da senhora se ir embora e calar-se. Ao menos que falasse verdade…

Lulupb

À entrada das últimas voltas para as eleições legislativas de Setembro, o Governo e o PS procuram sacar de todo o tipo de armas e argumentos para demonstrar serviço feito, mesmo se são para além de duvidosos os números avançados em algumas peças de propaganda como esta:

Mais de 300 mil funcionários públicos avaliados em 2008

Descascando a notícia percebe-se imediatamente que foram deixadas de fora as autarquias e governos regionais que têm praticamente tantos funcionários como a Administração central.

Depois acrescentam-se uns dados com ar de específicos que só podem ser mesmo a gozar:

No total, segundo os números avançados pelo ministério das Finanças e Administração Pública, foram avaliados mais de 300 mil funcionários dos cerca de 345 mil que trabalham na administração central. Estes números incluem também, por exemplo, a avaliação do pessoal docente que tem sido fortemente contestada pelos professores.

Justiça, Finanças e Ambiente foram alguns dos ministérios mais bem comportados com taxas de avaliação acima dos 90%. Pelo contrário, Saúde ou Educação estiveram entre os piores desempenhos, ainda que acima dos 80%.

Mesmo estando entre os piores desempenhos, como é possível afirmar que em 2008 foram avaliados mais de 80% dos professores, se o que esteve em vigor foi o simplex1 que se aploicou apenas aos contratados e professores que estavam situação de mudança de escalão, numa proporção bem abaixo dos 10% dos docentes em exercício?

Até pode ser o seu entendimento, a coisa até terá alguma lógica, embora o que transparece neste momento é uma forma de projectar um futuro que a Pedreira não pertencerá.

Avaliação externa vai considerar forma como escolas aplicam avaliação docente

A forma como as escolas implementam a avaliação de desempenho dos professores será considerada na avaliação externa aos estabelecimentos de ensino a partir do ano lectivo 2010/2011, anunciou o secretário de Estado Adjunto e da Educação.

Em declarações aos jornalistas no final de uma audição na Comissão de Educação e Ciência da Assembleia da República, Jorge Pedreira sublinhou que aquela é uma das recomendações do relatório da OCDE sobre avaliação de desempenho docente, mas que o próprio ministério “já tinha pensado” nesta possibilidade.

“Portanto, nada mais natural que o sistema de aplicação da avaliação de desempenho seja ele próprio objecto de avaliação por parte das equipas de avaliação externa [levada a cabo pela Inspecção-Geral de Educação]“, afirmou o secretário de Estado.

Questionado sobre quando é que este parâmetro poderia começar a ser considerado, Jorge Pedreira lembrou que “está a decorrer um ciclo de avaliação externa”, pelo que as regras do jogo “não devem ser mudadas a meio”.

“Mas, certamente no próximo ciclo de avaliação externa [a partir de 2010/2011], essa dimensão deverá fazer parte. É esse o nosso entendimento”, acrescentou.

ESPERTOS, INTELIGENTES E AFINS

Quando ouvi pela primeira vez a explicação do que era aquilo do  “Clero,  Nobreza e  Povo”, confesso que fiquei, logo aí, meio desconfiado da bondade humana… Sobretudo, custou engolir, que a divisão da sociedade em classes era quase uma imposição divina e  que O POVO era a única das classes “ que trabalhava no duro; que pagava impostos; a mais humilde, mais indigente e a mais pobre e mal vestida”. Depois de ouvir esta última parte da lição, olhei para as minhas calças, meio coçadas e remendadas, para as minhas botas com a borracha nas lonas, e pensei : “ pronto, já sei o que me espera… e ainda por cima não há nada a fazer…”. E essa fatalidade social ainda saía mais reforçada pela boca da catequista, na doutrina, ao falar da  tríade divina “Pai, Filho e Espírito Santo” e dos mundos escondidos “do Céu, do Purgatório e  do Inferno”. Parecia que tudo tinha que estar dividido em TRÊS. Daí a minha perturbação…O certo é que, fatalidade divina ou terrena, vários séculos depois, temos o mundo ainda dividido em classes. Não são as mesmas (terão apenas  mudado as moscas…) mas continua tudo às fatias . E então hoje o que temos? Hoje temos a classe dos ESPERTOS, a dos INTELIGENTES e a dos AFINS.

Os ESPERTOS, como se sabe, estão presentes em todas as profissões ( marcam sobretudo presença na difícil profissão de “ladrão” – onde se revela  a nata dos espertalhões que há em todas). Felizmente (para o bem estar social), os ESPERTOS ainda são uma minoria. Mas uma minoria que cresce a um ritmo assustador. E porque é que os ESPERTOS são ainda uma minoria? Porque para ser ESPERTO é preciso ter vários “talentos” reunidos numa só pessoa. Para ser ESPERTO é preciso, por exemplo, ter lata. E antes muita do que pouca. Ter lata significa sair-se bem em todas as dificuldades da vida. E os ESPERTOS usam essa arma com exímia mestria. Depois, ser ESPERTO também requer o perfeito domínio da arte da mentira. O ESPERTO mente com muita habilidade e perícia. O ESPERTO é tão esperto que é mentiroso e parece que não . É um mágico da oralidade e dá erros na escrita. É, também, um inventor de palavras que, para os mais atentos, lhe saem da boca a soar a falso. É um rocambolesco malabarista. Um “Vale e Azevedo” ainda mais dotado . O ESPERTO é aquele que mente bem. Que mente depressa. Que mente  muito e com convicção. E, como é ESPERTO, escolhe a dedo aqueles a quem vai enganar, para o êxito da mentira ser  infalível. O ESPERTO não precisa de tirar um curso superior para ter êxito na vida, e , caso precise do curso para ocupar um cargo p`ra ESPERTOS, num abrir e fechar de olhos, ele desenrasca o diploma. O ESPERTO também não precisa ser culto. Basta fingir que o é, mentindo. Pode nunca ter lido os Lusíadas, mas, junto de quem  nunca os leu, e que não seja ESPERTO, nem INTELIGENTE, é capaz de afirmar que já os leu muitas vezes, e, para convencer de vez, até é capaz de citar um verso qualquer, memorizado num jantar de espertos, dizendo que é dos Lusíadas. Os ESPERTOS, em geral, são os que se colam ao poder porque acham que é aquele o seu destino. Os ESPERTOS , por serem espertos, são aqueles que governam . Governam mal os outros,  mas governam-se bem eles próprios. Desde o maior ao mais pequeno poder, à frente dele, a mandar, há-de estar um ESPERTO. Assim, o ESPERTO, ou é  Ministro ( e, quantas vezes, o “Primeiro”), ou  Presidente da Câmara ( sobretudo, se também é sócio de uma empresa intermunicipal), ou Presidente da Junta ( sobretudo, se diz sempre “ámen” ao Presidente da Câmara ).Também são ELES, os ESPERTOS, os  que mais dinheiro têm. Não à custa do seu próprio esforço, mas à custa da sua esperteza. Os ESPERTOS são exímios a multiplicar o dinheiro dos outros, mas metem o produto da multiplicação no seu bolso. Os ESPERTOS detestam pagar impostos, por isso houve um ESPERTO qualquer que inventou os Paraísos Fiscais. Os ESPERTOS, ou são gestores bancários (sobretudo, de bancos com off-shores) ou presidentes de clubes de futebol ( sobretudo, dos clubes em que há resmas de fanáticos que se põem a jeito face à rapina) ou empreiteiros  ( sobretudo, de obras públicas em contínua derrapagem), ou, por aí fora; Os ESPERTOS são ainda os chefes de quase tudo ( sobretudo os que são promovidos à base da cunha). Os ESPERTOS não estudam demais, não trabalham demais, não se esforçam demais. Os ESPERTOS revelam-se logo nos bancos da escola, pois têm excelentes  notas porque copiam nos testes; No trabalho, são os que mais cruzam as pernas e engraxam o chefe; Se vão a um espectáculo, não compram bilhete. Se compram bilhete, não vão ao espectáculo, e vendem-no dez vezes mais caro. Há ESPERTOS capazes de  tudo: de comer à custa dos outros; de viajar em primeira com bilhete de segunda; de fazer de polícia, sendo ladrão; de “roubar” dinheiro a um “amigo” para lho emprestar a  seguir. ( e, algum tempo depois,  o ESPERTO  processa o “amigo” para reaver aquele dinheiro e muito mais, porque o ESPERTO além de ser esperto, é usurário). Enfim, o ESPERTO é tão hábil, tão cheio de magia, que é mesmo capaz de ir a tribunal jurar sobre o que nunca viu nem presenciou. E, quantas vezes, no enredo da sua descarada mentira, faz com que esta  pareça de tal modo verdadeira que o próprio julgador ( humanamente caído no logro) a admite como a pura  e absoluta verdade.

Quanto aos INTELIGENTES, a história é outra. Os INTELIGENTES são todos os que sabem tanto ou mais que os ESPERTOS mas, ou não têm feitio para serem espertos, e, por isso, não o são ( o pior é que, às vezes,  o feitio muda, e  logo se tornam ESPERTOS). Ou tiveram uma educação moral muito séria para o poderem ser. Os INTELIGENTES, ou foram ESPERTOS à nascença e , pela educação, ficaram a preencher o quadro dos INTELIGENTES, ou já nasceram  INTELIGENTES e não se deixaram influenciar ( corromper) pelos ESPERTOS. Mas há muitos INTELIGENTES que, se fossem ESPERTOS, não queriam ser INTELIGENTES… Ao grupo dos INTELIGENTES pertence, felizmente, a grande maioria da humanidade. Os INTELIGENTES são todos os trabalhadores por conta de outrem e os  empresários ( sobretudo os pequenos e médios –  mas só os que pagam impostos). São também a  maioria dos médicos, dos advogados, dos magistrados, dos agricultores , dos professores…

E os AFINS quem são?  Há duas subclasses de AFINS: os PRÓ-ESPERTOS e os PRÉ-INTELIGENTES. Os PRÓ-ESPERTOS, são os que estão em trânsito da classe dos INTELIGENTES para a classe dos ESPERTOS. São todos os que “despertaram” para a ESPERTALHICE. A esta subclasse pertencem todos os que almejam ser ESPERTOS. Por isso são perigosos concorrentes destes. A esta subclasse pertencem os subchefes de tudo ( das finanças, das esquadras, e por aí fora). Também os Secretários e sub-secretários de Estado…. Quanto aos PRÉ-INTELIGENTES, prefiro não falar deles. Não porque não mereçam que se fale deles, mas porque não vou em ironias com quem é vítima quer dos ESPERTOS quer dos PRÓ-ESPERTOS.

P.S.: Não referi os deputados. Não foi por esquecimento. Foi só porque é uma actividade que até parece já não ter “classe”.  Mas é evidente que também são ESPERTOS ( sobretudo, os que lá não estão nem p`ra  falar, nem p`ra votar… por terem ido, algures, “à missa”…)

CUNHA RIBEIRO, Barcelos

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Um clássico (Blueberry)  recriado por um clássico (William Vance) e um absoluto clássico moderno (Miguelanxo Prado)

Campanha

Isto é já todo um outro mundo. desde a campanha de Howard Dean que nos States a net e a blogosfera se tornaram essenciais na angariação de fundos para as campanhas e para a circulação da informação em tempo real

Mulheres

Não. É apenas um efeito perverso das mensagens existentes no Portal da Igualdade.

Mas lá que parece querer dizer que a Nélita faz melhor a democracia que o Zézito, lá isso parece.

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Aliás, o Reitor acaba por reconhecer que o meu problema é mais a falta de crença.

  • Querem os pais a escolheres as escolas, ok.
  • Querem as escolas a escolheres os alunos, ok.

Já agora, querem as escolas a escolher os professores ou os professores a escolher as escolas?

O meu problema é aquela observação do modo de ser português que, nos dias bons, nos permite dar a volta a qualquer código legislativo, por muito completo que seja, e nos dias maus nos dá ânimo para armar confusão da grossa só porque o vizinho fechou em primeiro lugar a marquise com vidros

O chico-espertismo prevalecerá sempre.

Guerra de blogues anima campanha para as legislativas

Novo blogue de apoio ao PSD é lançado hoje: chama-se Jamais e vai rivalizar com o SIMplex do PS.
Vão ser dois meses de debate político em versão cibernética. Uma espécie de hemiciclo online, alojado na blogosfera. De um lado o PS, do outro o PSD. Em vez de deputados, bloguers. Alguns independentes, outros militantes, mas todos disponíveis para lutar pelas respectivas causas, com as legislativas em pano de fundo: o voto no PS é a bandeira do blogue SIMplex; o voto no PSD é o mote do blogue Jamais.

O primeiro foi lançado no início da semana e reúne já 34 colaboradores. Um “movimento independente” de apoio ao PS e que reúne “vários bloguers da área política da esquerda”, resume um dos impulsionadores do projecto, João Galamba. “A direita tem uma presença mais forte e mais articulada na blogosfera e a ideia foi reunir num único espaço várias pessoas que já participam noutros blogues colectivos ou que têm blogues individuais”, explica.

Uma das premissas do SIMplex é a “pluralidade de opiniões”. “É um blogue de apoio, mas não é um blogue alinhado com o PS e muito menos oficial”, diz. Terá, por isso, espaço para análises críticas ao próprio partido. “Temos colaboradores que acreditam no PS e o apoiam desde sempre e outros que estão no blogue porque preferem votar PS em função das restantes alternativas.” No manifesto que inaugurou o projecto, o apelo ao voto socialista a 27 de Setembro é sintetizado em quatro frases: “Não há sociedades perfeitas. Mas há sociedades justas. Acreditamos nisso. Votamos PS por acreditar que está bem preparado para o conseguir.”

No plano oposto surge o blogue Jamais, que é hoje lançado oficialmente, já com 15 colaboradores garantidos. E a clivagem com o PS é clara no texto de apresentação: “Em vez de governar para as pessoas, Sócrates e os seus dedicaram-se a governar contra as pessoas. Em vez de ‘reformar’, esse jargão sem conteúdo útil a não ser o da propaganda analfabeta, o PS limitou-se a limpar algum pó e, no essencial, a estragar a mobília”, pode ler-se.

Espaço de militantes e simpatizantes do centro-direita, o blogue Jamais surge inspirado no projecto “O Pulo do Lobo”, que em 2006 reuniu vários apoiantes da candidatura de Cavaco Silva às eleições presidenciais. E apesar de reunir dirigentes e militantes de peso no universo social-democrata – como Paulo Marcelo, Paulo Rangel ou Pacheco Pereira -, os autores do blogue também garantem que não farão “uma campanha a reboque do PSD”. “Não há um compromisso escrito de não criticar o PSD, nem vamos limitar-nos a fazer campanha”, garante um dos autores do blogue, Pedro Picoito. “Mas, claro, sendo um blogue de apoio, não vamos ter uma agenda autónoma”, esclarece. Já o dirigente e bloguer Paulo Marcelo acrescenta que “não haverá ligação oficial ou oficiosa ao PSD, nem articulação com a estratégia 2.0 do PSD durante a campanha”.

Massive Attack, Special Cases

Já passaram o auge, mas ainda relaxam…

Gosto sempre de ler textos de gente acima da média em termos de inteligência, mas ao mesmo tempo não gosto de ler textos de gente que não se percebe exactamente ao que anda.

O Compromisso Portugal tem muita gente interessante lá pelo meio, mas também tem uns curiosos patrocinadores.

Procura ser um think tank de matriz liberal, a navegar em água próximas do PSD, mas com uma piscadela ao PS em caso de necessidade, e esperançou com Sócrates. Parece que entretanto desesperançou, um pouco como a SEDES, e produziu um estudo sobre  O Estado da Governação.

Em matéria de Educação (p. 29 ss) afirmam que se deu a

Introdução de um conjunto de medidas positivas na área da Educação, mas globalmente sem o alcance e a profundidade necessários para fazer da qualificação um dos vectores estratégicos do desenvolvimento futuro.

Ou seja, queriam mais. Mais quê? Por caso, as críticas que fazem ao desempenho do Governo na área da Educação não são muito diferentes das feitas por alguém bem mais comum. Vejamos o caso da gestão e autonomia das escolas:

De acordo com a informação disponível, há ainda um número muito pequeno de escolas com contratos de autonomia celebrados e em vigor (22), o que mostra que a implementação no terreno está por fazer. Até ao final de Maio deste ano, previa-se que 684 escolas ou agrupamentos teriam o processo de avaliação externa concluído, o que representa 57,5% do universo. Sendo este processo um requisito prévio à celebração do contrato de autonomia, também aqui se constata o atraso nesta área. (p. 30)

Sobre a carreira docente e o modelo de avaliação, consideram positiva as intenções de mudança,

No entanto, quer ao nível do conteúdo das iniciativas, quer ao nível da implementação no terreno, notaram-se bastantes insuficiências. Por exemplo, o modelo de avaliação dos professores era demasiado burocratizado e complexo e o processo de comunicação e gestão da mudança foi mal gerido, tornando mais difícil quebrar as resistências de parte da classe e propiciando a contestação por parte dos sindicatos e de forças partidárias. De acordo com a informação disponível, apenas 80 mil professores (cerca de 57% da população-alvo) entregaram os objectivos individuais, a primeira etapa do processo de avaliação que deveria ter sido concluída no início do ano lectivo. (p. 31)

Os números sobre entrega de OI são interessantes e deixam-me curioso sobre a sua origem. Quanto ao resto é constatado o óbvio.

Por fim a maior crítica – justa – é ao programa Novas Oportunidades, por não passar de uma estratégia certificadora mais do que formadora.

(…) à luz dos dados disponíveis, as Novas Oportunidades transformaram-se mais numa iniciativa de certificação de níveis de escolaridade do que de efectiva formação (nomeadamente de adultos), reduzindo o seu impacto como factor de reforço da produtividade da economia. Na verdade, e até ao momento, de acordo com os dados disponíveis (ver quadro em anexo), o número de adultos com aproveitamento em cursos de formação está muito abaixo do objectivo estabelecido. Mesmo ao nível da certificação, os resultados obtidos estão aquém do pretendido, evidenciando, no entanto, um forte esforço por parte dos centros de certificação.
Note-se que não foi ainda publicada a informação necessária para confirmar a qualidade dessa
certificação. (p. 32)

Por fim, qual a visão do Compromisso Portugal para o futuro da Educação não-superior em Portugal? É algo vaga, defensora da autonomia, da liberdade de escolha, de um Estado regulador mais do que prestador de serviços.

A visão do Compromisso Portugal é de que compete ao Estado essencialmente assumir-se como definidor das políticas de enquadramento do sector, devendo promover tendencialmente a coexistência de projectos educativos autónomos, de natureza pública ou privada. Competirá depois aos cidadãos escolher livremente o seu percurso educativo. Só assim se conseguirá responsabilizar mais directamente os agentes educativos e as forças vivas locais, envolver mais directamente os encarregados de educação e permitir uma maior diversidade de experiências de ensino. O Estado assegurará sempre o cumprimento de um denominador comum dos conteúdos ministrados e das práticas pedagógicas prosseguidas. Só com um modelo mais aberto, mais responsabilizante e mais concorrencial será possível mobilizar a sociedade civil para um dos desígnios mais importantes de um país que pretenda assegurar uma verdadeira igualdade de oportunidades aos seus cidadãos. (p. 34)

Nada de inesperado, portanto. Se é aqui que o PSD estava à espera de encontrar alguma ideia nova nesta matéria pode esperar deitado. Esta malta é dada ás economias e à alta reflexão política, pelo que só sabe ler indicadores e desconhece a vida de uma escola. Propostas concretas, zero vezes zero.

Até num anterior texto, designado como provocatório, de que Joaquim Azevedo era um dos autores, apareciam ideias mais concretas.

Acho que ficaram assustados com a agitação vivida neste último par de anos e nem se querem arriscar…

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