No momento que escrevo, já 39 blogues ligaram (e falo apenas daqueles que usam o Twingly) para a notícia do Público que dá conta do aluno que passou de ano com nove negativas.
O assunto já corria pela net há dias, já tinha assomado na blogosfera, mas uma espécie de indiferença apossou-se de mim ao ler os detalhes da situação.
A sério, só se entusiasma muito com isto quem não anda mesmo por dentro dos meandros do sistema educativo e só vê a espuma das ondas e se esquece que o importante são as correntes submarinas.
Passar de ano com 9 negativas, num conjunto de 14 fatias curriculares no 3º ciclo não é coisa inédita, embora talvez, mas apenas talvez, rara. Já vi no 2º ciclo passarem com 6 ou 7 em 9 e houve mesmo um ano em que fui obrigado a usar uma espécie de voto de qualidade como Director de Turma, quando tentaram passar uma aluna com negativa a todas as disciplinas excepto um nível 5 na disciplina da pessoa que a protegia e a deixava ficar nas suas aulas de outras turmas, enquanto faltava às restantes disciplinas. E bastantes críticas sofri por ter desempatado um votação que estava 4-4.
E não era por nenhuma razão transcendente.
Há algo que devemos ter sempre em conta: as leis existem, com toda a sua permissibilidade, mas somos nós que as aplicamos e temos a hipótese de usar ou não as margens de indefinição/autonomia que elas ainda nos permitem.
No caso da avaliação dos alunos, abandonou-se há perto de 20 anos a rigidez do chumbo automático com três negativas. Que em muitos casos significa quatro negativas, porque a terceira era quase sempre objecto de análise, discussão e eliminação.
A partir de então passámos a navegar num pântano em que, por causa dos preconceitos soixante-huitard da maior parte dos nossos pedagogos e políticos da maior parte da esquerda e mesmo da direita, se passou a associar avaliação a classificação, a selecção, a hierarquização e a exclusão. Com todas as acusações possíveis de elitismo a quem não adere à ideologia desculpabilizadora do insucesso.
Todos os anos 90 sedimentaram esta postura que é muito característica em especial de uma esquerda bem-pensante e socialmente prozaquiana. Foi aqui que floresceram os gualteres. Do coutismo ao benaventismo.
E sempre com a possibilidade de desculpabilização individual pelas decisões formalmente colectivas. Ou seja, é o Conselho de Turma que é colegialmente responsável pela avaliação dos alunos. O que abre a porta a um intercâmbio e partilha de ideias e decisões, mas também a intromissões indecorosas e a desresponsabilizações vergonhosas.
Quem anda por dentro do sistema sabe bem o que se passa em muitas reuniões de avaliação, quando as coisas atingem este tipo de proporção. Ou, na inversa, quando alguém decide atribuir nível 1 a qualquer aluno.
Mas eu volto á mesma tecla: a legislação está lá, permite muito desmando. Mas não é menos verdade que está nas nossas mãos aproveitar essa flexibilidade de acordo com as nossas convicções.
Não adianta deitar as mãos à cabeça publicamente com este caso e depois replicá-lo, com esta ou aquela desculpa.
O miúdo passou com 9 negativas e o beneplácito de um conselho de turma e um conselho pedagógico?
Business as usual.
Siga em frente, é menos um nas Novas Oportunidades e a candidatar-se a fazer um curso universitário naquela coisa do 23+ ou maiores de 23.
Já não me excito por coisa tão comum.
Até posso escrever assim, longamente, mas não se deixem enganar, é só spleen. Só spleen. Com um ligeiro soriso à mistura.
Julho 22, 2009 at 9:58 am
Acreditem, está longe de ser um caso único e ainda consegue haver pior.
Julho 22, 2009 at 10:00 am
Repito o que já afirmei noutro sítio
A escola transforma-se numa extensão da Segurança Social.
Os docentes dão “explicações” sociais para os actos de assistencialismo que permitem que os alunos frequentem a escola na condição de “necessitados” e não de alunos ou estudantes.
A lenga-lenga bourdieulesa substitui-se à pedagogia e vai tudo a descambar numa espécie de caridade.
Uma vez que as teorias dominantes na política educativa são as mesmas ao longo dos últimos 35 anos, (com assunção de catecismo de Estado no tempo da Ana Benavente), não admira que já tudo pareça normal
Julho 22, 2009 at 10:02 am
Um post genial…”business as usual” sem dúvida…
Julho 22, 2009 at 10:07 am
Normal. No país da Socretinice…
http://gataescondida.wordpress.com/2009/07/21/o-principe-basico/
Julho 22, 2009 at 10:13 am
não entrou o meu comentário..
Julho 22, 2009 at 10:18 am
what´s new?
8ºano/ 15 anos nem é assim tão chocante.
Deveria haver alíneas nas pautas para estes casos:
“excesso de idade para o ano” ou ” vai frequentar curso profissionalizante”, quelquer coisa que informe quem vê as pautas.
Este ano calharam-me na rifa 3 putos no 5º com 14 anos numa única turma. A minha opinião, por muito feio q soe, é despacha.los e depressinha pq não é bom para ninguém.
Deviam ter sido despachados mais cedo pois minaram uma turma em que havia miúdos ainda com 9 anos…
Deixemo-nos de merdas de estigmatizações. “Passam” mas que se saiba na pauta que é só por andarem a empatar ali.
Julho 22, 2009 at 10:18 am
oh páaaaaa é o 2º que n entra!
Julho 22, 2009 at 10:21 am
despachar com alíneas nas pautas para que se saiba que se trata disso mesmo.
(resumo dos cometários q n entraram)
Julho 22, 2009 at 10:31 am
Mas os professores não são obrigados a isto !!Pronto, é verdade que somos pressionados para dar boas notas mas o nosso dever é resistir ,fazer o que está certo .Mas ,na verdade alguns colegas embarcaram na teoria dos coitadinhos…Não percebem que é assim que os coitadinhos ficarão aínda mais excluídos.
Julho 22, 2009 at 11:01 am
Durante o 3º ciclo a minha filha mais nova acreditava piamente que os professores faziam mágicas.
“A não-sei-quantas passou (tinha 7 negativas no 2º período) pelas mágicas dos professores.” (citando de memória)
Julho 22, 2009 at 11:03 am
Ao menos neste caso, as coisas foram feitas às claras.
Os colegas de turma (e respectivos Encarregados de Educação) chegam às pautas e vêem que o aluno passou, mas com as ditas negativas e de acordo com a lei; por motivo A, B ou C, o Conselho de Turma entendeu que seria benéfico passar o aluno, fizeram-no de acordo com a lei e isso está assinalado e à vista de todos na pauta.
Não concordo, mas repugna-me menos que a teoria do coitadinho, das reuniões que demoram 3 horas, das votações de notas, das discussões a ver quem sobe a sua classificação, dos milagres operados antes da reunião, em que um aluno que deveria ter 5 ou 6 negativas, à semelhança do que sucedeu no 1º e 2º períodos, aparece meilagrosamente com 2 ou 3 negativas no final do ano. Perante os colegas de turma, acho isso gozar com os (poucos) que ainda se esforçam.
Julho 22, 2009 at 11:04 am
milagrosamente, é claro!!
Julho 22, 2009 at 11:08 am
Quantos dos que aqui criticam, não fazem parte do grupo dos Eduqueses, defensores da Teoria do Coitadinho?
Quantos não fazem parte, do grupo de professores que atribui nota positiva no final do ano, sem que tenha havido um único teste positivo?
Quantos não fazem parte, do grupo que consegue atribuir um 3 no final do ano, após 2 períodos com nível dois e quando o 3º período é muitíssimo mais curto que os dois primeiros?
Julho 22, 2009 at 11:11 am
O pessoal que está fora do sistema tem dificuldade em compreender estas transições.
Contudo, isto até é muito normal: passar alunos que tiveram 6 ou 7 negativas ao longo do ano. No 3º período acontecem alguns milagres e as notas sobem.
Apesar de poder haver resistência, é certo que o sistema orienta os professores para este resultado.
Julho 22, 2009 at 11:34 am
http://argivaionline.blogspot.com/2009/07/perolas-do-socratismo.html
Julho 22, 2009 at 11:45 am
Ter 2 putos com 14 anos numa turma de 5º aconteceu-me a mim este ano.
Não é( foi ) bom para ninguém.
Havia miúdos naquela turma que só fizeram 10 anos em Outubro ou Novembro. Tinham 9 quando começaram as aulas.
Como é que os ditos cujos n tinham sido despachados mais cedo é que me intriga..
nÃO, não é a teoria do coitadinho. é a teoria do indesejavel dado o desiquilíbrio idade/ano de frequencia.
Julho 22, 2009 at 12:29 pm
Só agora é que deram por isto acontecer?…é novo não?…O Paulo tem toda a razão…Só quem não está dentro das reuniões é que não sabe…ouvimos cada uma quando não concordamos…nem assinamos no final…isto é o dia a dia…cada vez os nossos colegas têm mais medo…ora porque é de comportamento…ora porque é grande…ora porque a família…ora coiso e tal…e andamos nisto já à muito tempo…já não é de dar grande relevo…à coisa…
Julho 22, 2009 at 12:34 pm
Como já sou entradote, permito-me dizer uma barabaridade. A actual forma de avaliar, nos finais dos períodos, é menos clarificadora que os anteriores 29 valores que eram necessários, antes da reforma Veiga Simão, para se ser aprovado (em eduquês – transitar).
É para mim evidente que há alunos que devem poder ser aprovados, mesmo sem os 29 valores ou os actuais 3, quando não querem ou não podem estudar adequadamente matérias que não lhes dizem absolutamente nada. Mas, nestes casos, poderiam e deveriam ser encaminhados, bem cedinho na vida, para uma pré-profissionalização seguida de uma profissionalização que, aos 16 anos, lhe deixaria nas mãos uma válida carteira de aprendiz para entrar no mercado de trabalho.
Claro que eu sou um iconoclasta e digo coisas mesmo bárbaras, mas também sei que já vi de quase tudo e conheci jovens, hoje adultos, com todo os tipos de problemas, físicos, mentais, psicológicos, familiares, que conseguiram encontrar uma forma de vida socialmente adequada. Uns porque arrepiaram caminho, estudaram e licenciaram-se, outros porque tiveram acesso a formação profissional. No que eu não acredito é em coitadinhos e em quem não quer trabalhar. Desses também me passaram pelas mãos, mas a vida que levam não deixa saudades a ninguém.
Julho 22, 2009 at 12:58 pm
Pior do que as x negativas é o/a aluno/a serem motivo de tanto alarido. Há anos que se fazem “acertos” aqui e acolá. Já que passaram a criança, deixemm-na em Paz e sossego. Não há grande novidade neste assunto.Como prof. ? Já quase nada me espanta.
Julho 22, 2009 at 1:06 pm
#17 Concordo plenamente consigo…havia de haver mais pré-profissionalização quanto mais cedo melhor…e não andar ali a gastar tempo e dinheiro…e depois já é tarde e não há respostas…
Julho 22, 2009 at 1:10 pm
#8,
“Não percebem que é assim que os coitadinhos ficarão aínda mais excluídos.”
Não podia estar mais de acordo.
Julho 22, 2009 at 1:24 pm
É como o Paulo diz: isto acontece em todas as escolas.
Quem mais se espanta são os alunos que ainda têm uma certa noção de justiça. Às vezes dizem-me, escandalizados, que o aluno x se baldou o ano inteiro e acabou por passar.
Ensinamos-lhes o quê? Que o esforço é coisa para totós, que na vida não há dificuldades a que se tem de fazer frente, lutando?
É verdade, poderíamos fazer diferente, mas esta ideologia “soixante-huitard” domina as escolas e já nem é apanágio de esquerda ou direita. Não sei como se instalou, mas penso que foi “amedrontando” os professores com represálias. Ai de quem chumbar um aluno que já é repetente! Ai de quem for o 4º a atribuir negativa, ai de quem, tendo feito plano de recuperação, não conseguiu cativar o aluno, etc, etc.
Esses casos irão a Pedagógico e o COnselho de turma pode sofrer a humilhação de ver aprovado o tal aluno.
E, tal como aqui foi dito, julgo não ser possível o sucesso de alguns miúdos neste curriculum nacional. Alguns só com ensino diferente e pré-profissionalizado.
Falo de alguns dos meus “musguinhas” que chegam ao 5º ano com 14, 15 anos e mal sabem ler…
Julho 22, 2009 at 1:32 pm
Nada se pode concluir! Quem sabe se é esta a fórmula mágica que os faz guindar ao sucesso?!
Quem poderá saber se ao exigirmos mais esforço e trabalho para obterem um diploma não estamos a condenar os meninos a uma vidinha de muito trabalho e penas… é tudo muito relativo!
Conseguem imaginar quantos meninos se fartaram de estudar para poderem obter um diploma – a chave que lhes abria as portas para um lugar ao sol! – e que hoje não passam de simples professorzecos enxovalhados por gente de grande sucesso que teve a sorte de conseguir tudo de bandeja à conta da “política do coitadinho” e de outras políticas afins?
Julho 22, 2009 at 1:34 pm
“a legislação está lá, permite muito desmando. Mas não é menos verdade que está nas nossas mãos aproveitar essa flexibilidade de acordo com as nossas convicções.
Não adianta deitar as mãos à cabeça publicamente com este caso e depois replicá-lo, com esta ou aquela desculpa.”
O cerne da questão está, precisamente, nestas duas frases, que subscrevo.
Julho 22, 2009 at 1:50 pm
Caso que conheci: o aluno foi retido pelo Conselho de Turma. O E.E. recorreu e o Conselho de Turma voltou a pronunciar-se, justificando devidamente, a decisão.
O caso foi a C. pedagógico e o aluno transitou!
Portanto, para quê uma pessoa chatear-se quando também está sistematicamente a ser enxovalhado na praça pública?
Quando a escolaridade obrigatória se estender até ao 12º ano vai ser bonito!
Cá para mim, o país deixará de ser viável com as gerações de ignorantes e incompetentes que se estão a formar.
Quem tiver alguma esperteza emigra!
Julho 22, 2009 at 1:59 pm
Compreendo perfeitamente a decisão do conselho de turma, e acho que fizeram bem:
Se o aluno ficasse retido não podia ir para o CEF (os CEF não abrem todos os anos)
O encarregado de educação concordou com a decisão (era uma 2 retenção, o encarregado de educação tinha de ser chamado à escola e nessa altura podia pedir para o filho ficar retido)
Acho que com as leis que temos este conselho de turma foi coerente e preocupou-se com o futuro do aluno.
Grave era se tivessem subido artificialmente e discretamente as notas em reunião (a solução mais simples mas que “enganava” o encarregado de educação), ou se tivessem chumbado sumariamente o aluno (também simples e “muito correcta” mas que provavelmente metia o aluno num beco sem saída).
Na verdade já não me inquieta que os alunos a partir da 2º retenção nunca mais sejam retidos (caso os pais concordem). Se o aluno quiser fazer a escolaridade obrigatória sem aprender nada e se os pais concordarem, porque não?
Claro que nem sempre os pais conseguem tomar as melhores decisões para os filhos, mas isso já é outra história.
Julho 22, 2009 at 2:09 pm
Acho que concordo com quase tudo. Agora é seguir em frente com os 7,8 ou x níveis negativos e ajudar o aluno no próximo ano lectivo tanto quanto se pode e se costuma fazer.
Pró ano há mais destes e de outros.
Julho 22, 2009 at 2:43 pm
#25
O “futuro do aluno” é sempre algo que nos remete para a utopia dos desejos/intenções diferidas no tempo e para a representação de um mundo de opereta.
Em nome de um futuro melhor é sempre possível condenar o passado, ignorar o presente e torcer a realidade para justificar o injustificável.
O problema reside no “monstro” que os docentes alimentam, nos alienados intelectuais que ajudam a produzir, sempre em nome da “consciência tranquila” e de uma escola cada vez mais vocacionada para a assistência social.
Professores ou assistentes sociais?
Pedagogia ou caridade?
Parece evidente que muitos docentes actuam sem pensar nos efeitos das suas acções, preferindo escudar-se nos procedimentos burocráticos, à boa maneira dos zelosos funcionários que fazem as delícias de qualquer Estado autoritário.
Julho 22, 2009 at 3:06 pm
Nada de preocupações. O chavalo agora vai frequentar um curso CEF e recupera!
Julho 22, 2009 at 3:14 pm
Estou pasma com os comentários que acabei de ler, acreditando que se trata de professores.
Como é possível que se mostrem admirados com esta situação?
O que é que ainda não sabem do que se passa nas escolas?
Como é que são capazes de culpar os professores deste Conselho de Turma?
O que é que não sabem da legislção em vigor, que obriga as escolas a aguentar todo o tipo de situções de indisciplina, de desresponsabilização familiar, de falta de empenho, de trabalho e dedicação dos alunos?
Que culpa tem este Conselho de Turma que o aluno para entrar num Curso Profissional tenha que ter o 8º Ano concluído?
Que culpa têm os Conselhos de Turma que quando percebem que um aluno não tem as competências minimas para prosseguir este plano de estudos o encarregado de educação não dê autorização para o aluno entrar num CEF?
O que aqui causou escândalo foi os professores terem a coragem de dar as negativas e não terem alterado artificialmente as notas.
É verdade sim, que desde Couto dos Santos, passando por Ana Benavente e culminado com o actual trio, toda a legislação produzida levou a escola a este estado de coisas.
Andam é muito bem tapadinhas.
Os excluídos? Os mesmos de sempre. Este rapazinho é só um exemplo.
A propósito, vale a pena ler Santana Castilho no Público de hoje.
Concordo com tudo o que ele diz.
Julho 22, 2009 at 3:26 pm
Já se esgotaram todos os temas? Está tudo em banho-maria…porque simplesmente entramos em PERÍODO DE FÉRIAS. E a comunicação social, coitadinha, que tem de trabalhar debaixo deste calor morno e destes ventos frescos de Julho, descontente, vai fabricando umas noticiazinhas. Agora pegaram com o aluno que passou com as nove negativas. Por acaso sabem em que contexto isso ocorreu? Ó senhores jornalistas, deixem de ser superficiais, façam o favor de ir de férias.
Julho 22, 2009 at 3:27 pm
#25 – Cá para mim proponho uma medida inteligente : encerrar todas as escolas e iniciar de novo a Telescola !É que fica muito mais barato.É muito fácil ,quando os pais requererem a certidão de nascimento passam a requerer tb o certificado de habilitações a levantar logo que seja atingida a idade necessária.Era só vantagens:redução do defice,sucesso escolar a 100%,etc
Julho 22, 2009 at 3:30 pm
Outra vantagem seria o devido aproveitamento da fibra óptica!
Julho 22, 2009 at 3:38 pm
#30
Devemos concluir que a verdade dos familiarizados com o “contexto” é diferente da dos outros.
Ou seja, a verdade dos docentes é diferente da dos jornalistas e de outros observadores desprevenidos.
Assim se reforça o “mito do contexto”…
Julho 22, 2009 at 4:11 pm
#21, Reb: E acredita que alguns desses “musguinhas”, mesmo sem saber ler, gostariam de aprender a fazer, por exemplo, um skate ou uma lâmpada de discoteca?
Eu acredito e atrevo-me a dizê-lo, mesmo sem os conhecer, muito embora saiba, logo à partida, que nem todos irão pelo caminho certo. E também acredito que irão aprender a ler se entenderem que, com essa “ferramenta”, em lugar de um skate pequeno farão um long board. Ou uma prancha de surf. Ou, ou, ou, ou o que a imaginação e o interesse permitirem.
Mas 14, 15 anos já é tarde. Devem chegar ao 5º com 10 anos e aí começarem a tal pré-profissionalização. Mas, repito-me, isto são barbaridades minhas, não liguem.
Julho 22, 2009 at 4:24 pm
Até os termos utilizados enervam (retenção,retido,meninos,etc).Não é melhor chamar as coisas pelos nomes? Chumbar,chumbado,rapaz,rapariga,etc
Julho 22, 2009 at 5:38 pm
Cuidado, Paulo, com essa de dizer ou insinuar que o regabofe da aprovação de alunos é fruto da política das esquerdas de Maio de 68. Sou professor desde 75 e, – que chatice! -, tenho visto muito mais gente vista ou tida como simpatizante das direitas manifestar a sua “benevolência” na passagem de alunos com várias negativas. Cuidado, pois, com as generalizações. E, para quem dizia que já não se entusiasmava nem excitava com tretas destas, é notável a longa prosa que produziu. Bravo.
Julho 22, 2009 at 5:57 pm
#24, há dias rebocaram-me o carro. Qdo o fui buscar tive grande conversa com os polícias.
Dizia-me um deles: esta lei penal tirou-nos autoridade. Apanhamos os bandidos mas eles saem no mesmo dia e vêm gozar-nos.
E rematou: ” Estas políticas deautorizaram polícias e professores. “
Julho 22, 2009 at 6:06 pm
Já tive encarregados de educação polícias que fizeram a comparação entre a situação deles e a nossa a nível da perca de autoridade.
Julho 22, 2009 at 6:12 pm
A moral é a espinha dorsal dos imbecis
Picabia, Francis
Julho 22, 2009 at 6:17 pm
http://bulimunda.wordpress.com/2009/07/22/toda-a-sociedade-esta-dentro-de-mim-diz-socrates-o-nosso/
A ler…
Julho 22, 2009 at 6:17 pm
http://bulimunda.wordpress.com/2009/07/22/esta-mulher-e-perigosa-mais-uma-execelente-cronica-do-bb-a-ler-com-muita-atencao/
Julho 22, 2009 at 6:18 pm
Bem a propósito do post..embora á primeira vista não pareça…
http://bulimunda.wordpress.com/2009/07/22/half-social-half-individual/
Julho 22, 2009 at 6:26 pm
#36,
A ideologia subjacente é mesmo soixante-huitard, mas atenção que eu escrevi:
“por causa dos preconceitos soixante-huitard da maior parte dos nossos pedagogos e políticos da maior parte da esquerda e mesmo da direita” .
Julho 22, 2009 at 6:52 pm
O “contexto” da esquerda é o da compensação da origem social dos alunos desfavorecidos.
O “contexto” da direita é o da confirmação da menor inteligência dos alunos pobrezinhos.
O igualitarismo da esquerda alia-se à benevolência da direita e assim produzem o mesmo efeito: a reprodução e a justificação da miséria e da exploração dos mais fracos.
Nada que já não soubéssemos.
Julho 22, 2009 at 7:01 pm
#44
“O “contexto” da esquerda é o da compensação da origem social dos alunos desfavorecidos.”
Não me choca, desde que saiba exactamente em que moldes se faz essa compensação.
Em relação ao caso concreto, talvez se devessem ter tomado medidas antes, ou talvez tenham sido tomadas e não tenham resultado. Nesse caso, não sei sinceramente qual a melhor solução, se reter o aluno e perde-lo definitivamente para a escola, ou tentar um derradeiro esforço…
Julho 22, 2009 at 7:15 pm
Isto vai-se pagar caro mais tarde.
Ninguém mexe nos currículos e na separação dos alunos para frequência de cursos profissionais, muito mais cedo, como acontece em muitos países europeus. É impossível que a escola possa exigir aos alunos as mesmas capacidades para cumprir os currículos actuais.
Temos de ser realistas. A escola é a escola, não é casa dos milagres sociais.
Julho 22, 2009 at 9:31 pm
Passa, não passa!
Que treta de discussão, e se a figura da Reprovação não existisse?
Este conselho de turma fez bem, o aluno em questão nada ganhava em repetir o ano e, muito provavelmente, iria estragar a turma do ensino regular onde seria incluído no próximo ano.
Mais:
-A escola do Monte da Ola é de reconhecida qualidade, no ranking dos exames do 9.º ano é a 143ª em 1189 escolas.
-Aplica pouco a reprovação.
-Não tem violência, nem grande indisciplina, em grande parte devido ao facto de não manter lá alunos grandalhões.
Grande treta este “caso” num país onde por 400 euros mensais, ou menos, se compram médias de 19 e 20, para aceder ao superior. Com isso o público não faz manchetes!
Já sabemos a quem serve esta agenda.
No mais concordo com a “necessidade residual” e como Mvaz.
Notas (públicas) da escola Monte da Ola
http://montedaola.esc-ola.com/index.php?option=com_docman&task=doc_view&gid=63&Itemid=38
O aluno em causa é do 8.º C.
Julho 22, 2009 at 9:34 pm
Mais nada Da…embora discorde de muitas coisas que tu dizes, nesta estou 99,9 por cento de acordo.. acho que os 0,1 se referem aos 400 euros acho que é um pouco mais e aí não entra o 19 só o 20…
Julho 22, 2009 at 11:05 pm
A questão está em ponderar o seguinte: o que fazer qdo um aluno não adquire conhecimentos que tornem possível o sucesso no ano seguinte?
Somos os 1ºs a confrontarmo-nos com isto?
Como fazem os tais países com educações de referência?
Julho 22, 2009 at 11:46 pm
#50 Reb,
Que fazemos?! O que podemos e, às vezes, o que
nunca imaginávamos ser capazes de fazer.É quase o pino e eu digo-lhes muitas vezes que já não tenho idade para tal. Trabalhar com alguns é um desafio pouco compensatório e muito desgastante, porque eles nem gostam de coisa nenhuma. É plano disto e daquilo, é compensação, é …etc
Julho 22, 2009 at 11:50 pm
# 50 Reb,
Existem grupos de nível e nos países nórdicos uma massivo apoio educativo. Chegando ao fim da escolaridade obrigatória (8 anos em alguns países e 9 anos noutros)os melhores vão para prosseguimento de estudos os restantes para o ensino profissional.
Mas nesses países há padrões mínimos para se concluir o ensino obrigatório no domínio da língua materna e da matemática.
Vou dar-te um exemplo quando estive de visita a uma escola pública em Deventer na Holanda.
Os alunos só tinham aulas de manhã.
De tarde só vinham os alunos para o apoio educativo. Nos apoios educativos numa sessão existia no máximo 4 alunos para 1 professor.
Eram praticamente explicações de Matemática…
Julho 23, 2009 at 12:10 am
#52, exacto, Pedro.
Por que razão não reivindicamos isso para cá???
De facto, há alunos que tanto faz que reprovem como que passem. Em ambas as situações, não têm qq hipótese de progredir. Isto pq perderam o comboio ainda na primária, não receberam os apoios individualizados a tempo, passaram à 2ª retenção, pq tem de ser e , de facto, nada foi feito para os recuperar.
Será assim tão dispendioso arranjar uma professora de apoio para cada turma dos 4 anos da primária que ajudaria os alunos com dificuldades??
É mais barato investir em quadros magnéticos e n computadores??