Na escola estamos em época de balanços; apetece-me fazer um balanço sincero do ano profissional:
Avaliação de desempenho: nada MUDOU; apenas houve um ADIAMENTO.
a instituição democrática na escola extinguiu-se. Tudo é feito por nomeação: cargos de orientação educativa e director(a). A votação em sede de Conselho Geral é uma farsa democrática: uma minoria a escolher, com uma influência externa cada vez mais esmagadora e a politização partidária da escola mais descarada.
relações laborais deterioradas: se é implementada a competição entre pares através da quotização de classificações e de cargos, implementa-se a lei do mais forte. Hipocrisia, maquiavelismo, adulação, traição, desconfiança, vão ser os comportamentos predominantes. Existe uma casta de professores com o poder de fiscalizar e influenciar a carreira profissional dos seus pares sem se distinguirem funcionalmente deles; os que queriam manter a sanidade das relações interpessoais foram embora, porque sentiram ser insuportável o novo modelo de relacionamento. Os outros vão lentamente se adaptar, e a prazo, já adquiriram o distanciamento suficiente para se comportarem como capatazes.
teremos um sistema incoerente: professores responsáveis pela formação de jovens, ensinando-os a adquirir competências sociais como a solidariedade, camaradagem, valores éticos e morais, e no seu quotidiano profissional a executarem o oposto…
uma escola marca um almoço/convívio para a semana em que começam as férias docentes. Convívio?! Que raio de convívio salutar, sincero, fraterno, pode existir entre grupos de pessoas colocadas em graus hierárquicos diferentes, com subalternização profissional, em que a maioria está laboralmente fragilizada?
as direcções sindicais são fracas. Implementaram uma estratégia predominantemente política que se revelou ineficaz. O apelo ao boicote da entrega de objectivos individuais foi um erro como se depreende pelos resultados obtidos. Os sindicatos deviam ter apelado o boicote ao concurso de titulares e ao conselho geral transitório; nestes dois casos, surgiriam resultados eficazes e evidentes de paralisação do sistema. Contudo, os professores podiam por iniciativa própria ter encetado esse boicote, não concorrendo aos lugares de titular e do conselho geral; os factores individuais impediram esse processo.
o ME conseguiu criar a divisão entre professores, colocando-os uns contra os outros, assegurando deste modo o principal e único objectivo da reforma do ECD: poupar dinheiro nos salários.
a classe docente não tem poder reivindicativo: 3 manifestações com 2/3 dos profissionais na rua, não conseguiu alterar a substância do modelo educativo imposto; apenas o conseguiu adiar.
analisando tudo o que se passou nos últimos 4 anos, a mudança para pior vai ser profunda: a violência (física, psicológica, emocional, moral, social, etc.) vai ser o leitmotiv das sociedades, promovendo o individualismo egocêntrico a um patamar ainda mais elevado.
Mário Silva
Julho 20, 2009 at 10:59 pm
Acho que a Avaliação mudou, passou para “avaliação”, ou seja, não avaliaram ninguém, mas congelaram TODOS!!!
Julho 20, 2009 at 10:59 pm
Assino por baixo!
Julho 20, 2009 at 10:59 pm
Toda a razão, Mário.
Temos uma árdua tarefa pela frente: recuperar a democracia nas escolas, o seu lado humano e solidário.
Isto só será possível se não desistirmos de lutar contra a escandalosa divisão da carreira que nos impuseram, a perversa avaliação entre.pares com que nos quiseram pôr uns contra os outros, a hedionda hierarquia, em que o director deixou de ser o professor com mais credibilidade entre colegas.
Julho 20, 2009 at 11:04 pm
Caro Mário, permito-me acrescentar dois pormenores para não ocupar muito espaço.
1- Sobre o concurso para professor titular: o ME tinha tudo pensado para assegurar a avaliação a custo zero,com os professores da “casa”, para não ter de recorrer à IGE ou à formação de quadros, o que levaria muito mais tempo do que o Poder queria, como já foi aqui dito muitas vezes. E tinha o plano A e o B. Mesmo por hipótes mais que improvável de poucos se candidatarem à nova categoria, seriam, como foram, nomeados em “comissão de serviço”, exactamente com as mesmas responsabilidades.
2- A classe docente mostrou um poder reivindicativo como nunca tinha mostrado até hoje. Ainda não conseguiu fazer valer a sua razão, mas vai conseguir.
Julho 20, 2009 at 11:12 pm
Confirmo alguns dos pensamentos do colega, na escola já fui ouvindo várias vezes a palavra “chefe” referindo-se ao coordenador de departamento/professor titular e não, não havia ali brincadeira nenhuma era um sentimento bem real. Aludia-se a um pequeno patrão…
Quanto aos convívios é claro que não era de esperar outra coisa, as eleições para os conselho gerais e as candidaturas para as direcções das escolas, para já nem falar nos famigerados objectivos individuais, criaram uma clivagem ainda maior entre a comunidade docente.
Esperemos que em Setembro com um novo Governo e com os NOSSOS VOTOS (sim é bom que votemos, seja lá em quem for… menos nesse gajo ok!?!) tenhamos uma mudança radical desta estupidez que grassou nos últimos anos pelas nossas escolas.
Julho 20, 2009 at 11:15 pm
A luta política tem agora dois momentos soberanos para se desenvolver. Os professores não se iludam: só a mudança política de interlocutores pode contribuir para outra perspectivação das negociações.
Julho 20, 2009 at 11:18 pm
#6
Sem dúvida!
Julho 20, 2009 at 11:22 pm
O próximo SERÁ uma surpresa, ninguém pode garantir o que vai acontecer… dependerá dos actos eleitorais? Ou será a sequência do que está no terreno, com uma vitória da linha dos simplex?
Julho 20, 2009 at 11:26 pm
Mário, não o conheço mas disse tudo aquilo que penso.
Há que descansar, esperar por Setembro e inverter a situação.
Julho 20, 2009 at 11:29 pm
Trata-se de um balanço muito lúcido! Sem desvalorizar os restantes pontos, destaco o sexto.
Julho 20, 2009 at 11:34 pm
Qualquer que seja o resultado das eleições, nenhum governo vai querer continuar esta guerra com os professores. Esta aparente coragem dos sócrates cá do sítio, ao contrário do que as notícias podem indiciar, só é elogiada pelo patronato e pelos que se estão aproveitando, na sombra dos gabinetes, da destruição do património público: na saúde, na educação, na justiça, os três pilares civilizacionais, que levaram tanto tempo a erguer das trevas, e que estes gajos, de cada vez que chegam ao poder, roubam em favor de interesses não confessados.
Julho 20, 2009 at 11:39 pm
http://gataescondida.wordpress.com/2009/07/20/should-i/
Julho 20, 2009 at 11:49 pm
Deixo ainda outra opinião:
Não é fácil compreender como pode alguém considerar-se honrado ou orgulhoso de ter sido “promovido” a titular. Orgulhoso deve-se sentir Camões. No entanto, o que deve ser criticado é a Lei que dividiu a carreira. Tudo o resto desvia-nos do essencial. Argumentar que muitos dos que agora são titulares só o são porque desempenharam muitos cargos por não os quererem a leccionar, favorece a posição de quem decidiu. “Então, as direcções das escolas atribuiam cargos de máxima responsabilidade a pessoas que, agora, são tidas como manifestamente incompetentes? Problema vosso. Eu, na minha sempre boa fé, pensei que os cargos eram atribuídos aos mais experientes e competentes…”, dirá D. Valter do alto da sua poltrona.
Julho 20, 2009 at 11:52 pm
Ó gata, se não mudas a cor do fundo do teu blog, ainda vamos todos ter de ir a Cuba operar as cataratas.
Julho 20, 2009 at 11:52 pm
Declaração de voto
Por estrita disciplina partidária, imposta pelo Grupo Parlamentar do Partido Socialista, voto contra as propostas de alteração apresentadas pelo PCP e pelo PSD, inseridas na apreciação parlamentar n.º 39/X, referentes ao Decreto-Lei n.º 15/2007, de 19 de Janeiro, que altera o Estatuto dos Educadores de Infância e dos Professores dos Ensinos Básico e Secundário.
A minha posição, contrária a esta orientação de voto, é sustentada pelos seguintes argumentos:
- A revisão do anterior Estatuto da Carreira Docente do Ensino Não Superior é necessária, para que a progressão nas respectivas carreiras passe a depender de um efectivo exercício de competências, assim como de um modelo de avaliação de desempenho dos professores e educadores mais justo e incentivador do mérito.
- Torna-se imperioso instituir um regime que premeie as melhores práticas educativas, reconheça e estimule os melhores profissionais, e retribua, com equidade, o empenhamento na difícil condição de ser professor e educador.
- Defendo um Estatuto da Carreira Docente sensível a uma efectiva valorização de todo o complexo de qualidades pessoais e profissionais que definem o mérito de um professor, entre as quais ganham especial relevo a experiência, as competências e a formação.
- Urge a instituição de um regime de avaliação de desempenho, de maior exigência, mais centrado na prática pedagógica, promotor de mérito e indutor de uma verdadeira qualificação no desenvolvimento da carreira docente.
- A qualificação e a consolidação do papel social dos professores são imprescindíveis, tanto para o reconhecimento público de que são merecedores, como para o reforço da sua autoridade e prestígio, necessário à eficiência estratégica do investimento na qualificação dos Portugueses, de que Portugal tanto vem carecendo.
Todavia, o novo diploma, que consagra o novo Estatuto da Carreira Docente dos Educadores de Infância e dos Professores dos Ensinos Básico e Secundário, Decreto-Lei n.º 15/2007, de 19 de Janeiro, inviabiliza, em muitos aspectos, a consecução dos objectivos atrás referidos.
Assim:
1. O novo diploma, produzindo alterações profundas na carreira docente – revogando a essência da legislação anterior, muita dela de autoria de governos do Partido Socialista – introduz, de forma artificial, um conceito de verticalização da carreira.
2. A divisão dos professores em duas categorias terá repercussões negativas na organização interna dos estabelecimentos de ensino. A determinação do número de vagas para professor titular e o consequente concurso para a respectiva categoria não reconhece a dimensão mais relevante na actividade docente: a sala de aulas.
3. O desempenho de cargos formais na escola – decorrentes do próprio exercício da profissão – é, no novo estatuto, claramente sobrevalorizado, em detrimento do trabalho docente, tanto na sala de aula, como em todas as actividades pedagógicas e culturais extra-lectivas que se desenvolvem fora das competências inerentes aos referidos cargos. Esta flagrante desvalorização das actividades lectivas, pedagógicas e culturais, essenciais à actividade de qualquer professor, perante a sobrevalorização do exercício dos cargos formalmente prè-estabelecidos, para além de estimular o “garrote” burocrático, que tanto tem vindo a asfixiar a qualidade do ensino em Portugal, lesa ainda a coerência do discurso da valorização do mérito, abalando a sua credibilidade de modo inexorável. Tal contradição é ainda agravada pelo funil da quota, artifício administrativo, em consequência do qual, 2/3 dos professores portugueses estarão injustamente impedidos, ainda que o mérito o justifique, de chegar aos escalões de maior relevo estatutário e remuneratório nas suas carreiras. Será este o prémio com que se pretende motivar os professores, valorizá-los, dignificá-los, como se pode ler no preâmbulo do Decreto-lei 15/2007?! Ou, pelo contrário, será mais um forte contributo para a sua indignação?
4. A verticalização da carreira, constituirá mais um obstáculo à salubridade pedagógica das escolas e à eficiência do processo ensino/aprendizagem. É mais uma diferenciação burocrática, que ostensivamente ignora as qualidades que realmente contam na relação pedagógica e cultural do professor com o aluno e com toda a comunidade escolar e educativa. Não é certamente por se desempenharem mais cargos durante mais tempo que se é melhor professor. Esta diferenciação artificial de estatutos e competências irá trazer mais conflitualidade e piorar o ambiente escolar. A introdução forçada do sistema de quotas representa uma profunda injustiça sobre a actividade docente. Estas duas novidades vão contribuir para a desvalorização social e material dos professores. Este não é, em meu entender, o caminho para a avaliação do mérito profissional, a dignificação da classe e mais do que isso, a defesa e qualificação da escola pública. Há uma contradição insanável entre um discurso favorável ao reconhecimento do mérito e da excelência, por um lado, e, por outro, a imposição de quotas para a atribuição de menções de bom e de excelente.
Acresce que, a revogação do antigo artigo 38.º, sob a epígrafe “Equiparação a serviço efectivo docente” – onde se pode ler: “1. É equiparado a serviço efectivo a funções docentes para efeitos de carreira: a) O exercício de cargos de ….. deputado à Assembleia da República, membro do Governo…. Presidente de Câmara, vereador em regime de permanência….. e) o exercício da actividade de dirigente sindical” – acompanhada do já conhecido propósito de regular com retroactividade o primeiro concurso a professor titular, vem colocar cidadãos que, num Estado de Direito democrático, assumiram e assumem o exercício de direitos e deveres políticos na base de um quadro constitucional e legal que salvaguarda efeitos relevantes, numa situação de lesados nos seus direitos legal e constitucionalmente protegidos. O art. 50º, nº2 da Constituição da República Portuguesa estabelece:
- “Ninguém pode ser prejudicado… na sua carreira profissional… em virtude do exercício de direitos políticos ou de desempenho de cargos públicos.” Trata-se pois de uma inaceitável e grave diminuição de direitos constitucionais e democráticos, a qual será mais uma fonte de indesejável iniquidade e conflitualidade.
Finalmente, reafirmo que sou favorável à mudança e ao reajustamento de carreiras. Trata-se sim de não aceitar modelos que diminuem a dignidade da função docente, penalizadores de uma escola pública de qualidade e de defesa do Estado de Direito.
Palácio de São Bento, 20 de Março de 2007
O Deputado do Partido Socialista
João Cândido da Rocha Bernardo
http://www.mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/2008/07/ainda-se-lembram.html
Julho 20, 2009 at 11:52 pm
Declaração de voto
Por estrita disciplina partidária, imposta pelo Grupo Parlamentar do Partido Socialista, voto contra as propostas de alteração apresentadas pelo PCP e pelo PSD, inseridas na apreciação parlamentar n.º 39/X, referentes ao Decreto-Lei n.º 15/2007, de 19 de Janeiro, que altera o Estatuto dos Educadores de Infância e dos Professores dos Ensinos Básico e Secundário.
A minha posição, contrária a esta orientação de voto, é sustentada pelos seguintes argumentos:
- A revisão do anterior Estatuto da Carreira Docente do Ensino Não Superior é necessária, para que a progressão nas respectivas carreiras passe a depender de um efectivo exercício de competências, assim como de um modelo de avaliação de desempenho dos professores e educadores mais justo e incentivador do mérito.
- Torna-se imperioso instituir um regime que premeie as melhores práticas educativas, reconheça e estimule os melhores profissionais, e retribua, com equidade, o empenhamento na difícil condição de ser professor e educador.
- Defendo um Estatuto da Carreira Docente sensível a uma efectiva valorização de todo o complexo de qualidades pessoais e profissionais que definem o mérito de um professor, entre as quais ganham especial relevo a experiência, as competências e a formação.
- Urge a instituição de um regime de avaliação de desempenho, de maior exigência, mais centrado na prática pedagógica, promotor de mérito e indutor de uma verdadeira qualificação no desenvolvimento da carreira docente.
- A qualificação e a consolidação do papel social dos professores são imprescindíveis, tanto para o reconhecimento público de que são merecedores, como para o reforço da sua autoridade e prestígio, necessário à eficiência estratégica do investimento na qualificação dos Portugueses, de que Portugal tanto vem carecendo.
Todavia, o novo diploma, que consagra o novo Estatuto da Carreira Docente dos Educadores de Infância e dos Professores dos Ensinos Básico e Secundário, Decreto-Lei n.º 15/2007, de 19 de Janeiro, inviabiliza, em muitos aspectos, a consecução dos objectivos atrás referidos.
Assim:
1. O novo diploma, produzindo alterações profundas na carreira docente – revogando a essência da legislação anterior, muita dela de autoria de governos do Partido Socialista – introduz, de forma artificial, um conceito de verticalização da carreira.
2. A divisão dos professores em duas categorias terá repercussões negativas na organização interna dos estabelecimentos de ensino. A determinação do número de vagas para professor titular e o consequente concurso para a respectiva categoria não reconhece a dimensão mais relevante na actividade docente: a sala de aulas.
3. O desempenho de cargos formais na escola – decorrentes do próprio exercício da profissão – é, no novo estatuto, claramente sobrevalorizado, em detrimento do trabalho docente, tanto na sala de aula, como em todas as actividades pedagógicas e culturais extra-lectivas que se desenvolvem fora das competências inerentes aos referidos cargos. Esta flagrante desvalorização das actividades lectivas, pedagógicas e culturais, essenciais à actividade de qualquer professor, perante a sobrevalorização do exercício dos cargos formalmente prè-estabelecidos, para além de estimular o “garrote” burocrático, que tanto tem vindo a asfixiar a qualidade do ensino em Portugal, lesa ainda a coerência do discurso da valorização do mérito, abalando a sua credibilidade de modo inexorável. Tal contradição é ainda agravada pelo funil da quota, artifício administrativo, em consequência do qual, 2/3 dos professores portugueses estarão injustamente impedidos, ainda que o mérito o justifique, de chegar aos escalões de maior relevo estatutário e remuneratório nas suas carreiras. Será este o prémio com que se pretende motivar os professores, valorizá-los, dignificá-los, como se pode ler no preâmbulo do Decreto-lei 15/2007?! Ou, pelo contrário, será mais um forte contributo para a sua indignação?
4. A verticalização da carreira, constituirá mais um obstáculo à salubridade pedagógica das escolas e à eficiência do processo ensino/aprendizagem. É mais uma diferenciação burocrática, que ostensivamente ignora as qualidades que realmente contam na relação pedagógica e cultural do professor com o aluno e com toda a comunidade escolar e educativa. Não é certamente por se desempenharem mais cargos durante mais tempo que se é melhor professor. Esta diferenciação artificial de estatutos e competências irá trazer mais conflitualidade e piorar o ambiente escolar. A introdução forçada do sistema de quotas representa uma profunda injustiça sobre a actividade docente. Estas duas novidades vão contribuir para a desvalorização social e material dos professores. Este não é, em meu entender, o caminho para a avaliação do mérito profissional, a dignificação da classe e mais do que isso, a defesa e qualificação da escola pública. Há uma contradição insanável entre um discurso favorável ao reconhecimento do mérito e da excelência, por um lado, e, por outro, a imposição de quotas para a atribuição de menções de bom e de excelente.
Acresce que, a revogação do antigo artigo 38.º, sob a epígrafe “Equiparação a serviço efectivo docente” – onde se pode ler: “1. É equiparado a serviço efectivo a funções docentes para efeitos de carreira: a) O exercício de cargos de ….. deputado à Assembleia da República, membro do Governo…. Presidente de Câmara, vereador em regime de permanência….. e) o exercício da actividade de dirigente sindical” – acompanhada do já conhecido propósito de regular com retroactividade o primeiro concurso a professor titular, vem colocar cidadãos que, num Estado de Direito democrático, assumiram e assumem o exercício de direitos e deveres políticos na base de um quadro constitucional e legal que salvaguarda efeitos relevantes, numa situação de lesados nos seus direitos legal e constitucionalmente protegidos. O art. 50º, nº2 da Constituição da República Portuguesa estabelece:
- “Ninguém pode ser prejudicado… na sua carreira profissional… em virtude do exercício de direitos políticos ou de desempenho de cargos públicos.” Trata-se pois de uma inaceitável e grave diminuição de direitos constitucionais e democráticos, a qual será mais uma fonte de indesejável iniquidade e conflitualidade.
Finalmente, reafirmo que sou favorável à mudança e ao reajustamento de carreiras. Trata-se sim de não aceitar modelos que diminuem a dignidade da função docente, penalizadores de uma escola pública de qualidade e de defesa do Estado de Direito.
Palácio de São Bento, 20 de Março de 2007
O Deputado do Partido Socialista
João Cândido da Rocha Bernardo
Julho 21, 2009 at 12:01 am
http://iluminacoes.wordpress.com/2009/07/20/presos/
Kiss
Julho 21, 2009 at 12:08 am
PROFESSORES E DEPUTADOS PS QUE VOTARAM CONTRA A SUSPENSÃO
Eis os deputados do PS, professores, que votaram, contra as propostas de lei do PSD, do BE e dos Verdes, que suspenderia o processo de (des)avaliação:
Rosalina Martins
Viana do Castelo
Jorge Fão
Viana do Castelo
Ricardo Gonçalves
Braga
Isabel Coutinho
Braga
Paula Barros
Vila Real
Rosa Maria Albernaz
Aveiro
Fernanda Asseiceiro
Santarém
Fernando Cabral
Guarda
Aldemira Pinho
Faro
Odete João
Leiria
Jovita Ladeira
Faro
João Bernardo
Aveiro e Vice Secretário Geral do SINDEP
Julho 21, 2009 at 12:47 am
Bem “balanceado”. Na generalidade, subscrevo.
Julho 21, 2009 at 2:03 am
Apesar dos professores os tentarem minimizar, quais os custos, para o país, destes 4 anos, de total incompetência de Maria de Lurdes Rodrigues?
As organizações apresentam diferentes tipologias de estrutura e funcionamento dependendo a sua sobrevivência, grosso modo, da forma como estas se estruturam em face das finalidades ou resultados específicos que perseguem.
Numa estruturação ou reestruturação organizacional, a serem prosseguidos a eficíência e eficácia organizacional, há que definir sem ambiguidades os resultados ou finalidades da mesma. Em linguagem de gíria política designam-se de reformas.
Os resultados ou finalidades de uma organização são muito distintos. Desde a optimização da produção de uma peça para automóveis, passando pela comercialização de uma qualquer marca, a empresas que comercializam serviços de todos os tipos – limpezas em grandes superfícies comerciais, marketing publicitário em nicho de mercado altamente especializado ou arquitectura paisagista. Os objectivos são previamente traçados para viabilidade económica das empresas.
Nos casos das áreas da saúde e da educação, por exemplo, a definição de resultados ou finalidades – prestar serviços de saúde e prestar serviços educativos – é muito mais complexa, mesmo que confinados aos aspectos socialmente convencionais (ter boas notas nos testes disciplinares de determinado ano de escolaridade, no caso da Educação), por estes serviços envolverem factores totalmente impossíveis de controlo pelos seus operacionais, os profissionais especializados, médicos e professores. Muito embora todas as prescrições e procedimentos sejam tomadas, por um médico, no tratamento de uma mesma patologia, há pacientes que sobrevivem e outros que sucumbem e morrem. Muito embora todos os procedimentos sejam tomadas, por um professor, na recuperação de alunos com dificuldades de aprendizagem numa ou mais matérias disciplinares, há alunos que conseguem ultrapassar essas dificuldades diagnosticadas e progredir, e outros que o não conseguem e se atrasam, podendo não ter capacidades para prosseguir quaisquer estudos.
As organizações privadas do sector da educação alicerçam toda a sua intervenção no lucro. Seleccionam os seus clientes organizacionais e demandam fins com retorno imediato na forma mensurável de notas disciplinares, no prosseguimento do bom nome no nicho de mercado do seu investimento. A educação, nestas circunstâncias, apresenta uma forma de segregação social, existindo muita investigação que aponta para prezuízos do ponto de vista da adaptabilidade social e outros, no médio e longo prazo, na vida de muitos destes jovens.
No sector público do Ensino, desde o 25 de Abril de 1974, que tem sido prescrito às escolas e professores, pelos inúmeros ministros que demandaram o sector, um rol imenso de atribuições da esfera societal, muitos deles contraditórios. Cada nova equipa (o topo estratégico da organização ME) alterou substancialmente as prescrições ou pedidos dirigidos aos professores (as bases operacionais). Por outro lado, o ministério da Educação funciona na base de uma longa cadeia hierárquica (burocracia mecanicista), impondo ás pequenas unidades operacionais ou escolas, muito dispersas territorialmente, todas as prescrições e normativos, mas nunca se questionou (nem questiona) sobre a sua aplicabilidade ou sustentabilidade de tais medidas, quer em termos de recursos humanos ou custos materiais. São conhecidas de todos os que trabalham nas escolas, as peripécias crónicas e constantes com que as escolas se confrontam permanentemente no seu funcionamento, por os serviços regionais, centrais e governamentais terem, na maior parte das vezes, um conhecimento muito reduzido das realidades das escolas. A administração educativa é uma máquina asfixiante que só a imensa paciência e o brio profissional de professores suportaram ao longo de todos estes anos.
Os pedidos explícitos (e implícitos) da administração escolar foram permanentemente alterados, consoante os ocupantes da cadeira da 5 de Outubro, através de reformas contínuas e sempre sem ter em conta a sua adequação, implementação e funcionamento.
Nada mudou desde então até hoje, com uma grave excepção: nunca desde o 25 de Abril de 1974 os professores foram publicamente acusados dos desmandos das políticas educativas e da máquina burocrática do ME.
A actual equipa da 5 de Outubro demonstra não ter a mínima ideia de quais os resultados ou finalidades, que ao longo destes mais de 30 anos, foram pedidos aos professores da Escola Pública pelos anteriores ministros dos governos e pela administração escolar. Como pode defini-los como “fracos” resultados?
Na página 12 do “Estudo sobre a Reorganização da Carreira Docente do ME”, encomendada por Maria de Lurdes Rodrigues, na qualidade de ministra da Educação, no início do seu mandato ao seu mentor técnico-ideológico o sociólogo João Freire, lê-se ” Diagnóstico – Á partida, pareceu que a situação actual de organização e funcionamento da carreira dos professores dos ensinos básico e secundário podia ser descrita sinteticamente da forma seguinte: – Fraco rendimento do sistema, medido pela insuficiente qualidade dos “formados”»
Em que se baseia João Freire para o assumir como diagnóstico ou ponto de partida para o (seu) estudo de reestruturação da carreira docente?
Se JF tivesse previamente lido o excerto do artigo do Mário Lopes, QUEM SABE (?) se não se teria prestado a um exercício de pura charlatanice com consequências dramáticas nas vidas de milhões de pessoas. Quem sabe …
“Estatísticas e sucesso escolar
Mário Lopes
Poucas estatísticas são mais falíveis que as do sucesso escolar, antes de mais porque é um conceito impossível de quantificar. O primeiro impulso é para se associar a noção de sucesso escolar às classificações dos alunos. Contudo, estas assentam num equívoco que até agora não foi resolvido por nenhum governo e que o actual veio agravar. Até há 20 anos, as classificações estavam directamente relacionadas com as aprendizagens. Contudo, com o advento da escola inclusiva, o paradigma tem vindo a alterar-se progressivamente. Actualmente, as classificações, sobretudo, até ao 3º ciclo e nos cursos profissionalizantes, não reflectem apenas as aprendizagens dos alunos, centrando-se também na sua progressão, de acordo com as suas possibilidades e capacidades.
Ora, entre estas duas realidades vai um abismo e não pode haver estatísticas sérias se não sabemos o que estamos a medir. O conceito de escola inclusiva é incompatível com a existência de exames, sobretudo, nacionais. Por sua vez, os exames nacionais constituem um instrumento independente de avaliação dos alunos e é hoje consensual que devem existir. Há aqui uma contradição que não pode deixar de ser urgentemente resolvida.
O mundo empresarial exige uma escola onde haja aprendizagens efectivas e padronizadas, de forma a que os futuros trabalhadores ou empresários possam competir num mercado cada vez mais globalizado. Neste paradigma, os exames são a cereja em cima do bolo, permitindo aferir de forma padronizada essas aprendizagens.
Contudo, o País também exige que não haja exclusão e abandono escolar, o que só é possível numa escola onde cada um possa aprender ao seu ritmo, tendo em atenção o contexto, social, cultural e familiar do aluno. Ora, se cada um aprende ao seu ritmo, as aprendizagens não podem ser padronizadas e, portanto, também não pode haver exames, que, por definição, avaliam conhecimentos-padrão.
O actual sistema de ensino vive nesta ambiguidade, o que lhe vale a acusação, merecida, de facilitista. A culpa não é dos alunos nem dos professores, mas da indefinição do modelo de sistema de ensino. Se um professor privilegia os alunos com mais dificuldades, terá necessariamente de diminuir o grau de exigência das matérias a leccionar. Consegue assim combater o abandono escolar e obter sucesso estatístico, mas as aprendizagens, com o nível e profundidade desejadas, não são realizadas. O nívelamento por baixo prejudica os alunos com maiores capacidades, que se queixam e com razão.
Ao invés, se um professor tenta nivelar o nível de ensino por cima, de forma a garantir um ensino de qualidade, privilegia os melhores alunos e conduz os piores alunos a maus resultados estatísticos (embora o ensino ministrado possa ser de qualidade). Consegue assim dar uma boa preparação a uma parte dos alunos que conseguem acompanhar o ritmo da formação, mas obtém insucesso estatístico, porque alguns alunos não corresponderam à exigência das aprendizagens. Queixam-se os alunos com mais dificuldades e com razão.
Como se vê, a coexistência do ensino inclusivo, centrado no aluno, com o ensino padronizado, centrado nos conteúdos programáticos, na mesma turma, não produz resultados optimizados e a sua manutenção pressupõe um preço a pagar pela sociedade, que terá sempre de ser tolerante com os resultados estatísticos. Contudo, o que vimos nestes últimos três anos é que o País está sujeito ao primado das estatísticas, numa obcesão, nem sempre salutar, de ficar a par dos valores médios da União Europeia.
Sendo assim, há que tirar ilacções: se o País quer resultados maximizados, terá de separar os dois tipos de ensino, seja a nível de escola ou de turma. A indefinição do actual sistema não satisfaz nem governos, nem alunos, nem professores, acabando estes por ser injustamente responsabilizados por resultados que são uma consequência do próprio sistema. Criar escolas de nível não me parece possível em termos de aceitação social, restando assim a hipótese de formação de turmas de nível dentro da mesma escola.
A ideia igualitarista de que todos os alunos têm capacidade para aprender as mesmas matérias durante um ano lectivo é uma ficção. Não há estratégias, professores ou políticas educativas que consigam contornar esta impossibilidade. E quando, por vezes, nalgumas escolas ditas modelo se fala em grande sucesso, estamos a falar de sucesso estatístico conseguido com medidas paleativas. Em Educação, não há milagres.
Queixa-se o Ministério da Educação de que os resultados escolares dos alunos são muito inferiores à média europeia. Em primeiro lugar, porquê tanta estranheza e incomodidade? Por acaso, a economia portuguesa está ao nível da União Europeia? A indústria? A agricultura? A Justiça? O sistema de saúde? Ora, se todos os sectores do País têm índices abaixo da média da União Europeia, porque carga de água a Educação haveria de ter índices iguais ou melhores?
Naturalmente, os níveis de desenvolvimento são sempre condicionados pelo contexto e pela herança do passado. Os pais dos nossos alunos têm habilitações médias iguais aos do resto da União Europeia? Portugal continua com 9% de analfabetismo, flagelo que nos países do Norte da Europa foi erradicado há 100 anos! As condições de vida dos alunos portugueses são iguais às dos alunos da União Europeia? A verdade é que muitos alunos portugueses continuam a vir para a escola mal alimentados, mal vestidos e a viver em casas abarracadas, sem qualquer dignidade e conforto. A assistência na saúde dos alunos portugueses é igual à da média da União Europeia? Ora, Portugal não tem sequer uma rede de saúde mental a nível nacional. As crianças e jovens portugueses com problemas comportamentais e de saúde mental, e muitos são, ou não fossem também os mais maltratados da Europa, esperam meses por uma consulta que, geralmente, nem sequer tem continuidade. Ou, pura e simplesmente, nem sequer têm assistência.
Quem conhece a realidade educativa em Portugal sabe que estas são as reais causas do insucesso escolar. É raríssimo um aluno de classe média, com uma família equilibrada e pais que lhe dêem a devida atenção, ter maus resultados escolares. Se dúvidas houvesse de que o problema do ensino não passa pela qualidade do corpo docente, esta simples constatação desmontaria tal tese.
http://www.tintafresca.net/News/newsdetail.aspx?news=3b1be272-e05b-4e57-ae03-7719058cb703&edition=89
Julho 21, 2009 at 2:25 am
Mário, tal e qual…
Agora, os almoços convívio, desculpa lá, ADORO!!! São experiências inesquecíveis do ponto de vista psico-sociológico! Só não vou se não puder e tiro fotos….só não tiro mais porque passo tanto tempo a chorar a rir que não consigo fazer mais nada…
Se o almoço for volante e depois de estar tudo acomodado como pode a equilibrar o prato em cima do joelho, senta-te à mesa…
Vais ver que é engraçado…
Julho 21, 2009 at 10:10 am
Podíamos não ter formado listas para o conselho geral e transitório…aí não foi o medo nem a ameaça que funcionaram , foi já o apetite pelo poder.