José Sócrates continua a sua investida na área da Educação como parte da estratégia pré-eleitoral, fingindo ou sinceramente não percebendo que algo mudou e a sua estratégia comunicacional já não funciona como chegou a funcionar até ao início de 2008.

Desta vez o pretexto é a abertura de muitas mil vagas (126.000 diz-se) para cursos profissionais no Ensino Secundário.

Declara-se que esta é a via para corrigir um erro histórico. E acrescenta-se que também é para cumprir metas sugeridas pela OCDE.

O que José Sócrates parece querer ignorar, e na sua esteira Maria de Lurdes Rodrigues e cada vez menos crédulos úteis, é que a estratégia da quantidade (mais 38.00 vagas de um ano para o outro) dificilmente é adequada à situação de um país que tem imensa dificuldade em absorver a mão de obra existente e duvida com toda a a razão de qualificações e certificações produzidas aos baldes.

Quando o primeiro balanço do programa Novas Oportunidades é bastante esquivo em detectar pontos positivos na iniciativa (para além daquele pormenor da auto-estima), muito menos o rigor do ensino ministrado, seria o momento certo para apostar numa estratégia de consolidação da oferta e não propriamente de expansão de um sistema que pode garantir algum sucesso estatístico em matéria de qualificação e até combater algum abandono escolar precoce, mas à custa de uma mistificação, possível pela completa ausência de estudos sobre a inserção dos alunos de curso de CEF e EFA no mercado de trabalho para além dos estágios iniciais.

Muitos cursos ditos profissionais decorrem sem condições que possam, elas próprias, ser consideradas profissionais. Quem conhece o sistema por dentro sabe das suas imensas imperfeições, as quais não se combatem esticando ainda mais o que existe, antes de colmatar as falhas que existem.

Anunciar 126.000 vagas, 116.000, 136.000, 106.000 ou 146.000 é absolutamente irrelevante e apenas serve para satisfazer a agenda eleitoralista do primeiro-ministro.

Um primeiro-ministro que, ele sim, está sempre muito satisfeito consigo mesmo.

O que pode não ser histórico, mas é certamente um erro.