José Sócrates continua a sua investida na área da Educação como parte da estratégia pré-eleitoral, fingindo ou sinceramente não percebendo que algo mudou e a sua estratégia comunicacional já não funciona como chegou a funcionar até ao início de 2008.
Desta vez o pretexto é a abertura de muitas mil vagas (126.000 diz-se) para cursos profissionais no Ensino Secundário.
Declara-se que esta é a via para corrigir um erro histórico. E acrescenta-se que também é para cumprir metas sugeridas pela OCDE.
O que José Sócrates parece querer ignorar, e na sua esteira Maria de Lurdes Rodrigues e cada vez menos crédulos úteis, é que a estratégia da quantidade (mais 38.00 vagas de um ano para o outro) dificilmente é adequada à situação de um país que tem imensa dificuldade em absorver a mão de obra existente e duvida com toda a a razão de qualificações e certificações produzidas aos baldes.
Quando o primeiro balanço do programa Novas Oportunidades é bastante esquivo em detectar pontos positivos na iniciativa (para além daquele pormenor da auto-estima), muito menos o rigor do ensino ministrado, seria o momento certo para apostar numa estratégia de consolidação da oferta e não propriamente de expansão de um sistema que pode garantir algum sucesso estatístico em matéria de qualificação e até combater algum abandono escolar precoce, mas à custa de uma mistificação, possível pela completa ausência de estudos sobre a inserção dos alunos de curso de CEF e EFA no mercado de trabalho para além dos estágios iniciais.
Muitos cursos ditos profissionais decorrem sem condições que possam, elas próprias, ser consideradas profissionais. Quem conhece o sistema por dentro sabe das suas imensas imperfeições, as quais não se combatem esticando ainda mais o que existe, antes de colmatar as falhas que existem.
Anunciar 126.000 vagas, 116.000, 136.000, 106.000 ou 146.000 é absolutamente irrelevante e apenas serve para satisfazer a agenda eleitoralista do primeiro-ministro.
Um primeiro-ministro que, ele sim, está sempre muito satisfeito consigo mesmo.
O que pode não ser histórico, mas é certamente um erro.
Julho 15, 2009 at 2:59 pm
Sócrates gosta de nºs grandes.
Acha que impressiona.
É tudo XXL.
Julho 15, 2009 at 3:04 pm
É tudo muito grande até os números. Os governantes quando vão visitar as escolas, peçam que mostrem as salas onde dão aulas ao dobro dos alunos que elas comportam. Não é só mostrar e fazer show-off. Deem digndade ao ensino. É uma vergonha o que se passa.E depois dizem-se escolas de excelências e de referência. Onde? Só se fôr na mentira.
Julho 15, 2009 at 3:28 pm
A lógica é semelhante à pirâmide enlouquecida de Madoff.
Prometer dar cada vez mais, a todos, sem qualquer relação material com a realidade e a lógica matemática dos factos.
Entregar qualificações e títulos académicos com a promessa de retorno garantido a um número incalculável de ingénuos que acreditam que vão ter a sua vida melhorada, sem qualquer probabilidade de que isso seja cumprido, é tão criminoso como estoirar com o dinheiro dos depositantes enganados.
Matematicamente não há qualquer possibilidade de empregar tanta gente em Portugal (e na Europa, diga-se), uma vez que a economia está em recessão, com o desemprego de pessoas qualificadas a aumentar em proporção maior do que os não qualificados, e ainda por cima sem qualquer vislumbre de um boom económico, ou sequer de uma retoma nas áreas que exigem trabalho de quadros (licenciados/ mestrados).
Mas a cegueira tomou conta deste governo e a oposição não tem coragem para dizer que o rei vai nu em matéria de educação e qualificação, porque também ela vive na base do embuste, confundindo massificação e desvalorização das habilitações com a democratização do processo educativo.
Julho 15, 2009 at 3:38 pm
Na verdade, ainda não tivemos governo NENHUM que levasse a sério a educação e que a visse como pilar fundamental na construção e manutenção de uma sociedade. Mesmo os melhores olharam sempre para a educação como uma despesa e não como um investimento. E basta falar-se na necessidade de reduzir a despesa do estado, para se cortar imediatamente na Educação. E paga-se faustosamente a quem se determine a fazê-lo.
Assim não vamos lá. A Escola Pública Portuguesa transformou-se numa grande ilusão.
Os EFAs e CEFs são apenas um subterfúgio que permite negar (dando em troca um ensino contrafeito)o direito universal à instrução que possibilitaria o fim dos ciclos de pobreza e exclusão. E o ensino regular público torna-se refém dos cursos de contrafacção. Tudo em nome de uma estatística que nos há-de manter na pobreza e estupidez durante muitas gerações.
Julho 15, 2009 at 3:58 pm
Na TSF – A OCDE defende a necessidade de alterar o sistema de avaliação de professores em Portugal. Num relatório feito a pedido do Ministério da Educação, a organização considera que o actual modelo causa focos de tensão e deve funcionar como futura base de trabalho.
Julho 15, 2009 at 4:01 pm
OCDE defende alteração do sistema de avaliação de professores
http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=1308675
Julho 15, 2009 at 4:14 pm
“A OCDE defende a necessidade de alterar o sistema de avaliação de professores em Portugal. Num relatório feito a pedido do Ministério da Educação, a organização considera que o actual modelo causa focos de tensão e deve funcionar como futura base de trabalho.
A OCDE defende a continuação da avaliação de professores, mas considera legítimas as preocupações e dificuldades dos professores.
O reltório sobre a avaliação identifica vários elementos problemáticos no actual modelo, defendendo, por isso, ajustamentos.
Paulo Santiago, um dos autores do relatório, destaca os focos de tensão que têm de ser ultrapassados.
«O objectivo da melhoria está a tentar ser alcançado através de um modelo que tem consequências para uma carreira. O facto de fazer dessa maneira pode pôr em perigo a tal função de melhoria – essa é a primeira tensão», explicou.
A segunda tensão, sublinhou, «é o problema de ter uma avaliação ao nível da escola com consequências a nível nacional».
Questionado sobre o relatório da OCDE, a ministra da Educação disse tratar-se de mais um contributo técnico para a melhoria do modelo de avaliação.
Já a FNE diz que este estudo vem isolar, ainda mais, a titular da pasta da Educação.”
Julho 15, 2009 at 4:15 pm
O OCDE dá mais uma machadada no sistema já defunto.
Agora senhora ministra?
Julho 15, 2009 at 4:17 pm
Não percam!!! Vejam como se fazem contas!!!
http://sic.aeiou.pt/online/video/informacao/noticias-pais/2009/7/governo-aumenta-de-90-mil-para-125-mil-as-vagas-no-ensino-profissional.htm
Julho 15, 2009 at 4:22 pm
… ouvi uns rumores que todos vão ser avaliados
… quem entregou OI e FAA…
… quem não entregou OI mas entregou FAA…
… quem nada entregou.
Fonte: Um daqueles directores dinossauros tipo “raposa felpuda” que vai deixar tudo para o fim para ver onde param as bandas.
Isto será a maior manobra de bastidores realizada por um governo que não olha a meios para atingir os fins.
Julho 15, 2009 at 4:46 pm
#10
Ainda bem que não fiz nada, mesmo como avaliadora só o indispensável e o inadiável. Não é que seja uma “raposa felpuda”
, mas a esperança é a última a morrer…
Julho 15, 2009 at 4:48 pm
“OCDE defende alteração do sistema de avaliação de professores”
http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=1308675
Julho 15, 2009 at 4:49 pm
A pressaa de andar para a frente é tanta que, na abertura de novo concurso para titulares, os centros de formação receberam ordens para definir júris para as provas públicas!
Julho 15, 2009 at 4:58 pm
Então não é que os alunos do 10º ano no próximo ano lectivo vão ter bolsas que perfazem centenas de milhões de euros…
Temos que dar valor a este tipo socretino. A sério que o recrutava para delegado de propaganda médica, vendedor de enciclopédias…
Julho 15, 2009 at 5:26 pm
http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=1308675
A OCDE defende a necessidade de alterar o sistema de avaliação de professores em Portugal. Num relatório feito a pedido do Ministério da Educação, a organização considera que o actual modelo causa focos de tensão e deve funcionar como futura base de trabalho.
A OCDE defende a continuação da avaliação de professores, mas considera legítimas as preocupações e dificuldades dos professores.
Julho 15, 2009 at 5:29 pm
Ainda sobre o relatório:
http://diario.iol.pt/sociedade/avaliacao-educacao-professores-ocde-relatorio-tvi24/1075866-4071.html
Julho 15, 2009 at 5:31 pm
Olhem para estes:
http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=141941
Julho 15, 2009 at 5:53 pm
ah esta greve não prejudica ninguém… só as nossas greves e manifs era uma dor de cabeça, que graça… sem graça nenhuma…
Julho 15, 2009 at 10:51 pm
[...] Arquivar em: disparates, educação, políticos — Zepovinho @ 9:48 pm Talvez seja um “erro histórico” haver poços alunos no ensino profissional, mas para que este ensino não se torne numa [...]
Julho 16, 2009 at 4:31 pm
[...] comunicacional já não funciona como chegou a funcionar até ao … fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]