A evolução dos resultados nos exames do 9º ano demonstra atá que ponto Portugal carece de um sistema padronizado, ou pelo menos com critérios de concepção e execução uniformes, de exames.

Alunos com melhores resultados a Matemática e piores a Português

Os alunos do ensino básico saíram-se melhor a Matemática este ano. Os resultados da prova nacional do 9.º ano do ensino básico, divulgados esta manhã, mostram que mais de três em cada cinco estudantes conseguiram uma positiva.

Segundo os dados apresentados pelo Ministério da Educação, em Lisboa, a percentagem de positivas na prova realizada em Junho foi de 63,8 por cento, contra 55,2 por cento em 2008.

Na Língua Portuguesa passou-se o contrário: 69,9 por cento de positivas contra 83,2 por cento em 2008. Ou seja: o exame nacional correu pior a mais alunos.

A Língua Portuguesa a percentagem de alunos com negativa aumentou de 17 para 30 e em Matemática diminuiu de 45 para 36. Também no que respeita às taxas de reprovação, a tendência nas duas disciplinas foi de sentido contrário. A Matemática passou de 26 para 24 por cento e a Língua Portuguesa subiu de oito para nove por cento.

Não é credível achar que a evolução dos níveis de (in)sucesso em Língua Portuguesa e Matemática apresentem uma evolução errática de ano para ano, com saltos ora positivos, ora negativos, de quase ou mais de 10%.

Que o discurso oficial do ME oculte este ziguezaguear já seria de esperar:

A estabilidade e consolidação correspondem também, além do facto mencionado de a maioria dos alunos ter tido nota positiva, à atmosfera de tranquilidade que realizou os exames, bem como ao equilíbrio das provas, adaptadas à idade e ao currículo.

Agora que Maria de Lurdes Rodrigues entre em completo delírio, é apenas risível:

Em declarações a Lusa, a ministra da Educação considerou que estes resultados devem encher o país de orgulho. “Gostava de sublinhar que a larga maioria dos alunos teve nota positiva tanto a Português como a Matemática. Isso deve-nos encher de orgulho. É muito positivo e muito bom para o país”, afirmou Maria de Lurdes Rodrigues.

Ficamos  desta vez a saber que a culpa ou o mérito não é dos alunos, da comunicação social ou dos professores, mas sim do equilíbrio dos exames.

Pois, e os ovos de pato são quadrados.

A verdade é que, depois de três anos a pressionar o sucesso estatístico a toda a força chegamos ao final do mandato sem perceber se, de acordo com a lógica de responsabilizar o PAM pelos ganhos em Matemática, foi  o PNL que afinal falhou, pois já lá vão dois anos em perda nos exames de Língua Portuguesa.

Exames9

Mapa de resultados retirado daqui, sendo pena que não tenha sido feita a evolução desde 2005, para termos a noção das oscilações ao longo deste mandato.