Sejam as Novas Oportunidades, sejam os estudos sobre as ditas cujas?
Expresso, 11 de Julho de 2009
É razoável que um estudo que vai receber um milhão de euros para ser feito, ao fim do ano apresente este tipo de resultados?
Que o coordenador admite não ir avaliar a qualidade ou rigor do processo de certificação e se limita a avaliar a percepção dos envolvidos na certificação?
Conclusões brilhantes – e vamos esquecer a anedota do aumento da auto-estima que ontem fez as delícias de tantos – como «sentem que aprenderam alguma coisa» são realmente pagas a preço de ouro.
Constatar que o reconhecimento da certificação por parte das empresas empregadoras diminuiu de 2008 para 2009 (de 39% para 34%) é apenas apresentar um dos indicadores quantificaáveis do fracasso evidente deste projecto emblemático do Governo, do seu primeiro e do binómio Min. Trabalho/Min. Educação.
Um milhão de euros?

Julho 11, 2009 at 7:26 pm
“É razoável que um estudo que vai receber um milhão de euros para ser feito, ao fim do ano apresente este tipo de resultados?”
Poderia parecer razoável, porque à partida estava conhecido o resultado sobre a (falta de) qualidade.
Só que para concluir sobre o aumento da auto-estima também não era preciso estudo nenhum.
Algum aluno excelente recebeu pomposamente o seu válido diploma das mãos da importante classe política? SE calhar, também não queriam.
Julho 11, 2009 at 7:29 pm
Rigor? Alguém falou em Rigor?
Que susto!: Por momentos pensem que estivessem a falar da Universidade Independente…
Julho 11, 2009 at 7:31 pm
Já nada me espanta com este governo, só conhecem duas palavras repetidas n vezes:
roubar, mentir, roubar, mentir, roubar, mentir, mentir, mentir, roubar,…
Julho 11, 2009 at 7:36 pm
TPC em fase de leitura, livresco.
Julho 11, 2009 at 7:46 pm
Eu diria que isto é o Expresso a dar uma de pró-professores; mas o Expresso no essencial concorda com o roubo, perdão, reformas que foram feitas contra os professores. Quanto à pergunta se isto é para levar a sério eu acho que isto é para encher chouriços; o essencial nunca é debatido.
Permitam-me que cite Noam Comsky: “A forma inteligente de manter as pessoas passivas e obedientes é limitar estritamente o espectro da opinião aceitável, mas estimular muito intensamente o debate dentro daquele espectro… Isto dá às pessoas a sensação de que o livre pensamento está pujante, e ao mesmo tempo os pressupostos do sistema são reforçados através desses limites impostos à amplitude do debate”.
Julho 11, 2009 at 7:53 pm
4. Que a Inspiração esteja contigo meu caro!: os teus “escritos” ainda nos fazem acreditar que a Democracia existe…neste momento trabalho para a escola…
Julho 11, 2009 at 8:00 pm
Já agora um obrigado maior que o mundo a quem visita o meu blog, dá-me força anímica – ao menos não me piro para o Brasil como o estivador Miguel Sousa Tavares:
http://livresco.wordpress.com/
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Julho 11, 2009 at 8:17 pm
O Paulo que me perdoe mas parece-me que vou assistir a um momento delicioso, o momento em que o Paulo subscreve o que João Miranda diz aqui eh eh eh
http://blasfemias.net/2009/07/11/notas-sobre-as-novas-oportunidades/#comment-161922
A mim custou mas genericamente o João está certo.
Julho 11, 2009 at 8:27 pm
Mais um “tiro certeiro” enviado…
Julho 11, 2009 at 8:40 pm
Acima deste texto vinha um sobre os exames, onde se dizia (já não recordo se era sociedade portuguesa de Química ou a de Física) que os actuais exames de Física e Química de fácil têm pouco. Numa análise comparada de todos os exames, desde 1972, o de 2006 foi o que teve maior grau de dificuldade.
Claro que conclusões destas vão contra o “populismo facilitista”, do qual o director do público é o exponente máximo.
Julho 11, 2009 at 10:13 pm
de repente lembrei-me do PNAEBA
deixo aqui memórias:
(creio que a autora não se importará)
http://www.aps.pt/cms/docs_prv/docs/DPR4628c2d9caae0_1.pdf
Julho 12, 2009 at 12:39 am
«…duas alfinetadas que ainda quero dar:
1 – O programa Novas Oportunidades está a ser, para dezenas de milhar de portugueses, um autêntico rendimento mínimo acrescido: muitas famílias portuguesas estão a frequentar este programa apenas e só porque recebem subsídio de alimentação e deslocação para frequentarem as “aulas”.
Este, aliás, é um factor de descrédito do programa e das “qualificações” que produz.
Não se pode dar crédito a um sistema de qualificações em que o Estado, não só oferece as instalações, os suportes materiais e os professores como também comparticipa os educandos, que são maiores e vacinados.
Para se saber se o programa NO interessa à educação/formação dos portugueses e se os próprios acham que o mesmo é útil para a sua vida profissional e para a melhoria das condições de trabalho, os formandos não poderiam ser pessoalmente subsidiados. É que há muitas pessoas a frequentar as NO apenas porque recebem mais um subsídio.
2 – O Programa NO estará para a qualificação dos portugueses tal qual esteve o FSE para as acções de formação profissional nos anos oitenta e noventa ou os subsídios aos agricultores. A Agência Nacional para a Qualificação fará pior papel que fez o Instituto de Gestão do FSE. Daqui a uns anos se verá que nunca, na história de Portugal, se deitou fora tanto dinheiro em tão pouco tempo. Uma autêntica desbunda…
Para nada… excepto para os “ganhos do eu”. Os portugueses da classe média pagam duas vezes a educação dos portugueses moinas: a primeira vez para os obrigar a “andar” na escola até ao 9º Ano, mesmo que à força e contra-vontade. A segunda vez, pagam para elevar-lhes a auto-estima e os “ganhos do eu”.
O exemplo vem sempre de cima: licenciados à pressão em universidades manhosas, cursos tirados ao domingo, por fax e da responsabilidade de apenas dois professores: um que é amigo e dependente na hierarquia do Estado, outro a depender das amizades dos governantes para que a sua “universidade” mantivesse as portas abertas. Assim não custa nada…
Reitor»
Julho 12, 2009 at 12:49 am
Novas Oportunidades – A ignorância certificada
Marta Oliveira Santos
Licenciatura em Filologia Românica; colaboradora de várias publicações.
O país encontra-se com uma taxa muito baixa de escolaridade em relação aos países da EU (União Europeia). Logo há necessidade de colmatar esta situação e, para isso foram criadas “As Novas Oportunidades”, uns cursinhos intensivos de três meses, no fim dos quais os “estudantes”(agora com o nome pomposo de formandos) obtêm o certificado de equivalência ao 9° ou 12° anos. Fantástico, se os cursinhos fossem a sério! …
Perante a publicidade aos referidos cursos, aqueles que abandonaram a escola ou, por qualquer razão não concluíram um dos ciclos de escolaridade, esfregaram as mãos de contentes, uma vez que agora se lhes oferece a oportunidade de obterem um certificado de habilitações que lhes poderá vir a ser útil. E como diz o ditado”mais vale tarde do que nunca”, eles lá se inscreveram. Por outro lado, três meses das 7.00 às 10.00 horas, horário pós-laboral, uma vez por semana, era coisa fácil de realizar. Coitados daqueles que andam 3 anos (7°, 8° e 9° anos) para concluírem o 3° ciclo!!! Isso é que é difícil!
Na rua, no café, nos locais públicos em geral ouve-se: “Ah! Agora, ando a estudar! Ando a fazer o 9° ou 12° ano! Aquilo é porreiro, pá!” (…)
Continua aqui:
http://www.asa.pt/CE/PDF/348/CE_348_Artigo_01.pdf
Julho 12, 2009 at 2:23 am
PSD acusa Governo de preferir “propaganda” nas Novas Oportunidades em vez de “avaliação e exigência”
O PSD acusou hoje o Governo de ter privilegiado a “propaganda eleitoral” em detrimento da “avaliação e exigência” relativamente ao Programa Novas Oportunidades, defendendo a necessidade de ser criada uma “equipa de monitorização permanente” desta iniciativa.
“A iniciativa em si é altamente meritória (…) mas desde o início alertamos que esse programa especificamente foi concebido para a propaganda governamental e não para a verdadeira qualificação dos portugueses. Este relatório vem comprovar aquilo que o PSD diz há três ou quatro anos”, declarou o deputado social-democrata Pedro Duarte, em declarações à agência Lusa.
De acordo com uma avaliação externa do Programa Novas Oportunidades, levada a cabo por uma equipa da Universidade Católica liderada pelo antigo ministro da Educação Roberto Carneiro, as competências adquiridas por adultos nas Novas Oportunidades ainda não significam um trabalho melhor ou mais bem remunerado, o que pode estar relacionado com as baixas qualificações da maioria dos empregadores.
“As pessoas que estão certificadas sentem que não houve grandes avanços na carreira, na remuneração, nas oportunidades de emprego, como porventura teriam legítima esperança de ter antes de terem feito a certificação”, disse Roberto Carneiro, atribuindo este desfasamento à circunstância de o programa ser “muito recente” e de o tecido empresarial português ser “maioritariamente constituído por pequenas e médias empresas e sem uma cultura de conhecimento”.
Para o deputado do PSD, este diagnóstico demonstra que “faltou avaliação, faltou exigência que contaminou toda a imagem do programa”.
“Há um esforço de reputação do programa, que tem que ser feito com mais avaliação e mais exigência, mas há também um esforço de este tipo de certificação ser reconhecida pelas entidades empregadoras (…) É preciso criar uma equipa de monitorização permanente, de monitorização e de exigência ao programa porque isso dá uma imagem de credibilidade, de consistência e de qualidade ao programa, para que ele sirva para qualquer coisa que não seja só a auto-estima dos portugueses”, comentou.
Quase 900.000 portugueses inscreveram-se no Programa Novas Oportunidades desde 2006, estando a registar-se uma média de 20.000 novas inscrições por mês, segundo dados hoje divulgados.
“O PS quis fazer disto um panfleto de propaganda eleitoral e não verdadeiramente qualificar os portugueses. Vai poder dizer que qualificou 900 mil portugueses ou o número que for, o que é um número interessante para se mostrar nos ´powerpoints´ do engenheiro Sócrates, mas infelizmente isso não tem bom efeito na vida das pessoas”, considerou Pedro Duarte..
http://www.ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1391224
Julho 12, 2009 at 12:18 pm
http://blasfemias.net/2009/07/11/notas-sobre-as-novas-oportunidades/
Vale a pena ler o post!
Julho 12, 2009 at 9:41 pm
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
ROBERTO ARTUR DA LUZ CARNEIRO – 17 de Agosto de 1987 a 31 de Outubro de 1991