ELEIÇÕES – CONTRIBUTO PARA O DEBATE
Para além da garantia de defesa das reivindicações próprias da nossa classe (revogação do ECD, acabar com as quotas e a divisão da carreira, revogação do estatuto do aluno, do modelo de gestão, regresso da gestão democrática, não à prova de ingresso na profissão, eliminação das aulas de substituição, criando uma bolsa de professores para o efeito, vinculação de todos os contratados com habilitação própria …), estaria disposto a votar numa qualquer força ou partido que se apresentassem ao eleitorado com um programa que colocasse o dedo na ferida, dizendo que o capitalismo e a democracia burguesa estão a mais e são a causa de todas as crises e misérias por que passamos, uma candidatura que afirmasse:
- que o maior problema do país é o mais de meio milhão de desempregados, o milhão e meio de trabalhadores precários, os mais de dois milhões de pobres, o salário mínimo de fome e as reformas de miséria;
- que o código do Trabalho é para revogar;
- que há que reduzir fortemente os salários dos gestores e aumentar os dos trabalhadores;
- que o desemprego deve ser combatido reduzindo os horários de trabalho;
- que fica proibido o trabalho não pago e o lay-off;
- que a educação, a saúde, a habitação e os transportes são um direito e não um negócio, e que portanto esses serviços não devem ser desmantelados nem privatizados;
- que é tempo de acabar com os privilégios da banca, de se taxarem as grandes fortunas e a especulação bolsista, de acabar com os offshores e o segredo bancário, de punir os crimes de colarinho branco, os delitos económicos e a corrupção, os responsáveis pelas trafulhices e roubalheiras que conduziram à crise – que a crise seja paga pelos capitalistas e pela banca;
- que a comunicação social não esteja concentrada e dominada pelos grandes grupos económicos;
- que os imigrantes sejam todos legalizados e tenham os mesmos direitos políticos, civis e laborais dos portugueses;
- que a violência sobre a mulher e o racismo serão severamente criminalizados;
- que a ocupação do Iraque e do Afeganistão termine imediatamente, os agressores sejam julgados e condenados e obrigados a pagar reparações àqueles países;
- que Portugal saia da NATO e os militares portugueses regressem imediatamente;
- que o acordo sobre a base das Lajes – utilizada pelos EUA como plataforma de agressão a outros povos – é para anular;
- que o povo da Palestina tem direito à autodeterminação e a ser plenamente independente;
- que não aceitamos as medidas de reforços policial, ditas “antiterroristas”, a militarização, a criminalização dos pobres e dos imigrantes, a limitação das liberdades democráticas em Portugal e na União Europeia.
Honestamente, vislumbram tal candidatura?
É que este programa não dá votos!
Julho 3, 2009 at 10:24 pm
Isto também está um “pouco” exagerado.
Mas próximo do pensamento da MFL e do programa do PSD.
Julho 3, 2009 at 10:28 pm
Agora acrescentem: idade para trabalhar 14 anos…universidade obrigatória, educação sexual a partir dos 6 anos, reformas aos 80 anos com 100 por cento das mesmas…viagra, ansioliticos e antidepressivos com desconto de 80%..isto sim era um programa onde muita gente votava…
P.S – Sport Tv e Playboy a borlex….
Julho 3, 2009 at 10:52 pm
Ó João Medeiros, você vive nas nuvens?
Julho 4, 2009 at 2:34 am
Não creio que o programa dos partidos mais à esquerda (BE e CDU) ande muito longe disto. Várias propostas com as quais concordo, duas ou três ingénuas/utópicas e outras duas ou três perfeitamente disparatadas. Não me parece que um programa destes não renda votos, tudo depende do partido que o apresentasse e das influências que esse partido conseguisse mover. Acredito que (pelo menos) 80% dos eleitores não lê os programas partidários.
Julho 4, 2009 at 10:29 am
O João Medeiros pode viver nas nuvens mas os programas tradicionais deixaram isto muito perto do colapso.
Parece-me evidente que precisamos de modelos de economia e sociedade completamente diferentes.
Por isso, e mesmo não concordando com todos os pontos apresentados, este programa teria o meu voto.
Julho 4, 2009 at 6:29 pm
#1
Acha? Já conhece o programa do PSD? Divulgue-o então!
#2
Um segundo darquense? Não posso crer … argumente!
#3
Chama-se utopia.
“Cidade, sem muros nem ameias … gente igual por dentro, gente igual por fora”, lembra-se?
#4
A questão é essa. Há algum partido que o apresente?
Em que propostas se configuram a minha ingenuidade e os meus disparates?
#5
Sem dúvida … mas, na actual conjuntura, este programa só poderá começar a ter alguma visibilidade fora do parlamento.
VOU TENTAR EXPLICAR MELHOR A DEFESA QUE FAÇO DO PROGRAMA SUPRA!
Até Outubro vamos ser chamados a votar, primeiro para o parlamento e depois para as
autárquicas. Mais uma vez, grandes e pequenos partidos se vão reclamar porta-vozes das virtudes eleitorais, que há que “votar bem”, escolhendo as “medidas sérias” e as “verdadeiras alternativas”, e penalizar as “más políticas”, os “responsáveis pela crise” e a “incompetência governativa” ou a “ausência de soluções na oposição”, conforme os casos.
Certamente que uma derrota do partido do governo, acompanhada de igual derrota do maior partido da oposição, seria de grande e decisiva importância, dado que colocaria em minoria os representantes políticos do “centrão”. Mas tal significaria uma alteração radical da correlação de forças, traduzida na polarização da vida política entre uma esquerda representativa dos interesses populares, que não existe, e os partidos do sistema (PS, PSD e CDS). Significaria igualmente a emergência, à esquerda do PCP e do BE, de um campo político não reformista, em ruptura com o actual sistema político e a ordem económica vigente.
Como isso não se vislumbra nos tempos mais próximos, apesar da crise, do desemprego crescente e do alastramento contínuo da pobreza, aquilo que está garantido é a continuação do governo do “centrão”, ganhe o PS ou o PSD. Se o PS entrar em perda, podem mudar as clientelas, alterarem-se as influências e os lóbis, mas o núcleo central de interesses do grande capital vai permanecer intocado e a crise continuará a ser paga pelos que trabalham, realidade que permanecerá inalterada mesmo que se confirme a previsível subida eleitoral do PCP e do BE, que só por milagre se apresentariam ao eleitorado com um programa anticapitalista e popular, como o que defendemos.
Julho 4, 2009 at 6:42 pm
#6
João, estava a ser irónico!