VENHA DAÍ O PROGRAMA

Se uma empresa de sondagens me viesse perguntar qual seria, neste momento, o sentido do meu voto, a resposta seria: “Sei lá!”.

Ora este “sei lá”, na minha resposta, não é bem igual àquele que muitos portugueses utilizam quando lamentam:

- Os partidos são todos iguais, por isso “sei lá” em qual hei-de votar!…

Ou então: – Que se lixe a política e que se danem os políticos, por isso “sei lá” em quem voto!…

Ou ainda: – Os que lá estão fazem asneiras, os que pra lá forem asneiras fazem, por isso “sei lá” eu em quem vou votar?!…

Mas, voltando ao meu caso, responderia assim:

- Ainda não conheço nenhum programa de nenhum partido. O que cada um pretende fazer na saúde, na educação e na justiça está no segredo dos deuses… Assim como não faço ideia se mudarão alguma coisa, como , porquê e com que dinheiro. Se investirão aqui ou acolá. Por isso, “sei lá” em quem vou votar!

De certeza, porém, que não votarei em Ferreira Leite só porque Pacheco Pereira acha que é “uma pessoa séria”. Ou porque sabe muito de finanças ( “Jesus foi quem foi e não percebia nada de finanças”…). Também não escolherei Paulo Portas só por ser despachado a falar e fazer boas rimas. Tão pouco optarei por Louçã só porque lança ataques cerrados ao Primeiro Ministro ( embora isso me agrade…). Jerónimo? Porquê? Por estar sempre a dizer que não? Só por isso?…

Muito menos me convencerão com a patetice pegada dos “outdoors”, onde aparecem as fotos estranhamente favorecidas, dos candidatos. Mas, bonitos ou feios, que importa!? ( Não dizem que o “outro” é bonito? Ora vejam o resultado…). Mais velhos ou mais novos? Quero lá  saber! ( Embora prefira a experiência, desde que não seja corrupta).

Mas o que mais me aleija nisto tudo é o espectáculo burlesco representado pelos partidos, a ver qual deles gasta mais dos nossos impostos nessa doidice dos “outdoors”. Eu confesso que pasmo a olhar para aquilo enquanto me interrogo: São muitos? Preferia zero! São grandes? Prefiro os pequenos (bem menos poluentes). Têm frases bonitas? Banalidades! São multicolores, apelativos? Ai sim?! E a crise de que cor é?…

O que eu quero é o programa. Esse sim, bem escrito, mas sem flores. E, se as houver, poucas e naturais. Nada de artificial; de falso; de abusivo.

O melhor programa é aquele que promete pouco para cumprir muito.

Espero por ele. E, já agora, que não chegue tarde demais.