Este caso foi aflorado por aqui, a propósito da dualidade de critérios da DREN na forma como gere a contestação aos procedimentos concursais para Director.
Hoje chegou-me o Relatório de Avaliação das Candidaturas elaborado em 12 de Maio de 2009 pela Comissão de Trabalhos de Acompanhamento de Recrutamento de Director do Agrupamento em causa.
Espero autorização para o divulgar, mesmo se omitindo identidades explícitas dos envolvidos (mesmo se o documento seja de tipo público…), porque é um exemplo claríssimo de como a candidata cuja avaliação curricular foi de forma evidente a mais elevada em todos os parâmetros depois perdeu na eleição.
Mas é este o excelente modelo de gestão que temos e que muitos (quantos deles inesperados) aceitam porque…
Julho 2, 2009 at 11:58 pm
SINDICATOS ESTÃO AI?
Hello?
Estão ai?
Sim! Vocês ai?
Calados?
Julho 2, 2009 at 11:58 pm
FASCISMO!
FASCISMO!
FASCISMO!
Julho 2, 2009 at 11:59 pm
Sindicatos?
Caladinhos que nem ratos…
Julho 3, 2009 at 12:00 am
Nestes concursos/eleições acho que tudo devia ser público:
- Lista de candidatos
- Currículos
- Projectos de Intervenção
- Actas do Conselho Geral
Julho 3, 2009 at 12:05 am
#4,
Neste documento estão os tres primeiros desses quatro parâmetros.
Julho 3, 2009 at 12:17 am
Desculpem o mega colar – é dedicado aos SINDICATOS – vão estar calados por mais quanto tempo?
O Novo Modelo de Gestão Escolar: Queira Ou Não a Avózinha É Obrigada a Atravessar a Estrada
Quando se produz legislação depreende-se com naturalidade que isso resulta de uma necessidade sentida pela sociedade ou por um dos seus sectores ou então que existe um problema óbvio por resolver que o poder político sente por bem satisfazer e/ou resolver.
De acordo com esta ideia, seria de esperar que a proposta de novo Regime Jurídico de Autonomia, Administração e Gestão dos Estabelecimentos Públicos, etc, et , viesse responder a uma necessidade premente de alterar o anterior regime instituído pelo decreto-lei 115/98 de 4 de Maio.
Ora é essa parte que não se nota bem. No intróito justificativo do novo regime escreve-se que:
O programa do XVII Governo Constitucional identificou a necessidade de revisão do Regime Jurídico de Autonomia, Administração e Gestão das escolas no sentido do reforço da participação das famílias e comunidades na direcção estratégica dos estabelecimentos de ensino e no favorecimento da constituição de lideranças fortes.
O que não se vislumbra com rigor é como foi identificada tal necessidade e porque é necessário reforçar aquilo que já existia e que, em boa verdade, foi a parte a que os destinatários do RAAG de 1998 menos pareceram sensíveis, visto que tanto a participação das famílias como dos actores presentes na “comunidade” mantiveram-se, por regra, olimpicamente residuais no funcionamento das escolas. Aliás, basta conhecer como funciona a larga maioria das Assembleias de Escola para perceber isso.
E o que o Governo e o ME não explicam é a razão ou razões que fundamentam a necessidade de reforçar o que já existe, sendo que o que já existe não parece ter sido considerado muito útil pela generalidade dos destinatários. Para além de uma intenção programátiva voluntarista, o que pressionou ou instou o Governo e o ME neste sentido?
O J. Matias Alves já produziu e comentou uma tabela comparativa dos dois diplomas que incluo em seguida (compara.pdf), para quem quiser estabelecer os necessários paralelismos entre o que se propõe e o que já existe.
A conclusão mais óbvia é que, como na anedota, a velhinha cega é obrigada pelos escuteiros a atravessar a rua, queira ou não, precise disso ou não. Se necessário atravessa a rua à força e à paulada. Mas atravessa. Porque os escuteiros, muito bem-intencionados, acham que as boas acções são para se praticar, independentemente da sua real necessidade.
Não existe nada de francamente inovador neste novo regime para além da redução do papel dos professores na administração e gestão das escolas.
* A possibilidade de se optar por uma Direcção Executiva de tipo unipessoal já existe (ver artigo 7º do decreto-lei 115) emas foi raramente usada, pelo que não se percebe a urgência em torná-la a solução única e obrigatória. As lideranças fortes já existem, com ou sem Direcções Executivas. As fracas continuarão a existir, mesmo se só com a fórmula da Direcção.
* Já existe um órgão fiscalizador da acção do Conselho Executivo ou Direcção Executiva, onde tinham assento representantes das famílias e comunidade (artigo 9º). É a Assembleia de Escola, que é «responsável pela definição das linhas orientadoras da actividade da escola» (artigo 8º), De fundamental só se altera o peso relativo dos actores em presença no futuro Conselho Geral e o equilíbrio das forças em presença.
* A questão da autonomia e a possibilidade de se estabelecerem contratos ocupa parte importante do diploma ainda em vigor (cap. VII, a partir do artº 47º), pelo que não se entende porque, perante a escassez da procura das escolas e agrupamento, agora se passou a achar que essa deve ser a via a seguir ou a quem serve exactamente esse tipo de contratualização.
Ou seja, este novo regime jurídico aparenta surgir sem que se perceba que lacunas vem colmatar, que anseios vem satisfazer e que fundamentação usa para justificar a opção por reforçar aquilo que foi mais rejeitado no regime ainda em vigor.
O que acontece é que, em termos claros, existe uma mensagem e uma estratégia que se pretendem impor: a mensagem é a de que menos professores na gestão da escola e com menos poder é a solução certa. A estratégia é que se as escolas e as comunidades não querem adoptar o modelo que o Estado central pretende, então o Estado Central obriga – em nome da santa descentralização e da bendita autonomia – a sua adopção por decreto.
Tudo em nome das melhores intenções. Como na história dos escuteiros.
Se a velhinha acabar atropelada ao tentar regressar ao trajecto que desejava fazer será apenas um dano colateral ou, na terminologia valteriana-rodriguista (com toques de pedreirismo) um «efeito perverso da legislação».
Mais informações sobre este assunto por aqui.
http://sol.sapo.pt/blogs/paulog/archive/2008/01/03/O-Novo-Modelo-de-Gest_E300_o-Escolar_3A00_-Queira-Ou-N_E300_o-a-Av_F300_zinha-_C900_-Obrigada-a-Atravessar-a-Estrada.aspx
Julho 3, 2009 at 2:03 am
Desculpa, Paulo, mas a candidata que ganhou tem um currículo melhor do que o que foi apresentado ao Conselho Geral. A Comissão nomeada para elaborar os currículos eliminou praticamente tudo o que a colega fez.
Para mais, como saberá e os professores da escola também sabem, o currículo não é tudo… Enfim, é um caso com contornos mais complicados do que transparece por escrito.
Julho 3, 2009 at 2:20 am
Não faço a mais pequena ideia de quem estão a falar mas, se o processo concursal se limitasse à avaliação curricular, não era necessário que o voto fosse secreto. Bastava uma qualquer “aplicação informática”, tão ao jeito deste ME, para determinar quem deveria ser o Director.
É o mesmo que dizer que sou um idiota por votar Louçã porque o currículo do Sócrates ou da Ferreira Leite (em termos de experiência na governação, claro!) é muito superior!
Julho 3, 2009 at 8:07 am
porque não desafiar as candidatas a públicar aqui o seu curriculum e o seu projecto?
e já agora a dar também a cara nos comentários
Julho 3, 2009 at 8:38 am
hehehehe
tá pegar fogo.
O curriculum da ganhadora eu tenho, foi-nos enviado por ela, diga-se que nada tem de valor. Palha sobre palha. Até se esqueceu de mencionar a disciplica que sempre lecionou (visual) O da outra derrotada na eleição não tenho, mas conheço o curriculum. Mas como diz a colega em cima porque não pedir para publicar os dois. Quem não deve não teme.
Julho 3, 2009 at 8:57 am
Alto lá Mário
A ser assim qualquer dia ainda temos o Zeze Camarinha a dirigir uma escola.
Ou se é preparado ou porque tanto “engenheiro”, já chega. Nas escolas não muito obrigado
Julho 3, 2009 at 9:17 am
#9,
Já tenho os dois currículos, mas nenhuma das autorizações, sendo que uma acabei de pedir há minutos.
Repito o que escrevi a uma das colegas: o que move é a luta contra o “procedimento concursal”, não pessoas e profissionais que desconheço para além da representação curricular.
Julho 3, 2009 at 10:32 am
A parte do concurso é só para atirar areia para os olhos, porque o que conta mesmo é a eleição.
Julho 3, 2009 at 10:41 am
E como o voto é secreto, ninguém tem de justificar ou fundamentar a opção que fez.
Juridicamente parece-me uma autêntica palhaçada, pois se é para votar não é preciso andar com renhónhós, se é para ser um concurso, então os resultados deveriam resultar da estrita aplicação dos critérios de selecção predefinidos.
Julho 3, 2009 at 10:42 am
E quantos Zézés Camarinhas é que já temos nas escolas eleitos pelo sistema antigo?
Interessa-me pouco os currículos de cada um… Estão habilitados para exercer o cargo? Isso deve chegar. Depois interessa o projecto de intervenção que apresentaram (sim eu sei que em Portugal ninguém dá muita atenção a isso..) e, particularmente nas escolas onde se pratica uma gestão de proximidade, interessa a pessoa.
Por isso é que estou contra este procedimento concursal… há muitos elementos externos à escola a votar e, para eles, a pessoa pouco interessa..
Julho 3, 2009 at 11:22 am
#15:
Mas interessa o cartãozinho do partido…
Julho 3, 2009 at 11:26 am
No Algarve estão a acontecer beberetes, festas, recepções conjuntas (em Lagos) e públicas de tomada de posse dos directores. Uma festa de inicio de campanha imposta pela DREALG.
Julho 3, 2009 at 11:50 am
#16
António, o que interessa é mesmo o cartão do partidozeco. A educação não vai ser entregue às câmaras?
Nós, em Almada, até vamos ter o Paulinho Pedroso (não com o meu voto, claro está).
Como todos sabemos isto é o PS no seu melhor, que soma e segue……………….
Julho 3, 2009 at 12:45 pm
Pois… na minha escola só interessa o cartãozinho do PSD…
Julho 3, 2009 at 11:52 pm
Se temos Zézes Camarinhas nas escolas eram pelo menos eleitos pela comunidade educativa. Agora são eleitos por meia dúzia de professores e o resto vem de fora. A maioria sem formação nenhuma. vem escolher o Diretor como se de um par de sapatos se tratasse. Mesmo que se tenha um bom curriculum e um bom projeto não interessa,vota-se no ZéZe Camarinha, isto é a lei que temos.
Julho 4, 2009 at 12:46 am
Ora vamos lá ver meus amigos….
Afinal é um procedimento concursal, ou uma eleição. É que se for um concurso, tem que ter critérios, e o melhor tem que ser o escolhido. Mas se for eleição até como diz o Tó pode ser um idiota qualquer.
O que é preciso é decidir de uma vez por todas o que é esta escolha de diretor.
E, para a escola julgo eu que queremos o melhor, porque de “injinheiros” já basta o que anda lá por cima
Julho 4, 2009 at 3:46 pm
Pelo que sei nos nórdicos a coisa é por concurso. Não há eleição nenhuma para faz de conta que é democrático.
Julho 5, 2009 at 7:37 pm
Pois é! Está o caldo entornado! Parece que o conflito de interesses continua…E o que ganhamos com isto? Será que teremos melhor gestão nas escolas? Se os famigerados “job’s” para os “boy’s” já começam a aparecer, que garantias temos nós? Pais, Professores, Alunos, Funcinários, em suma toda a comunidade educativa…..
Conselho: Conhecer os factos pelos vistos é só para alguns, nem todos nós temos acesso à informação. Antes de emitirmos uma mera opinião, convém conhecer….estudar….avaliar….e aí sim, emitir uma opinião, um parecer.
Sugiro que todos os concursos sejam publicados, em nome da transparencia, e que todos os seus momentos tenham report, para conhecermos os meandros dos processos. Ou que se coloque uma equipa de análise aos concursos…
Julho 5, 2009 at 7:40 pm
Tenho por mim que3 um dia destes ainda vamos assistir a uma desgraça na escola…tipo Estados Unidos…só que vai ser entre professores…tipo o cargo é meu…toma lá chumbo….ai vai vai…
Julho 15, 2009 at 1:07 am
Bom , pelo que eu vejo sobre o que se passa com essa senhora da DRE e acólitos locais com ignorância administrativa e processual , o caso estará num bom tribunal administrativo e em pedir contas à senhora Directora no âmbito das suas decisões , sentando -a na barra de um tribunal ….seguida das decisões dos acólitos. No séc. XXI é intolerável que gente formada se porte como no México ou nas pampas da Argentina, com os boiadeiros que criam a sua lei ao seu interesse !
Abraço e coragem