O presidente do Conselho vai, um a um, sacrificar em público os ministros que andaram quatro anos a dar o corpo ao manifesto.
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A cena começou com a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, estendeu-se às grandes obras públicas do regime, na pessoa do impagável ministro Mário Lino, e ameaça estender-se ao odiado ministro Jaime Silva, da Agricultura. Com uma máquina calculadora na mão, o ainda presidente do Conselho deste sítio cada vez mais mal frequentado ataca sem qualquer pudor as reformas que defendeu ferozmente no passado. Quando veio a público afirmar que a contestada avaliação dos professores era, afinal, tão exigente, tão complexa e tão burocrática, está tudo dito sobre a falta de vergonha de um senhor que não olha a meios para atingir os fins. A partir de agora, o senhor presidente do Conselho vai fazer tudo para salvar a sua pele. E vai, um a um, sacrificar em público os ministros que andaram quatro anos a dar o corpo ao manifesto pelas suas políticas, pelas suas reformas, pela sua arrogância, pela sua propaganda e pelas suas mentiras eleitorais.
Quanto a dar o corpo ao manifesto, nécéssita não, sinhá…
Quem sou eu para apontar o dedo, que é raro o teste que não tenha a sua gralhita, com uma letra trocada, duas palavras coladas ou até a numeração das perguntas repetida, fruto dos automatismos bem-intencionados do Word, que eu deixo passar em claro.
Quanto aos posts é o que sabem. A pressa…
Mas complica-me sempre ver exames nacionais com erros factuais. No de História A para o 12º ano (prova 623, p. 6), Mikhail Gorbatchev passou a ser secretário-geral do PCUS e dirige te da URSS de 1985 a 2001.
Desta vez, ao contrário de outro exame (Biologia) em que parece que na versão online o erro era corrigido como se nunca tivesse ocorrido, na versão oficial do exame disponível no site do GAVE é mantido o erro, mas inserida uma nota final – tipo errata – a corrigir o erro, a mando do Júri Nacional de Exames. O que é estranho para quem aterre aqui vindo da Rebordosa do Meio, pois parece que num exame impresso foi possível manter um erro factual e inserir a sua correcção duas páginas depois.
É menos escandaloso do que tentar dar a sensação que o erro não existiu, mas dá a sensação que os alunos dispuseram da emenda quando estavam a fazer o exame, algo que não é totalmente correcto, pois o esclarecimento já foi divulgado mais tarde.
O que também é cursioso é que erros deste tipo – que os há – se repitam, ano após anos, como se o controle de qualidade dos exames fosse algo apenas ligeiramente melhor do que a revisão dos diplomas legislativos produzidos pelo ME.
Não deixemos que a nossa vontade se deixe iludir por vendedores de feira!
Não comprem o que vos querem vender! Comprem o que faz falta!
Não se deixem ir na onda de maquilhagens políticas!
Saibam discernir se os rostos se cobrem de máscaras!
Sejamos homens e mulheres que trabalham! Sejamos profissionais! Mas deixemos de ser bestas!
Basta de nos deixarmos levar no logro.
O homem enganou-nos uma vez? E então? À primeira quem quer cai!
Mas não nos deixemos enganar outra vez! Que diabo, é assim tão difícil perceber o que é a “ metamorfose política” de Sócrates? Então as rãs não foram peixes rabudos?
Vá, não nos deixemos ludibriar! Percebamos que o que ele quer é mandar:
Mandar na saúde; mandar na educação; mandar no país… Mandar no médico, no professor, no português em geral…
E o pior é que manda mal… Manda muito mal… Manda pessimamente…
Por isso é preciso mandá-lo “abaixo de Braga”! E quanto mais depressa melhor!
O Núcleo de Investigação em Políticas Económicas (NIPE) da Universidade do Minho está a organizar um seminário subordinado ao tema: “Accountability and Flexibility in Public Schools: New Evidence from Boston’s Charters and Pilots”, apresentado por Joshua Angrist (MIT) que decorrerá no dia 29 de Junho de 2009 às 17h na Escola de Economia e Gestão, Anfiteatro 1.01.
Dado o tema do seminário, e a sua relevância para a discussão das políticas de educação em Portugal, vimos por este meio convidá-lo (s) a assistir ao mesmo.
Este seminário enquadra-se na VI Summer School “Empirical Strategies”, organizada pelo NIPE.
Agradecendo desde já a atenção de V/ Excelência, despedimo-nos apresentando os nossos mais respeitosos cumprimentos,
O Comité de Organização
João Cerejeira, PhD European University Institute
Miguel Portela, PhD Tinbergen Institute, Universidade de Amesterdão
Dina Guimarães, Msc University of Bristol
Tudo isto é conversa da treta, visando apenas transferir o ónus da decisão e adiá-la o mais possível As recomendações do CCAP são já um parecer claro, mais do que suficiente para fundamentarem uma decisão.
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Na sequência da apreciação feita, no âmbito da qual se apontam vários problemas, Maria de Lurdes Rodrigues pediu ao CCAP um parecer para saber se deve, no próximo ano, adoptar finalmente o modelo de avaliação aprovado em 2008 (ainda que com as alterações que se considere necessárias) ou se deve manter o regime simplificado aplicado este ano lectivo.
“Aguardamos um conjunto de pareceres e é esse conjunto de informação que nos permitirá tomar uma decisão que deve depois ser negociada com os sindicatos”, explica a ministra. “Esta é uma matéria de enorme complexidade” e “a decisão está em processo”.
No seu parecer, o CCAP recomenda ao Governo o alargamento dos ciclos da avaliação, actualmente de dois anos lectivos. Diz também que todas as medidas devem ser testadas antes da sua generalização, de modo a garantir a sua “qualidade, compreensão e apropriação”.
O CCAP recomenda que os avaliadores beneficiem de uma “formação especializada de carácter científico, técnico e profissional”. E que os instrumentos de registo e as fichas de avaliação sejam considerados “apenas como meios, e não como fins”.
Se a matéria é de enorme complexidade, como se compreende que todo o modelo tenha sido criado e a sua implementação tentada durante dois anos sem qualquer cuidado deste tipo?
E que tal se alguns de nós, que não queremos aderir a este modelo de avaliação do desempenho e em particular à famigerada fichinha de auto-avaliação, mostrássemos como se pode fazer uma auto-avaliação como deve ser, criativa e rigorosa, como fez a Fátima dois posts abaixo?
Pensem nisso. Eu como sou mais dado às letras, sou capaz de acabar com coisa palavrosa, mas acredito que outros saibam fazer coisa melhor e mais atractiva… E depois mandem, para divulgarmos…
A imersão num dos períodos áureos do emaranhado burocrático da Educação – vulgo período da avaliação de final de ano lectivo – deixa-me sempre como que incapacitado para escrever qualquer coisa com nexo. É que se me embota espírito de tanta papeleta, grelha disto, plano daquilo, registo biográfico, ficha de coiso, relatório e tal.
Ainda bem que ontem despachei alguma prosa encomendada, pena que outra tenha ficado para hoje e não consiga sair de modo nenhum.
Isto vai-me durar quase toda a semana, já sei, a duração de oito reuniões de avaliação, mais revisão e verificação de materiais, mais reuniões para aplicação da prima do Harpic a uns alunos que disso necessitam como de pão para a boca se queremos que eles tenham alguma hipótese do chamado sucesso.
De tanta prosa arrepanhada para preencher os quesitos e requisitos da maquinaria robotizada que o ME obriga os professores a cumprir para justificarem a atribuição de uma classificação no final de um ano de trabalho, um tipo fica assim como que com peneiras de bloqueio de escritor.
Esperemos que quando a sexta-feira amanhecer isto já me esteja a desintupir mais. Até lá, é esperar que a força da transpiração oculte a manifesta falta de inspiração.
Para além do relançamento de uma publicação já lançada oficialmente há três meses, a equipa político-comunicacional do Ministério da Educação tenta contra-atacar agora coma apresentação de um ainda muito pobre, em termos de materiais e se é para acreditarmos que é um dos «projectos-chave do Plano tecnológico da Educação», Portal das Escolas que não se percebe bem o que pretende ser… cruzamento entre o site central do ME e o da DGIDC? Uma espécie de espaço de um novo Instituto de Inovação Educacional, do qual só resta o espólio bibliográfico online?
A verdade é que não se percebe muito bem o que pretende especificamente ser, para além de ocupar uma ou outra parangona em tempos de crise total de credibilidade da 5 de Outubro.
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“Na primeira fase, o Portal das Escolas dirige-se sobretudo aos docentes, disponibilizando-lhes o acesso sem custos a um repositório com recursos educativos digitais, para o qual os próprios podem contribuir com conteúdos da sua autoria”, lê-se no site do projecto que se assume como “a maior rede colaborativa em linha da educação em Portugal”. O grande objectivo é fomentar “a produção, a partilha e a utilização de conteúdos digitais pela comunidade docente”.
Na cerimónia de hoje foram ainda assinados dois protocolos de cooperação do ME com os canais de televisão RTP e a SIC, que deverão disponibilizar conteúdos para acesso através do portal.
As opiniões são tão divergentes que quase nos interrogamos se falam sobre a mesma prova. Por muito que não se queira, somos obrigados a pensar que algo resultará das suas cúpulas directivas (APM e SPM).
Eu que apenas vigiei a prova e não sou – obviamente – professor de Matemática, percebi que era fácil, de maneira a não existirem classificações muito baixas e ser possível atingir um nível de sucesso – classificações “positivas” – de nível europeu. Quanto a classificações muito elevadas, talvez não se verifique especial progressão desde o ano passado.
Estive ontem a escrever uma breve síntese sobre a influência da blogosfera na contestação dos docentes à política do ME nos últimos anos. Foi um texto pedido para uma publicação a sair dentro de uma ou duas semanas, com o prazo medido e a extensão limitada. O tema merecia análise bem mais longa do que 2-3 páginas, incluindo um mini-roteiro com uma dúzia plural de blogues que achei representativos da blogosfera, na vertente da análise crítica das políticas educativas e do contributo para a mobilização dos professores.
Fora do texto em causa, por evidente limitação de espaço (que mesmo assim ultrapassei largamente) ficaram temas que muito me interessam, como uma caracterização e/ou tipologia dos blogues em diversos aspectos como, por exemplo, a sua relação com as dinámicas envolventes. Neste caso, proporia – sem concretizar com casos específicos – três tipos de atitude:
Os blogues que procuram fazer principalmente um registo mais ou menos exaustivo do que se vai passando, tomando eventualmente uma posição nos momentos mais críticos da luta dos docentes.
Os blogues que funcionam um pouco como eco do discurso oficial de algumas organizações em presença no terreno.
Os blogues que, para além da reflexão sobre o passado ou o presente, procuram funcionar como intervenientes activos na definição dos acontecimentos futuros.
Todos eles têm o seu papel e importância, em especial quando permitem a difusão de informação, a sua análise crítica e o aprofundamento da discussão e debate. E felizmente há espaço para todos e para esta diferença.
Ser professor acarreta uma profunda carga de utopia e de imaginário. Com o lento passar do tempo e da memória colectiva, gerações após gerações ajudaram a elaborar a imagem social de uma profissão de dádiva absoluta e incontestável entrega.
O poder simbólico da actividade docente leva a que os professores sintam sobre os seus ombros a tarefa herculeana de mudar, para melhor, o mundo; de traçar os novos caminhos do futuro e de preparar todos e cada um para que aí, nesse desconhecido vindouro, venham a ser cidadãos de corpo inteiro e, simultaneamente, mulheres e homens felizes. É obra!
Ao mesmo tempo que a humanidade construiu uma sociedade altamente dependente de tecnologias dominadoras, transferiu da religião para a escola a ingénua crença de que o professor, por si só, pode miraculosamente desenvolver os eleitos, incluir os excluídos, saciar os insatisfeitos, motivar os desalentados e devolvê-los à sociedade, sãos e salvos, com certificação de qualidade e garantia perpétua de actualização permanente.
O emergir da sociedade do conhecimento acentuou muitas assimetrias sociais. Cada vez é maior o fosso entre os que tudo têm e os que lutam para ter algum; entre os que participam e os que são marginalizados e impedidos de cooperar; entre os que protagonizam e os que se limitam a aplaudir; entre os literatos dos múltiplos códigos e os que nem têm acesso à informação.
E é este mundo de desigualdades que exige à escola e ao professor a tarefa alquimista de homogeneizar as diferenças.
Os professores podem e estão habituados a fazer muito e bem. Têm sido os líderes das forças de sinergia que mantêm os sistemas sociais e económicos em equilíbrio dinâmico. São eles que, no silêncio de cada dia, e sem invocar méritos desnecessários, evitam que muitas famílias se disfuncionalizem, que as sociedades se desagreguem, que os estados se desestruturem, que as religiões se corroam.
Mas não podem fazer tudo. Melhor diríamos: é injusto que se lhes peça que façam mais.
Particularmente quando quem o solicita sabe, melhor que ninguém, que se falseia quando se tenta culpabilizar a escola e os professores pelos mais variados incumprimentos imputáveis ao sistemático demissionismo e laxismo das famílias, da sociedade e do próprio Estado tutelar.
É bom que se repita: os professores, por mais que se deseje, infelizmente não têm esse poder curativo. Dizemos infelizmente porque, se por milagre o tivessem, nunca tamanho domínio estaria em tão boas e competentes mãos.
E é precisamente porque nunca foram tocados por qualquer força divina que os professores, como qualquer outro profissional, também estão sujeitos à erosão das suas competências; que, como qualquer técnico altamente qualificado, eles também necessitam de actualização permanente. E é por isso mesmo que os docentes reclamam uma avaliação justa do seu desempenho. Uma avaliação em que se revejam, que os estimule a empreender e que os ajude no seu crescimento profissional.
Todas as escolas preparam impreparados. Até as que formam professores. Sempre foi assim e, daí, nunca veio mal ao mundo. É a sequência e a consequência da evolução dialéctica das sociedades e das mentalidades.
Por isso, centrar a discussão na impreparação profissional dos docentes, como se tal fosse estigma exclusivo desta classe e justificasse as perversas iniciativas que lançam a suspeita pública sobre a responsabilidade ética dos educadores no insucesso do sistema educativo e no desaire das políticas educativas que não têm vindo a sancionar, isso dizíamos, traduz uma inqualificável atitude de desprezo pela verdade e pela busca de soluções credíveis e partilhadas.
Admitir que a educação pode resolver todos os problemas e contradições da sociedade, resulta em transformá-la em vítima evidente do seu próprio progresso.
Repetimos: os professores não têm esse poder curativo. Os docentes não podem solucionar a totalidade dos problemas com que se confrontam as sociedades contemporâneas, sobretudo se não tiverem os contributos substanciais dos outros agentes educativos e das forças significativas da sociedade que envolvem a comunidade escolar.
Evidentemente que a escola e os professores podem e devem contribuir para o progresso da humanidade e para o seu desenvolvimento político, económico, social e cultural. Porém, tal não é atingível apenas com meros instrumentos educacionais porque eles, por si só, não são capazes de estilhaçar o mundo de crescentes desigualdades e uma cúpula política sob a qual coexistem a injustiça, o desemprego e a exclusão social.
Os professores não têm esse poder curativo e, por favor, não os obriguem a ser mais do que são, ou nunca serão o que o futuro lhes exige que venham a ser.
Uma vez que fomos sujeitos a tanta sacanice, depois de termos travado tanta luta, uma vez que o primeiro-ministro reconhece (apesar de ser tanga de quem está aflito com a perda do poder, obviamente) que a avaliação de professores é excessiva e burocrática, uma vez que se está a preparar ainda um simplex do simplex e partindo do princípio de que já nada disto tem pés e cabeça, nem sequer apenas pés ou apenas cabeça…
Fará sentido fazermos a auto-avaliação nos actuais moldes??
Quanto a mim, não estou para aí virado, pois sinto que se o fizer estou, mais uma vez, a pactuar com um modelo absurdo, engendrado por mentes catatónicas.
“É obrigatório”, dizem muitos. Que se lixe! Para mim é obrigatório, acima de tudo, ter as costas direitas e a mente tranquila.
Daqui a 3-4 meses afinal o que é que desta fantochada continua de pé? E quem se mantém de pé??