Para além do relançamento de uma publicação já lançada oficialmente há três meses, a equipa político-comunicacional do Ministério da Educação tenta contra-atacar agora coma apresentação de um ainda muito pobre, em termos de materiais e se é para acreditarmos que é um dos «projectos-chave do Plano tecnológico da Educação», Portal das Escolas que não se percebe bem o que pretende ser… cruzamento entre o site central do ME e o da DGIDC? Uma espécie de espaço de um novo Instituto de Inovação Educacional, do qual só resta o espólio bibliográfico online?
A verdade é que não se percebe muito bem o que pretende especificamente ser, para além de ocupar uma ou outra parangona em tempos de crise total de credibilidade da 5 de Outubro.
Portal das Escolas foi apresentado hoje pela ministra da Educação
(…)
“Na primeira fase, o Portal das Escolas dirige-se sobretudo aos docentes, disponibilizando-lhes o acesso sem custos a um repositório com recursos educativos digitais, para o qual os próprios podem contribuir com conteúdos da sua autoria”, lê-se no site do projecto que se assume como “a maior rede colaborativa em linha da educação em Portugal”. O grande objectivo é fomentar “a produção, a partilha e a utilização de conteúdos digitais pela comunidade docente”.Na cerimónia de hoje foram ainda assinados dois protocolos de cooperação do ME com os canais de televisão RTP e a SIC, que deverão disponibilizar conteúdos para acesso através do portal.
Junho 22, 2009 at 9:45 pm
Estes gajos são centralistas como não há memória!
E as escolas (a maioria!) que já têm site?
Uma demonstração de autonomia das escolas era não aderir a esta coisa.
Junho 22, 2009 at 9:50 pm
Paupérrimo. Tal qual como o Paulo diz: um cruzamento entre o site do ME e o da DGIDC.
A manter-se assim, inútil.
Junho 22, 2009 at 9:53 pm
Partilha?!!??
Com o clima que a MLR tentou impor nas escolas?!
Há aqui qualquer coisa que não bate certo!Será mesmo licenciada em Sociologia?!
Junho 22, 2009 at 9:53 pm
O Moodle da minha escola tem bastante mais conteúdo do que aquilo.
Junho 22, 2009 at 9:56 pm
Por uns segundos de atenção nos média até a alma vendem!
Junho 22, 2009 at 10:03 pm
Passei por lá e não percebi qual a utilidade da coisa para as escolas e para os professores individualmente.
Fica a utilidade propagandística até a a maioria da população descobrir que se trata apenas de mais um acto meramente eleitoralista sem qualquer conteúdo.
Junho 22, 2009 at 10:10 pm
a produção, a partilha e a utilização de conteúdos digitais pela comunidade docente: definitivamente não aprenderam nada com os erros do Magalhães.
Para os manuais escolares, que já são passados a pente fino pelas editoras, é necessária certificação. Esperamos que para os conteúdos digitais a exigência não seja menor. Essa ideia de a comunidade docente produzir e partilhar conteúdos é bastante moderna, mas precisa de garantias de rigor científico e pedagógico.
Porque nem todos os professores são igualmente brilhantes e andam por aí alguns pouco rigorosos. Oxalá não seja o voluntarismo destes a engrossar a partilhar!
Junho 22, 2009 at 10:17 pm
Eu nem sei como ainda mantenho a minha ingenuidade! Quando vi a ideia no Plano Tecnológico, pareceu-me bem: imaginei um centro de recursos multimédia para as várias disciplinas, com materiais devidamente certificados e prontos a usar.
Pela experiência, eu já devia ter aprendido que as boas ideias são trabalhadas a pontapé por este governo, que trata de as transformar em espantalhos inúteis.
Aqui vai pelo mesmo caminho: uma espécie de comunidade “opensource” da educação, muito provavelmente sem controlo de qualidade… Fico curioso para ver se não vai dar outra vez em nada.
Junho 22, 2009 at 10:23 pm
Partilha com a RTP1 e com a SIC. Já tinha percebido, mas esta é mais uma ajudinha.
Mais um fogacho, com cobertura e elogios dessas estações assegurados.
Junho 22, 2009 at 10:29 pm
http://bulimunda.wordpress.com/2009/06/22/father-and-daughter-short-film/
E não terá algum chip que hipnotiza as pessoas..:?
Junho 22, 2009 at 10:37 pm
Plano tecnológico da educação, mas o que é isso? É para rir? Também faz falta!!!
hi, hi, hi,
Junho 22, 2009 at 11:37 pm
Junho 23, 2009 at 12:27 am
…e não convidaram a TVI…um esquecimento involuntário, está bom de ver
Junho 23, 2009 at 12:32 am
#3 – Cá pra mim ela é tão licenciada em sociologia, como o socas é ingenheiro. Talvez, também ela tenha obtido o diploma por e-mail ea um domingo. Quem sabe?
Junho 23, 2009 at 12:47 am
Penso que a ideia era copiar alguns sites estrangeiros onde de facto existem recursos multimédia fantásticos (Cf. o promethean world, o promethean planet, ou o artehistoria, aqui em Espanha, para referir apenas uns quantos), mas se já procurar textos e imagens em sites portugueses é a frustração que se sabe, o que dizer de material multimédia.
Junho 23, 2009 at 1:27 am
O Director
Os professores têm reagido violentamente quanto ao ECD e quanto a esta forma de avaliação.
Por outro lado, na criação do cargo de Director, mudança que conduziu à completa politização do sistema educativo pela nomeação política no elo que até agora estava livre, houve resistência mas de dimensão substancialmente mais reduzida.
Entendo esta dicotomia como consequência da diferente motivação para a defesa do interesse pessoal versus defesa do interesse público. As pessoas terão maior vocação para lutar pelo que ou contra o que as afecte directamente mas deixar-se-ão levar pela inércia quando algo mais abstracto está em causa. Mesmo quando o impacto possa vir a ser substancial, como é plausível acontecer quando o braço político parte do ministério, passa por direcções regionais e afins até chegar agora às escolas. (Sim, eu sei que se chega a Director por concurso mas o lugar só é preenchido depois de aprovação superior; além disso há outras nuances no que respeita a influência política no cargo de Director, como por exemplo a exoneração do mesmo.)
Nesta causa, como em outras, o interesse público sendo de todos, é de ninguém. Daí a sua baixa defesa e os inúmeros atendados a que está sujeito. Até que, frequentemente, o interesse público é um empecilho ao interesse privado. Face a esta constatação, pode-se concluir que menos Estado, isto é, menos interesse público, significa menos área defendida por ninguém.
Chegados aqui, para onde iremos agora que a Escola é uma entidade politizada em todos os seus patamares? É o objectivo da Educação a formação dos cidadãos ou o controlo político da aprendizagem?
http://www.fliscorno.blogspot.com/2009/06/o-director.html
Junho 24, 2009 at 3:07 pm
A luta vai tomando forma
Julgo que este texto, organizado à volta do conceito de objecção de consciência, é representativo de um dos núcleos essenciais da estratégia a seguir pelos professores na sua luta contra a destruição do ensino e da escola pública. Os consensos vão-se formando lentamente, como não pode deixar de ser; mas por isso mesmo são mais sólidos.
Que ninguém se iluda: a luta vai ser longa e difícil, e não terminará com a derrota do PS nem com a demissão de Maria de Lurdes Rodrigues. O trio MLR, VL e JP bem pode sair de cena, mas há outro trio bem pior que está na raiz de todos os males da escola e que continuará activo se os professores não tiverem um sobressalto ético, político e deontológico que o destrua de vez: incivismo endémico, pedagogia delirante, burocracia asfixiante.
Podemos ter aliados nesta luta – ultimamente parece que os encontramos para onde quer que nos viremos – mas não nos podemos esquecer que cada um deles tem a sua própria agenda, que a qualquer momento pode deixar de intersectar a nossa.
http://www.legoergosum.blogspot.com/2009/06/luta-vai-tomando-forma.html