A HUMI(L)DADE SOCRÁTICA
Sócrates está para a humildade, tal como Buch está para a inteligência. Nas duas personagens, a pessoa e o atributo são antípodas perfeitos. São uma espécie de Portugal e Nova Zelândia, à face da terra. Diria até que são excelentes e peculiares antíteses, só comparáveis a outras como : a falta de auto-confiança e o treinador Mourinho; a abstinência sexual e o “predador” algarvio”,José Camarinha; ou a paixão “barrosista” de Mário Soares.
Para além de ser conhecido pelas marcas que “veste”, pretende, agora, o “ ilustre turista das Açoteias”ser conhecido pelas “que não veste”. Cansado de ser visto como o manequim do “ Armani”, “deseja” agora ser reconhecido como o político da “ganga”, ou o socialista da “lona”.
Seja como for, para além de lhe admirarem a elegância, os portugueses ( e, sobretudo, as portuguesas) ficam rendidos ao estoicismo “político” do seu Primeiro Ministro, quando o vêem a escorrer suor depois de uma longa sessão de Jogging.
Nem os mais duros opositores duvidam que Sócrates se esforce, e muito, pelo seu projecto político para Portugal. Um projecto que passa pela absoluta necessidade de o país transpirar como ele próprio transpira. Não na rua, como ele, mas nas salas de aula, nos hospitais e nas fábricas …
Mas agora aqui pra nós que ninguém nos ouve: será que o que sai pelos poros de Sócrates, nas suas famosas sessões de jogging, é verdadeiro suor?
Sinceramente, não me parece… Aquilo são mas é lágrimas!… Muitas lágrimas!… Lágrimas de pena!… Muita pena!…Pena dos portugueses pobres… Que são cada vez mais pobres. Pena dos professores, por trabalharem muito e ganharem pouco… Pena dos médicos, por não terem capacidade de perceber a “inteligente” reforma “Correia de Campos”… Pena dos que não são capazes de perceber as suas prodigiosas capacidades políticas… E é por tudo isto que ele hoje chora … com muita humi(l)dade humana…E com enorme humildade política.
Pena que haja gente desumana, meio céptica e desconfiada, como eu, e teimosa, como ele, jurando, a pés juntos, que o que sai dos poros molhados de Sócrates não passam de puras mentiras solvidas em suores de raiva; de doces promessas laboriosamente destiladas; de ambições condensadas na frieza de espírito de um ser geneticamente egoísta.
ABÍLIO R.
Junho 21, 2009 at 11:54 am
http://porquemedizem.blogspot.com/2009/06/todo-o-poder-esta-entregue-um-bando-de.html#links
Junho 21, 2009 at 9:16 pm
Eu choro….
http://iluminacoes.wordpress.com/2009/06/21/sweet/
Junho 21, 2009 at 9:39 pm
Este PM precisa do jogging para transpirar!
Todos nós dispensávamos o que transpiramos a trabalhar.
Junho 21, 2009 at 11:20 pm
O privilégio da precariedade docente
Portugal é o campeão da precariedade docente, mesmo atrás de países como a Eslováquia, Turquia, Estónia, Brasil, Malásia e Polónia, sendo o único com valores inferiores aos 70% de estabilidade contratual (67,6%), contrastando com a média dos restantes países, que é de 84,5%. O primeiro estudo realizado pela OCDE sobre as condições de trabalho dos docentes indica que os professores portugueses são os mais precários: 32,4% não têm contrato permanente, o dobro da média dos 23 países analisados. O estudo revela também que 17,4% dos professores portugueses têm contratos inferiores a um ano. A Fenprof confirma que muitos docentes estão há mais de 15 anos em situação precária e defende que, ao fim de seis anos de contratos a termo, os professores tenham direito ao vínculo permanente, um direito consagrado na legislação laboral aplicável a todas as profissões que o Governo deixou de fora da sua conhecida cruzada contra os “poderosos interesses corporativos”. Nestas, o recurso a contratos a prazo só é legal em situações de substituição de funcionários do quadro ou quando há questões de sazonalidade que o justifiquem e a sua duração nunca pode exceder, se não me falha a memória, um período máximo de 3 anos. (retirado daqui)
http://www.opaisdoburro.blogspot.com/2009/06/o-privilegio-da-precariedade-docente.html
Junho 22, 2009 at 12:39 am
Belo texto.
Junho 22, 2009 at 8:30 am
Gostei do texto – é favor corrigir o “Buch” – não será “Bush”…?!?