Para que não digam que não há todo o espaço para o contraditório:
Ainda a questão do preenchimento da ficha de auto-avaliação: contributos para um debate.
Independentemente da posição/decisão final que a cada docente compete assumir, de acordo com a sua consciência, o seu sentido de dever, de coerência e consequência nas decisões/ /atitudes a tomar, permitam-me só, sem qualquer pretensão que não seja a de expor uma opinião sob a forma de algumas certezas, mas, também, de muitas dúvidas e de a partilhar com os colegas, num debate que me parece ainda não concluído:
1. A questão da coerência: o que é ser-se coerente? É agir sempre do mesmo modo ou actuar de acordo com o que, a cada momento, se pensa? E o pensamento é ou não mutável, dependendo da realidade em que flui e que, por natureza, muda, evolui, constante e continuamente?…
2. Entrega ou não da ficha de auto-avaliação: é o primeiro passo previsto na lei, para que se dê início ao processo de avaliação do desempenho docente. Entregar a ficha de auto-avaliação denota incoerência com toda a resistência a um modelo, até agora realizada? A recusa na sua entrega significa coerência com as posições assumidas? E se o for, será a forma mais eficaz de resistência contra um modelo de avaliação que se rejeita e que se pretende ver substituído por outro?…
3. Realizar a auto-avaliação é uma característica específica deste modelo? Não. Todos nós defendemos a auto-avaliação como momento essencial de qualquer modelo avaliativo. Esta ou uma qualquer outra ficha será, sempre, um primeiro passo, um primeiro momento de um processo de avaliação (como, até agora, já o foi) …
4. Todos nós (quase!) somos contra este modelo de avaliação. A maior parte de nós já manifestou, de uma forma ou de outra ou de várias em simultâneo ou intercaladas e em algum dos momentos desta já longa e desgastante guerra que nos foi movida, o nosso desacordo com este modelo de avaliação. Até ao limite. Ou quase. Será a recusa da entrega da ficha de auto-avaliação esse mesmo limite?…
5. Parece-me existir, aqui, um equívoco, que consiste no seguinte: entregar preenchida a ficha de auto-avaliação (e há várias formas de a preencher, até esvaziando grande parte do seu sentido e aproveitando a mesma para contestar, uma vez mais, todo o processo…) ou apresentar, em alternativa, um qualquer outro “documento de reflexão crítica”. Em termos materiais, ou seja, pela natureza e pelos efeitos que poderá ter, poderá dar exactamente no mesmo. Bastará tão só, ao ME, dar instruções para que estes relatórios sejam aceites e contabilizados como fichas de auto-avaliação. Não sei se as limitações intelectuais (e outras) repetidamente assumidas por quem de direito, conduzam o processo por este caminho. Mas a possibilidade de que algo de parecido viesse a acontecer seria, apenas, uma questão de bom- -senso (precisamente a qualidade mais difícil de constatar na actual equipa ministerial). No final, de uma maneira ou de outra, poderá sempre o ME cantar vitória, propalando a ideia de que consegui avaliar todos os docentes ou a esmagadora maioria…
6. Formalmente, não sei se será a mesma coisa, já que preencher a ficha de auto-avaliação é dar cumprimento, ir de encontro a algo que está estabelecido na lei. Poderá, agora pôr-se a seguinte questão: a recusa da entrega da ficha de auto-avaliação manifesta o desacordo do docente perante este modelo de avaliação ou evidencia a recusa em dar cumprimento a um normativo legal (ou mais do que um), com o qual, ou os quais não se concorda? Aparentando tratar-se da mesma coisa, se calhar não o é…
7. O que significa que a tutela poderá, sempre, escudar-se na posição de que quem não entregou a ficha de auto-avaliação não cumpriu o que a lei prevê…
8. Já pensaram no conjunto de normativos com que nos brindou a equipa que nos tutela, desde que tomou posse? Contabilizem as medidas tomadas, a legislação produzida em catadupa, a legislação tantas vezes contraditória e injustificada, produzida, supostamente para espevitar a nossa acção, mas que, porque imbuída de um conteúdo de provocação, apenas gerou a nossa revolta e indignação…
9. O tipo de gente que nos tutela é do pior. Não coloco adjectivos porque já todos os conhecemos. Que cada um coloque os que quiser, não hão-de faltar palavras para a definir. E, é bem provável que apareçam, também, alguns nomes comuns, por sinal vulgares e frequentes na utilização diária que os portugueses lhe dão…
10. Também não vale a pena continuar a defender a suposta “pureza” da classe docente. Ficámos mal na batalha dos OIs. Foram 140000 a fazer um compromisso. Ficámos reduzidos a “meia-dúzia “ no campo de batalha…
11. É evidente que uma coisa é a recusa da entrega dos OIs, outra a recusa da ficha de auto- -avaliação. Se quanto à primeira é fácil sustentar-se a abdicação do exercício de um direito, na segunda é dificil sustentar a recusa no exercício de um dever…
12. É claro que se tivesse havido uma recusa significativa (100000?), dava para se sonhar com outro tipo de voos. Agora, em minoria…Convenhamos que os aventureirismos, mesmo disfarçados sob a forma de coerência ou de coragem, podem pagar-se caro…
13. Em consequência, não peçam aos docentes, aos mesmos docentes que, em muitas situações quase isoladamente e com muita coragem e determinação não entrgaram os OIs, não entreguem, agora, a ficha de auto-avaliação. Reparem bem no olhar traiçoeiro do inimigo e vejam se podem confiar…
14. Só para lembrar, também, que estamos aqui a discutir algo que nem sequer sabemos se nos vai ser possível realizar…Convém ter presente que a Ministra afirmou na Assembleia da República que quem não entregou os objectivos individuais não será avaliado. Ninguém nos disse, ainda, que não vão ser essas as indicações que a tutela vai enviar aos directores. Aguardo para ver e espero bem que não…
15. Trinta ou quarenta mil docentes são substituidos, num ápice, por esta equipa ministerial. E por gente sem qualquel habilitação. Lembro, a propósito, o malfadado caso do Espanhol…
16. Sejamos coerentes e lutadores, mas, em simultâneo, responsáveis e realistas. Reorganizemos as forças no campo de batalha e ataquemos no momento certo e com garantias mínimas de não sermos massacrados. O inimigo é perigoso, manhoso, traiçoeiro e está ferido de morte. Como tal, torna-se imprevisível nas reacções e na violência incontrolada que as mesmas possam assumir…
17. Espero que esta gente seja corrida nas “urnas”, em futuros actos eleitorais. E definitivamente!…Mantenhamos toda a força e determinação nesta estratégia, já que é por aí que passa a nossa vitória…
18.Saibamos avançar no momento certo e recuar quando for preciso. É esse o segredo dos vencedores…
E por último, Colega Paulo Guinote e todos os outros que, de algum modo, nos têm conduzido nesta já longa e desgastante “guerra”: não vejo com bons olhos os previsíveis actos isolados, dignos de louvor, admiração e respeito, mas que, objectivamente, se poderão reflectir negativamente naquilo que é essencial: a luta e a vitória que há-de vir. Não confundam o celeiro com a palha (não é bem assim que se diz, mas pronto…), ainda por cima se, existindo a possibilidade de alguém pegar fogo à palha, lá se pode ir o celeiro…
Queremos que fiquem posicionados exactamente onde estão. Não necessitamos de heróis e dispensamos mártires. De nada nos serviriam…
José Gonçalves
Junho 16, 2009 at 11:48 pm
Não sei o que vos ocorre nestes dias ou os pensamentos que vos assaltam, mas eu estou exausta.
Já não me revejo há muito neste esboço de país ou na promessa de que um dia o inferno terá um fim.
Já não me identifico na escola, não resta nada para além de uma mão cheia de amigos que ainda por lá deambulam como eu…
Talvez, ao contrário do que escrevi ainda agora, o inferno termine quando nós terminamos.
Cansei-me das lutas e das ofensas, canso-me por não poder expressar uma opinião divergente.
Canso-me com o desânimo que se apodera de mim todos os dias… e, principalmente, por sentir que à minha volta tudo se desmorona.
Parecem mortos-vivos os vivos de outrora nas escolas do meu país…
Junho 16, 2009 at 11:49 pm
Então há que fazê-los reviver…
É para isso que por cá andamos.
Junho 16, 2009 at 11:51 pm
Hypatia
O estado de espírito que descreve é comum em muitas escola e o pior é que me parece que cada dia que passa o fosso é cada vez maior… Já não (re)conheço a minha (seja ela qual for) escola e isso cria-me uma grande angústia…
Junho 16, 2009 at 11:52 pm
#2
Paulo, às vezes é difícil fazê-los reviver, sobretudo quando alguns já não querem…
Junho 17, 2009 at 12:28 am
É um texto muito longo para ler com atenção a esta altura da noite e no final de ano. Espero não ser injusta, mas é preciso tanta palavra para uma coisa tão simples?
Ninguém vai fazer a auto-avaliação por nós, logo ou a fazemos ou não fazemos (seja a ficha ou o tal relatório).
Não podemos pedir aos outros que tomem decisões por nós ou que nos ajudem a decidir neste tipo de matéria e muito menos (porque seria no mínimo patético) dizer: fiz o que fiz influenciado por…!
Cada um irá agir como costuma agir – em função das consequências que imagina advirão dos seus actos e do assumir dessas consequências. Ou seja, será igual a si próprio!
Junho 17, 2009 at 1:03 am
Gostei to texto… apesar de discordar completamente.
…
…
Deixem-me ver se entendo uma coisa:
O José, que muito respeito pela posição e que acho que a deve tomar de acordo com a sua “noção de coerência”, assume que se
“…tivesse havido uma recusa SIGNIFICATIVA (100000?)…”,
nós todos já seríamos coerentes e corajosos ao não entregar a FAA.
Mas, pelo facto de estarmos em MINORIA, nós já sofremos de
“… aventureirismos disfarçados sob a forma de coerência ou de coragem…”.
É de mim ou isto roça o absurdo…
… em termos de coerência?
…
“Eu sou coerente se muitos forem; se forem poucos… sou aventureiro.”
…
…
Junho 17, 2009 at 1:12 am
#6 Maurício
“5. Parece-me existir, aqui, um equívoco, que consiste no seguinte: entregar preenchida a ficha de auto-avaliação (e há várias formas de a preencher, até esvaziando grande parte do seu sentido e aproveitando a mesma para contestar, uma vez mais, todo o processo…) ou apresentar, em alternativa, um qualquer outro “documento de reflexão crítica”. Em termos materiais, ou seja, pela natureza e pelos efeitos que poderá ter, poderá dar exactamente no mesmo. Bastará tão só, ao ME, dar instruções para que estes relatórios sejam aceites e contabilizados como fichas de auto-avaliação. Não sei se as limitações intelectuais (e outras) repetidamente assumidas por quem de direito, conduzam o processo por este caminho. Mas a possibilidade de que algo de parecido viesse a acontecer seria, apenas, uma questão de bom- -senso (precisamente a qualidade mais difícil de constatar na actual equipa ministerial). No final, de uma maneira ou de outra, poderá sempre o ME cantar vitória, propalando a ideia de que consegui avaliar todos os docentes ou a esmagadora maioria…”
Junho 17, 2009 at 1:52 am
O reciocínio do Maurício, aparentemente com lógica (formal), mistura, intencionalmente, ou não, coisas que aparecem neste texto, claramente separadas e clarificadas. Admito tratar-se de um paralogismo, embora me faça lembrar o velho exemplo de silogismo:
Os Lusíadas têm cantos.
Os cantos têm ângulos.
logo, Os Lusíadas têm angulos.
Apesar de tudo, não deixa de ter a sua graça…
Junho 17, 2009 at 2:01 am
Tenho-me abstido, ultimamente, de qualquer envolvimento neste debate, pois creio ter apresentado com alguma clareza as razões que suportam a minha decisão de não entrega da FAA ( http://octaviovgoncalves.blogspot.com/2009/06/nao-estou-disponivel-para-colaborar-na.html ). Todavia, não posso deixar de reagir a discursos de colegas que, extravasando o domínio auto-justificativo e de apresentação dos fundamentos das suas decisões pessoais, têm procurado ter um efeito desmobilizador sobre aqueles que, em coerência, rejeitam este modelo de avaliação do desempenho, quer desenvolvendo argumentos muito pouco consistentes, quer agitando inacreditáveis temores. Vou apenas reportar-me aos seguintes quatro aspectos da argumentação desenvolvida pelo colega José Gonçalves:
1) a sua noção de coerência é demasiado fluida e gelatinosa, pois consegue acomodar, em simultâneo, no conceito as juras (escritas) de “não participação em qualquer acto relacionado com este modelo de avaliação” com a participação efectiva num acto relacionado com este modelo de avaliação e que é a entrega da FAA;
2) recordo que em Janeiro os Sindicatos e muitos fazedores de opinião diziam que se 30.000 professores não entregassem os seus OI, isso constituiria um acto extraordinário de contestação. Foi quase o dobro deste número os que se recusaram a entregar os OI e o colega fala em “meia-dúzia” (Valter Lemos nunca se atreveu a tanto!), desvalorizando, completamente, o impacto que esse gesto teve no descrédito e no isolamento deste ME;
3) o colega, antecipando que a conclusão do eventual processo disciplinar apuraria um acto de extrema gravidade que levaria à expulsão (ideia já de si delirante), acredita mesmo que, no actual contexto político (ou até em outro qualquer que imagine), o Governo teria capacidade e força para despedir 40.000 professores, sem que ocorresse um tumulto social ou algo do género? De facto, é preciso um nível extremo de exploração da “medrosidade” humana para brandir este tipo de fantasma (repare que nem os cidadãos iranianos, habituados ao autoritarismo de Estado, o acompanham no seu cenário de acobardamento);
4) por último, tem vindo a fazer carreira o argumento da não obrigatoriedade da entrega dos OI (chama-lhe um direito) – ideia estabelecida a posteriori à maioria dos actos de recusa, em contraposição com a obrigatoriedade da entrega da FAA (chama-lhe um dever). Esta diferenciação traduz, no meu entendimento, uma leitura muito pouco criteriosa da lei. Caso contrário, atente no que está estatuído no ECD e que aqui deixo para reflexão:
ECD – Artigo 10º Deveres gerais: 2 – O pessoal docente, no exercício das funções
que lhe estão atribuídas nos termos do presente Estatuto, está ainda obrigado ao cumprimento dos seguintes deveres profissionais: (…) g) Desenvolver a reflexão sobre a sua prática pedagógica, proceder à auto-avaliação e participar nas actividades de avaliação da escola [a entrega dos OI não pode ser considerada também uma actividade de avaliação da escola?];
h) Conhecer, respeitar e cumprir as disposições normativas sobre educação, cooperando com a administração educativa na prossecução dos objectivos decorrentes da política educativa, no interesse dos alunos e da sociedade.
Tudo isto é tão lato e genérico que sustenta tudo e coisa nenhuma (“proceder à auto-avaliação” pode não significar, necessariamente, preencher um papelucho).
Junho 17, 2009 at 3:01 am
O tom já está um bocado nas trincheiras de Madrid, nos últimos dias da guerra. Don’t overreact, please!
Junho 17, 2009 at 4:05 am
Podem argumentar, argumentar, argumentar…
Mas os profs estão fartos de tanta agitação. Cansados, querem recuperar forças e reiniciar a luta em Setembro.
O simplex é a nódoa do ME; deixem a nódoa crescer. Eu não me importo que este ME se vanglorie da nódoa que criou. Os papelitos hão-de surgir (por aqui) depois da poeira assentar. Veremos que avaliação foi feita…
Junho 17, 2009 at 4:30 am
Se me permitem, apenas não consigo entender como é possível as escolas terem calendarizado a data de entrega das fichas de auto-avaliação para Junho e Julho, altura em que ainda não terminou o período em avaliação!
Registe-se que outras há, contudo, que apenas a calendarizaram, e bem, para Setembro.
Junho 17, 2009 at 10:30 am
Parece-me que há uma coisa que os defensores da não entrega da AA, ou da entrega de relatório alternativo ainda não viram bem: eles acham que estão a \”tomar posição\”, mas quem tem a última palavra na matéria é sempre o ME.
E este ME já provou que a única coisa que sabe fazer é manipular dados e ficcionar a realidade.
Podem as escolas estar de rastos, que eles mostrarão que qualificaram a escola pública.
Pode esta avaliação ser a maior treta que já se inventou que eles, mais objectivo menos ficha, dirão que pela primeira vez na história avaliaram os professores!
Junho 17, 2009 at 10:35 am
Em última análise, contando com os PCEs e os directores para preencher e assinar as avaliações, em caso de necessidade eles avaliam toda a gente, mesmo os que o não queiram.
Junho 17, 2009 at 12:28 pm
José,
Paralogismo? Silogismo?
Vamos lá ver:
“12. É claro que se tivesse havido uma recusa significativa (100000?), dava para se sonhar com outro tipo de voos.”
Pergunto:
Os tais voos, se fôssemos uma maioria, seriam para si “coerentes” ou “aventureiros”?
…
“12 – Agora, em minoria…Convenhamos que os aventureirismos, mesmo disfarçados sob a forma de coerência ou de coragem, podem pagar-se caro…”
Ou seja: por sermos poucos… é, sem dúvida, aventureirismo.
Já agora: o aventureirismo que refere é para si realmente um disfarce?
É que ao escrever o que escreveu deixa clara a ideia de que quem optou por não entregar a FAA não é coerente e corajoso – é “aventureiro”, e que, ainda por cima, pretende protagonismo:
“Queremos que fiquem posicionados exactamente onde estão. Não necessitamos de heróis e dispensamos mártires. De nada nos serviriam…”
Não estou aqui para servir de herói ou mártir, José.
Aliás, sinceramente, nem corajoso consigo me sentir por ter tomado esta decisão.
Se pretendi dar o exemplo do que para mim é inquestionavelmente a única opção para quem tomou determinadas posições contra este absurdo modelo de avaliação?
- Talvez.
Mas nas minhas palavras poderá apenas encontrar um apelo à coragem e coerência, nunca um apelo à não entrega da FAA.
Acho que cada um deve decidir por si.
Em coerência com as atitudes tomadas por cada um… e não pelas atitudes tomadas pelos outros.
Inquestionavelmente, eu e o José temos conceitos de coerência muito distintos um do outro…
Junho 17, 2009 at 4:40 pm
Na minha escola hoje comentava-se que o ME deu instruções para suspender a entrega da FAA que irá ser substituida por outra.
Fiquei curiosa. Que quererão?
Muito provavelmente “facilitar a vida” a quem não entregou OI.
Palpita-me.
As escolas que já cumpriram prazo, irão voltar a marcar outra data para entrega de outra ficha.
Eles brincam pq o pessoal deixa.
Junho 17, 2009 at 4:42 pm
A minha posição é semelhante à do Octávio e do Machaqueiro.
Eu não compreendo a atitude de entregar um relatório alternativo.
Para quê? Feito como?
Junho 17, 2009 at 4:46 pm
#14:
Concordo. Foi o que aconteceu com os OI, em algumas escolas, E neste caso, os PCE, agora, directores podem estar interessados em mostrar à tutela que, afinal, a ADD cumpriu-se.
#15:
O apelo à coragem e coerência tem como objectivo a não entrega da FAA, ou não? Claro que é uma decisão individual mas que só faz sentido se for colectiva!
Quanto à “coerência com as atitudes tomadas por cada um” depende, realmente, das atitudes tomadas, pois, há muitos professores que não estão sequer em situação de incumprimento, já que alguns PCE não exigiram OI, outros resolveram defini-los. Neste último caso, houve alguma recusa por parte dos professores? Houve coerência? Nem sei se seria possível… penso é que se poderá repetir a situação com a FAA e, assim, haverá situações diferentes, muito diferentes e injustas.
Junho 17, 2009 at 5:06 pm
Duvido que possam fazer a AA em vez dos próprios. Os OI era uma coisa diferente: baseavam-se nos objectivos gerais do agrupamento, contemplados no PEE.
Sei de um colega, daqui do Umbigo, que contestou, de todas as formas possíveis, os OI que o PCE lhe definiu.
Junho 17, 2009 at 9:36 pm
Maurício
Sempre me fez bastante confusão o facto de tantos docentes terem assumido, publicamente, um compromisso (a recusa na entrega dos OIs) e, logo depois, maioritariamente, não o terem cumprido…
Safadezas do ME, excesso de zelo e pressões dos PCEs? Não creio que tenha sido só isso…Há resistentes em todas as escolas. Até na do chefe dos PCEs (Presidente do Conselho de Escolas). Conheço um colega que, entre quase duzentos, foi o único…
Aquilo que nos foi pedido na manifestação dos 140000 foi, quanto a mim, algo tão simples de realizar…e tantas as deserções… Penso ser, de algum modo, abusivo pedir muito mais aos resistentes…
È para mim claro que, em maioria, o que não acontece, a nossa força seria outra e poderíamos pedir, exigir algo mais…Inclusive fazer ”implodir” o modelo…
É claro que, em maioria, a nossa força seria outra e as possíveis represálias …sem efeito, porque inviáveis, na prática…
Quanto aos “aventureirismos disfarçados”…A intenção foi dizer, tão só, que aquilo que se via, de coragem e de coerência, poderia, na prática confundir-se com aventureirismo, voluntarismo. Estariam disfarçadas, no sentido de omissas, omitidas, ocultas…nada mais. Reconheço a ambiguidade dos termos utilizados, que não serão os mais apropriados, mas não faça a leitura, com o sentido que lhe atribuiu…
Quanto à ideia do suposto protagonismo pretendido, não percebo. Não está implícita nem explicitada no texto essa ideia. Bem pelo contrário. Basta para tanto, ler com mais atenção a parte final do mesmo…
E reconhecendo-lhe eu a coragem que a si mesmo não reconhece e que muito admiro, e também a coerência que muito prezo, pese o facto de ter, quanto à questão, leitura divergente (não digo, de qualquer modo, que vocês não são coerentes, só tal faltava; o que afirmo é a relatividade do conceito e a defesa de outros sentidos para o vocábulo, convicto da pluralidade das significações…), limitei-me a expor uma posição divergente e a tentar fundamentá-la, minimamente.
Acredite que será muito mais aquilo que nos une do que aquilo que nos separa e que, no essencial, estamos de acordo…
Junho 17, 2009 at 9:36 pm
Colega Octávio Gonçalves
Agradeço a sua intervenção. Conhecendo as suas posições, que são públicas, não esperaria que estivesse de acordo comigo, nesta questão. Aliás, foi por discordar da posição assumida por si e pelos restantes doze colegas que resolvi intervir…
Mas não só. É que alguns resistentes que em mim confiaram, quando necessário foi, têm-me questionado quanto à posição a tomar. E eu sabia, desde início, que foi na convicção de que não lhes seria sonegado o direito de preencher a FAA, que recusaram entregar os OIs…Mas quer queira, quer não, 20, 30, 50 ou até 60000 docentes foram, no contexto, uma minoria…
Direito e deveres: essa questão já foi mais que discutida, em devido tempo. Somos o único corpo da administração pública a quem é concedido o direito de definir e apresentar, para negociação objectivos individuais. No restante, quem define é o superior hierárquico, embora num processo negocial (em que prevalece, em caso de não acordo, a posição do avaliador) ….
No nosso caso e na não apresentação de OIs por parte do docente ficaria a cargo do PCE a definição dos objectivos individuais, em cumprimento do designado Simplex 2…
É claro que poderemos ir buscar referenciais a múltiplos normativos, designadamente o estatuto disciplinar dos agentes e funcionários da administração pública, etc, etc, …para verificar do dever de obediência, lealdade…e por aí fora. Mas não vejo para quê, isto agora….
Não vale a pena, julgo, tentar responder a algumas questõe que formulou ou que formulou sem ter formulado… Cada um pensa aquilo que pensa, e para cada resposta que eu lhe desse, já o colega Octávio teria uma, a sua própria resposta…No fundo, estamos a falar de opiniões, que provavelmente apenas transformarão “necessidades em conhecimentos”…
Das minhas necessidades, eu sei. E são, antes de mais nada, garantir a segurança dos que comigo partilharam uma opção, que poderia ser menos arriscada, agora, se mais massivamente participada…
Compreendo e respeito a sua posição. Admiro e agradeço tudo o que “nos “ tem dado generosamente. Mas há-de convir que a verdade não estará toda de um só lado, em que os outros sejam os desmotivadores, desmobilizadores…enfim, que calados, exerceriam melhor o seu direito à liberdade de expressão de pensamento…Esta é a opinião, a posição de um “professorzeco” preocupado com outros “professorzecos”, sendo que alguns deles, ainda vão ter que se submeter à ignomínia de uma prova de ingresso…para serem considerados como são…
“Discursos auto-justificativos”, “cobardias”, Irão, às tantas contra-revolucionários ao serviço de qualquer coisa…confesso que não gostei…Denota alguma arrogância intelectual, num discurso algo inseguro e agressivo quer ao nível do conteúdo manifesto, quer ao nível do conteúdo latente da narrativa…
Não vou por aí…Não é isso que nos move e também lhe digo que aquilo que nos une é suficientemente relevante para subvalorizar aquilo que nos separa…
Mantenhamos, apesar de algumas pontuais discordâncias, as energias apontadas ao alvo que nos interessa…
Sincera admiração, profundo respeito, convicto agradecimento…
Só mais uma coisinha: não me coloque, peço-lhe encarecidamente, lado a lado com Valter Lemos. É que o meu sistema digestivo começa a ressentir-se vivamente das doses maciças de “Vomidrine” que tal personagem me obriga a tomar, só de ouvir tal nome…
Junho 17, 2009 at 10:24 pm
Zé: li o teu longo artigo e gostei. Não dês tanta importância aos gajos do ME, porque eles irão cair de maduros. Mais cedo ou mais tarde! Os inimigos públicos do ensino, da educação e dos professores vão passar ao esquecimento. De todos nós! Felizmente! Desafio-te a lembrares-te de todos os ministros da educação, desde que somos professores.Lembras-de de quantos? Dois? Diamantino Durão e Vítor …? Quê? Disseste Valter Pedreira Rodrigues! Três nomes? Em que século? Não conheço! Um abraço, grande.
Junho 17, 2009 at 10:27 pm
Zé: li o teu longo artigo e gostei. Não dês tanta importância aos gajos do ME, porque eles irão cair de maduros. Mais cedo ou mais tarde! Os inimigos públicos do ensino, da educação e dos professores vão passar ao esquecimento. De todos nós! Felizmente! Desafio-te a lembrares-te de todos os ministros da educação, desde que somos professores.Lembras-te de quantos? Dois? Diamantino Durão e Vítor …? Quê? Disseste Valter Pedreira Rodrigues! Três nomes? Em que século? Não conheço! Um abraço, grande.
Junho 18, 2009 at 12:57 am
#23
Quem dera que passem! Não deixam saudades. Já fizeram demasiados estragos…Principalmente esse a quem chamam Val, Val, quê? Coitado!…Se tivesse vergonha, (olha o caso do Espanhol!…),sumia!…pelo menos até aparecer sem os lindos caracóis…
Junho 18, 2009 at 12:59 am
#23
Um grande abraço.
Junho 19, 2009 at 7:25 am
Não meus amigos! São precisamente os maus que é preciso não esquecer!!! Para que não se volte a repetir!!!
Nem pensar nisso é bom!… Enquanto eu for viva, enquanto tiver voz para falar, não vou deixar cair no esquecimento tudo o que se passou nestes anos e em particular neste último!… PORQUE HÁ COISAS QUE NÃO SE FAZEM!
Junho 20, 2009 at 10:46 am
É bem verdade, Silvie!
“PORQUE HÁ COISAS QUE NÃO SE FAZEM!”