Animem-se os mais destroçados por causa da crise. Portugal está no pódio dos países mais ricos do mundo!
Não sentem, como eu, uma suave tira verde-encarnada a segurar uma soberba medalha de bronze?
Pois eu acabo de ter, uma leve sensação, em forma de comichão, na base da nuca.
Esclareço melhor: Soube, pelo mui jovem e bem informado diário “i”, a nova coqueluche da imprensa diária (uma espécie de “Deolinda”, da imprensa), que o magnífico governador do Banco de Portugal (exímio e perspicaz regulador das casas mais ricas e mais esbanjadoras do nosso país – os bancos), é o terceiro governador bancário do mundo, a ganhar mais dinheiro!
À sua frente, apenas dois países. E – pasme-se! – nem os Estados Unidos nem a Alemanha ocupam, como seria espectável, os primeiro e segundo lugares. Os quais são, inesperadamente, ocupados por, vejam bem, Hong-Kong e a Berluscónia ( mais conhecida por Itália).
E eu dei comigo a pensar: mas como é possível andarmos nós aqui todos dias a ralhar com o governo se o país tem esta estatura económica? É que há centenas de países por esse mundo além! E se nós temos razão para ralhar, imagino os outros que estão muito piores do que nós!
Não, isto assim não pode ser, estamos a ser muito injustos com os nossos governantes.
E eu faço aqui a promessa solene: vou saber se, como é de toda a lógica, o meu salário, de professor, também é o terceiro melhor de entre os professores de todo mundo. E, caso o seja, juro, por minha honra, nunca mais criticar o governo. E, ou me remeto ao silêncio, ou, se ele prometer que, para o ano que vem, em vez de sermos terceiros, seremos, pelo menos, segundos, vou mesmo fazer uma forte campanha a seu favor.
Andei a espreitar uma série de blogues, entre o clássico e o moderno, ligados à Educação, uns mais militantes, outros mais distantes. Uns mergulhados na «luta», outros já fora deste mundo que nos desassombra.
Se há rumos claros, há outros que nem tanto. Se há daqueles que sabemos ao que estão, ou estiveram até deixarem de estar enquanto não surge nova oportunidade, há aqueles que parecem que andam algo desorientados à cata do vento do momento, não percebendo que o dito vento pode mudar quando devidamente soprado.
(estão a gostar do ar esotérico e críptico, tipo presidente do Coiso da Avaliação a falar de tudo, sem especificar nada? também sei fazer, como se pode ler… e dá sempre gozo devolver em moeda com face semelhante aquilo que nos dirigem nas entrelinhas que a mofina não se lhes passou só porque…)
Parece que olham para as estatísticas e se atemorizam porque algo pode ter desinchado e não voltar a inchar como desejável.
E a tentação é enveredar pela escalada retórica, apelando a isto e mais aquilo, sem perceberem que foi isso que levou outros quase ao abismo da credibilidade num passado recente.
A sensação é estranha, porque se nota a falta de rumo, a falta de uma alternativa ao que há. Uma preguiça em pensar novo, insistindo no velho.
Correm o risco de recuar anos na história, perdendo-a.
E depois apelam ao Colectivo, esse grande mestre, nunca percebendo ele só funciona se os Indivíduos estiverem convictos e não apenas interessados em ficar na fotografia.
Nos próximos dias espero ficar mais claro, assim a chuvinha continue porque arrefece os ânimos e faz florescer as ideias. A quem se interessa por elas. Suas ou alheias.
(e pronto, gostei desta minha maneira de dizer nada de perceptível para não iniciados ou os próprios que encontrarão a sua cabeça à medida da barreta)
Se pensam que é por causa da manifestação, estão enganados. A menos que algo me falhe, andarei por lá como nas outras, fotografando para a posteridade. Mas fora das fotografias…
The social networking site Twitter, popularised by the comedian Stephen Fry, gives subscribers fewer than 140 words to “tweet” updates of their movements.
The Scottish secondary schoolteacher’s revelations – posted up to 20 times a day – featured repeated criticism of her headteacher and the school’s senior management.
But it was her posts about excluded pupils, classes of “interesting” boys with Asperger’s and musings as to who was least motivated – her or the pupils – that have landed her in trouble.
Parents at the school are said to be outraged at the sensitive information revealed.
And Argyll and Bute council, responsible for the school where she was based, has now blocked social networking sites in all its schools.
England’s ministers are keen for schools to teach children how to twitter – and this teacher is among the few that couldn’t be accused of lagging behind students in technological know-how. Unlike many, she was clearly able to school pupils in the ways of the twittersphere.
Should she be punished for wasting time complaining on Twitter and offering up her pupils as tweet topics? Or should she be applauded for giving a modern insight into what teaching is really like?
Expresso, 23 de Maio de 2009 (cliquem que aumenta)
O tom global é de desânimo quanto ao estado a que chegámos, mas não é de admissão de final da contestação, que terá de passar para outro tipo de patamar.
E adensação dos receios e conflitualidade. Perguntas da jornalista Isabel Leiria e respostas- minhas, fielmente utilizadas, sempre sem «descontextualizações».
- O facto de a grande maioria dos professores ter entregue os objectivos individuais e, dessa forma, ter participado no processo de avaliação pode ser entendido como uma vitória do ME neste processo?
A fase da entrega dos objectivos individuais, pela sua deficiente sustentação jurídica, acabou por ser uma fase quase artificial do processo de avaliação, uma armadilha lançada aos docentes, com pouco tempo para reacção, que fez com que muitos os entregassem sem o devido apoio e esclarecimento. Relembre-se que numa primeira fase, houve escolas que definiram logo para 19 de Janeiro coincidindo com a greve marcada para esse dia.
Mais tarde, o nível de entregas foi baixando.
Nesse sentido, o Ministério foi hábil tacticamente e conseguiu vencer uma batalha embora sem ser por KO.
- Acha que há um esmorecer da contestação dos professores em relação à avaliação de desempenho? Se sim, acha que vai reflectir-se na adesão às formas de luta agendadas para a próxima semana (paralisação e manifestação nacional)? Se sim, por que razão tal aconteceu?
Acho que o descontentamento permanece, mas que existe um cansaço evidente com as formas de contestação tradicionais. Em muitos docentes sente-se que só querem ultrapassar esta fase negra e que há uma esperança em que algo mude a médio prazo, pela evidência dos erros cometidos. Por isso a credito que a adesão será menor do que em outros momentos. Não há que negá-lo. Isto aconteceu porque existiram claras falhas de timing na acção de contestação ao ME, com o segundo período a ser mal aproveitado. A certa altura muitos professores sentiram que o tempo jogava a favor do governo e desmobilizaram de uma atitude mais activa e apenas esperam por um novo período. Se essa é a atitude correcta, veremos.
- Independentemente da discordância com o modelo, acha que na maioria das escolas se vai fazer uma avaliação “séria”, com diferenciação de notas atribuídas?
Não, não acho. Na maioria das escolas a avaliação vai ser uma farsa na sequência do próprio modelo-simplex que em nada prestigia a avaliação feita.
Em outras a diferenciação será feita na base do seguidismo e clientelismo promovido por alguns órgãos de gestão.
Acredito que numa minoria avance de forma séria dentro do que é possível, mas serão certamente excepções.
Aliás é a consciência de esta avaliação é pouco diferente da anterior que terá feito muitos professores esquecer a “luta”.
- Como perspectiva o futuro a curto/médio prazo deste modelo de avaliação? Novos “simplexs” para o próximo ano, revisões profundas?
Tudo depende do resultado das eleições e do tipo de governo que teremos. Com uma nova maioria absoluta deste PS existirá a tentação de manter este modelo com alguns retoques. Com um governo minoritário ou uma outra solução partidária existirá necessariamente uma reformulação do modelo, até pelos compromissos assumidos de forma clara em diversos momentos por todos os restantes partidos.
De qualquer maneira, a solução correcta seria uma profunda revisão deste modelo.
Alexandre Ventura tem um problema qualquer com a produção de opinião independente, não paga e alojada nas instalações do ME.
Também gosta de fazer repetidas acusações vagas e pouco corajosas acerca daqueles que consideram os responsáveis pelo «ruído» em torno do processo de avaliação dos docentes.
Vejamos a sapiência exposta sobre o que falhou em tudo isto:
Houve neste processo, como provavelmente em nenhum outro relativo à avaliação, uma mediatização, através de órgãos de comunicação e dos blogues que, em alguns casos, serviu para desinformar e adensar receios das pessoas. Instalou-se um clima de conflitualidade que foi aproveitado com diferentes intenções por agentes que estavam dentro e fora do sistema.
Se repararem com atenção, Alexandre Ventura nunca concretiza nenhuma acusação, preferindo a névoa de que acusa aqueles que não nomeia. «Alguns casos», «diferentes intenções», «fora e dentro do sistema».
É tudo e nada.
Ficamos sem saber se Alexandre Ventura está dentro ou fora do sistema e se é um agente ou não. Se tem intenções diferentes ou apenas iguais.
Mas o problema foi a comunicação social e os malditos blogues.
Porque a classe docente é estúpida e não sabe distinguir o verdadeiro do falso.
Porque andámos a enganar as pessoas quando se publicitaram documentos e comportamentos do ME e eles puderam – e não foram – desmentidos.
Mas uma pergunta ou duas eu deixaria a Alexandre Ventura, já que parece ler com atenção os blogues:
Considera o CCAP como «boas práticas» aquilo que as CAP de Santo Onofre e Freixianda fizeram, recalendarizando a entrega dos OI para finais de Maio ou mesmo mais tarde? Se Alexandre Ventura considera que não faz sentido existir avaliação sem definição de objectivos, considerará fazer sentido este tipo de prazos? Não seria interessante convidas estas 2 unidades de gestão para case-studies a incorporar no estudo em desenvolvimento sobre o modelo de ADD?
Não conheço Alexandre Ventura, o presidente do CCAP, pelo que não gostaria que a sensação profundamente negativa que me despertam a maioria das suas declarações à comunicação social fosse confundida com animosidade.
Cada um trata da sua vidinha e carreira como bem entende, utilizando os conceitos que acha mais adequados, mas a mim custa-me um pouco ver alguém com a missão teórica de A. V. rendido por completo ao jargão do tempo que passa e passará depressa, como em algumas das respostas dadas à edição de hoje do Expresso.
Veja-se esta sobre o facto do CCAP estar a fazer um estudo – deve ser tipo-OCDE como o outro – sobre o modelo de ADD com 30 escolas que se voluntariaram e não por outro método ou tipo de amostra, como seria cientificamente recomendável de acordo com qualquer manual de investigação em Ciências Sociais ou da Educação, mesmo de média-baixa qualidade.
O facto de todas as escolas terem entrado nesta rede de forma voluntária não pode distorcer este diagnóstico?
Há cerca de 1200 unidades de gestão e era impensável assumir que 30 representam o sistema educativo. O que fizemos foi construir uma rede onde estão representados os vários distritos. pretendemos encontrar aqui a essência das dificuldades de operacionalização.
Qualquer pessoa medianamente instruída nestas matérias saberá que uma «rede», «construída» desta maneira não pode funcionar como base de um estudo minimamente credível por quaisquer padrões de cientificidade, por muito pós-modernos e relativistas que sejam.
Este é um estudo que chegará às conclusões esperadas por qualquer outro estudo tipo-OCDE e basta ler o resto da entrevista para sabermos quais são.
Aliás poderiam já ter escrito as conclusões e poderiam ir fazendo o resto do estudo com vagar que iria dar tudo ao mesmo.
O CCAP não existe para avaliar as medidas do governo.
(Alexandre Ventura, presidente do CCAP, Expresso, 23 de Maio de 2009, p.25)
Para além de ser missão expressa do CCAP implementar e monitorizar a implementação das medidas do Governo de acordo com o decreto regulamentar 4/2008 (preâmbulo e artigo 1º), ficamos sem perceber poque anunciou o ME que só mudaria o modelo de avaliação do desempenho docente depois de dois estudos encomendados, um deles ao CCAP.
Se tecnicamente, Alexandre Ventura poderá considerar-se correcto, na prática isto é a passagm de um atestado de menoridade ao organismo que dirige.
Ao que parece também pela Freixianda existe por parte da recém-nomeada CAP alguma preocupação pelos OI, tendo sido dado novo prazo para a sua reformulação, tendo sido para isso pedido apoio a «peritos» do ME. Tiupo Dupond e Dupont.
Anote-se que esta forma muito livre de encarar o prazo para a entrega dos OI parece ser uma tendência destas CAP nomeadas pelo ME.
Pelos vistos o que interessa é juntar números para as estatíticas da vitória. Prazos e métodos são meros detalhes.
A «lei é para cumprir» mas só por e para alguns.
Tema a desenvolver, em articulação com o que também se vai passando por Santo Onofre nesta matéria.
O primeiro-ministro, José Sócrates, foi hoje surpreendido com uma manifestação de alunos na escola António Arroio, em Lisboa, que acusaram o governo de «fascismo».
Segundo a SIC, centenas de estudantes juntaram-se numa manifestação espontânea e «apertaram» José Sócrates.
Sócrates visitava a escola com o ministro das Finanças e a ministra da Educação para a assinatura dos contratos de adjudicação de lotes da Fase 2 do Programa de Modernização das Escolas do Ensino Secundário.
No início do discurso do primeiro-ministro os jovens começaram a gritar: «Com um Governo fascista não se pode ser artista».
José Sócrates e os ministros que o acompanhavam tiveram de «fugir» por uma porta lateral, para evitar o confronto com os manifestantes, adiantou a SIC.