Maio 2009


Depois de ter enviado a minha exposição a várias entidades, resolvi também partilhá-la com todos os que acedem ao blogue. Quem sabe, alguém descobre a porta para eu sair desta gaiola em que me fecharam.
Os meus melhores cumprimentos a todos.

Augusta Barreto

Anexo: Augusta Barreto – Exposição

Movimentos independentes de professores associam-se à manifestação nacional

O Movimento para a Mobilização e Unidade dos Professores (MUP) e a Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino (APEDE) juntam-se à manifestação nacional do próximo sábado “contra as políticas de um ministério e de um Governo que tudo fizeram para desprestigiar e humilhar a profissão docente”, mas dizem que “esta forma de luta de pouco valerá se não for integrada num plano mais vasto, coerente e determinado”.

Apesar de dizerem que a unidade é essencial, criticam que “se procurem silenciar outras perspectivas de luta e se imponham falsos unanimismos”, pelo que insistem na “divulgação pública das propostas de luta aprovadas nas reuniões de consulta aos professores”.

“Recusamos a ideia de que esta luta se vai arrastar por tempo indeterminado, sem radicalização, e com um passo de caracol ritmado por negociações sindicais incapazes de oferecer resultados visíveis”, lê-se num comunicado conjunto das duas associações.

Depois temos a admissão sindical das evidências.

O comunicado surge no mesmo dia em que a Plataforma Sindical dos Professores, citada pela agência Lusa, admite que a adesão às acções de luta previstas para esta semana diminua, o que atribui ao “desgaste” e “desânimo” dos docentes, mas desvaloriza a questão afirmando que os motivos da “indignação” se mantêm.

E depois temos quem acha que tudo é evidente se for para estar sossegado:

Álvaro Almeida dos Santos, presidente do Conselho das Escolas, órgão consultivo do Ministério da Educação, vai mais longe e diz mesmo que a contestação está a acalmar, o que diz ser “evidente”.

Oliveira e Costa promete contar quanto pagou aos seus colaboradores no BPN

Na última presença no Parlamento, Oliveira e Costa pediu para não falar
O anterior líder do Grupo Sociedade Lusa de Negócios/Banco Português de Negócios (SLN/BPN) vai amanhã ao Parlamento revelar os milhões de euros que foram pagos aos seus colaboradores durante a sua liderança, nomeadamente a Dias Loureiro e Luís Caprichoso.

A iniciativa partiu do próprio Oliveira e Costa depois de ver que estes mesmos colaboradores, quando prestaram depoimento na comissão parlamentar de inquérito ao caso BPN, disseram que não se lembravam de nada que havia ocorrido no grupo.

Para estes assuntos não há que hesitar, espreita-se o Margens de Erro e ficamos esclarecidos. Até ao lote de sondagens feitas já em plena campanha, estas são as disponíveis:

sondagens europeias 22 maio

Ensino Superior: Leitores contestam Estatuto da Carreira Docente em carta ao Presidente da República

Lisboa, 25 Jun (Lusa) – Os docentes de línguas estrangeiras entregam terça-feira ao Presidente da República uma carta em que contestam a proposta do Governo para a revisão do Estatuto da Carreira Docente Universitária (ECDU).

“A realidade dos leitores não está contemplada e põe em risco os seus postos de trabalho”, disse à agência Lusa Eduarda Cabrita, uma das professoras da Faculdade de Letras da Universidade Lisboa, que subscreve uma posição já entregue aos deputados, ao ministro do Ensino Superior, Mariano Gago e ao comissário europeu responsável pelo multilinguismo, com cópia para o presidente da Comissão Eurpeia, Durão Barroso.

Para estes profissionais, a proposta de ECDU “desvaloriza o ensino de línguas estrangeiras” e “ignora a realidade profissional dos docentes de línguas vivas, os leitores”, reduzindo-os a “uma figura passageira nas instituições universitárias”.

Algum tempo atrás chegou a alguns estabelecimentos de ensino privado e/ou cooperativo a exigência de divulgar os apoios recebidos pelo ME em placa bem visível. O estranho é que a exigência chegou mesmo aos que não tinham recebido qualquer apoio. O que motivou a seguinte troca de correspondência:

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Fotos da Armanda

Pronto, pronto, o pequeno-almoço já vai ser servido…

Um clássico…

Mais uma troca de mails, devidamente autorizada, mantendo o anonimato por razões que se entenderão. Confesso que também só coloquei este tipo de questão a quem o merecia, pois o que há mais é Directores todos satisfeitinhos por o serem. Há uns que até fazem publicar votos de louvor aos colegas de CE que transitam para o novo modelo de gestão.

Olá,

Já sabia da tua escolha para Director, só não sabendo se te deveria dar os parabéns ou não.
Perceberás porquê, pois não é por mais nada do que uma dúvida existencial (ou duas) que entenderás não ter nada de crítica pessoal, pois tenho mais pessoas conhecidas e amigas em situações similares e gostava de discutir isto até online.

Como é que um crítico do processo de ADD se pode transformar no avaliadores-mor do sistema numa escola/Agrupamento?

Como aplicar aquilo que se andou a criticar como mau?

Dá-me a tua perspectiva, pois já recebi a de outras pessoas nesta situação e, percebendo-os, acho que a v/ posição é extremamente vulnerável porque, se não forem fiéis à coisa, podem ser destituídos à primeira curva do caminho.

Abraço,

Olá Paulo
Compreendo perfeitamente as tuas dúvidas e é com todo o gosto que a elas respondo.
A minha candidatura surge num contexto em que nos últimos 4 anos o quotidiano da minha Escola / Agrupamento foi marcado por uma conflitualidade enorme, graças a uma Presidente que conseguiu aliar uma incompetência básica a uma atitude constante de tentativa de esmagamento de toda e qualquer voz que se lhe opusesse ou manifestasse opinião contrária (eu incluído), para além do atropelo constante aos direitos dos professores. Face à possibilidade de esse clima conflituoso continuar durante mais 4 (ou quiçá 8 anos), fui incentivado a concorrer por encarregados de educação, funcionários e por muitos colegas nossos (muitos dos que contestam este modelo de ADD), no sentido de contribuir para pacificar o ambiente e colocar a Escola a “mexer”, algo que não será difícil depois de 4 anos de afundamento e estagnação. Este é o contexto da minha candidatura. Esse é o único motivo da minha candidatura.

Não sendo titular, tenho experiência de 9 anos no órgão de gestão e sou o primeiro a dizer que à luz da lei não faz sentido um coordenador de departamento tenha que ser titular mas ao Director (termo que não aprecio) tal não seja exigido. Discordo da divisão da carreira tal como foi feita. Sem qualquer presunção, pretendo provar internamente que não é por ser titular (nas condições em que o actuais o foram) que um professor tem mais competência para liderar um departamento ou um agrupamento.

Quanto à avaliação de desempenho, sendo eu crítico deste modelo, terei que terminar o trabalho que outros iniciaram e esperar que no futuro o modelo venha a ser corrigido naquilo que tem de pior (será ingenuidade da minha parte esperar isso?!). Na prática, na minha escola a ADD resume-se a 2 ou 3 professores que tiveram aulas assistidas, o que significa que, na prática, tudo mudou para ficar tudo na mesma. O grosso do processo é feito pelo órgão de gestão que está em funções.

Não tenho a ilusão de que conseguirei fazer frente a uma máquina trituradora ministerial na aplicação das medidas da política educativa. E a ADD não é a única.
Acredito que, estando directamente implicado nas decisões, as possa tomar ouvindo os meus colegas e gerindo o Agrupamento de forma democrática.

Mas tenho a convicção de que, naquilo que competir à escola definir, quero contribuir para fazê-lo tendo em atenção a Escola, os alunos e os professores, sem esquecer que também sou professor (algo de que alguém na minha escola se esqueceu nos últimos anos).

Apenas tenho consciência de que “não sou Director, estou Director“. Agora é fácil afirmar o que quer que seja porque no plano das intenções porém, a avaliação desta forma de estar será feita com o tempo ou, quando muito, no final do mandato.

Move-me a preocupação com o estado a que chegou a minha Escola.

Abraço.

CAPturas II

(…)
Já agora, o desespero é tal que aqui há dias apareceu pespegado na sala de professores um papel que assim, do pé para a mão, anunciou que estavam nomeados novos coordenadores de departamento. Não quero ser inconveniente mas gostava de colocar graciosamente a seguinte interrogação: quem representa agora os departamentos? São aqueles que estavam em Conselho Pedagógico ou os novos coordenadores nomeados? Será que foram destituídos os antigos membros do Conselho Pedagógico ou não? Espera, a resposta é afinal fácil; está lá tudo escrito: estes novos coordenadores servem apenas “para efeitos de ADD”. Não servem para mais nada. Nasce assim uma nova figura no ignoradíssimo regulamento interno: os coordenadores “para os outros efeitos todos”. O absurdo chega ainda mais longe no caso do primeiro ciclo: “Para efeitos de ADD” – Avaliação de desempenho dos docentes – temos um professor a “coordenar”, no entanto, aparentemente a CAP acha que esse senhor já não serve para coordenar a avaliação de docentes na CCAD – Comissão de Coordenação da Avaliação de Docentes, onde está a coordenar a professora que foi eleita pelos seus colegas e que também está no Conselho Pedagógico. Ou seja, existem neste momento em Sto Onofre três tipos de vagas para coordenadores: o que está na CCAD, o do Conselho Pedagógico e o “Para efeitos de ADD”. Para além do mais, esta gente acha que na CCAD não deve estar ninguém do departamento de Línguas, nem da Educação Pré-escolar. Porquê? Porque sim, ora bolas. Que mania de fazer perguntas.

Para onde vamos? Receio que sejam os pais e os alunos a exigir resposta cabal a isto dentro de um mês ou dois.

Quando voltarmos dos tribunais, depois de devidamente rematados dois filosóficos e jurídicos biqueiros em dois rabiosques que nós cá sabemos, permitir-nos-emos fazer o que há a fazer para, como se dizia noutros tempos, “devolver a escola a quem a trabalha”.

Que trocadilho fraquinho com a proposta de criação de uma Associação Nacional de Dirigentes Escolares que saiu da reunião de PCE/Directores realizada hoje em Guimarães.

Ao que parece meia centena de presentes, sem cobertura mediática, pois até os próprios participantes sabiam que nada de muito relevante sairia da reunião, para além da resistência aos desmandos das estruturas centrais e intermédias do ME através de mails e telefonemas, sem tradução em documentos escritos.

Pode ser que tenham aprendido com aquela das notificações sobbre a transição de vínculo.

Eu bem fui dizendo sempre, em on e off, para pedirem tudo escrito…

Quanto à ANDE, logo se verá a que velocidade se deslocará, em que sentido e com que destino.

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Após autorização da interlocutora, eis aqui uma troca de mails com vários dias, da qual apenas expurguei cortesias pessoais e detalhes que permitissem uma maior identificação da situação concreta.

A troca é significativa de duas perspectivas sobre esta situação, que coexistem pacificamente entre pessoas que se respeitam e às suas opções, mesmo quando trocamos mimos. Aqui há espadeirada limpa, sincera, e não remoques enviesados:

Viva,

Pois a vida dá voltas e voltas e eis-me agora envolvida na direcção da minha escola. Não posso negar que não foi uma decisão simples, nada simples mesmo. Poderei estar profundamente errada, mas, como sempre, agi norteada por princípios. Em primeiro lugar, desde sempre apoiei o colega que se candidatou a director, um contestatário de primeira água (era vice-presidente do executivo) que sempre esteve presente nas nossas reuniões e que fez questão de representar a nossa escola nas reuniões dos executivos. Esta foi a primeira das razões: a imensa confiança que deposito neste colega e o sentimento de que é quase uma imoralidade exigir-lhe a ele que “dê o corpo ao manifesto” pela escola e, chegada a nossa vez, não fazer o mesmo – comigo não se aplica o “olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço”.

A segunda grande razão… e o grande problema que se me colocava, foi a questão da coerência. Então eu sou uma contestatária, que até já tem alguma visibilidade e, agora alinho neste modelo?… contudo, aquilo que, numa primeira análise, se pode afigurar como um arrepio a convicções (que assim perderiam todo o seu valor), é precisamente o contrário. Não será por não estar envolvida que este modelo de gestão desaparece. Não será por não olhar para ele que ele deixa de vigorar, nem por enfiar a cabeça na areia que ele deixa de existir. Aliás, são demasiadas as frentes que temos em aberto e não poderemos vencer todas. Esta é uma matéria que tem sido posta de lado… este modelo veio para ficar e urge estar dentro para fazer a diferença. Aquilo que ele tem de potencialmente perigoso – e tem – deve continuar a estar na mira da nossa contestação. Enquanto isso, é bom estar gente de bem à frente das direcção para evitar as arbitrariedades que já acontecem noutras escolas. Por exemplo, é já intenção do meu director, que eu apoio incondicionalmente, fazer a “eleição”, informal, dos coordenadores dos departamentos, saber qual a vontade do departamento, e nomear em função disso.
Não tenho ilusões de que não poderemos fazer milagres. Mas também é certo que poderemos fazer a diferença e manter aquilo que desejamos, eu, o meu colega, o resto da equipa, para a nossa escola.

O futuro dirá até que ponto estarei ou não errada.

Fico triste.
Mas sei que no fim restaremos poucos e que muita gente até vai com boas intenções.
Muitos actuais PCE por exemplo.

Como perceberás, alinhar nisso significa alinhar em tudo o resto.
Percebo-te, não te criticaria nunca uma decisão tomada dessa forma, mas é óbvio que eu não o faria.

Mas eu sou um sulista pouco sanguinário e pouco dado a greves por período ilimitado.
(desculpa a farpita, sabes que sou directo à minha moda…)
;-)

Ahahahah eu gosto de farpas! e de honestidade! mas quem disse que não continuo a ser sanguinária? que não defenderei tudo isso de igual modo? e melhor posicionada? questionei-me muito sobre isto, porque muito antes do meu colega me falar já todo o mundo na escola falava que eu devia ir para lá.  E quanto mais penso nisso mais lógica lhe vejo (as construções mentais são assim, eu sei). Mas, de facto, o que adiante está de fora e ter um alienado à frente da escola? Em primeiro lugar, dentro, conseguirei evitar males maiores no meu quintal. Segundo, não deixarei de combater aquilo que está incorrecto… aliás, seria um golpe deveras inteligente (caso nós tivessemos uma organização que não temos) colocar o maior número de directores possível saídos da ala contestatária, não achas?
Ora pensa bem nisso Também sei que és inteligente e não te agarras irredutivelmente à primeira ideia.

Essa é a teoria dos sindicatos para estarem a colocar dos seus em directores e aceitarem, na prática, o 75/2008.
Só terás autonomia para o que dizes, se eles te deixarem.
És colocada fora em 3 tempos.
Repara nas CAP que estão a aparecer.
A menos que seja esse o plano.

Já sabes. Comigo, levas a resposta sincera.
Mas tenho outras pessoas que fazem essa “construção mental”.

Eu sou “raso” por vocação. Recusei CGT desde o início, recusaria sempre isso.

Não conheço a teoria dos sindicatos (tanto mais, que se já não estava satisfeita, as recentes acções deixam-me de enojada). Mais uma vez, rejo-me pelas minhas próprias construções. No meu caso, não sou rasa… além de ser [bem] torneada :D nunca vejo as coisas a preto e branco, soa-me muito a fundamentalismo, o que é muito pouco do meu agrado. É minha convicção que este diploma não vai mudar… desejo, muito, que pelo menos, sofra algumas correcções naquilo que fere a democraticidade. Para já, na minha escola, vamos conseguir salvaguardar isso – melhor que dizer é fazer.

Acima de tudo, estou a tomar uma decisão muito centrada na minha própria escola, na responsabilidade que tenho relativamente aos meus colegas e à solidariedade que devo ao meu colega, agora director. Que ganharíamos se nos entrasse um fulano qualquer na escola? Continuaríamos a lutar? e quem diz que não o vamos fazer?

Eu gosto da sinceridade, Paulo. Sabes que também faço uso dela.

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(c) Antero Valério, que está imparável por estes dias…

… ou talvez não.

Como é que Comissões Administrativas Provisórias nomeadas pelo ME, que tanto afirma que «a lei é para cumprir», e que vieram substituir órgãos de gestão com essa base teórica, agora aceitam a entrega de OI fora do prazo anteriormente definido a nível de escola/agrupamento?

Ou como é que alguns órgãos de gestão em rota de (re)colagem ao diktat situacionista já aceitam a entrega de OI uns segundos antes da entrega da ficha de auto-avaliação?

Já vale tudo, mesmo tirar olhos?

… que eu percebo, mas não entendo, até aceito, mas tenho dificuldade em digerir.

E ainda por cima tenho pessoas amigas em tal situação e a troca de opiniões, por mail ou em pessoa, não me deixa mais tranquilo, mesmo se esclarecido quanto às intenções.

Como é que alguém que repetidamente afirmou que o modelo actual de ADD está errado – pós-simplex ou pré-simplex - se pode tornar avaliador-mor, ao nível de agrupamento/escola não agrupada, e principal implementador desse mesmo modelo?

Como é que alguém que estava fora do sistema, quando ele era conforme às suas convicções, agora escolhe estar dentro quando ele é contrário às ditas?

Que se permaneça ainda entendo.

Agora este movimento em sentido inverso deixa-me intranquilo, mesmo quando me afirmam as melhores das intenções e eu até acredito.

Só que uma estratégia de perestroika do modelo de avaliação ou de gestão a partir de dentro, o presente modelo, está à curta distância de um despacho de destiytuição do cargo pela DRE.

E quer-me parecer que há novo(a)s Directore(a)s e/ou assessores cuja margem de manobra é escassíssima nesta matéria, porque sabemos que a autonomia nesta matéria é praticamente nula.

Já falei com pessoas nesta situação e acabo de enviar uns quantos mails a pedir que me aclarem melhor isto ou que permitam que eu divulgue – sem identificação dos casos particulares – as nossas trocas de posições, pois quer-me parecer que este tipo de opção – mesmo para evitar a escolha de males bem maiores – precisa de ser bem interpretada por todos aqueles que tenderão a ver de forma estranha este tipo de opções.

Eu sei que é incómodo, em especial nesta altura, mas estamos a uma semana do prazo definido pelo 75/2008 para o velho modelo de gestão ser enterrado.

É pena não estar online a peça do DN de hoje sobre os casos que estão a entrar em tribunal em torno da questão da gestão escolar. Aliás tem sido uma recorrência da edição electrónica do jornal dar escasso destaque às notícias sobre educação não-superior, assim como não ter um espaço específico onde as procurar.

Enfim, voltemos à situação em apreço.

Temos apenas acesso a uma súmula muito resumida da notícia, pelo qu quem quiser ainda irá a tempo de comprar:

Os casos que vão seguir na Justiça

Nas Caldas da Rainha, a escola de Sto. Onofre não elegeu director porque ninguém concorreu ao conselho geral. Ministério afastou o conselho executivo, ainda com um ano de mandato por cumprir.

Em Peso da Régua, o conselho executivo recém-eleito pode passar apenas dois meses em funções.

Em Coimbra, a escolha de uma directora na Secundária Inês de Castro está a ser contestada em tribunal por ex-dirigentes.

Em Melgaço também não foi aceite saída do conselho executivo.

Mas há outros tantos, ou mais, em processo de ebulição, um pouco por todo o país e mais existirão à medida que as situações se começarem a delinear com maior (ou menor) clareza.

Porque até há casos em que o ME quer destituir Directores escolhidos à sua maneira, só porque não foram os certos.

ABArreto24MAi09

Público, 24 de Maio de 2009

É escolinha , de facto

Quem ouvir acerca da professora de História gravada em flagrante delito verbal e suspensa em consequência? Os alunos que a consideram “espectacular”? As crianças acham “espectacular” qualquer criatura que não as mace com instrução ortodoxa. Os alunos que colaboraram na cilada? Os petizes treinados na denúncia e os pais que os treinam não merecem grande apreço. Os legalistas que se concentram na ilicitude da gravação? Como se notou, ou devia ter-se notado, em trapalhada judicial recente, a invalidez da prova não anula, ou não devia anular, os indícios presentes na mesma. Os furiosos que querem linchar, figurativa ou literalmente, a senhora? A tal trapalhada judicial recente ensinou a todos a beleza da inocência presumida. Os castos que aproveitaram para invocar os perigos da educação sexual? A franqueza lúbrica da senhora não será norma. A senhora propriamente dita? É difícil levar a sério uma pessoa que agita um portentoso mestrado e ameaça os discentes com um “No que te metestes!” (sic). A directora regional de Educação? A sra. Margarida Moreira não comenta o caso, decerto por andar ocupada a enviar às escolas “e-mails” (repletos de erros) de louvor aos seus quatro anos de mandato na DREN. A sra. ministra? Para quê?

O melhor é esquecer o episódio, daqueles que excitam multidões durante uns dias e, no fim, não ensina nada a ninguém. No fundo, trata-se de uma perfeita metáfora do nosso ensino, tão perfeita que arrisca deixar de ser metáfora para se confundir com o ensino que temos, essa aberração que habita o fundo do poço e que, de longe a longe, uma gravação clandestina traz à superfície. Traz ou, diz o ministério do ramo no site dedicado à “e-escolinha”, “trás”.

Beautiful South, Rotterdam

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