Ora bem… fiquei ali numa esquerda que não precisa de drogas leves para pensar, que não gosta da regionalização e que não se incomoda muito com os turcos na UE porque também não me interesso muito pela UE.
Acho que o risco da minha área de influência passa por cima de um partido em que se não votei, já pensei em votar. O teste não deve ser mau de todo…
A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, disse hoje que “quatro ou cinco escolas” não vão cumprir o prazo de eleição dos respectivos directores, que termina a 31 de Maio.
“Há quatro, cinco escolas em que não apareceram candidaturas ou que houve problemas de outra natureza, em que os concursos abertos acabaram por não ter resultados positivos, mas são quatro ou cinco escolas, não mais do que isso em todo o país”, afirmou, à margem da tomada de posse da nova directora do Agrupamento de Escolas Gualdim Pais.
Recusando classificar estes casos como “resistência”, Maria de Lurdes Rodrigues referiu que “foram casos em que não emergiram lideranças, que não apareceram candidaturas, em que as candidaturas não foram reconhecidas localmente pelas comunidades locais como candidaturas de qualidade e foram rejeitadas”.
Os dados da sondagem usada hoje na Visão são extremamente interessantes não apenas pelos seus valores globais, mas igualmente quando desagregados por idade ou estatuto económico.
Por exemplo os dados globais sobre a má influência dos diversos intervenientes no processo educativo são os seguintes:
Professores: 23,2%
Pais e Associações de Pais: 24,4%
Sindicatos: 30,3%
Alunos: 48,4%
Governantes e ME: 56,6%
Nota-se desde logo que nâo apenas os professores mas os próprios sindicatos estão bastante bem vistos por comparação com os alunos e o pessoal político do ME.
Mas se tomarmos os dados relativos às chamadas classes A e B temos os seguintes números:
Professores: 23,6%
Pais e Associações de Pais: 26,1%
Sindicatos: 36,9%
Alunos: 47,1%
Governantes e ME: 61,8%
Isto significa que para as camadas teoricamente mais abastadas e culturalmente aptas da população a posição relativa dos professores melhora, alargando o seu diferencial para as próprias associações de pais e pessoal político (de 33 para 38 pontos de vantagem).
Portanto, e sempre ao contrário de um falso senso comum que se tenta apresentar como dado adquirido, a imagem dos professores continua bastante bem e tanto melhor quanto se sobe na própria estrutura socio-económica da população, descendo a dos políticos e do Ministério.
Quando se afirma que o estado da Educação é mau ou insatisfatório, não parece que ninguém concorde muito que isso se deve aos professores.
Para José Sócrates desde sempre e agora para Vital Moreira o investimento público na modernização das escolas é um dos principais argumentos de propaganda e, no momento presente, da campanha eleitoral.
O problema é que esta propaganda é feita com base em dinheiros da UE e não em investimento directo do orçamento de Estado.
Direcção da bancada parlamentar socialista já interiorizou ser impossível ilibar o governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, face aos indícios da actuação negligente daquela instituição face ao que se passava no Banco Português de Negócios, obtidos pela comissão parlamentar de inquérito ao chamado ‘caso BPN’.
A manutenção de Constâncio no Banco de Portugal anos a fio é apenas mais um daqueles fenómenos inc0mpreensíveis deste país.
Mas em fim de mandato e em desespero de causa em busca de uma maioria deixa-se cair tudo o que não for essencial e este já cumpriu a sua missão de câmara de ressonância.
A edição de hoje – para comprar e guardar, depois de colocar umas páginas nas salas de professores e demais lugares públicos do país - traz uma matéria bastante extensa, com variados testemunhos, sobre o estado da Educação em Portugal.
Mais importante: traz os resultados de uma sondagem feita especificamente sobre este tema que é exaltante para os professores e demolidora para políticos, eduqueses e albinos.
Ao contrário de tudo aquilo que por vezes nos querem fazer crer – a começar pelos carpideiros do «o povo não quer saber de vocês» – a opinião pública continua a ter os professores na mais elevada consideração, considerando-os os menos responsáveis pelo estado negativo em que se considera estar a Educação.
A sondagem não foi encomendada por nenhum sindicato ou blogue. Não é desinformação, nem nenhuma manobra esconsa de conspiradores. Deveria ser lida com atenção pela equipa da 5 de Outubro, pelo pai da Nação e pelos presidentes de Conselhos e Observatórios da treta (caso se prove que sabem ler sondagens desagradáveis e que colocam os professores como os menos responsáveis pelo estado de coisas).
Claro que há quem ache que estarei errado, mas são matérias destas, com base empírica fiável e não inquéritos à saída de casa de um secretário de Estado, que fazem mais pela demonstração da razão dos professores do que prosas inflamadíssimas ou ribombares e cantos a plenos pulmões.
Mais adiante deixarei o breve depoimento que fiz sobre os dados da sondagem, os quais tenho em meu poder há algumas semanas e que divulgarei a partir de hoje à noite de forma mais extensa, de acordo com promessa feita à Teresa Campos da Visão de não antecipar nada sobre o assunto em relação à edição da revista.
Pequena análise, feita há cerca de duas semanas, de que foram extraídas as passagens citadas na peça de hoje da Visão:
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Os dados desta sondagem são especialmente interessantes porque coincidem com a opinião crítica quantas vezes expressa por muitos professores sobre a situação da Educação, ao mesmo tempo que contrariam as versões oficiosas e oficiais do Ministério da Educação e alguns fazedores de opinião sobre o mesmo assunto.
Eu destacaria aqui alguns aspectos fundamentais que se articulam entre si no mesmo sentido:
A opinião sobre o cumprimento do seu papel pela Educação é ambígua, com uma ligeira prevalência de uma apreciação globalmente negativa (36,8% de opiniões negativas contra 30,3% de positivas). No entanto, quando chamados a classificar de forma quantitativa esse cumprimento apenas um quarto dos inquiridos atribui classificação abaixo da média.
Quanto à má influência dos intervenientes no processo educativo temos um bom sobressalto: os professores são considerados os que menores responsabilidades têm nesse campo: 23,2% contra 56,6% dos governantes e do Ministério da Educação. Ou seja, o pessoal político é considerado uma influência negativa para a Educação. Mesmo os tão criticados sindicatos são considerados uma má influência apenas por 30% dos inquiridos contra quase 50% para os alunos. Anote-se ainda que a boa imagem dos professores prevalece nas faixas etárias mais jovens.
Confirmando esta tendência, quando se compara a situação actual com o que se passava há 30 anos, percebe-se que a pior imagem está em aspectos como a falta de disciplina ou de intensidade de estudo. Os equipamentos, os programas, os métodos de ensino e a formação de professores estão claramente melhores agora.
O cruzamento destas variáveis transmite uma mensagem bem clara: deixem os professores trabalhar, reforcem as medidas visando a manutenção da disciplina nas escolas e a promoção dos hábitos e métodos de trabalho dos alunos, reduzam a influência negativa do pessoal político nesta área da governação e talvez consigamos melhorar a imagem da Educação em Portugal.
A qual não está tão ferida como pensaríamos. Felizmente.
E neste retrato não deixa de ser evidente que, após anos de conflito com o Ministério da Educação, a imagem dos professores sai muito reforçada. Contra todos aqueles que querem fazer passar por opinião generalizada aquilo que é apenas um discurso injusto, demagógico e desajustado sobre a origem dos males da Educação. Os professores estão bem vistos, desde a sua formação e métodos de trabalho ao seu desempenho. Já o mesmo não se pode dizer de quem passa pela 5 de Outubro em trânsito para outros destinos, sem mais ideias do que as decorrentes dos calendários eleitorais.
Quem pensa que a «conflitualidade» nas escolas diminuiu está profundamente equivocado. Pelo contrário, a fase pior está por surgir quando o cruzamento da fase final da avaliação-simplex com a fase inicial de muitos mandatos dos novos directores produzir uma mistura certamente explosiva e tão mais explosiva quanto maior tenha sido o número de aderentes às classificações de «mérito».
Mas eu confesso que não tenho pena nenhuma. Não tenho vocação para galináceo.
Acta da eleição de uma Directora aqui por terras do deserto da margem sul, em que a autarquia local deixou declaração forte, embora não saibamos bem se depois cumprirá a intenção de deixar a escola a quem lá anda…
Esta semana ocorreu uma morte trágica que trará consequências nefastas no futuro próximo.
No final desta semana será o enterro do sistema democrático escolar.
Com a nomeação dos directores pelas escolas do país, estão ditadas as exéquias do sistema democrático de eleição do órgão executivo da escola.
Tremendamente enlutado e angustiado, assisti à concretização das profecias que sempre fiz acerca do actual modelo de escolha do órgão executivo: manipulação, pressão, coacção, manobras nos bastidores, sobre os membros do conselho geral, numa escola secundária da região norte, para influenciar o seu voto. Como são poucos comparado com o universo de eleitores no sistema antigo, são muito mais permeáveis à pressão e manipulação. A maioria dos membros (mais de metade) são externos à instituição escolar, desconhecendo em absoluto o seu funcionamento pedagógico e burocrático; votam em função de critérios de carácter pessoal e/ou politico-partidário.
A direcção regional promulga os resultados em 24h…!
Apenas 21 pessoas determinam o modelo de gestão de uma escola; todos os outros membros da comunidade educativa são desprezáveis, tornando-se meros funcionários.
Fica definitivamente confirmado que a história repete-se: regressou-se a um modelo que existiu há mais de 35 anos…
O túnel está escuro e pressinto que vai demorar muito tempo até ver luz no seu fundo…
Para além dos blogues signatários num primeiro momento, encontrei mais uma série de outros que transcreveram e se associaram à divulgação desta iniciativa que partiu do MEP. Eis uma primeira lista de mais dez:
Claro que pode ser uma imensa cabala. Claro que o estatuto e atitude de senador pode ter caído do céu aos trambolhões. Claro que uma pessoa se pode esquecer dos negócios que fez, dos papéis que assinou. A idade não perdoa e eu que diga que sou mais novo e não me lembro bem que peúga calcei primeiro esta manhã.
Portanto, até pode ser que não sei o quê.
E claro que alguém assim tem sempre muitos amigos. que até podem nem se interrogar sobre nada e acreditar em tudo.
Mas seria interessante começar a unir os pontinhos em redor de tão incontornável figura da nossa democrácia dos últimos 25 anos. Porque encontraremos diversos exemplos de similar sucesso e ascensão.
Os principais blogues e movimentos de professores fazem apelo conjunto à participação na manifestação convocada para sábado, em Lisboa.
Nos últimos tempos, as divergências sobre os objectivos e métodos da contestação docente têm sobressaído nos blogues de professores, mas a três dias da última manifestação do ano lectivo tanto a blogosfera como os movimentos independentes decidiram avançar para um apelo inédito: “Sair à rua, todos juntos outra vez, é o que teme o Governo e é do que a escola pública precisa. Por isso encontramo-nos no próximo sábado”.
No apelo recorda-se as três manifestações e as duas greves realizadas desde o ano passado.”São momentos que não se esquecem e que despertaram o país. Os professores deixaram bem claro que não se deixam intimidar e que não sacrificam a qualidade da escola pública”.
A situação é assim descrita: “Este governo desfigurou a escola pública”. Três momentos: “O modelo de avaliação docente é uma fraude que só prejudica alunos, pais e professores”; “partir a carreira docente em duas, de uma forma arbitrária e injusta, só teve uma motivação economicista e promove o individualismo”; “a imposição dos directores burocratiza o ensino”.
“É a educação que está a perder”, frisam os subscritores, recordando que este é um momento em que se “debatem as escolhas para o país e para a Europa” e que os “professores têm uma palavra a dizer”.“Sair à rua em força é arriscar um futuro diferente”.
O apelo é subscrito pelos blogues A Educação do Meu Umbigo, ProfAvaliação, Correntes, (Re)Flexões, Educação SA, O Estado da Educação, Professores Lusos, Outòólhar e O Cartel. E pelos movimentos APEDE (Associação de Professores em Defesa do Ensino), MUP (Movimento Mobilização e Unidade dos Professores), PROmova (Movimento de Valorização dos Professores), MEP (Movimento Escola Pública) e CDEP (Comissão em Defesa da Escola Pública)
Não ansiar protagonismos é esperar pelas posições concertadas por todos e não desatar a correr para ficar à frente na fotografia da 1ª volta.
Há quem não perceba coisas simples, nem tenha aprendido nada com o passado.
Em Novembro de 2008 a discussão acendeu de forma enorme na blogosfera e isso traduziu-se em posts com centenas de comentários e trocas duras de argumentos quando se discutiu a data da manifestação, que acabou por não ser uma mas duas.
Se algo me incomoda actualmente é a persistência da ideia que o unanismismo sem discussão é que é a solução certa para a mobilização.
Nada de mais errado.
Sem debate, sem esclarecimento, sem convicção, só lá vão os indefectíveis.