Desgaste e exames levam a fraca adesão à greve
Em muitas escolas a paralisação dos docentes não se sentiu. Sindicatos dizem que objectivo era recolocar avaliação na agenda política.
A falta de informação sobre o protesto, o seu timing – final do ano lectivo e a três semanas dos exames – e o desgaste dos professores são as justificações dos sindicatos para a fraca adesão à greve de ontem em algumas zonas do País. Mesmo assim, a Plataforma sindical fala em 50 mil professores parados nas duas primeiras horas da manhã. O Ministério da Educação aponta 11% de adesão.
“Nalgumas zonas a adesão foi quase de 100%. Noutros, zero. Mas o objectivo não era uma paralisação total, senão tínhamos convocado um dia de greve”, explicou ao DN Mário Nogueira. “O objectivo de recolocar os problemas dos professores ( estatuto da carreira docente e avaliação) na agenda política foi alcançado”, defende.
Para Paulo Guinote, autor do blogue Educação do Meu Umbigo, os protestos de ontem e a manifestação de sábado pecam por tardios e suaves. “Houve pessoas que não fizeram greve por acharem que o impacto seria tão pequeno que não valia a pena”, disse ao DN. O facto de a próxima manifestação repetir duas acções anteriores com enorme adesão também é um risco. “As pessoas podem achar que já não vale a pena. E o Governo, mesmo que haja 110 mil professores na rua, dirá sempre que a adesão diminui”, acrescentou
“Greve? Hoje? Nem sabia! Se soubesse também não fazia. Nesta altura do ano? E os alunos? Nem pensar, não ia prejudicar os alunos”. Foi até com alguma indignação que um professor da Escola Secundária Rainha D. Leonor reagiu à pergunta se estava de greve. Nesta escola de Lisboa, ontem parecia uma manhã normal, com alunos a entrar e a sair. Segundo a funcionária da portaria, todos os miúdos estavam com aulas.
Maio 27, 2009
Maio 27, 2009 at 8:17 am
Todas estas argumentos são verdadeiros, não o nego.
Acrescento que até parece que os sindicatos já não querem lutar mais e fazem estas coisas (incluindo provocar o fracasso e o desânimo entre os professores) para esvaziar os movimentos independentes de professores, perseguindo assim uma agenda muito própria e, quiçá, defendendo interesses bem obscuros.
Mas também é verdade que, contra um poder ditatorial, nenhuma luta é curta e sem sacrifícios (e sem traições, infelizmente!). Esperar o contrário releva da mais pura infantilidade.
O povo diz (enfim, dizia…) que “Água mole em pedra dura, tanto dá até que fura”. Eu sei que sou água mole: só preciso de não desistir. É o que eu faço e continuarei a fazer enquanto andar pelo ensino. Eu fiz a greve de ontem. Eu vou à manifestação.
Maio 27, 2009 at 8:59 am
#1 Rui
Eu também vou!
Maio 27, 2009 at 9:00 am
“A esperança adquire-se. Chega-se à esperança através da verdade, pagando o preço de repetidos esforços e de uma longa paciência. Para encontrar a esperança é necessário ir além do desespero. Quando chegamos ao fim da noite, encontramos a aurora. (Georges Bernanos)
Desculpem… não resisti a colar isto!
Maio 27, 2009 at 9:54 am
Ontem, subscreveu o comunicado conjunto dos movimentos e bloggers.
Hoje regressa à arte de desmobilizar em toda a linha:
“As pessoas podem achar que já não vale a pena. E o Governo, mesmo que haja 110 mil professores na rua, dirá sempre que a adesão diminui”
E os outros é que andam com azia…
Maio 27, 2009 at 1:32 pm
Neste momento, é muito importante mostrar que existe uma “paz podre”. As grandes manifestações incomodam muito, mas mesmo muito.
A única coisa que pretendem combater com as suas demagogias é a instabilidade social.
Maio 27, 2009 at 8:51 pm
#4 – “Hoje regressa à arte de desmobilizar em toda a linha” …parece-me que não está a ver bem o filme.
É necessária uma grande visibilidade da indignação existente. Mas a memória não é curta e é regra de higiene básica não esconder o lixo para debaixo do tapete.