Desgaste e exames levam a fraca adesão à greve

Em muitas escolas a paralisação dos docentes não se sentiu. Sindicatos dizem que objectivo era recolocar avaliação na agenda política.

A falta de informação sobre o protesto, o seu timing – final do ano lectivo e a três semanas dos exames – e o desgaste dos professores são as justificações dos sindicatos para a fraca adesão à greve de ontem em algumas zonas do País. Mesmo assim, a Plataforma sindical fala em 50 mil professores parados nas duas primeiras horas da manhã. O Ministério da Educação aponta 11% de adesão.

“Nalgumas zonas a adesão foi quase de 100%. Noutros, zero. Mas o objectivo não era uma paralisação total, senão tínhamos convocado um dia de greve”, explicou ao DN Mário Nogueira. “O objectivo de recolocar os problemas dos professores ( estatuto da carreira docente e avaliação) na agenda política foi alcançado”, defende.

Para Paulo Guinote, autor do blogue Educação do Meu Umbigo, os protestos de ontem e a manifestação de sábado pecam por tardios e suaves. “Houve pessoas que não fizeram greve por acharem que o impacto seria tão pequeno que não valia a pena”, disse ao DN. O facto de a próxima manifestação repetir duas acções anteriores com enorme adesão também é um risco. “As pessoas podem achar que já não vale a pena. E o Governo, mesmo que haja 110 mil professores na rua, dirá sempre que a adesão diminui”, acrescentou

“Greve? Hoje? Nem sabia! Se soubesse também não fazia. Nesta altura do ano? E os alunos? Nem pensar, não ia prejudicar os alunos”. Foi até com alguma indignação que um professor da Escola Secundária Rainha D. Leonor reagiu à pergunta se estava de greve. Nesta escola de Lisboa, ontem parecia uma manhã normal, com alunos a entrar e a sair. Segundo a funcionária da portaria, todos os miúdos estavam com aulas.