Ensino Superior: Leitores contestam Estatuto da Carreira Docente em carta ao Presidente da República
Lisboa, 25 Jun (Lusa) – Os docentes de línguas estrangeiras entregam terça-feira ao Presidente da República uma carta em que contestam a proposta do Governo para a revisão do Estatuto da Carreira Docente Universitária (ECDU).
“A realidade dos leitores não está contemplada e põe em risco os seus postos de trabalho”, disse à agência Lusa Eduarda Cabrita, uma das professoras da Faculdade de Letras da Universidade Lisboa, que subscreve uma posição já entregue aos deputados, ao ministro do Ensino Superior, Mariano Gago e ao comissário europeu responsável pelo multilinguismo, com cópia para o presidente da Comissão Eurpeia, Durão Barroso.
Para estes profissionais, a proposta de ECDU “desvaloriza o ensino de línguas estrangeiras” e “ignora a realidade profissional dos docentes de línguas vivas, os leitores”, reduzindo-os a “uma figura passageira nas instituições universitárias”.
Maio 25, 2009
Não São Zecos, Talvez Se Safem
Posted by Paulo Guinote under Carreira, Docentes, Universidade[22] Comments
Maio 25, 2009 at 3:40 pm
As áreas das línguas e literaturas estão a ser completamente relegadas para as margens do ensino e se isto já se observa nos básico e secundário, no superior a situação ainda é mais grave. A falta de incentivos e de dinamização destes domínios do conhecimento está a levar ao fecho de muitos cursos: os alunos não se inscrevem neles porque sabem que enveredar por aí é sinónimo de desemprego, pois o que “está a dar” é gestão/economia e afins; do lado dos professores, as consequências passam pela despedimento/dispensa e, quanto a eventuais lugarzitos em centros de investigação – nem
vê-los… É só para os amigos.
Curioso é que, quando os políticos querem fazer figura de “gente culta” vão beber aos saberes das humanidades (mesmo fazendo triste figura como foi a do Sócrates a falar espanhol)! É lamentável que as pessoas à frente da educação (Minedu e Gago) não vejam a importância da proficiência linguìstica e da análise literária no entendimento da natureza humana, entendimento tão simples e, simultaneamente, tão complexo…
Maio 25, 2009 at 4:30 pm
E a arte onde fica? Em Portugal parece que é só pintar e desenhar…
Maio 25, 2009 at 4:46 pm
Se o senhor Paulo Guinote soubesse qual é a situação dos leitores que trabalham nas universidades portuguesas talvez não desse o título que deu à sua entrada. Eu arriscaria a dizer que todos os leitores trocariam a sua situação profissional pela estabilidade profissional que o senhor Paulo Guinote possui. O senhor é um privilegiado em termos da sua estabilidade profissional e mesmo do salário que aufere por comparação com os leitores. Para saber mais sobre a dramática situação dos leitores recomendo-lhe que leia a informação deste link: http://www.snesup.pt/htmls/EkukAAEEAuwqHFQtAE.shtml . Antes de abrir a boca convém saber o que se passa. O mundo não é o seu umbigo, apesar do título do seu blogue.
Maio 25, 2009 at 4:51 pm
Mas também quem é que quer saber desses tipo de profissão..? Os europeus já quase não têm analfabetos…
Maio 25, 2009 at 5:00 pm
#3, o título não me parece ofensivo. De facto, muitos de nós somos de línguas e literaturas( eu sou, por exemplo). O que se passa é que o ensino não-superior está há anos a lutar contra um estatuto lamentável e nunca conseguimos que nos dessem razão. Talvez por sermos muitos e ser connosco que poupam mais dinheiro.
Qto à desvalorização de cursos não-tecnológicos, toda a razão! #2 e #3.
Diria mesmo que, no futuro, não haverá pessoas licenciadas em línguas, literaturas, filosofia, história, artes,…
Que mundo este em que o pensamento e a cultura só vão num determinado sentido…
Maio 25, 2009 at 5:07 pm
Universidade: uma carreira partida ao meio?
http://www.snesup.pt/htmls/EkukpulEpFcRvwUNbz.shtml
Maio 25, 2009 at 5:09 pm
A Nulidade como Ideal
A nulidade exige ordem. Tem necessidade de uma hierarquia, de meios de pressão, de agentes e de uma finalidade que se confunda consigo própria. Para manter o ser humano no seu nível mais baixo, onde não corre o risco de fazer ondas, nada melhor que uma organização estruturada com níveis de poder e peões disciplinados capazes de os exercer. Qualquer estrutura deste tipo aguenta-se de pé devido à convicção geral de que não é necessário explicar para se ser obedecido, nem compreender para obedecer. A verdade difunde-se por si só de cima para baixo pelo mero efeito do ascensor hieráriquico. A eficácia é proporcional ao grau de complexidade graças ao qual é mantida a ilusão de uma certa liberdade em todos os níveis de comando.
Quanto mais insignificantes são as engrenagens humanas, mais fácil é convencê-las da sua falsa autonomia. As nulidades fornecem as melhores engrenagens, associando o máximo de inércia intelectual ao máximo de aplicação no exercício de uma ditadura sobre a pequena porção de poder que lhes cabe. Essas estruturas, onde todos têm razão quando estão acima e não a têm quando estão abaixo, realizam uma espécie de ideal humano feito de equilíbrio entre arrogância e humildade. Por muito que o maldigam, as sociedades regressam sempre a esse ideal.
Georges Picard
Maio 25, 2009 at 5:25 pm
O tratamento dado aos docentes do Ensino Superior é lastimável. Este título também. Cria divisões desnecessárias, afirma graus, não esclarece. A precaridade, o nível de remuneração, as condições de exercício, são um problema generalizado. De todos os extractos profissionais e especialmente de toda a docência. Não vão por aí.
Maio 25, 2009 at 5:29 pm
#8, infelizmente, os colegas do superior esqueceram-se de nós durante este último ano.
Talvez seja altura de consideramos que temos algo em comum…
Maio 25, 2009 at 5:35 pm
Eu sei zero..a minha mulher é universitária..felizmente já é quase agregada…mas também sei da corja que lá habita e que debita bitaites como se fosse de um alto de um pedestal..por exemplo ninguém fala dos mais de 50 por cento de reprovações que existem, fora as desistências…NEM DOS CONLUIOS EXISTENTES ENTRE JÚRIS E AMIGOS DE AMIGOS PARA TUDO SER FEITO COMO SE FOSSE UMA PANELINHA…e as ajudas que se dão aos amigos ao deixar pôr o nome num paper em que só fez a limpeza das pipetas..enfim…também sei que os bolseiros , assistentes e convidados são carne para canhão…mas também com excepção dos bolseiros estão-se a borrifar desde que lha caia algum..greves..nada..protestos nada..é tudo um paraíso..vejam a França e o ensino universitário…
Maio 25, 2009 at 5:36 pm
digo..fizeram..
Maio 25, 2009 at 5:38 pm
O ataque ao ensino superior já vem de há muito. Não sou professor, sou designer e sou pai de miúdo de 15 anos. Já vim a este forum diversas vezes em defesa dos professores. Apenas por razões profissionais vou tendo ligações a diversas universidades. Tenho assistido ao assassinato do ensino superior por capítulos, o pior dos quais se chama Bologna. Acredite que a indignidade com que são tratados estes docentes devia envergonhar o país. Sei do que falo.
Maio 25, 2009 at 5:47 pm
Conhceçam-se e unam-se. Com dizia o António Barreto, este foi um ano perdido para o ensino. Ao ritmo de “reformas” a que este vai e porque todos temos uma visão sectorial, arriscamo-nos a perder muito mais de que este ano. Perdemos a noção da razão de ser da escola. Todos.
Maio 25, 2009 at 6:10 pm
«Conhceçam-se e unam-se»
Também acredito que o caminho é esse.
Conhecimento e união.
Vamos ter -todos- muito trabalho pela frente.
Maio 25, 2009 at 6:21 pm
#14 Pipa
Andou cada um a puxar a brasa à sua sardinha…
Pode ser que abram os olhos!
Pipa, 30?
Maio 25, 2009 at 6:50 pm
#3
Por favor, deixemo-nos de jogos de quintais. O título visava alguém que não os colegas do Ensino Superior. O que mata esta profissão é exactamente isto: discrepâncias intestinas! Em França, acho eu, vieram para a rua, docentes de todos os níveis de ensino e alunos. Mas aqui nota-se muito esta clivagem escusada, quando os objectivos são basicamente os mesmos.
Também sou de línguas e sinto, por exemplo, que dois blocos de Português no Ensino Secundário é manifestamente muito pouco, ao lado das disciplinas das áreas de Ciências que chegam a ter três blocos e meio. Nem “me” estou a defender, defendo é que a maioria dos alunos deste nível de ensino nem os rudimentos da língua interiorizaram. E depois a menorização passa pela sagaz resolução: tanto faz os alunos seguirem letras como ciências, não só têm o mesmo número de aulas semanais, como os misturam ( é o meu caso). Teriam literatura como discipilna estruturante ( dois anos), mas a exigência para a abertura da disciplina é de 15 alunos matriculados. Resultado: na maioria das escolas secundárias não há possibilidade de formar turmas vocacionadas para as Humanidades!
Logo, a machadada inicia-se no Ensino Secundário, se os colegas do Superior andassem a par do que se passa, talvez se unissem a uma causa comum: defesa da diversidade de acesso a estas disciplinas e consequente necessidade de assegurar docentes no Superior.
Mas o nosso 1º já quer uma 2ª língua estrangeira no 1º ciclo!
Maio 25, 2009 at 7:16 pm
É que o MARCELO descacava logo NELES!!
Maio 25, 2009 at 7:16 pm
descascava
Maio 25, 2009 at 7:30 pm
#2 estou consigo. Fala-se das línguas e das ciências, cada um quer mais do que o outro e ninguém vê o estado miserável das Artes em Portugal… As AEC são UMA ANEDOTA, pelo menos no que respeita à música. Há professores de EVT a leccionar Expressão Musical (e se calhar vice-versa). E no 2º Ciclo temos uns míseros 90m que para nada dão, no 3º ciclo então, nem se fala…
Maio 25, 2009 at 7:36 pm
Este é o verdadeiro problema a médio prazo
O estado alemão está a oferecer 25 mil euros por cada filho nascido a partir de Janeiro de 2007… no entanto… são os alemães não-nativos que estão a ‘puxar’ pela taxa de natalidade…
NOTA: Em Portugal estão a nascer por ano cerca de 100.000 crianças (nota: número que é insuficiente…). Consequência: uma atitude semelhante…, iria custar ao contribuinte português 2.500.000.000 euros por ano: são 500 milhões de contos por ano, e depois ainda à que somar: despesas com a fertilidade dos casais, despesas com a gravidez das mulheres, despesas em Saúde e Educação até à idade adulta, etc…
retirado de Comentário a um post in Blasfémias
Maio 25, 2009 at 8:19 pm
http://bibliotecaportaberta.blogspot.com/2009/05/hoje-e-o-dia-internacional-da-crianca.html
Entretanto, “celebra-se” um acontecimento triste…
Maio 25, 2009 at 10:11 pm
#15
Estamos a tempo de reparar os erros…A desunião foi sempre o maior deles.
30 e os que forem precisos…Certamente!