ALEGRE, SÓ EM BELÉM

Tenho apreciado muito a atitude  intransigente e  vertical de Manuel  Alegre. Mas tenho apreciado pouco as suas cedências constantes ao calculismo político.

Manuel Alegre tem sido frontal contra as políticas perversas deste governo. Mas também tem feito tudo o que pode para que Belém não lhe fuja do alcance dos olhos.

E é pena que um dos políticos mais éticos que militam no Partido Socialista se deixe seduzir mais pelo poder moderador de Belém que pelo poder executivo de S.Bento.

Será, M. A., mais útil em Belém, ou sê-lo-ia mais útil numa eventual coligação no governo?

“Não o sei e sei-o bem.”

O que eu acho é que Manuel Alegre, num novo partido, iria vindimar a em duas latadas cheias de votos:  muitos dos quais pendem amadurecidos da ramada privada do P.S.;  outros tantos, esperavam ser colhidos por ele, na  ramada baldia dos eleitores flutuantes.

E o resultado?

Votos, muitos votos desperdiçados, porque oferecidos de bandeja à voragem destruidora das actuais alcateias partidárias. Os quais, em eleições presidenciais, poderá vir a não ter.

Por isso, Manuel Alegre terá perdido a oportunidade da vida para mostrar na prática o que ele parece ser em teoria: Um ser incomum, onde a verdade, a  justiça e a  dignidade  políticas se casam harmonicamente com a índole limpa e transparente do “homo-poeticus”. Do político mais genuinamente democrata e substantivamente idealista da nossa actual democracia:  “homo-erectus”,  vertebrado e firme  até à medula.

CUNHA RIBEIRO