Maio 2009


Ainda há muitas imagens sobre a manifestação das mais diversas origens (falta-me postar as de Viseu, que chegaram bastante cedo, assim como tantas outras), mas por agora podemos ficar pelo principal motivo de inveja em relação ao grupos dos chamados umbiguistas, que é o facto de termos uma apurada selecção de locais para jantar e um gosto especial pela bela gastronomia, neste caso de Minas Gerais.

Como se vê, nestes casos gosto mesmo de indicar o caminho, se bem me lembro para a canjica, ou então era para uma deliciosa variedade de torresmos ou para a mandioca frita em forma de palitos a fingir batata. Ou seria o tutu mineiro?

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Fotos do João Francisco (as primeiras, mais escuras, porque ele deveria ainda estar com fome, as últimas, minhas, bem claras, porque só fotografei depois do estômago composto)

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Fotos da Manuela Rolão

O arquivo de imagens recebidas em toreno da manifestação justifica que seja desta vez que eu crie álbuns específicos sobre este tema. Entretanto irei divulgando os materiais recebidos ou fazendo ligação para blogues onde se podem encontrar reportagens mais ou menos alargadas das tribos em presença.

Eis alguns casos:

Bilros & Berloques

Correntes

Pérola de Cultura

Topo da Carreira

Quanto a leituras do acontecido, eis a do Miguel Pinto (à distância, sobre a cobertura mediática), a do Francisco Santos (com um vocabulário de cartilha ortodoxa) e do Jorge do Fliscorno (curta, mas incisiva).

Perguntas e respostas da Fátima Inácio Gomes à jornalista Clara Viana para a peça de ontem no Público sobre o movimento de contestação dos professores:

O surgimento e acção dos movimentos independentes de professores mudou a luta dos professores ? Porquê? Como? Ou os sindicatos “venceram”?
Não se deverá colocar a questão no domínio de uma luta entre movimentos independentes e sindicatos. A “luta” é comum e é contra as medidas do Ministério da Educação, não só no que respeita a avaliação de desempenho, mas, muito especialmente, no que toca o próprio conceito que preside à dita “reforma educativa”. Enquanto agentes desta reforma, sabemos, melhor que ninguém, o quanto esta “reforma” põe em causa todo o sistema de ensino público e compromete uma reforma real que tenha em vista a melhoria da qualidade da escola pública.
Contudo, é inegável que o surgimento dos Movimentos mudou completamente o quadro de acção da luta de professores. Aliás, é um fenómeno único relativamente a qualquer classe profissional: os professores foram capazes de se organizar, movidos por um genuíno sentimento de contestação dos princípios e de revolta face ao desprezo como estavam publicamente a ser tratados, transcendendo as organizações tradicionais. Este fenómeno ainda será estudado, já que revela uma alteração de mentalidades e dos modos de actuação, fruto de uma dinâmica que envolve a sociedade, o acesso à informação e a capacidade de comunicar globalmente. Os sindicatos de professores tiveram de lidar com o exercício de opinião dos professores, directamente, e este é um fenómeno que, a breve prazo, se estenderá aos próprios partidos políticos. Os sindicatos não “venceram”, e para já, também não “perderam”, os sindicatos tiveram de se adaptar a uma situação inteiramente nova… e ainda o estão a procurar fazer.

Esperava que a ruptura pudesse ter sido maior? (Ruptura em tipos e métodos de acção).
Esperava, sim, e creio que existiram condições para essa ruptura. A plataforma sindical, em conjunto com a esmagadora maioria dos professores, conseguiu feitos inéditos na história recente – realizaram-se duas manifestações com números assombrosos para uma única classe profissional. O mesmo aconteceu com os números das greves, apenas ”ignorados” pelo governo, pois em todo o país foi visível o grau dessa participação. Os professores estavam mobilizados, unidos, orgulhosos pela defesa da dignidade da classe e cientes de que lutavam por algo mais do que meras razões profissionais. Em Dezembro, início de Janeiro, estavam criadas as condições para que a plataforma sindical desse o golpe final. Não o fez. A meu ver, foi um erro crasso. Não poderei avaliar completamente, sem incorrer no perigo de ser injusta e irresponsável, quais as razões que fizeram os sindicatos, se não recuar, marcar passo. Julgo que, mais uma vez, se trata da incapacidade destes sindicatos (como aconteceria com outros) de lidar com uma força com a qual não estavam habituados, nem preparados, para lidar. Estas estruturas não têm a flexibilidade necessária para gerir uma situação destas, estão presas a tiques que vêm de longe. É precisamente essa flexibilidade que têm os Movimentos, por não estarem ligados a qualquer disciplina, nem política nem ideológica. Os Movimentos, constituídos por professores no activo das funções, sabiam exactamente qual era o sentir da classe, pois é o seu próprio sentir e a própria razão da sua existência.
Na verdade, os sindicatos caíram no mesmo erro que, um dia, presidiu à assinatura do famigerado “memorando de entendimento”, e que lhes valeu uma grande contestação dos professores, que procuraram redimir na manifestação de 8 de Novembro – uma via negocial enviesada, quando é já manifesta a incapacidade desta equipa ministerial de negociar e ouvir, tanto os parceiros institucionais, como aqueles que tão incisivamente, e em massa, manifestaram a sua oposição.

Quando iniciaram as movimentações, contava chegar ao fim do ano lectivo nesta situação no que respeita tanto à avaliação, como ao ECD?
De facto, não contava. Com a imensa força que se gerou, com a contestação massiva, nunca previ que, nesta altura, não tivesse sido já dado o “murro na mesa”. Contudo, é importante frisar que, não tendo nada de substancial mudado, também nada se aplicou. Estamos a atravessar uma “terra de ninguém” em que reina o faz de conta. A ministra, o primeiro-ministro, os secretários de estado, todos sorriem, querendo fazer crer que tudo funciona. Nas escolas, na esmagadora maioria das escolas, os professores cumprem as suas funções, aquelas que verdadeiramente os preocupa e interessam para a escola: dão as aulas, desenvolvem actividades que consideram pedagogicamente produtivas e relevantes para os seus alunos. Deste modelo de avaliação, resta um cadáver informe. Estamos à espera do enterro, apenas.

Entregou os OI? Na sua escola foram mais professores que entregaram ou o inverso?
Não entreguei. Na minha escola, metade fê-lo e a maior parte foram os professores contratados, por estarem numa situação extremamente precária.

Como está o ambiente na sua escola? Os professores estão divididos, há mal-estar, por causa das posições adoptadas quanto à avaliação?
No início ainda houve alguma crispação, tanto dos colegas que se sentiam traídos porque este ou aquele colega que entregava os objectivos, quer pelos próprios professores que os entregavam, sentindo-se pressionados (pela precariedade da sua colocação, pelo medo dos concursos) a fazer algo que, no fundo, contestavam. Contudo, deve ressalvar-se que a grande maioria dos professores que entregou os objectivos não pediu observação de aulas, não porque temam esta observação, como é óbvio (o nosso desempenho é diariamente observado), mas porque não quiseram tirar proveito das quotas para classificações de Muito Bom e Excelente, quando outros colegas mantinham o sentido da luta.

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Público, 31 de Maio de 2009

Já agora, não nasci em Alhos Vedros, embora lá tenha vivido 33 anos depois dos primeiros 10-15 dias passados em reparações de pós-produção na desaparecida Maternidade Magalhães Coutinho.

E é desta que os pensadores e activistas sérios da educação e da luta me colocam em definitivo no index.

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Fotos da Armanda e da Mariazeca

Foi o melhor desta temporada de contestação e foi boa ideia ter sido o único da tarde. A sério, ninguém estava muito interessado em ouvir outras coisas. Muito menos conversas para o retrato.

Não me incomoda nada se Mário Nogueira tem outras ambições para além da Fenprof. Afinal não podem ser só os engenheiros de terceira categoria a poder aspirar a ser sextos Armanis e primeiros faxes. Ou os vitais a serem europeus deputados depois de muito contorcionismo e como recompensa pelos serviços prestados.

Ou os constâncios a ser gurus do vazio. Ou tantos outros.

O discurso foi feito nos limites, pelo que me constou, para que o Dias da Silva e mais um par de temerosos não fugissem a sete pés do palanque.

Com ironia q.b. e muita garra.

Não estou aqui a puxar o lustro a ninguém, pois declaro desde já que este discurso deveria ter sido feito em Novembro, pelo que surge com seis meses de atraso.

Mas mais vale tarde que nunca. Agora resta saber se temos Plataforma ou não. Se há quem ande já de esferográfica no punho a pensar que vai salvar isto e colher os louros. Quem o fizer sabe que ficará praticamente sem associados.

Isto ainda não acabou este ano e até Setembro parece-me que não arrefecerá, desde de não pensem que o adeus foi para todos.

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