Pois é, fui convidado a sair da reunião realizada na minha escola para consulta dos docentes.
À minha segunda intervenção em tom anormalmente cordato, mas obviamente inquisitivo, o delegado/dirigente sindical de serviço, talvez aborrecido pela quebra de rotina, convidou-me a sair da mesma.
Como não gosto de ficar onde sou indesejado pelo capataz de serviço, retirei-me.
A história, patética mas sintomática dos tiques e nervosismo da 2ª linha da nomenklatura, é simples, evitando – por evidente pudor e recato – reproduzir a atitude e a adjectivação intimidatória utilizada pela outra parte, assim como as picardias intermédias que foi necessário ultrapassar.
Após a exposição das propostas ministeriais para revisão da ECD em assuntos como a progressão na carreira, «o Zé», como é tratado nesta Escola por onde já passou felizmente em anos intercalados com os meus, declarou que a Fenprof não apresentara alternativas porque isso significaria aceitar implicitamente este ECD e os seus mecanismos.
É nesse momento que o questiono sobre a avaliação e, especificamente, sobre a entrega da ficha de auto-avaliação. Embaralhando-se no seu tom monocórdido responde-me que os sindicatos, e em particular a Fenprof, não vão pedir que os professores não entreguem a ficha, porque isso teria muito pouco apoio, animando-se quando indicou que seriam ZERO os que a não entregariam.
Volto a questioná-lo então sobre o facto de a entrega da ficha de auto-avaliação, de acordo com a lógica usada para o ECD, ser uma admissão explícita do modelo de avaliação tão contestado e por cuja suspensão se gritou até Janeiro. è nessa altura que me é respondido que essa é a minha opinião e que a dele não é essa. Fim de argumentação. Chamei-lhe a atenção para o facto de, com alguma probabilidade e a partir de conversas mantidas recentemente, o que hoje é verdade amanhã poder não o ser.
Após uma pausa, em que considerei a hipótese de me calar de vez e enquanto outra colega protestava pela metodologia da pseudo-consulta, e aproveitando uma deambulação sobre a entrega dos OI, aproveitei para dizer que em «coerência» quem os não entregou e discorda desta avaliação deveria não entregar a ficha de avaliação. Sempre em termos calmos. Perante isso, «o Zé» decide voltar a qualificar a minha atitude como «acusatória». Pergunto então se ele está ali para «consultar» ou apenas para falar e funcionar como divulgador de uma posição a ser aceite sem debate. É então que me é dito que se a presença dele me está a incomodar devo sair da reunião.
Sublinhando o exemplo de civismo dado e de abertura à consulta, obedeço e 30 anos depois saio de uma sala por ordem de um professor. Neste caso, meu colega.
Felizmente, «o Zé» levou a seguir – quando eu já me dirigia a algures, pelo que só soube por chamada de uma outra colega habitualmente destratada pelo «Zé» – a reprimenda merecida pela minha PCE que lhe explicou que a visita era ele e que nunca mais mandaria sair da sala um professor da escola dela.
Grande Chefe! Assim é que é!
Quanto ao balanço, consta que a posição da escola foi bem mais agressiva do que nova passeata por Lisboa. Mas como não pude ficar até ao fim, não posso garantir que a consulta tenha chegado efectivamente a algum termo.
Provavelmente nem deveria ter ido. A consulta deveria ser só para quotizados. Mas nesse caso acho que só restariam – quanto muito – 4 ou 5 dos 25 docentes presentes.
Mas é lamentável que mandem para as escolas, para consultar os professores, quem parece ter como único objectivo despejar a k7 e calar as vozes discordantes.
Depois de Judite de Sousa quase entrevistar Sócrates, com J.A.C. a assistir, adormeci, e sonhei que estava, eu próprio, a entrevistar o P.M de Portugal. Eis a entrevista, total e fielmente reproduzida:
EU: – Boa noite, Sr. Primeiro Ministro.
J.S.: – Permita-me um aviso prévio: – não me venha com perguntas indiscretas, porque não respondo a nenhuma. Boa noite.
Eu: – Eu queria…
J.S. – Você queria!? Você veja lá bem o que vai querer… Não vai querer que eu responda sobre o Freepor(t)…Julgo eu.
Eu: Queria-lhe…
J.S.: “lhe”!? O que quer dizer com esse “lhe”? Está a referir-se a mim? Se é a mim, tenha o maior cuidado quando falar do Freepor(t)… Ouviu?
Eu: Bem… Eu queria-lhe perguntar…
J.S.: Perguntar!? Você não tem que perguntar nada! Você só tem é que ouvir o que EU tenho para dizer! O resto é conversa de jornalista atrevido e bisbilhoteiro .
EU: … Se o processo…
J.S.: Processo!? Qual processo? Já está a insinuar que eu estou metido num processo? Oiça, já processei quatro… Não quer você ser o quinto, suponho.
EU: … do Freeport…
J.S.: Pois…, eu logo vi que esta espécie de jornalista me ia injuriar… Acabou aqui a conversa. Não tenho mais nada a dizer. Vou imediatamente falar com o meu advogado para o processar. Fique bem.
Temos de demonstrar, face aos burocratas sindicais de sempre (os que se sentem visados, pois que não estranhem, é mesmo para eles que dirijo estes termos!), que as medidas preconizadas pelos colegas da APEDE fazem todo o sentido e são exequíveis!
A fenprof não é o seu presidente Nogueira e o spgl não é o seu presidente Avelãs.
Ao concentrarem a decisão – em termos práticos – nas suas agustas cabeças, eles Avelãs e Nogueira, estão a tornar o movimento refém das estratégias POLÍTICAS das organizações respectivas (para o primeiro, a renovação comunista e o segundo, o pcp).
As agendas dos professores são outras, completamente diferentes. A nós não nos interessa nada saber se esta luta tem como efeito enfraquecer ou aumentar o score eleitoral deste ou daquele partido. A nós interessa-nos saber que a resistência, quando temos razão, é uma sementeira de futuro, apenas ela nos coloca numa posição prática – e moral- de força, em face de um poder que pode ser igual ou diferente, mas que na prática, só irá ceder caso a correlação de forças penda para o nosso lado. Claramente, só vencemos se metermos medo aos políticos que estão no poleiro, num dado momento, de que a perturbação social poderá quebrar o seu poder, se eles não acederem às justíssimas reivindicações de uma profissão inteira e em peso.
Assim, as instâncias sindicais representativas têm decididamente de organizar uma greve geral, com repercussões muito para além das aulas, capaz de perturbar a vida quotidiana, pois é mesmo para doer que se faz uma greve!
É feita essa greve com imensa perturbação no quotidiano das pessoas que têm os filhos nas escolas, mas que são suficientemente espertas para perceber que o que está em causa é mesmo demasiado importante e ultrapassa largamente tudo aquilo que se assistiu em termos de ataque aos direitos, à carreira, às condições de exercício, sobretudo um ataque em forma à escola pública democrática. Sendo eu encarregado de educação, não compreendo que se faça uma greve sem efeitos práticos. Uma greve de um dia, só para «picar o ponto» não muda a correlação de forças.
Uma greve de uma semana, mas em que cada pessoa individualmente irá fazer, quanto muito dois dias, perdendo assim uma quantidade menor de ordenado ao fim do mês, parece-me eficaz pois irá constituir uma séria perturbação do ano lectivo, uma séria perturbação da vida das pessoas e um sério aviso ao governo.
Não fazer greve, apesar do que diz Nogueira («a melhor greve é aquela que não é preciso fazer…»), seria sempre, neste caso, a capitulação total, seria aceitarmos que somos e seremos e merecemos ser totalmente en… , sem nos importarmos.
Notem que as pessoas, apesar de vivermos numa sociedade guiada pelo egoísmo, o individualismo extremo, não se espantarão que os professores dêem uma resposta à altura. Mas é de espantar que os docentes, conscientes do que se está a passar, não façam tudo para evitar uma catástrofe por bons e largos anos que se abate sobre eles e sobre a escola portuguesa (não se mexendo eles, uma pessoa até pode duvidar, «não será apenas retórica?»)
Sabemos como costumam os partidos «jogar ao centro» ou seja, impor a moderação (típico em períodos pré-eleitorais) de todas as lutas sociais, como se pode constatar pela análise da história social mais recente. Estes partidos, estão interessados em captar o voto do eleitor hesitante, que teve «fé» no ps, mas deixou de a ter, sem porém mudar essencialmente de ideário, mantendo-se num reformismo tímido. Para agradar a este tipo de eleitor, eles (os agentes dos partidos) têm a vontade -consciente ou inconsciente- de mostrar uma face mais moderada. Não irão apoiar abertamente greves e movimentos desestabilizadores, pois têm MEDO que os seus adversários acenem com o «papão» do caos social, promovido pelos partidos X, Y ou Z. Tanto os partidos à esquerda do PS (PCP e BE) como à direita (PSD e CDS) estão interessados num apaziguamento no período pré-eleitoral.
Porém, o interesse dos docentes, injustiçados por estes quatro anos de recuos e de humilhação (a somar a outros males que vêm de tempos mais antigos) é exactamente o oposto: os docentes têm uma oportunidade de oiro de vergar os governantes, que querem ter -custe o que custar- a tal maioria. Então, terão que fazer greve e greve prolongada, greve com ocupação em todos os casos em que tal se afigure possível, não apenas manifs, pois as manifs são actos simbólicos, não mudam por si só a correlação de forças.
Isto é um grande braço de ferro. Quem não está disposto a lutar e se coloca de lado, paciência!!! Há sempre um certo número que assim faz.
Mas os que têm responsabilidades ACRESCIDAS POR SEREM DIRECÇÕES SINDICAIS têm de ter consciência de que não poderão fingir que não percebem isto que eu enunciei acima.
Resta-lhes provar que eu não tenho qualquer razão, que eles não são instrumentalizados pelas agendas dos seus partidos respectivos, que fazem o combate exclusivamente em função dos interesses dos professores e de todos os trabalhadores e da escola pública.
Se querem manter um mínimo de credibilidade junto das bases, deverão adoptar um calendário de acções de luta, desde já.
Junto com tal calendário, deverão mencionar claramente o que pretendemos que o ME/governo revogue. Num crescendo de luta, devemos propor para 16 de Maio uma manifestação nacional, seguida de uma semana de greve de 25 a 29 de Maio. A partir daí, em plenários de zona, os professores decidirão democraticamente se devem fazer nova greve e se sim em que moldes. A greve por tempo indeterminado não deve estar fora do horizonte. Essa greve não será uma greve às avaliações, na medida em que cada grevista fará a greve quando entender, num dia ou em mais, efectivamente desorganizando todo o trabalho, incluindo o de avaliação. Mas o que se pretende com uma greve é fazer uma pressão, não é uma espécie de voto piedoso!
Ou seja, está em jogo o nosso futuro, mas também o futuro do movimento sindical.
Que cada qual adopte a posição mais sensata; existem situações em que a sensatez consiste em avançar. Acho que é este o caso.
Também na minha escola se debateu, com pouca participação, que acções deveríamos considerar como possíveis para este final de ano lectivo.
A mim parece-me que as greves são contraproducentes e ineficazes (se durarem o que têm durado). Parecem-me, igualmente, pouco eficazes as manifestações, embora me seja claro que foi devido a estas que o governo foi cedendo um pouco no processo da avaliaçáo (mantendo, contudo, a arrogância, intolerância, disparates e injustiças). Devo acrescentar que as manifestações têm, pelo menos, a vantagem de arejar espíritos e almas.
Em conclusão, parece-me que seria desejável que o país entendesse a farsa que é a bandeira da avaliação que este governo tanto apregoa. De facto, pela simples aplicação das leis resulta que o processo de avaliação apenas se poderá iniciar (com a entrega da ficha de auto-avaliação) a partir de 1 de Setembro de 2009. A meu ver seria fácil deixar claro que, com excepção dos contratados, nenhum professor foi avaliado durante o mandato deste governo, que tanto se vangloria de pela primeira haver avaliação de professores.
Para se compreender o enquadramento legal destas questões, envio, em anexo, alguns ficheiros em formato word.
Cumprimentos.
Maurício Queirós
Primeiras questões:
1.º
O Decreto-Lei n.º15/2007, de 19 de Janeiro – estatuto da carreira docente, ECD -, estabelece no ponto 3 do artigo 42.º que “a avaliação do desempenho dos docentes realiza-se no final de cada período de dois anos escolares e reporta-se ao tempo de serviço nele prestado“, com excepção dos docentes em período probatório e os docentes contratados, que é, aliás, reiterado pelo artigo 5.º do Decreto-Regulamentar n.º2/2008, de 10 de Janeiro[1].
2.º
Define, igualmente, o Decreto-Regulamentar n.º2/2008, de 10 de Janeiro, no ponto 1 do artigo 14.º que “A avaliação de desempenho realiza-se até ao termo do ano civil em que se completar o módulo de tempo de serviço a que se refere o artigo 5.º “.
3.º
Por sua vez, o Decreto-Regulamentar n.º1-A/2009, de 5 de Janeiro[2], exige, no seu artigo 2.º, a obrigatoriedade de fixação do calendário anual de desenvolvimento do processo de avaliação, o qual se inicia com o preenchimento da ficha de auto-avaliação, a que se segue o preenchimento das fichas de avaliação pelos avaliadores (artigo 15.º do Decreto-Regulamentar n.º2/2008).
4.º
Ora estas duas primeiras fases do processo de avaliação ponderam, entre outros, parâmetros tais como: i) serviço distribuído; ii) participação dos docentes na escola (inclui serviço lectivo e não lectivo) iii) participação no plano anual de actividades; iv) acções de formação contínua; v) exercício de outros cargos de natureza pedagógica; e vi) dinamização de projectos.
5.º
Parece claro que alguns destes parâmetros da avaliação, designadamente os referidos nas alíneas ii) na parte não lectiva, iv) e v) do ponto anterior decorrem para além do término do ano lectivo, ou seja, decorrem, isso sim, até ao final do ano escolar. Registe-se que um ano escolar tem início a 1 de Setembro e fim a 31 de Agosto do ano seguinte.
6.º
Do atrás exposto, parece resultar claro que, neste primeiro período em avaliação, o processo de avaliação, para os docentes integrados na carreira, só poderá decorrer de 1 de Setembro de 2009 (cf. ponto 1.º) a 31 de Dezembro de 2009 (cf. ponto 2.º) e incidirá sobre os anos escolares de 2007-2008 e 2008-2009.
De facto, da frase “a avaliação do desempenho dos docentes realiza-se no final de cada período de dois anos escolares e reporta-se ao tempo de serviço nele prestado” apenasé permitida a leitura de que “no final” quer dizer “no fim” e não “na parte final”.
7.º
Contudo, este não é o entendimento da Senhora Ministra da Educação nem, acrescente-se, dos sindicatos de professores (ler entrevista da Senhora Ministra da Educação ao “Jornal de Notícias” de 16 de Março de 2009).
Realmente, tanto o Ministério da Educação como os sindicatos e, também, dezenas de escolas, entendem que o processo de avaliação se pode iniciar no final do ano lectivo (meados de Junho), exigindo, por calendarização, a entrega da ficha de auto-avaliação neste mesmo mês.
8.º
Face ao atrás dito, são pertinentes os seguintes esclarecimentos:
a) Qual é o período em que pode decorrer o processo de avaliação de professores? Solicita-se definição explícita da data de início do processo.
b) Sendo a resposta à primeira pergunta a seguinte: “pode iniciar-se na fase final do ano escolar, após o término do ano lectivo“, como se contabilizam as acções de formação efectuadas em Junho, Julho e Agosto? Como se contabiliza, igualmente o trabalho não lectivo desenvolvido durante a fase de exames? Como se contabiliza o trabalho não lectivo de constituição de turmas e de preparação do lançamento do próximo ano lectivo? Como se cumpre, finalmente, o disposto noponto 3 do artigo 42.º do Decreto-Lei n.º15/2007, de 19 de Janeiro e no artigo 5.º do Decreto-Regulamentar n.º2/2008?
[1] Regulamenta o sistema de avaliação do pessoal docente.
[2] Regulamenta o sistema de avaliação para este primeiro período de avaliação.
Há, mas é difícil perceber o quê ou o seu significado:
Desde logo está a existir uma participação bem abaixo da média nas reuniões sindicais. É o que vou sabendo, com reuniões a terem menos de uma mão de participantes e outras mais frequentadas a apresentarem níveis bem inferiores ao que era hábito nessas escolas. Há duas maneiras de se interpretar este facto indesmentível: ou há desmobilização em relação a todo este processo ou há ninguém está muito interessado em consultas, em pleno terceiro período, com as avaliações à porta (o João Paulo Videira vai fazendo um interessante diário das suas impressões, que sigo com interesse, até para ver como é que se vai justificar a opção final a extrair da dita consulta… que não está a correr como previsto).
Por outro lado, é notório em conversas, no clima de comentários e textos em blogues, na troca de mails, que se está a dar um fenómeno próximo daquele que se tem quando um formigueiro está à procura de um rumo depois de o ter tido e de, pelo meio, algo se ter quebrado. Neste caso a minha interpretação é que o final do segundo período foi desaproveitado. Assim como houve quem chegasse tarde a algumas facetas da «luta», desde logo a questão da gestão escolar. Entretidos com a avaliação – que alguns estão desejosos para deixar cair – e com a retórica em torno do Estatuto (a base de tudo), foram desaproveitadas oportunidades que, agora, de forma simbólica estão a ser agarradas por gente que alguns gostam de chamar «rebeldes» ou «irredutíveis gauleses», esquecendo-se que a aldeia do Astérix, apesar das proverbiais zangas entre o peixeiro e o ferreiro (agora mudaram-lhes os nomes, fiquei baralhado), nunca é tomada.
Na sondagem que inclui – e cujos resultados não são manipuláveis ou manipulados como insinuam aqueles que encontram nos outros os seus desejos, práticas e vícios – 50% dos 760 votantes (até este momento, manhã de 5ª feira) inclina-se para a entrega da auto-avaliação (39% sem mais conversa, 11% com a declaração sindical a dizer que são objectores de consciência certificados), enquanto 33% opta pela entrega de outro documento (13%) ou de nada (20%). Quem não faz ideia do que vai fazer soma 17%. Para mim estes números são perfeitamente coerentes com o que acho ter-se passado com os OI, ou seja, um terço dos professores (35-000 de um universo que não é de 140.000 como querem fazer crer, porque há muita gente que não será avaliada) não os entregou e uma parte significativa deles está disposto a ir até ao fim (20 a 25.000? dos 100.000 professores dos quadros que terã0 avaliação?). Para mim este número é muito satisfatório.
Estes sinais valem o que valem, mas deixam uma mensagem clara: não é bom voltar a 2004 ou 2005. Não é boa ideia desbaratar um património de unidade e credibilidade arrancados a ferros em 2007 e 2008 ao massacre ensaiado pelo Ministério.
Nos últimos dias chegaram-me ecos que a data fechada de 16 de Maio para a manifestação começa a ser questionada por diversas razões. Aliás, há mesmo sinais que 16 de Maio começa a ser inconveniente por deficiências por excessiva antecipação de tal data. Problemas de agenda… diria eu.
O que significa que, subitamente e contra o gosto dos actores institucionais (sim, porque o ME adora ter tempo para antecipar as jogas adversárias e saber de antemão o que vai acontecer…), há muita coisa que pode recomeçar a estar em aberto.
É sempre difícil avaliarmos algo em que estivemos inseridos de forma desapaixonada e neutra. Daí as minhas reservas em relação à auto-avaliação .
De qualquer modo aí vão algumas breves notas sobre o debate em que participei na noite que acabou de passar, só com o detalhe de ter chegado cansadíssimo por uma tarde especialmente desgastante.
Ambiente simpático, informal, afável.
Miguel Reis a moderar com eficiência, sobriedade e apenas uma ligeira tendência para deixar as senhoras falar mais que os senhores.
Uma Ana Benavente em ataque cerrado ao governo e ao PS, muito comunicativa e quase fazendo esquecer que esteve na origem de alguns dos erros – nomeadamente o estatuto disciplinar dos alunos – que estragaram muita coisa nos últimos 15 anos.
Cecília Honório naturalmente com a missão de analisar a situação pelos olhos do Bloco e de transmitir uma mensagem política clara, mesmo se ainda um pouco vaga em matéria de políticas específicas.
Manuel Grilo numa postura algo heterodoxa por parte de um sindicalista, abordando as questões de forma menos esetereotipada do que o habitual.
Ana Drago ausente, por doença.
Eu com sede, muita sede, desde cedo no debate porque, por razões de filmagem, o reenchimento do copo nunca chegou a conteser.
Em termos de conteúdo analisou-se mais o passado recente, fazendo o ponto da situação dos erros e equívocos, mas não avançando de forma muito clara para alternativas. Na minha opinião, que expressei em parte, o problema não está na falta de dinheiro, mas sim na sua má utilização.
Percebi qu a perspectiva de quem está todos os dias na escola é diferente de quem a debate no plano das ideias ou que lá vai em visita. Já sabia, apenas confirmei.
Estou farto de o dizer: a Educação vai ser a principal arma de arremesso, juntamente com as prestações sociais, na campanha eleitoral do PS. Engole quem quiser uma promessa anunciada para 2005:
Concursos para escolas dos Territórios de Intervenção Prioritária são ilegais
SPRC IRÁ AGIR JUDICIALMENTE E ADMITE INTERPOR PROVIDÊNCIAS CAUTELARES
Abriram ontem (21.04.2009) os concursos para colocação de professores e educadores nas escolas dos recém criados Territórios Educativos de Intervenção Prioritária (TEIP) que, na região centro, correspondem aos Agrupamentos de Escolas de Marrazes (Leiria), Pardilhó (Aveiro), Idanha-a-Nova (Castelo Branco) e Pedrulha (Coimbra).
Estes concursos que decorrerão até ao dia 27 de Abril estão, nalguns casos, feridos de ilegalidade, pois alguns dos critérios adoptados para o processo de selecção contrariam a lei geral sobre concursos e colocações e a própria portaria regulamentadora.
De entre os critérios ilegais sobressaem, a título de exemplo, a exigência de proximidade de residência fiscal da sede do agrupamento ou a disponibilidade para realizar trabalho de itinerância em regime diurno e nocturno dentro de todo o território educativo no âmbito da ligação à comunidade.
O SPRC alerta, ainda, para outra ilegalidade relacionada com o facto de que, em todos os casos em que os critérios de selecção vão para além da lei geral, os órgãos de gestão dos TEIP estavam obrigados a negociar o regulamento de concursos com as organizações sindicais, aliás, aviso/intenção manifestada pela FENPROF, por ofício e com a devida antecipação.
Tendo em conta o conjunto de ilegalidades de que enfermam estes concursos, o SPRC decidiu agir judicialmente, designadamente admitindo interpor Providências Cautelares, no sentido de impedir o seu prosseguimento.
Na minha leitura do post «a educação do meu umbigo» constatei a vontade expressa de se debater as formas de luta para a continuação da luta dos professores, assim resolvi enviar um texto meu para podermos discutir argumentos, contribuindo assim para o debate que se deve travar nas escolas durante esta semana.
Obrigado
Já fiz parte de um sindicato, até fui companheiro do Nogueira, hoje não sou sindicalizado porque os sindicatos foram-se afastaram da classe, tornando-se uma cúpula distante da maioria dos problemas dos professores.
Na luta do ano passado e deste ano os sindicatos aproximaram-se outra vez do sentimento maioritário dos professores, mas ainda está na minha memória uma ida aos escritórios de Guimarães do SPN onde fui mal recebido. Mas voltei a sentir que deveria contribuir para esta luta para além da minha participação, por exemplo monetariamente, pelo que analiso e monitorizo a evolução da actual situação para me decidir sobre se voltarei a ser sindicalizado.
Temos estado a aguardar a evolução das negociações entre sindicatos e governo e portanto a luta deveria ter estado parada, mas é altura de se começar a pensar nas formas de luta a executar no terceiro período de 2008/2009.
Os sindicatos propõe a realização de uma manifestação, o Guinote propõe a não entrega da autoavaliação e outros propõem uma greve mais prolongada, de 3 a 5 dias.
O tipo de luta a travar-se deverá ter em conta o contexto político, ano de eleições, com o PS a perder a maioria absoluta nas sondagens, mesmo com uma oposição fraca pelo que a luta deve evitar ser muito radical de forma a não perturbar em demasia o contexto político. Além disso, do ponto de vista sindical, o afastamento dos sindicatos das escolas no segundo período levou a alguma desmobilização da luta, pelo que se deve avançar para a luta através de processos mobilizadores e o debate nas escolas é um meio de voltar a mobilizar os professores, tendo-se o cuidado de levar posições construtivas e de diálogo (aqui estou de acordo com o Guinote que se deve partir para o diálogo com mentes abertas). Depois sou adepto de se apostar na manifestação como segundo passo, capaz de continuar a mobilização. Se conseguirmos ter pelo menos 100000 professores na rua seria de voltar ao diálogo dentro da classe para se decidir uma greve, ou por altura das avaliações ou dos exames, que perturbe para manter a pressão política mas não seja demasiado radical para não virar a opinião pública a favor do governo.
Já sobre a proposta do colega Guinote, parece-me a menos interessante, porque remete a luta para o 1º período do próximo ano lectivo, o que me parece demasiado tarde do ponto de vista político e desmobilizador do ponto de vista dos professores, pois sabemos que só um terço não apresentou os OI, pelo que não devemos esperar melhor resultado passados seis meses, ainda por cima com um processo eleitoral em curso, que dará desculpas a alguns para dizerem que vão lutar com o voto …
Dezassete dias depois do final do prazo para estarem desencadeados os procedimentos concursais para Director, finalmente…
Mais vale tarde…
Embora não seja o PR, que promulgou a lei, o mais óbvio destinatário…
Sua Referência:
Nossa Referência: FP-071/2009
Data: 17/04/2009 A Sua Excelência
O Senhor Presidente da República
Palácio de Belém
Praça Afonso de Albuquerque
1300-004 LISBOA
Assunto: Solicitação de requerimento de fiscalização abstracta da constitucionalidade e da legalidade de artigos do DL 75/2008, de 22 de Abril
Excelência,
A Federação Nacional dos Professores (FENPROF), dirige-se a Vossa Excelência, ao abrigo do artigo 281º da Constituição, para lhe solicitar que requeira ao Tribunal Constitucional a fiscalização abstracta da constitucionalidade e da legalidade dos artigos 13º alínea b), 20º n.º7, 21º nºs 1 a 5, 61º nº1 alínea c) e 62º n.º5 do Decreto Lei n.º 75/2008, de 22 de Abril, o que faz nos termos e com os fundamentos seguintes:
1º O Decreto Lei 75/2008, de 22 de Abril (DL 75/2008) aprovou o “regime de autonomia, administração e gestão dos estabelecimentos públicos da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário”, sucedendo ao Decreto Lei 115-A/98, de 4 de Maio na legislação sobre essa matéria.
2º Veio agora o DL 75/2008 criar uma nova figura, a do director, criando assim um órgão unipessoal para o exercício daquelas funções e competências, num quadro legal que não respeita alguns dos princípios fundamentais a que o legislador ordinário deve obediência.
3º O artigo 13º alínea b) do citado diploma legal, estabelece que compete ao conselho geral a eleição do director, assim estatuindo a eleição indirecta daquele por um órgão representativo.
Por sua vez, o artigo 48º, n.º4 da Lei de Bases do Sistema Educativo impõe a democraticidade como princípio basilar da administração e gestão dos estabelecimentos de educação e ensino.
4º – O disposto no artigo 21º nºs 1 a 5 contém o procedimento de recrutamento do director.
Assim:
Aí é atribuída competência para a sua eleição ao conselho geral, estabelece-se a fixação de um procedimento de natureza concursal, prévio à eleição por aquele órgão, assim como as condições limitativas que os candidatos deverão reunir para poderem ser opositores ao concurso e consagra-se ainda a nomeação do subdirector e dos adjuntos pelo director.
O que contraria os princípios da democraticidade, participação de todos os docentes e sua elegibilidade, plasmados nos artigos 3º alínea l), 46º n.º1 e 48º nºs 2, 4 e 6 da LBSE.
5º – O artigo 20º, nº 7 estabelece que “O director pode delegar e subdelegar no subdirector e nos adjuntos as competências referidas nos números anteriores”.
Este preceito legal conjugado com o artigo 21º n.º 5 demonstra inequivocamente a viabilidade do exercício de todas as competências do director por um elemento do órgão de gestão não eleito, antes nomeado, em clara contradição com a democraticidade a que a administração e gestão dos estabelecimentos de educação e ensino se encontra adstrita.
6º – O artigo 61º nº 1 alínea c) atribui ao conselho geral transitório a competência de “proceder à eleição do director, caso tenha já cessado o mandato dos anteriores órgãos de gestão e não esteja ainda eleito o conselho geral”.
Mantém-se, tal como na competência atribuída ao conselho geral, a eleição do director por voto orgânico, não universal.
7º – Do mesmo modo, o artigo 62º n.º5 do DL 75/2008, de 22 de Abril, prevê que “no caso de o conselho geral não estar constituído até 31 de Março de 2009, cabe ao conselho geral transitório desencadear o procedimento para recrutamento do director e proceder à sua eleição.
Mais do que um expediente excepcional, o que se verifica em todos os momentos e competências para a eleição do director, é o facto de esta se verificar sempre por votação não universal e indirecta. Nos termos deste diploma legal e dos artigos supra citados a eleição nunca ocorre por votação directa e universal.
8º – Do disposto nos artigos acima referenciados e concretizados resulta a violação das normas dos artigos 3º, alínea l), 46º n.º1 e 48º nºs 2, 4 e 6 da LBSE, em obediência ao artigo 77º da CRP, também ferido no seu conteúdo pelas normas supra citadas do DL 75/2008, de 22 de Abril e, em última instância, pelo seu capítulo III.
Senão vejamos:
O DL 75/2008 tem, necessariamente, de se subordinar à Lei de Bases do Sistema Educativo (LBSE), lei de valor reforçado em obediência ao artigo 112º, n.º3 da CRP. A LBSE é muito clara ao enunciar, entre os seus princípios organizativos, o principio do desenvolvimento do espírito e da prática democráticas “através da adopção de estruturas e processos participativos na definição da política educativa, na administração e gestão do sistema escolar e na experiência pedagógica quotidiana…”.
Essas mesmas regras são depois desenvolvidas no Capítulo VI da LBSE, com especial relevância no caso vertente para os artigos 46º n.º1 e 48º nºs 2, 4 e 6. Aí, sempre na prossecução do artigo 77º da CRP, são confirmados e concretizados os princípios da democraticidade e da participação.
Trata-se de um núcleo essencial que não pode ser afectado pelo legislador ordinário.
9º – Não obstante, a realidade é que o DL 75/2008 afecta de forma clara o conteúdo daquelas normas da LBSE, na medida em que consagra um sistema confuso que se traduz numa primeira fase concursal e numa segunda fase de votação orgânica indirecta dos opositores ao concurso que tenham sido apurados na primeiro fase. Não é, deste modo, garantida a democraticidade e participação de todos no procedimento de escolha do director.
10º – Quanto mais não fosse o estabelecimento de regras concursais para a primeira fase deste expediente híbrido impede a ilegibilidade de todos os docentes, em clara violação de uma organização democrática da escola. Um processo de selecção é, em tudo, diferente de uma eleição.
11º – Acresce que o próprio subdirector, que por delegação pode exercer todas as competências daquele, é nomeado pelo director e pode ser por ele exonerado a todo o tempo. O que se traduz, concretamente, no facto de a administração e gestão dos estabelecimentos de ensino poder ser exercida por escolhidos e não por eleitos.
12º – Também o facto de o director poder ser alguém exterior à escola (artigo 21º DL 75/2008) contende com o artigo 48º da LBSE no seu n.º4.
13º – O diploma legal em apreço e as normas citadas revelam o desrespeito do legislador ordinário quanto aos princípios orientadores e objectivos da administração das escolas num quadro de autonomia, por não respeitarem a LBSE e a CRP, num quadro onde agora prevalecem critérios administrativos sobre critérios pedagógicos e científicos.
Ora, tal regime legal é violador do principio da hierarquia das normas – artigo 112º, da CRP – por permitir que uma lei ordinária viole preceitos de uma lei de valor reforçado que é a CRP e do próprio artigo 77º da CRP. Mostra-se também violado o princípio da igualdade consagrado no artigo 13º, da CRP, na medida em que não é assegurada sequer a elegibilidade de todos os operadores educativos para a administração e gestão das escolas públicas.
Em face do exposto, a FENPROF solicita a Sua Excelência, o Senhor Presidente da República, que requeira ao Tribunal Constitucional a fiscalização sucessiva e abstracta da constitucionalidade e da legalidade dos artigos 13º alínea b), 20º n.º7, 21º nºs 1 a 5, 61º nº1 alínea c) e 62º n.º5 do Decreto Lei n.º 75/2008, de 22 de Abril, na medida em que violam os princípios constitucionais do Estado de Direito Democrático, da igualdade, da hierarquia das fontes de direito, consagrados respectivamente, nos artigos 2º, 13º e 112º, da CRP, violações devidamente identificadas em relação a cada um dos mencionados preceitos legais.
Receba, Sua Excelência, os nossos melhores cumprimentos.
Desculpa o atrevimento e o incómodo que possamos causar, mas precisávamos de uma opinião.
Vou resumir-te o caos instalado na minha “escolinha, a tempo inteiro em regime feudal”:
Em Setº de 2008, aquando da eleição do CGT, foi o presidente da minha escola que conduziu o processo.
Não foi feita a afixação dos cadernos eleitorais.
Não houve prazo para reclamações dos cadernos eleitorais.
Não houve prazo para reclamação entre a afixação das listas e o acto eleitoral.
Não houve reunião para a constituição da mesa de voto, foi nomeada pelo CE.
O Prazo limite para a constituição das listas e divulgação pública das mesmas era o dia 19 de Setembro (sexta) de 2008, sendo o acto eleitoral marcado para o dia 24 de Setembro de 2008. A única lista apresentada foi afixada na tarde de 23 (terça) de Setembro com data de 19 do mesmo mês e a eleição aconteceu imediatamente no dia seguinte, 24 de Setembro de 2008.
É claro que protestámos através do Sindicato, mas conseguiram enganar-nos e pôr a escola contra os requerentes do esclarecimento. O clima na escola, como deves imaginar, é de cortar à faca. Deve ser em todas!
Mais tarde, enviaremos imagens dos diversos documentos.
Fizemos moções, greves, manifestações, (…) toda a escola.
Dos 130 profs, menos de 30 entregaram os Obj Individuais.
Entretanto, temos andado sempre na linha da frente da contestação e agora queremos, interpor recurso e impugnar esta fase da eleição do Director. Temos assistido a uma verdadeira batalha campal, a mais uma actuação vergonhosa! “Todos” querem ser directores. “amigos de décadas” encontram-se agora a comandar exércitos inimigos… “Generais” anunciam retirada à sexta-feira, para gritarem retorno ao “comando” no dia útil seguinte. Convidam-se sucessores ao “trono” à mesa do jantar do grupo dos “amigos de décadas”, para na manhã seguinte os surpreender com uma posição diametralmente oposta…
Até nós, que estamos há poucos anos na escola e fomos alvo das maiores desconsiderações (até perseguições), acusados de querermos “destruir a escola deles”, consideramos estas actuações entre “eles” inadmissíveis.
Homens crescidos que agem como os miúdos que lutam por um mesmo brinquedo! Que se atropelam e se predam entre si.
Impensáveis alianças surgem nos bastidores, conluios e pequenas e conjunturais acções combinam-se pelos cantos e recantos. Manipulam-se interesses pelos interesseiros-mor do feudo. São os horários feitos à medida do tamanho do pé, os favores que se pagam e se cobram, os podres tornam-se visíveis…
E apesar de já termos sentido na primeira pessoa a acção destes “exemplares senhores e donos daquela escola”, não gostamos de viver ao lado de “gentinha gentalha” que age com os colegas de trabalho e de lazer como o estão a fazer actualmente.
Emissário devidamente identificado que solicitou anonimato
(e que enviou já os documentos a que se alude no depoimento)
Em primeiro lugar, como mãe e encarregada de educação, a tua CONFAP não me representa, assim como à maioria dos pais deste país, porque todos sabemos quem Tu És, pelo menos Eu Sei!
Em segundo, como leitora e comentadora no blogue “A educação do meu Umbigo”, sinto-me atingida na minha dignidade, como pessoa e como professora, por teres utilizado levianamente a expressão umbigo mentiroso.
Gostaria, ainda, que me elucidasses o intuito da afirmação:“Atento o período excepcional que vamos viver até Outubro…”, porque percebe-se nas “entrelinhas” que algo, já foi ou está, a ser “cozinhado”, lá para as bandas da 5 de Outubro.
Antes de fazeres acusações e ameaças devias pôr a mão na consciência (caso a tenhas), pensando nos “telhados de vidro“ que te acompanham! E o melhor é ficar por aqui, pois não participo em jogos pouco transparentes!
Aliás, só uma pessoa mal formada profere frases do tipo:” Não me importo de lá colocar mais alguns pulhas de circunstância!”, mas se quiseres podes acrescentar o meu nome a essa lista!
Faz um favor aos alunos, aos pais, aos professores e, principalmente, a ti próprio e “sai de cena”, pelo menos por respeito às tuas filhas.
Será que te consideras Alguém importante que mereça ser vítima de uma cabala?!
O Francisco Santos elaborou um longo texto – estranho em quem acusa outros de teclarem até às tantas da noite – para justificar porque vai entregar a sua ficha de auto-avaliação nos moldes exigidos pelo ME.
A argumentação é palavrosa, não esconde os remoques para comigo, faz por disfarçá-los em trocadilhos simples, mas reduz-se ao facto de ele querer ter classificação pelo seu desempenho e não recusar o «princípio da avaliação». No meu caso, não escondo a quem me dirijo. Questões de frontalidade e mau feitio.
Mais interessante, para um contestatário que afirma «estar em todas» e que critica o facto de termos pedido pareceres ao dr. Garcia Pereira, depois mostra-se um responsável cumpridor das leis do ME, contra as quais andou a gritar de punho erguido por manifestações, cordões e outras acções.
Afirma Francisco Santos (gosto de citar directamente e não de aludir de forma vaga, distorcendo argumentos alheios):
* Não tendo entregue (nem pretendendo entregar) nenhum documento com os OI’s, mas exigindo o meu direito a ver avaliado o trabalh0 que desenvolvi ao longo destes dois anos, só entregando a minha auto-avaliação posso fazer valer esse meu direito;
* Não entregar a ficha de auto-avaliação é, não só não cumprir a lei, como também afirmar que não se quer ser avaliado;
* Só quem entregar a ficha de auto-avaliação pode obrigar o PCE a atribuir uma classificação pelo serviço desempenhado;
* Só entregando a ficha de auto-avaliação, e dando cumprimento à lei, se pode contestar uma decisão de não avaliação e não progressão na carreira, que venha a ser determinada pela administração;
* Só tendo na mão o recibo de entrega da ficha de auto-avaliação se pode desencadear um processo de recurso hierárquico, e posterior procedimento de contestação jurídica da não avaliação e não progressão na carreira.
Tudo isto é caricato e desmontável de modo tão simples que até confrange. Mas a parte mais estranha da argumentação é aquela em que se diz que só com o recibo da entrega obediente da auto-avaliação, cumprindo a lei, é que se pode «desencadear um processo de recurso hierárquico, e posterior procedimento de contestação jurídica da não avaliação e não progressão na carreira».
Mas então se o Francisco cumpriu a lei, de forma obediente e cordata – nem sequer admitindo que a lei esteja ferida de inconstitucionalidades – como vai contestar a «não-avaliação» e «não-progressão»?
Mas então se o Francisco achava que o modelo era mau, que devia ser suspenso, que não conduzia a nenhuma avaliação justa, submete-se a ela para não se ver penalizado?
Belos lutadores estes que, perante um perigo real, se refugiam no cumprimento da lei que contestavam.
Pior, refugiam-se na obrigatoriedade de uma auto-avaliação inscrita no ECD que dizem ser a origem de todos os males. E aderem de forma simpática às estatísticas do ME e ao modelo de avaliação subjacente à partição da carreira.
Bela luta.
E depois querem defender isso como se fosse coerente.
Ao menos podiam ficar-se por esta admissão, bem mais transparente:
Pedir agora que não se cumpra a lei, e com isso que cada um se auto-penalize, é que é aprofundar divisões desnecessárias.
E eu é que sou tacticista. E ninguém chamou «traidor» a quem entregou os OI. Desafiaria o Francisco a procurar um texto em que o fiz. Ahhh, claro o Francisco não nomeia ninguém, para além da Reb, que é para se manter livre de um contraditório frontal.
Belos candidatos a sindicalistas estes… Belos exemplos que dão… Primeiro assegura-se a vidinha, o resto vem a seguir.
Divisões? Já as há! Desde logo quando se adjectivam aqueles de quem se discorda de forma sardónica, como se fossemos obrigados a seguir a atitude de quem levou um ano a espreitar movimentos, sindicatos e tudo o que foi reunião, para entrar, tentar encostar-se e depois sair, até encontrar refúgio aprazível, sempre com a desculpa da coerência.
Porque como eu e o ele sabemos, quem andou de porta em porta não fui eu, a Reb ou os que ele designa de forma condescendente como «rebeldes».