Todas as expectativas ainda sobre a mesa, mas já sabemos que não bastam alguns corajosos, militares ou não.
Um dia 25 de Abril cheio de inspiração para todos.
Enquanto há força
No braço que vinga
Que venham ventos
Virar-nos as quilhas
Seremos muitos
Cantai rapazes
Dançai raparigas
E vós altivas
Cantai também
Levanta o braço
Faz dele uma barra
Que venha a brisa
Lavar-nos a cara
Seremos muitos
Seremos alguém
Cantai rapazes
Dançai raparigas
E vós altivas
Cantai também
O 25 de Abril de 1974 pode dar-nos muitos ensinamentos para as lutas pela liberdade, a democracia, a dignidade, o desenvolvimento que travamos hoje.
Tivesse a maioria de nós, professores, a coragem e a determinação daqueles capitães e esta cambada de socratinos já nos teria desamparado a loja há muito tempo.
Há 35 anos atrás havia ministros de Marcelo Caetano que não tinham problemas em enviar milhares de jovens matar e morrer para as guerras de África ou antifascistas para as masmorras da PIDE. Mas uriraram e defecaram pelas pernas abaixo quando viram avançar as metralhadoras e os carros de combate de Salgueiro Maia.
Os governantes de hoje, se se vissem em tais apertos, perderiam a compostura ainda mais depressa.
estava no 1º ano da Faculdade…de Letras…em Coimbra!
( Alguns dos senhores que hoje estão nos grandes lugares de poder, foram meus contemporâneos na faculdade… como mudaram!!!)
Vivi o SONHO em 1ª mão!
25 de Abril… SEMPRE!!!
25 de Abril… TODOS OS DIAS!!!
Um bom 25 de Abril para todos!
Eu andava no liceu (na altura chamava-se assim), éramos jovens atentos e críticos em relação à conjuntura e, sobretudo, não nos calávamos contra uma guerra obsoleta. Por algumas vezes, ao portão, quando nos juntávamos em grupos (de mais de 5) chegámos a ouvir da voz da autoridade: “vamos a dispersar!”…
Nunca acreditei voltar a assisitir a alguns descalabros, mas tenho a convicção de que também podemos construir a mudança e não atirar para o esquecimento os versos de Sophia:
Esta é a madrugada que eu esperava
o dia inicial inteiro e limpo
onde emergimos da noite e do silêncio
e livres habitamos a substância
— Liberdade, que estais no céu…
Rezava o padre-nosso que sabia,
A pedir-te, humildemente,
O pio de cada dia.
Mas a tua bondade omnipotente
Nem me ouvia.
— Liberdade, que estais na terra…
E a minha voz crescia
De emoção.
Mas um silêncio triste sepultava
A fé que ressumava
Da oração.
Até que um dia, corajosamente,
Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,
Saborear, enfim,
O pão da minha fome.
— Liberdade, que estais em mim,
Santificado seja o vosso nome.
Muito interessante a citação de Carlyle por parte do jornalista Manuel António Pina:
” as revoluções são sonhadas por idealistas e realizadas por fanáticos, e quem se aproveita delas são os oportunistas de todas as espécies”. Assenta como uma luva à nossa História!
Então lembras-te do picadeiro na Praça da República, das tardes de estudo no “Piolho”, dos convívios na “Clepsidra”, dos espectáculos LIVRES, das RGPs e AMs do Gil Vicente, dos vários grupos artístico/ culturais da Academia ( passei pelo TEUC- breve- e pelo GEFAC- quase 5 anos)…Entrei no curso de Filologia Germânica em Set. 1973 e saí em Set. 1978 para começar a dar aulas em Torre de Moncorvo.
Voltei a Coimbra nos anos seguintes para jantares de aniversário e matar saudades dos melhores anos da minha vida. Uns oito ou dez anos depois desisti de aparecer…a nova burguesia tinha nascido. Os ” burgueses revolucionários” tinham nascido! Talvez por ser ” reles professora” não “ascendi” socialmente! Não tinha nenhum cargo, nenhum escritório, nenhum gabinete, nenhuma sociedade, nenhum carro xpto para mostrar, nenhum cargo que fizesse jeito… e deixei de ir. Aqueles com quem tinha aprendido e vivido Abril, estavam a matá-lo à frente dos meus olhos!
Não voltei a Coimbra! Não quero outra imagem de Coimbra!
Eu sou dos que andavam na 4ª classe em 1974. Fiz o 2º ciclo durante o PREC e apanhei a ressaca pós-revolucionária no secundário.
Quando cheguei à Faculdade de Letras de Coimbra, em 1982, já encontrei instalada a geração que se formou logo a seguir ao 25 de Abril, que saneou os professores do antigamente e se instalou nos lugares deles. Entretanto readmitiram os saneados e ficaram por lá uns e outros.
Nós olhávamos para a mediocridade de muitos deles, mas apercebíamo-nos de que a revolução para nós tinha chegado tarde: ali já não havia espaço para nós!…
Eu entrei dois anos antes em Coimbra na F. História.
Os Catedráticos não nos davam aulas, nem apareciam, só os assistentes, retirando o reis Torgal e o da Pré- História o qual não me lembro o nome.
havia um , salvo erro Pedro reis da história das Artes.
Foi o ano em que os alunos fizeram uma greve contra um dos professores catedráticos, um tipo da História das Mentalidades que foi substituir a assistente que entrou em férias devido ao parto…deu uma aula, de um livro da editorial estampa, cujo nome salvo erro se chamava Lutero. Leu os capítulos, sendo o 1º: Lutero homem normal ou tarado sexual.
Acabou de ler o índice e acabou a aula de 90 mns pois tinha uma conferência para dar.
Nó enfiamos um cartaz nas catacumbas à entrada do anfiteatro 1 com o resumo da aula e abaixo assinados. Estivemos em greve durante 1 mês.
O homem não voltou a aparecer.
Segundo afirmações do nosso primeiro, no 25 de Abril, ele andava no 7º ano no Liceu da Covilhã. Eu também por lá andava, embora mais atrasada, e não me lembro desta figura de relevo(!). Naturalmente foi devido ao facto de as raparigas não poderem frequentar o pátio inferior destinado ao sexo masculino. Coisas do sistema.
No 25 de Abril de 74 estava no 6º ano do Liceu. Vivi durante esses anos a “crescer” para uma consciência que até então me havia sido toldada. Hoje gostaria de poder continuar a acreditar que as portas que Abril abriu jamais se poderão fechar!
A minha homenagem a Salgueiro Maia. O homem que evitou o derramamento de sangue e se afastou, abdicando de qualquer cargo no “poleiro”.
Grande homem! A sua simplicidade e maneira especial de ver a vida culminou na afirmação «o gajo ganhou», referindo-se ao cancro que o vitimou em 1992.
Também sou de História. Recordo-me desse episódio, mas já não sei se por ter visto os cartazes se por ter ouvido contar. Conheci alguns colegas do teu curso. Os de Arqueologia, por exemplo, faziam connosco a cadeira de Matemática, que para eles era só no 3º ano. E já no fim do curso houve vários que, tal como eu, foram trabalhar para os Açores.
O comentário 29 é meu. Peço desculpa pela identificação errada. Foi alguém que há bocado não resistiu a comentar num outro post. Mas a senhora escrevia muito mal e mandei-a embora…
Verificando as consequências e a situação acual do país, a sua destruição progressiva, a destruição dos valores, da soberania, do orgulho, em nada comemoro o 25 de Abril. O Portugal actual transformkou-se num esgoto e os partidos políticos autênticas “associações de malfeitores”. Tenho pena, muita pena, mas foi nisto que este pulhas me transformaram!
Então devo mesmo conhecer-te. Estive dois anos em S. Jorge, mas nas Velas. Terás sido colega, na Calheta, da Helena Paula, do teu curso, que depois veio para as Velas?
Tive uma colega de curso que se não me falha a memoria se chamava helena, não sei se é a mesma, mas que se casou com um açoriano e ficou a dar aulas na universidade dos Açores.
Eu estava na Calheta de s. jorge.
estive lá 11 anos + ou -.
Deve ser a mesma colega de quem falamos. Realmente o mundo é pequeno. Mas 11 anos numa ilha pequena como S. Jorge é quase uma eternidade! Eu, embora tenha trazido saudades dos meus 2 anos dos Açores, recordo a dificuldade com que quem ia do continente suportava aquele isolamento das ilhas pequenas.
#37 António Duarte
exacto.
Ainda me lembro dos 1ºs anos em que devido ao mau tempo o barco da ilhas deixava de aportar , e ficávamos quase um mês sem transporte alimentar, e o que encontrávamos no supermercado era quase nada.
Estava nos Açores quando houve a passagem da tempestade tropical e da queda do avião da sata.
Cheguei lá quando o Mota Amaral nesse ano ou no seguinte se demitiu.
Eu fui logo que acabei o curso. Estive lá de 1986 a 1988. No 2º ano adquiri vínculo e regressei. Antes tinham estado por lá alguns colegas teus de curso, que foram verdadeiros “pioneiros”: a Helena Paula, o Nuno Matos, o Alemão…
POIS ERA TOLLWUT..EU EM SANTA MARIA QUANDO O VENTO ERA FORTE E O TEMPO INVERNOSO….OS 2 SUPERMERCADOS QUE EXISTIAM NA ILHA …NÉPIA…
foram dois anos nas ilhas da bruma…mas foram anos de grandes amizades …as ilhas reforçam os laços…todos dependemos de todos….é claro que por vezes era asfixiante…pouco espaço para a privacidade…mas compensava…guardo boas recordações e ainda hoje mantenho contactos na ilha ..e já lá fui 2 vezes…e espero lá ir outra..onde dormir tenho…as verdadeiras amizades das ilhas da bruma são para sempre…
Quando lá estive, a ilha de S. Jorge vivia, praticamente, da monocultura da vaca. Ou melhor, da carne e do queijo, pois até o leite vinha de fora…
Rádio e televisão, só havia os canais locais e acabavam salvo erro à meia-noite. E de vez em quando vinha o Mota Amaral à televisão, com ar sisudo, fazer uma espécie de conversas em família…
#42 BB
estiveram nas velas de s. jorge.
Por acaso nessa altura apareciam bandas mesmo boas…
Qto ao que dizes é verdade. Era duro no Inverno mas a malta arranjava espaço e tempo para convívio, e mesmo com mau mau tempo iamos para as fajâs comer e berber na casa de amigos.
Essa amizades tal como dizes…
tenho andado nestes ultimos tempos a ver demasiadas fotos de S. Jorge, não é nada bom…pois o que lá há aqui não há… verdadeiras amizades das ilhas da bruma são para sempre…
#43 António Duarte.
eram as vacas e o queijo.
Televisão era a dos Açores, que só passavam festas religiosas e telejornal com o Mota Amaral.
lembro-me que numa casa no Topo um casal tinha ao lado dos santos e das velas a foto do Mota Amaral.
Ahhh, e as famosas festas do Topo conhecidas pelas festas da merd@?
Mas em Santa Maria tinham um bom aeroporto. O de S. Jorge além de pequeno tinha ventos cruzados que com mau tempo eram traiçoeiros. No Inverno ficávamos às vezes dias a fio sem barco e sem avião. Isolamento total.
E os Impérios..?.ui..uma vez saímos da discoteca as 6 da manhã e fomos directos ao império..pequeno almoço ..os 30 anos permitiam isso…viva o cozinheiro…no meu tempo no 2º ano em 1994 já tínhamos 8 canis graças a parabólica que o dono da casa tinha metido…MTV e Euro News..um luxo…no avião que tu referiste ia um colega nosso padre..foi presidente da escola das Flores…foi colega meu em Santa Maria e foi a pessoa que nos alugou a casa nesse ano.. um tipo porreiro não merecia morrer daquela maneira…enfim é a vida…
È verdade António…as piores ilhas quando havia mau tempo- ao que diziam- eram o de S.Jorge e Flores…os ingleses em Santa Maria fizeram um bom trabalho..até lá aterrava o Concorde..só o vi no céu uma vez…já ia no ar…que barulho…
#47 António Duarte
Exactamente. O local, o Ilhéu do topo para onde as vacas iam a nadar.
O aeroporto em S. Jorge era lixado, a maioria das x nem os aviões aterravam por causa dos ventos cruzados, Uma vez sai de S. Miguel debaixo de um temporal desgraçado, mudei na terceira e parti ao fim da tarde, o avião entra no canal de s. jorge, e só nuvens, continua a descer e repentinamente sobe…acabávamos de voltar para a terceira…fiquei uma semana retido na Terceira a pagar do bolso o alojamento e a alimentação.
#49 BB
depois desse desastre da sata em S. Jorge no monte da esperança, contrataram pilotos ingleses. No final do 1º dia recusaram-se a aterrar em S. jorge, pois não aterravam a olho… Os nosso fazem isso.
O ilhéu do Topo era largo e baixo, mas na outra ponta da ilha havia um que era estreito e alto. Chamavam-lhe – é mesmo a designação oficial – ilhéu do Caralhoto!
O ilhéu do Topo era largo e baixo, mas na outra ponta da ilha havia um que era estreito e alto. Chamavam-lhe – é mesmo a designação oficial – ilhéu do Car@lhoto!
#53 António Duarte
exacto, mas o mais conhecido era o das vacas.
Além da tal festa do topo, havia a festa dos tremoços na Calheta, onde se comia e bebia de borlex …até às tantas.
Abril 25, 2009 at 12:10 pm
Que as portas que Abril abriu nunca voltem a fechar-se.
Bom feriado a todos!
Abril 25, 2009 at 12:12 pm
Todas as expectativas ainda sobre a mesa, mas já sabemos que não bastam alguns corajosos, militares ou não.
Um dia 25 de Abril cheio de inspiração para todos.
Abril 25, 2009 at 12:18 pm
25 de Abril Sempre.
Abril 25, 2009 at 12:31 pm
25 de Abril de 2009.
Os capitães professores estão em luta … Abril é para cumprir!
Abril 25, 2009 at 12:32 pm
La nuit n’est jamais complète
Il y a toujours, puisque je le dis
Puisque je l’affirme
Au bout du chagrin une fenêtre ouverte
Une fenêtre éclairée
Paul Éluard.
Abril 25, 2009 at 1:00 pm
http://bulimunda.wordpress.com/2009/04/25/liberdade-por-paul-eluard/
Abril 25, 2009 at 1:12 pm
Fotos fantásticas!
Este dia continua a emocionar-me.
Abril 25, 2009 at 1:20 pm
Justifica-se o original:
Liberté (Paul Eluard)
Sur mes cahiers d’écolier
Sur mon pupitre et les arbres
Sur le sable de neige
J’écris ton nom
Sur les pages lues
Sur toutes les pages blanches
Pierre sang papier ou cendre
J’écris ton nom
Sur les images dorées
Sur les armes des guerriers
Sur la couronne des rois
J’écris ton nom
Sur la jungle et le désert
Sur les nids sur les genêts
Sur l’écho de mon enfance
J’écris ton nom
Sur tous mes chiffons d’azur
Sur l’étang soleil moisi
Sur le lac lune vivante
J’écris ton nom
Sur les champs sur l’horizon
Sur les ailes des oiseaux
Et sur le moulin des ombres
J’écris ton nom
Sur chaque bouffées d’aurore
Sur la mer sur les bateaux
Sur la montagne démente
J’écris ton nom
Sur la mousse des nuages
Sur les sueurs de l’orage
Sur la pluie épaisse et fade
J’écris ton nom
Sur les formes scintillantes
Sur les cloches des couleurs
Sur la vérité physique
J’écris ton nom
Sur les sentiers éveillés
Sur les routes déployées
Sur les places qui débordent
J’écris ton nom
Sur la lampe qui s’allume
Sur la lampe qui s’éteint
Sur mes raisons réunies
J’écris ton nom
Sur le fruit coupé en deux
Du miroir et de ma chambre
Sur mon lit coquille vide
J’écris ton nom
Sur mon chien gourmand et tendre
Sur ses oreilles dressées
Sur sa patte maladroite
J’écris ton nom
Sur le tremplin de ma porte
Sur les objets familiers
Sur le flot du feu béni
J’écris ton nom
Sur toute chair accordée
Sur le front de mes amis
Sur chaque main qui se tend
J’écris ton nom
Sur la vitre des surprises
Sur les lèvres attendries
Bien au-dessus du silence
J’écris ton nom
Sur mes refuges détruits
Sur mes phares écroulés
Sur les murs de mon ennui
J’écris ton nom
Sur l’absence sans désir
Sur la solitude nue
Sur les marches de la mort
J’écris ton nom
Sur la santé revenue
Sur le risque disparu
Sur l’espoir sans souvenir
J’écris ton nom
Et par le pouvoir d’un mot
Je recommence ma vie
Je suis né pour te connaître
Pour te nommer
Liberté
Paul Eluard
Abril 25, 2009 at 1:23 pm
Lembro-me de um dia de 3ª Classe diferente… de uma revolução de cravos…
Lembro-me dos olhares de esperança…
Lembro-me da liberdade responsável… porque ela já nem sempre “mora aqui”!
Abril 25, 2009 at 1:24 pm
Não “vivi” esse dia porque era criança em país estranho!
Mas sei O QUE SOU e QUEM SOU.
NINGUÉM ME CALARÁ!
UM BOM DIA PARA TODOS!
Abril 25, 2009 at 1:26 pm
Enquanto Há Força
Zeca Afonso
Enquanto há força
No braço que vinga
Que venham ventos
Virar-nos as quilhas
Seremos muitos
Cantai rapazes
Dançai raparigas
E vós altivas
Cantai também
Levanta o braço
Faz dele uma barra
Que venha a brisa
Lavar-nos a cara
Seremos muitos
Seremos alguém
Cantai rapazes
Dançai raparigas
E vós altivas
Cantai também
Abril 25, 2009 at 3:39 pm
O 25 de Abril de 1974 pode dar-nos muitos ensinamentos para as lutas pela liberdade, a democracia, a dignidade, o desenvolvimento que travamos hoje.
Tivesse a maioria de nós, professores, a coragem e a determinação daqueles capitães e esta cambada de socratinos já nos teria desamparado a loja há muito tempo.
Há 35 anos atrás havia ministros de Marcelo Caetano que não tinham problemas em enviar milhares de jovens matar e morrer para as guerras de África ou antifascistas para as masmorras da PIDE. Mas uriraram e defecaram pelas pernas abaixo quando viram avançar as metralhadoras e os carros de combate de Salgueiro Maia.
Os governantes de hoje, se se vissem em tais apertos, perderiam a compostura ainda mais depressa.
Abril 25, 2009 at 4:01 pm
Em 25 de Abril de 1974…
estava no 1º ano da Faculdade…de Letras…em Coimbra!
( Alguns dos senhores que hoje estão nos grandes lugares de poder, foram meus contemporâneos na faculdade… como mudaram!!!)
Vivi o SONHO em 1ª mão!
25 de Abril… SEMPRE!!!
25 de Abril… TODOS OS DIAS!!!
Abril 25, 2009 at 4:01 pm
Viva o 25 de Abril, Viva a Liberdade
Abril 25, 2009 at 4:40 pm
Nada a acrescentar ao que diz Fcp. Tb eu estava exactamente no mesmo sítio e também na F. de Letras em Coimbra.
Abril 25, 2009 at 4:59 pm
12#Andam a abusar porque o mar está manso…
Até ver.
Abril 25, 2009 at 5:03 pm
Um bom 25 de Abril para todos!
Eu andava no liceu (na altura chamava-se assim), éramos jovens atentos e críticos em relação à conjuntura e, sobretudo, não nos calávamos contra uma guerra obsoleta. Por algumas vezes, ao portão, quando nos juntávamos em grupos (de mais de 5) chegámos a ouvir da voz da autoridade: “vamos a dispersar!”…
Nunca acreditei voltar a assisitir a alguns descalabros, mas tenho a convicção de que também podemos construir a mudança e não atirar para o esquecimento os versos de Sophia:
Esta é a madrugada que eu esperava
o dia inicial inteiro e limpo
onde emergimos da noite e do silêncio
e livres habitamos a substância
Abril 25, 2009 at 5:18 pm
Liberdade
— Liberdade, que estais no céu…
Rezava o padre-nosso que sabia,
A pedir-te, humildemente,
O pio de cada dia.
Mas a tua bondade omnipotente
Nem me ouvia.
— Liberdade, que estais na terra…
E a minha voz crescia
De emoção.
Mas um silêncio triste sepultava
A fé que ressumava
Da oração.
Até que um dia, corajosamente,
Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,
Saborear, enfim,
O pão da minha fome.
— Liberdade, que estais em mim,
Santificado seja o vosso nome.
Miguel Torga, in ‘Diário XII’
Bom dia para todos…
Abril 25, 2009 at 5:24 pm
Viva o 25 de Abril.
Abril 25, 2009 at 6:18 pm
Muito interessante a citação de Carlyle por parte do jornalista Manuel António Pina:
” as revoluções são sonhadas por idealistas e realizadas por fanáticos, e quem se aproveita delas são os oportunistas de todas as espécies”. Assenta como uma luva à nossa História!
Abril 25, 2009 at 6:20 pm
# 15
Então lembras-te do picadeiro na Praça da República, das tardes de estudo no “Piolho”, dos convívios na “Clepsidra”, dos espectáculos LIVRES, das RGPs e AMs do Gil Vicente, dos vários grupos artístico/ culturais da Academia ( passei pelo TEUC- breve- e pelo GEFAC- quase 5 anos)…Entrei no curso de Filologia Germânica em Set. 1973 e saí em Set. 1978 para começar a dar aulas em Torre de Moncorvo.
Voltei a Coimbra nos anos seguintes para jantares de aniversário e matar saudades dos melhores anos da minha vida. Uns oito ou dez anos depois desisti de aparecer…a nova burguesia tinha nascido. Os ” burgueses revolucionários” tinham nascido! Talvez por ser ” reles professora” não “ascendi” socialmente! Não tinha nenhum cargo, nenhum escritório, nenhum gabinete, nenhuma sociedade, nenhum carro xpto para mostrar, nenhum cargo que fizesse jeito… e deixei de ir. Aqueles com quem tinha aprendido e vivido Abril, estavam a matá-lo à frente dos meus olhos!
Não voltei a Coimbra! Não quero outra imagem de Coimbra!
Abril 25, 2009 at 7:14 pm
Eu sou dos que andavam na 4ª classe em 1974. Fiz o 2º ciclo durante o PREC e apanhei a ressaca pós-revolucionária no secundário.
Quando cheguei à Faculdade de Letras de Coimbra, em 1982, já encontrei instalada a geração que se formou logo a seguir ao 25 de Abril, que saneou os professores do antigamente e se instalou nos lugares deles. Entretanto readmitiram os saneados e ficaram por lá uns e outros.
Nós olhávamos para a mediocridade de muitos deles, mas apercebíamo-nos de que a revolução para nós tinha chegado tarde: ali já não havia espaço para nós!…
Abril 25, 2009 at 7:34 pm
#22 António Duarte
Eu entrei dois anos antes em Coimbra na F. História.
Os Catedráticos não nos davam aulas, nem apareciam, só os assistentes, retirando o reis Torgal e o da Pré- História o qual não me lembro o nome.
havia um , salvo erro Pedro reis da história das Artes.
Foi o ano em que os alunos fizeram uma greve contra um dos professores catedráticos, um tipo da História das Mentalidades que foi substituir a assistente que entrou em férias devido ao parto…deu uma aula, de um livro da editorial estampa, cujo nome salvo erro se chamava Lutero. Leu os capítulos, sendo o 1º: Lutero homem normal ou tarado sexual.
Acabou de ler o índice e acabou a aula de 90 mns pois tinha uma conferência para dar.
Nó enfiamos um cartaz nas catacumbas à entrada do anfiteatro 1 com o resumo da aula e abaixo assinados. Estivemos em greve durante 1 mês.
O homem não voltou a aparecer.
Abril 25, 2009 at 7:35 pm
António Duarte, eu cheguei à mesma faculdade 2 anos antes de ti. Engraçado!
Abril 25, 2009 at 7:38 pm
Segundo afirmações do nosso primeiro, no 25 de Abril, ele andava no 7º ano no Liceu da Covilhã. Eu também por lá andava, embora mais atrasada, e não me lembro desta figura de relevo(!). Naturalmente foi devido ao facto de as raparigas não poderem frequentar o pátio inferior destinado ao sexo masculino. Coisas do sistema.
Abril 25, 2009 at 8:55 pm
http://www.wehavekaosinthegarden.blogspot.com/2009/04/estao-matar-abril.html
Abril 25, 2009 at 9:00 pm
No 25 de Abril de 74 estava no 6º ano do Liceu. Vivi durante esses anos a “crescer” para uma consciência que até então me havia sido toldada. Hoje gostaria de poder continuar a acreditar que as portas que Abril abriu jamais se poderão fechar!
Abril 25, 2009 at 9:18 pm
A minha homenagem a Salgueiro Maia. O homem que evitou o derramamento de sangue e se afastou, abdicando de qualquer cargo no “poleiro”.
Grande homem! A sua simplicidade e maneira especial de ver a vida culminou na afirmação «o gajo ganhou», referindo-se ao cancro que o vitimou em 1992.
Abril 25, 2009 at 9:45 pm
#23, tollwut:
Também sou de História. Recordo-me desse episódio, mas já não sei se por ter visto os cartazes se por ter ouvido contar. Conheci alguns colegas do teu curso. Os de Arqueologia, por exemplo, faziam connosco a cadeira de Matemática, que para eles era só no 3º ano. E já no fim do curso houve vários que, tal como eu, foram trabalhar para os Açores.
Abril 25, 2009 at 9:58 pm
O comentário 29 é meu. Peço desculpa pela identificação errada. Foi alguém que há bocado não resistiu a comentar num outro post. Mas a senhora escrevia muito mal e mandei-a embora…
Abril 25, 2009 at 10:14 pm
#29 popota
Também acabei por ir parar aos Açores. Pelo mesmo local, Calheta passaram alguns colegas meus do mesmo ano de curso.
Abril 25, 2009 at 10:16 pm
No meu caso a famosa cadeira de Matemática era a Estatística no 1º ano…
Abril 25, 2009 at 10:16 pm
Verificando as consequências e a situação acual do país, a sua destruição progressiva, a destruição dos valores, da soberania, do orgulho, em nada comemoro o 25 de Abril. O Portugal actual transformkou-se num esgoto e os partidos políticos autênticas “associações de malfeitores”. Tenho pena, muita pena, mas foi nisto que este pulhas me transformaram!
Abril 25, 2009 at 10:25 pm
#31:
Então devo mesmo conhecer-te. Estive dois anos em S. Jorge, mas nas Velas. Terás sido colega, na Calheta, da Helena Paula, do teu curso, que depois veio para as Velas?
Abril 25, 2009 at 10:38 pm
#34 António Duarte
Tive uma colega de curso que se não me falha a memoria se chamava helena, não sei se é a mesma, mas que se casou com um açoriano e ficou a dar aulas na universidade dos Açores.
Eu estava na Calheta de s. jorge.
estive lá 11 anos + ou -.
Abril 25, 2009 at 10:39 pm
Em que ano ?
Fui para lá em 1993.
Abril 25, 2009 at 10:46 pm
#35, Tollwut:
Deve ser a mesma colega de quem falamos. Realmente o mundo é pequeno. Mas 11 anos numa ilha pequena como S. Jorge é quase uma eternidade! Eu, embora tenha trazido saudades dos meus 2 anos dos Açores, recordo a dificuldade com que quem ia do continente suportava aquele isolamento das ilhas pequenas.
Abril 25, 2009 at 10:51 pm
#37 António Duarte
exacto.
Ainda me lembro dos 1ºs anos em que devido ao mau tempo o barco da ilhas deixava de aportar , e ficávamos quase um mês sem transporte alimentar, e o que encontrávamos no supermercado era quase nada.
Estava nos Açores quando houve a passagem da tempestade tropical e da queda do avião da sata.
Cheguei lá quando o Mota Amaral nesse ano ou no seguinte se demitiu.
Abril 25, 2009 at 10:54 pm
#36, Tollwut:
Eu fui logo que acabei o curso. Estive lá de 1986 a 1988. No 2º ano adquiri vínculo e regressei. Antes tinham estado por lá alguns colegas teus de curso, que foram verdadeiros “pioneiros”: a Helena Paula, o Nuno Matos, o Alemão…
Abril 25, 2009 at 10:55 pm
lembro-me de estar estado com a Tuna Académica de Coimbra na Velas e a assistir ao espectáculo da 7ª legião.
Abril 25, 2009 at 10:57 pm
POIS ERA TOLLWUT..EU EM SANTA MARIA QUANDO O VENTO ERA FORTE E O TEMPO INVERNOSO….OS 2 SUPERMERCADOS QUE EXISTIAM NA ILHA …NÉPIA…
foram dois anos nas ilhas da bruma…mas foram anos de grandes amizades …as ilhas reforçam os laços…todos dependemos de todos….é claro que por vezes era asfixiante…pouco espaço para a privacidade…mas compensava…guardo boas recordações e ainda hoje mantenho contactos na ilha ..e já lá fui 2 vezes…e espero lá ir outra..onde dormir tenho…as verdadeiras amizades das ilhas da bruma são para sempre…
Abril 25, 2009 at 10:58 pm
Tchi.. Toll… eu lembra-me disso dos sétima…estava lá nos Açores também creio que foi em 1994…
Abril 25, 2009 at 11:01 pm
#38 Tollwut:
Quando lá estive, a ilha de S. Jorge vivia, praticamente, da monocultura da vaca. Ou melhor, da carne e do queijo, pois até o leite vinha de fora…
Rádio e televisão, só havia os canais locais e acabavam salvo erro à meia-noite. E de vez em quando vinha o Mota Amaral à televisão, com ar sisudo, fazer uma espécie de conversas em família…
Abril 25, 2009 at 11:02 pm
#42 BB
estiveram nas velas de s. jorge.
Por acaso nessa altura apareciam bandas mesmo boas…
Qto ao que dizes é verdade. Era duro no Inverno mas a malta arranjava espaço e tempo para convívio, e mesmo com mau mau tempo iamos para as fajâs comer e berber na casa de amigos.
Essa amizades tal como dizes…
tenho andado nestes ultimos tempos a ver demasiadas fotos de S. Jorge, não é nada bom…pois o que lá há aqui não há…
verdadeiras amizades das ilhas da bruma são para sempre…
Abril 25, 2009 at 11:04 pm
#43 António Duarte.
eram as vacas e o queijo.
Televisão era a dos Açores, que só passavam festas religiosas e telejornal com o Mota Amaral.
lembro-me que numa casa no Topo um casal tinha ao lado dos santos e das velas a foto do Mota Amaral.
Ahhh, e as famosas festas do Topo conhecidas pelas festas da merd@?
Abril 25, 2009 at 11:06 pm
#41, bulimunda:
Mas em Santa Maria tinham um bom aeroporto. O de S. Jorge além de pequeno tinha ventos cruzados que com mau tempo eram traiçoeiros. No Inverno ficávamos às vezes dias a fio sem barco e sem avião. Isolamento total.
Abril 25, 2009 at 11:08 pm
#45: E o ilhéu do Topo, para onde as vacas iam a nado?
Abril 25, 2009 at 11:10 pm
E os Impérios..?.ui..uma vez saímos da discoteca as 6 da manhã e fomos directos ao império..pequeno almoço ..os 30 anos permitiam isso…viva o cozinheiro…no meu tempo no 2º ano em 1994 já tínhamos 8 canis graças a parabólica que o dono da casa tinha metido…MTV e Euro News..um luxo…no avião que tu referiste ia um colega nosso padre..foi presidente da escola das Flores…foi colega meu em Santa Maria e foi a pessoa que nos alugou a casa nesse ano.. um tipo porreiro não merecia morrer daquela maneira…enfim é a vida…
Abril 25, 2009 at 11:12 pm
È verdade António…as piores ilhas quando havia mau tempo- ao que diziam- eram o de S.Jorge e Flores…os ingleses em Santa Maria fizeram um bom trabalho..até lá aterrava o Concorde..só o vi no céu uma vez…já ia no ar…que barulho…
Abril 25, 2009 at 11:13 pm
#47 António Duarte
Exactamente. O local, o Ilhéu do topo para onde as vacas iam a nadar.
O aeroporto em S. Jorge era lixado, a maioria das x nem os aviões aterravam por causa dos ventos cruzados, Uma vez sai de S. Miguel debaixo de um temporal desgraçado, mudei na terceira e parti ao fim da tarde, o avião entra no canal de s. jorge, e só nuvens, continua a descer e repentinamente sobe…acabávamos de voltar para a terceira…fiquei uma semana retido na Terceira a pagar do bolso o alojamento e a alimentação.
Abril 25, 2009 at 11:15 pm
#49 BB
depois desse desastre da sata em S. Jorge no monte da esperança, contrataram pilotos ingleses. No final do 1º dia recusaram-se a aterrar em S. jorge, pois não aterravam a olho… Os nosso fazem isso.
Abril 25, 2009 at 11:16 pm
Bem para terminar esta conversa nostálgica deixo aqui um vídeo de santa maria ..pode ser que alguém queira visitar a ilha…
Abril 25, 2009 at 11:21 pm
#50, Tollwut:
O ilhéu do Topo era largo e baixo, mas na outra ponta da ilha havia um que era estreito e alto. Chamavam-lhe – é mesmo a designação oficial – ilhéu do Caralhoto!
Abril 25, 2009 at 11:22 pm
#50, Tollwut:
O ilhéu do Topo era largo e baixo, mas na outra ponta da ilha havia um que era estreito e alto. Chamavam-lhe – é mesmo a designação oficial – ilhéu do Car@lhoto!
Abril 25, 2009 at 11:23 pm
#52 BB
Estive lá em Stª Maria numa reunião, pelo menos dois dias.
Fixe o video.
Abril 25, 2009 at 11:33 pm
#53 António Duarte
exacto, mas o mais conhecido era o das vacas.
Além da tal festa do topo, havia a festa dos tremoços na Calheta, onde se comia e bebia de borlex …até às tantas.