Eu já disse e repito. Desde que tenha a liberdade para falar, está tudo sob controle. E não gosto de debates em que todos achamos o mesmo.
Eu aposto que discordo do(a)s outro(a)s 4 em muita coisa.
Se os nossos sentidos fossem perfeitos, não precisávamos de inteligência; nem as ideias abstractas de nada nos serviriam. A imperfeição dos nossos sentidos faz com que não concordemos em absoluto sobre um objecto ou um facto do exterior. Nas ideias abstractas concordamos em absoluto.
Dois homens não vêem uma mesa da mesma maneira; mas ambos entendem a palavra «mesa» da mesma maneira. Só querendo visualizar uma coisa é que divergirão; isso, porém, não é a ideia abstracta da mesa.
Os defeitos da democracia política como sistema de governo são tão óbvios, e têm sido tantas vezes catalogados, que não preciso mais do que resumi-los aqui. A democracia política foi criticada porque conduz à ineficiência e fraqueza de direcção, porque permite aos homens menos desejáveis obter o poder, porque fomenta a corrupção. A ineficiência e fraqueza da democracia política tornam-se mais aparentes nos momentos de crise, quando é preciso tomar e cumprir decisões rapidamente. Averiguar e registar os desejos de muitos milhões de eleitores em poucas horas é uma impossibilidade física. Segue-se, portanto, que, numa crise, uma de duas coisas tem de acontecer:
ou os governantes decidem apresentar o facto consumado da sua decisão aos eleitores – em cujo caso todo o princípio da democracia política terá sido tratado com o desprezo que em circunstâncias críticas ela merece; ou então o povo é consultaado e perde-se tempo, frequentemente, com consequências fatais.
Durante a guerra todos os beligerantes adoptaram o primeiro caminho. A democracia política foi em toda a parte temporariamente abolida. Um sistema de governo que necessita ser abolido todas as vezes que surge um perigo, dificilmente se pode descrever como um sistema perfeito.
Ana Benavente, quando eu era presidente da assembleia geral do SNPL, numa reunião oficial, perante uma medida que se perfilava no horizonte e que eu disse ir de encontro à lei vigorante na altura, respondeu-me: “Mas a lei muda-se de um dia para o outro!”
Foi com esse seu pendor de mudança, nem sempre em sentido digno de louvor, que fez o seu percurso como secretária de Estado da Educação. Anda ela agora a chorar sobre um leite que ajudou a derramar.
De quando em vez, na escuridão que se abateu sobre o mundo da educação renascem lampejos de esperança que me levaram a comprar, hoje, o livro “A educação do meu umbigo” que deixou de ser o umbigo do Paulo para passar a ser o cordão ubilical dessa esperança.
Alguém convide a sôtora Ana Benavente a ir uma semana dar aulas a uma escola secundária, as SUAS aulas de NOVENTA minutos. Ou poderia alternar: 180 minutos seguidos, de manhã a dar aulas, e depois 180 minutos à tarde a receber aulas.
Just to taste her own medicine…
Aquela colega do PSD, Fernanda Velez, salvo erro, gosto de a ouvir. E não, não sou do PSD. Gostava era de uma Ordem que nos representasse nesta desordem (fiz um trocadilho, pareço o Rui Reininho!).
Pergunta à Benavente se alguma vez pensou nos resultados das suas excelentes medidas: as aulas de 90 minutos e os horários dos miúdos carregados de tretas como o EA e AP.
tb só quero ouvir-te e à Ana Drago, especialmente a ti, que estás no mesmo barco que nós!
#35,
Se o meu caro amigo tem tantas reservas quanto ao aspecto turvo das minhas águas, 4ª feira podemos esclarecer isso cara a cara, a menos que a opacidade não seja minha.
Abril 20, 2009 at 6:50 pm
Ainda bem. O país precisa de gente com ela bem solta!
Abril 20, 2009 at 6:50 pm
Ana Benavente… Isso é o quê? A esquerda arrependida ou com necessidade de novo tacho?
Abril 20, 2009 at 6:52 pm
[...] Retirado de A educação do meu umbigo [...]
Abril 20, 2009 at 6:54 pm
Eu já disse e repito. Desde que tenha a liberdade para falar, está tudo sob controle. E não gosto de debates em que todos achamos o mesmo.
Eu aposto que discordo do(a)s outro(a)s 4 em muita coisa.
Abril 20, 2009 at 6:55 pm
Paulo, quanto mais solta estiver a língua melhor.
Bom debate. Cá estaremos todos para ver e ouvir.
Abril 20, 2009 at 6:57 pm
A Imperfeição dos Nossos Sentidos
Se os nossos sentidos fossem perfeitos, não precisávamos de inteligência; nem as ideias abstractas de nada nos serviriam. A imperfeição dos nossos sentidos faz com que não concordemos em absoluto sobre um objecto ou um facto do exterior. Nas ideias abstractas concordamos em absoluto.
Dois homens não vêem uma mesa da mesma maneira; mas ambos entendem a palavra «mesa» da mesma maneira. Só querendo visualizar uma coisa é que divergirão; isso, porém, não é a ideia abstracta da mesa.
Fernando Pessoa
PALAVRAS SÁBIAS….
Abril 20, 2009 at 6:57 pm
Quem nunca procurou a verdade concerteza nunca errou…
Saltykov-Stcherdrine, Mikhail
Abril 20, 2009 at 6:58 pm
COM CERTEZA…
Abril 20, 2009 at 7:01 pm
#4 Paulo
Debates em que todos têm a mesma opinião não são debates. São, a modos que, uma conversa sem graça nenhuma.
Abril 20, 2009 at 7:11 pm
#9,
Por isso mesmo, gosto de ir quando há pessoas com quem não partilho todas as opiniões.
O que até é fácil.
E como sei que nesta matéria até tenho ideias desconformes da maioria da esquerda…
Abril 20, 2009 at 7:17 pm
A Ana Benavente ir a uma festa comigo era só para pôr discos…
Abril 20, 2009 at 7:21 pm
Na verdade, tenho curiosidade.Porque aquele título…
Abril 20, 2009 at 7:30 pm
A Ana Benavente disse numa entrevista que agora pode opor-se ao PS (apesar de ser PS )porque se reformou !Antes não podia.
Abril 20, 2009 at 7:35 pm
Drago, Honório e Guinote… 3 grandes nomes de pessoas que SABEM pensar… quero ouvir… estou curioso…
Abril 20, 2009 at 7:42 pm
Os defeitos da democracia política como sistema de governo são tão óbvios, e têm sido tantas vezes catalogados, que não preciso mais do que resumi-los aqui. A democracia política foi criticada porque conduz à ineficiência e fraqueza de direcção, porque permite aos homens menos desejáveis obter o poder, porque fomenta a corrupção. A ineficiência e fraqueza da democracia política tornam-se mais aparentes nos momentos de crise, quando é preciso tomar e cumprir decisões rapidamente. Averiguar e registar os desejos de muitos milhões de eleitores em poucas horas é uma impossibilidade física. Segue-se, portanto, que, numa crise, uma de duas coisas tem de acontecer:
ou os governantes decidem apresentar o facto consumado da sua decisão aos eleitores – em cujo caso todo o princípio da democracia política terá sido tratado com o desprezo que em circunstâncias críticas ela merece; ou então o povo é consultaado e perde-se tempo, frequentemente, com consequências fatais.
Durante a guerra todos os beligerantes adoptaram o primeiro caminho. A democracia política foi em toda a parte temporariamente abolida. Um sistema de governo que necessita ser abolido todas as vezes que surge um perigo, dificilmente se pode descrever como um sistema perfeito.
Aldous Huxley,
Vejam lá se isto não era premonitório…
Abril 20, 2009 at 7:45 pm
“E olhem que eu ando com a língua solta…”
Também estou com esse problema. Telefono-te mais logo.
Abril 20, 2009 at 7:45 pm
Paulo deixa-a bem solta! é preciso que alguém debata a educação!Força. Cá estaremos para assistir.
Abril 20, 2009 at 8:16 pm
Que dos fracos não reza a história.
Força Paulo!!!!!!!!!!!!
Abril 20, 2009 at 8:17 pm
A ti a a Ana Drago estarei atento, quanto ao resto passar-me-á certamente despercebido.
Mas a atenção que darei a Ana Drago será numa perspectiva diferente.
Sempre a achei grande demais para o BE.
Abril 20, 2009 at 8:21 pm
http://www.esquerda.net é um novo canal de TV?
Ai meu Deus, nem com desinfecção total me safava…
Abril 20, 2009 at 8:48 pm
Tu ainda chegas a ministro da educação…
…se eu chegar a primeiro-ministro…
Abril 20, 2009 at 8:48 pm
#20,
À meia-noite muda para a Antena 1.
Aquilo vai ser uma noite e tanto por Lisboa…
Abril 20, 2009 at 8:49 pm
#21,
Que nenhuma divindade ou panteão te ouça!
Abril 20, 2009 at 9:03 pm
Ana Benavente, quando eu era presidente da assembleia geral do SNPL, numa reunião oficial, perante uma medida que se perfilava no horizonte e que eu disse ir de encontro à lei vigorante na altura, respondeu-me: “Mas a lei muda-se de um dia para o outro!”
Foi com esse seu pendor de mudança, nem sempre em sentido digno de louvor, que fez o seu percurso como secretária de Estado da Educação. Anda ela agora a chorar sobre um leite que ajudou a derramar.
Abril 20, 2009 at 9:09 pm
De quando em vez, na escuridão que se abateu sobre o mundo da educação renascem lampejos de esperança que me levaram a comprar, hoje, o livro “A educação do meu umbigo” que deixou de ser o umbigo do Paulo para passar a ser o cordão ubilical dessa esperança.
Abril 20, 2009 at 9:15 pm
Alguém convide a sôtora Ana Benavente a ir uma semana dar aulas a uma escola secundária, as SUAS aulas de NOVENTA minutos. Ou poderia alternar: 180 minutos seguidos, de manhã a dar aulas, e depois 180 minutos à tarde a receber aulas.
Just to taste her own medicine…
Abril 20, 2009 at 9:17 pm
…com alunos de cursos profissionais ou dos CEFs, que não sabem ler nem escrever. Não vale mandá-los para a rua.
Abril 20, 2009 at 9:22 pm
Ai se ela andasse por cá como nós…
Ai se ela aguentava uma semanita…
Benavente, ainda não estás perdoada, não voltes!
Abril 20, 2009 at 10:05 pm
Estou com a Ema, só o título… é de fugir,
mais igualdade…
mais do mesmo…
Abril 20, 2009 at 10:12 pm
Aquela colega do PSD, Fernanda Velez, salvo erro, gosto de a ouvir. E não, não sou do PSD. Gostava era de uma Ordem que nos representasse nesta desordem (fiz um trocadilho, pareço o Rui Reininho!).
Abril 20, 2009 at 10:13 pm
E a Benavente foi a mãe de todas as misérias actuais, sim!
Abril 20, 2009 at 10:27 pm
olha, vai-te a eles….
aos bandidos, da educação claro,
ou escuro, que a luz ao fundo do túnel ainda não a cheiro!
Mas leva também paciência…
depois deita-a fora
Abril 20, 2009 at 10:28 pm
Solta bem a tua língua, Paulo!!
Pergunta à Benavente se alguma vez pensou nos resultados das suas excelentes medidas: as aulas de 90 minutos e os horários dos miúdos carregados de tretas como o EA e AP.
tb só quero ouvir-te e à Ana Drago, especialmente a ti, que estás no mesmo barco que nós!
Abril 20, 2009 at 10:38 pm
E a Ana, que fala de maneira tão apaixonada…
Abril 21, 2009 at 9:08 am
Todos no mesmo barco, como diz a Reb.
Navegam é em águas turvas. Mas até gostam.
Boa viagem.
Abril 21, 2009 at 10:31 am
#35,
Se o meu caro amigo tem tantas reservas quanto ao aspecto turvo das minhas águas, 4ª feira podemos esclarecer isso cara a cara, a menos que a opacidade não seja minha.
Abril 21, 2009 at 8:44 pm
Àguas turvas? Paulo Guinote é um nome e uma cara. Quem é Grundisalbus?