E DEPOIS ADMIRAM-SE…
O anterior paradigma que endeusava o padre da paróquia e o professor primário foi modernamente substituído pela emblemática figura do “empreiteiro” ( do regime) e do político (de carreira).
Tanto um como outro me provocam um ruidoso bulício intestinal. Nem o anterior paradigma me desperta simpatia; nem o segundo me merece respeito.
Na época em que o sacerdote transformava o sermão em comício, amedrontando o “rebanho” com a terrível ameaça do “fogo do Inferno”, vivia-se o império do preconceito religioso. Havia mais pecados do que pecadores e menos virtudes do que vícios. Cristo estava em toda a parte com o exclusivo intuito de nos intimidar. Todos os mitos eram santos. Não ir à missa era um pecado mortal e roubar era venial. A mulher pública era uma reles prostituta e o homem público era um senhor respeitável.
E o povo?
O povo ouvia o padre, tinha medo do purgatório, horror do inferno, e lá ia obedecendo.
Hoje, porém, vivemos o exagero oposto. O poder do sacerdote deu lugar ao poder do dinheiro. Os adolescentes já não querem ser padres nem professores. Preferem imitar os soberbos donos da “massa” que fumam charuto e coleccionam carros de luxo. Admiram até à insensatez os “espertos” que escarnecem dos “ingénuos” cidadãos que pagam impostos.
E é neste fantástico cenário onde o lucro, a riqueza e o vício são protagonistas que se empurram p`rà escola os “absorventes servos do prazer” a fim de lhes martelar aos ouvidos vedados de minúsculos auscultadores os valores da justiça, do bem e do sacrifício.
E depois admiram-se que haja professores agredidos nas escolas e a insustentável rebeldia discente não pare de aumentar nas “jaulas de aula” do nosso país.
Cunha Ribeiro
Abril 18, 2009 at 12:33 pm
Pois…mas esta sociedade que nós temos não é senão aquela -em grande parte- que nós de uma forma ou outra produzimos….eles são o reflexo e não a consequência…
Abril 18, 2009 at 12:40 pm
Magnífica reflexão.
Abril 18, 2009 at 12:41 pm
Excelente análise!
Tenho para mim que as grandes mudanças passam por pequenos gestos individuais, e se cada professor, na sua aula, fizer o que achar correcto, sem queixumes estéreis, lentamente vai-se criando uma vaga de fundo. Isto para aqueles que ainda acreditam…
Abril 18, 2009 at 12:46 pm
Um excelente resumo do que foi Portugal nos ultimos 80 anos…
Abril 18, 2009 at 12:53 pm
Excelente texto. Criou-se uma “ideologia” anti cultura, anti-conhecimento, anti-civilização e os primeiros a sofrer o choque são os professores sob a forma de bulling moral e, por vezes, físico, por personificarem esses valores.
Isto apesar de achar que nem tudo está perdido, no sentido em que há escolas e escolas, alunos e alunos. Infelizmente, é uma tendência que está a alastrar e para a qual contribuem decisivamente as actuais políticas educativas.
Abril 18, 2009 at 1:41 pm
O PAULO GUINOTE fez um blogue excepcional. Tudo o que diz vem do cérebro com que DEUS o bafejou. Sabe imenso de EDUCAÇÃO. À sabedoria alia muito bom senso. Não é de PESSOAS assim que a 5 de Outubro precisa?
Ora digam, digam!
Abril 18, 2009 at 1:56 pm
#6
É verdade!É de pessoas assim que a 5 de Outubro precisa. Mas será que pessoas assim são lá bem vistas? Acho que não! É que sabem pensar, são ponderadas, honestas… E isso incomoda os poderes instalados.
Abril 18, 2009 at 2:10 pm
Simples e lindo como eu gosto!
Abril 18, 2009 at 2:30 pm
Mas que comparacao mais idiota!
O prior da minha terra sempre foi um exemplo de repeitabilidade e das minhas professoras primarias, so tenho boas recordacoes.
Agora compara-los com empreiteiros e politicos actuais!
Quem quer que seja que tenha tido mas experiencias, ou “manhas submersas” de ma memoria,por favor nao generalize.
Abril 18, 2009 at 2:40 pm
O ser humano é trino – corpo, alma e espírito.
Nas Manifestações de 2008, os professores aderiram pela «alma» mas como não é esse o seu patamar de vibração evolutivo essencial, logo de seguida, aderiram á vibração que lhes corresponde «corpo» ou aspectos materiais.
Abril 18, 2009 at 2:55 pm
#10 O ser humano poderá ser tudo isso, mas devidamente enquadrado adere, de bom grado, às questões da alma. Mas para tocar-lhes no “ponto certo” não se vai lá com vergastadas ou com comentários paternalistas. Para esse peditório já muitos deram.
Abril 18, 2009 at 3:17 pm
Almeida Garret ainda serve de inspiração. E aqui estão bem apanhados os sucessores do Frade e do Barão…
Abril 18, 2009 at 3:30 pm
#6
A 5 de Outubro é um braço armado do governo. O governo não precisa de gente assim. E Educação e a Escola precisam, mas a finalidade do governo é outra: governar gente ignorante!
Abril 18, 2009 at 3:57 pm
# 9
…:) mas onde é que leu isso?! Nem sou procuradora do autor da reflexão, que, aliás, está excelente e traduz os tempos actuais, mas que dá vontade de chamar a si idiota, lá isso dá!
Abril 18, 2009 at 4:07 pm
Excelente reflexão do Cunha Ribeiro.
Perante uma sociedade, em que os valores e as prioridades estão invertidas, o papel da escola é remar contra a maré (salvo seja!)
Parabéns!
Abril 18, 2009 at 7:17 pm
“chamar a si” também está excelente
por falar em excelente:
haverá excelentes professores do primário e primários professores do superior?
Abril 18, 2009 at 7:38 pm
Este,
http://www.rebides.oces.mctes.pt/rebides07/rebid_m3.asp?CodD=5221&CodP=0702
por exemplo,será um excelente ou primário professor?
Abril 18, 2009 at 8:13 pm
Um percurso notável de um “bombeiro de serviço” e camaleão:
“«Seis secretários de Estado do Governo socialista omitiram nas declarações entregues no Tribunal Constitucional o valor do rendimento anual obtido em 2005». Começava, assim, o escândalo que, em Maio de 2006, envolveu várias figuras do Executivo de Lisboa. De entre os nomes mencionados pelo Correio da Manhã, encontrava-se o do secretário de Estado-Adjunto do Primeiro Ministro, Filipe Baptista (…)”
http://www.oclarim.com.mo/j080613/destaque.shtml
Abril 18, 2009 at 9:51 pm
#13> A 5 de Outubro é um braço armado do governo.
Com muita pena, mas uma parte significativa das politicas do ME sao estabelecidas pelos eduqueses que populam os gabinetes da 24 de Julho e das DREs.
* Nao e’ o governo que determina os programas monstruosos dados pela “rama”.
* Nao e’ o governo que estabelece a estrategia de andar em espiral, que aceito possa funcionar nas humanidades mas e’ um desastre na matematica e nas ciencias (que constroem teorias em cima de teorias).
* Nao e’ o governo que escreve os livros escolares verdadeiramente infantis – sao os professores!
Voltando agora ‘a opiniao afixada em cima, continuo a acreditar que a grande maior dos alunos danca ao som da musica tocada pelos docentes.
)
Se o CE e TODOS os docentes definirem e cumprirem claramente as regras, bem como as penalizacoes para quem as quebrar, estou convencido que a violencia nas escolas diminuiria significativamente!
Mas para isso seria necessario que TODOS os docentes fossem exigentes, a comecar neles proprios. Ora, sabemos muito bem que uma parte significativa dos docentes nao se quer chatear, “despeja” as aulas, repete as provas de um ano para o outro, um dos principais objectivos para o ano lectivo seguinte e’ nao mudar de nivel (e se conseguir uma colocacao mais perto na linha de caminho de ferro, entao e’ ouro sobre azul!). Para esses, e’ sempre mais facil encolher os ombros e queixar nos corredores (ou nos blogues
Abril 18, 2009 at 10:03 pm
#19
Desculpe, mas pensei que já não houvesse esse género de argumentação. Aliás, pelo que diz, parece-me que não é professor, tal a ignorância de contextos. Não me faça rir mais…
Abril 18, 2009 at 10:09 pm
#20
O #19 é um bom exemplo do que eu disse em #13.
É com estes que eles contam. Não admira que não queiram Homens como o PG no ME. Não admira…Para quem é bacalhau basta e qualquer dia vendem carapau a preço do asa branca e dizem que vem do Nilo!
Abril 18, 2009 at 10:22 pm
#21
É evidente que não querem homens como o Paulo, nem nunca quererão. Pelo menos, enquanto a obtusidade estiver no poder. Mas…
Eu gosto de utopias, sabia?!
Abril 18, 2009 at 10:28 pm
#22
Neste caso nem será bem utopia, basta uma boa “limpeza” que, acredito, vai começar em breve…
“O sonho comanda a vida”
Abril 18, 2009 at 10:29 pm
#23
“London calling” e tal…
Abril 18, 2009 at 10:30 pm
Era para #22…
Abril 18, 2009 at 10:34 pm
Bom, gosto do que leio nas entrelinhas…
Mas será que estou a ler bem?!?!?
London – England – Shakespeare…
Oh!, suprema dúvida…
Abril 18, 2009 at 11:14 pm
#26
…Serious Fraud Office, Scotland Yard…
Abril 18, 2009 at 11:24 pm
#27
Estou a ver, os custos da navegação em “porto livre”…
Abril 19, 2009 at 12:07 am
… curiosamente, até por essa deformação cultural, subversão de valores, era bom de prever que ” o Magalhães” estava condenado ao ridículo. Os putos não gostam de um “computadorzeco”, ainda por cima com o estigma da “acção social”…se fosse Sony, Toshiba ou, vá lá, Hp …
… por isso faz cada vez mais sentido o dito popular : “antes quer que lhe chamem ladrão do que pobre…”
Abril 19, 2009 at 7:24 pm
PROFESSORES, NÃO SE ESQUEÇAM!!!!
Peguem no parecer do GP, consultem gabinete de contencioso do vosso sindicato e o advogado vos aconselhará.
“MÁRIO NOGUEIRA PROMETEU QUE OS SINDICATOS APOIARIAM CADA PROFESSOR QUE NA SUA ESCOLA IMPUGNASSEM O PROCESSO CONCURSAL PARA A ELEIÇÃO DO DIRECTOR.”