E DEPOIS ADMIRAM-SE…

O anterior paradigma que endeusava o padre da paróquia e o professor primário foi modernamente substituído pela emblemática figura do “empreiteiro” ( do regime) e do político (de carreira).

Tanto um como outro me provocam um ruidoso bulício intestinal. Nem o anterior paradigma me desperta simpatia; nem o segundo me merece respeito.

Na época em que o sacerdote transformava o sermão em comício, amedrontando o “rebanho” com a terrível ameaça do “fogo do Inferno”, vivia-se o império do preconceito religioso. Havia mais pecados do que pecadores e menos virtudes do que vícios. Cristo estava em toda a parte com o exclusivo intuito de nos intimidar. Todos os mitos eram santos. Não ir à missa era um pecado mortal e roubar era venial. A mulher pública era uma reles prostituta e o homem público era um senhor respeitável.

E o povo?

O povo ouvia o padre, tinha medo do purgatório, horror do inferno, e lá ia obedecendo.

Hoje, porém, vivemos o exagero oposto. O poder do sacerdote deu lugar ao poder do dinheiro. Os adolescentes já não querem ser padres nem professores. Preferem imitar os soberbos donos da “massa” que fumam charuto e coleccionam carros de luxo. Admiram até à insensatez os “espertos” que escarnecem dos “ingénuos” cidadãos que pagam impostos.

E é neste fantástico cenário onde o lucro, a riqueza e o vício são protagonistas que se empurram p`rà escola os “absorventes servos do prazer” a fim de lhes martelar aos ouvidos vedados de minúsculos auscultadores os valores da justiça, do bem e do sacrifício.

E depois admiram-se que haja professores agredidos nas escolas e a insustentável rebeldia discente não pare de aumentar nas “jaulas de aula” do nosso país.

Cunha Ribeiro