Março 2009


Conseguido a partir de um comentário num post mais abaixo:

Os Presidentes dos Conselhos Executivos reunidos em Lisboa, continuam a manifestar a sua preocupação na defesa da Escola Pública.
A não suspensão do modelo em vigor, proposta em ocasiões anteriores é susceptível de inviabilizar, no espaço da actual legislatura, a construção de um sistema de avaliação de desempenho docente digno e justo.
Conforme assinalámos a seu tempo, a aplicação em curso do modelo de avaliação esgota-se num conjunto de procedimentos de natureza administrativa que não cumprem os princípios e finalidades da avaliação do desempenho dos docentes.
As objecções e as reservas anteriormente manifestadas em relação ao modelo de avaliação estão, assim, a ser confirmadas na prática.
Neste quadro de análise, a leitura da legislação no que respeita à entrega dos objectivos individuais, determina a recusa, pelos Presidentes dos Conselhos Executivos, da adopção de medidas arbitrárias que possam, de alguma forma, penalizar os docentes.
Os Presidentes dos Conselhos Executivos aqui presentes reafirmam a sua total disponibilidade para contribuir na construção de soluções de avaliação do desempenho docente sérias, credíveis e justas.
Por considerarem importante promover a uniformização de medidas – já de si ferida pela adopção diferenciada de procedimentos nos Açores e na Madeira – entendem ser indispensável divulgar e fazer subscrever junto de todas as escolas do País a posição aqui assumida.

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Após várias tentativas é esta a resposta obtida no site da DGRHE para quem quer concorrer. Os que têm sorte dizem que a aplicação está lenta.

Cá por casa, pedimos desculpa por esta interrupção, mas volte mais logo.

Maravilhoso mundo tecnológico.


Blancmange, Living on the Ceiling
China Crisis, Wishfull Thinking

Agora que se aproxima o final do 2º período há questões que deveriams er equacionadas com seriedade por todos os envolvidos, acaso alguns deles estivessem para levar isto mesmo a sério.

  • Até que ponto o ME está disposto a manter a farsa em que se transformou o processo de Avaliação do Desempenho Docente apenas com objectivos eleitorais. Só que for muito crédulo acreditará que esta avaliação será feita de forma credível e servirá para distinguir efectivamente o mérito. O que se passa é uma imensa manta de retalhos de metodologias, que não é fruto de nenhuma «autonomia» mas sim de uma completa falta de preparação técnica, de uma descoordenação das indicações dadas ao longo do tempo, de uma incapacidade política para assumir a responsabilidade pelo evidente fracasso e, por fim mas não menos importante, um imbróglio legislativo lamentável.
  • Até que ponto estão os sindicatos e movimentos independentes de professores disponíveis para levar a «luta» para patamares de radicalização que alienarão grande parte da opinião pública e agravarão fenómenos de afastamento da comunicação social como se verificou nestes últimos fins de semana com os encontros realizados dia 14 em Leiria e ontem em Lisboa. O mesmo se diga quanto à realização de manifestações de descontentamento convencionais sem uma eficaz auscultação da situação nas escolas e, principalmente, realizada por quem ainda tenha um crédito de credibilidade mínimo junto da generalidade dos docentes.
  • Até que ponto estão os diversos agentes institucionais envolvidos (partidos, Parlamento, CCAP, CNE, Provedoria de Justiça, Tribunal Constitucional) disponíveis para assumirem as suas funções e responsabilidades em prazo útil para que este processo de ADD não se transforme numa enorme confusão que afectará gravemente não apenas o final deste ano lectivo como o arranque do próximo. Porque é isso – seja qual for a proporção dos que não acabem por (não) entregar os OI, existindo ou não penalização para tal acto – que se adivinha neste momento, colocando definitivamente em risco o clima na larga maioria das escolas e quebrando o espírito de coesão essencial para um bom trabalho de equipa em prol dos alunos.
  • Até que ponto estão os professores, individualmente e sem o conforto das multidões, dispostos a manter atitudes de coerência e sacrifício em defesa de uma causa que os mobilizou de forma massiva até há pouco tempo. E envolvo nisto não apenas avaliados como avaliadores e PCE que sempre se mostraram avessos ao modelo de ADD (indo a manifestações, fazendo greves, participando em iniciativas de diversos outros géneros) mas que a certa altura parecem estar disponíveis a passar um pano sobre tudo isto e, em nome da não-rebelião ou em defesa da vidinha, com argumentos mais ou menos válidos, encerrar esta fase da «luta» e esperar que as coisas mudem no próximo ciclo de avaliação.

E lanço estes assuntos para discussão porque me parece que há demasiada gente sensibilizada para voltar às casernas (num sentido figurado, claro) e  enterrar este machado de guerra enquanto parecem esperar que apenas alguns outros tratem de achar uma solução mágica que, de um momento para o outro, permita resolver a situação com danos mínimos.

Era bom que a discussão não fosse feita à pedrada.

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(c) Antero Valério

Warning that new GCSEs will result in higher grades

Head of exam board says retakes will bump up marks as another private school ditches GCSEs for alternative exams

The introduction of new GCSEs in September is likely to lead to more pupils getting higher grades because they will be allowed to retake modules to improve their marks, the head of the UK’s largest exam board has warned.

There needs to be a national debate about the value of exams ahead of the reforms so that people understand why grade patterns might change – as has happened in every other country that has adopted the modular GCSEs, Mike Cresswell, head of the AQA, said today.

Cresswell’s warning comes as another leading private school, Wellington College, announces that it is to ditch GCSEs because of concerns they are getting too assessment-driven.

Wellington College’s headteacher, Anthony Seldon, said today he made the decision to teach pupils the middle-school version of the International Baccalaureate because GCSEs had become too much about passing exams and not enough about exciting learning.

September’s overhaul of GCSEs is the biggest single change to the qualification since it was introduced in 1988. The plan is to remove coursework and introduce a modular system, allowing pupils to retake chunks of the course.

Não é só por cá que se imaginam maneiras para melhorar artificialmente os resultados. A lógica subjacente a ideia não está muito longe daquela que permite entre nós, no Secundário, andar a saltar de disciplina em disciplina até se encontrar a média certa, dando-lhe o nome exótico de permeabilidade.

Já agora fica aqui o testemunho, publicado no The Times, do director do colégio referido nesta notícia.

Desculpem a digressão, mas ontem vimos – pela enésima vez – como no nosso país como são oficialmente considerados os melhores do seu ofício – neste caso com credenciais internacionais e tudo – indivíduos que cometem os erros mais grosseiros, anos a fio, com a complacência generalizada.

Calabote: 50 anos depois

Pode ter sido menos ostensivo, mas foi igualmente vergonhoso.

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Público, 22 de Março de 2009

Mais grave do que fazerem o que fazem é quererem fazer acreditar aos outros que somos todos idiotas. Haja um mínimo de decoro.

Onde é que já ouvimos dizer que o que fizeram foi só cumprir ordens?

Há professores contratados que ensinam em 4 escolas e fazem centenas de quilómetros por dia para leccionar

São os Homens da Luta, em vez da música habitual.

Número de ocorrências registadas nas escolas diminuiu significativamente em 2007/2008

O número de ocorrências registadas por escola diminuiu significativamente em 2007/2008, pelo segundo ano consecutivo, sendo de salientar que, na grande maioria dos estabelecimentos de ensino (90,9 por cento), não se registou qualquer incidente.

Os dados divulgados pelo Programa Escola Segura evidenciam uma redução significativa do número de ocorrências por escola registadas no ano lectivo de 2007/2008, relativamente aos dois anos lectivos anteriores.

Mais agressões nas escolas

O ano lectivo 2007/2008 registou um aumento do número de agressões a alunos (20,6 por cento) e professores (11,3 por cento), tendo-se verificado mais 225 actos de violência sobre os estudantes e mais 21 contra docentes que no ano anterior, totalizando, respectivamente, 1317 e 206 casos. Lisboa (513 casos), Porto (340) e Setúbal (168) são as cidades com maior número de ocorrências registadas pelas forças policiais.
(…)
CASOS QUE DERAM ORIGEM A QUEIXAS ÀS FORÇAS POLICIAIS

2006/2007

808 – PSP
653 – GNR
64 – CPCJ (Comissão Protecção de Crianças e Jovens)

2007/2008

1212 – PSP
778 – GNR
224 – CPCJ

Mas é curto e confirma a ideia que eu tenho  – e não é só minha – que há muita gente que só deitar isto para trás das costas e pensar em outra coisa.

180 escolas rejeitam penalizar docentes que recusem entregar objectivos

Cerca de 180 presidentes de conselhos executivos debateram a avaliação dos professores e definiram princípios para criar uma associação de dirigentes de escolas públicas, reafirmando que a lei não os obriga a penalizar docentes que recusem entregar os objectivos.

Fernando Elias, um dos porta-vozes do grupo e professor do agrupamento de Escolas de Colmeia, em Leiria, disse à Lusa que o encontro em Lisboa reuniu 180 pessoas, de um conjunto de 1.200 presidentes de conselhos executivos.

Desta reunião saiu o entendimento de que a legislação actual “não permite que os conselhos executivos possam praticar medidas que penalizem os docentes” casos estes não entreguem os objectivos.

“Nada na lei obriga à entrega de objectivos”, continuou o professor. Por isso, “não estamos obrigados a aplicar medidas” penalizadoras sobre os professores que não o façam, acrescentou.

Adiando para mais tarde a criação de uma associação nacional de dirigentes de escolas públicas, Fernando Elias disse que foram explicitados hoje os princípios dessa associação e que foi criada uma equipa para estudar propostas na área de um modelo de avaliação para a escola pública.

“Não representamos um movimento de rebelião, mas sim de disponibilidade” para criar uma melhor escola pública, afirmou o mesmo porta-voz, chamando a atenção para o facto do grupo não representar “nenhum movimento político-partidário”.

“Continuamos a achar que a melhor solução teria sido suspender o modelo de avaliação”, afirmou, notando que “não se antevê que na actual legislatura se consiga implementar o modelo”.

Esse modelo é de cariz “meramente administrativa”, descuidando a componente pedagógica, frisou Fernando Elias.

Mas isto é apenas sublinhar aquilo que é óbvio. E se isso é óbvio, então é óbvio que o simplex está todo errado e é ilegal à luz do ECD.

O resto é uma mistura entre o uso do condicional para afirmar que «teria sido suspender o modelo de avaliação» e a declaração da impossibilidade de o implementar nesta legislatura (o que também é óbvio, nem que seja porque todo o processo termina em Dezembro).

Há por aqui muitas meias-tintas.

Já pensaram que demitirem-se a esta altura do campeonato, candidatando-se a Directores com o apoio dos corpos docentes, poderia ser um golpe político fortíssimo?

A mim não me parece que pudesse, a esta altura, arranjar boys and girls para os substituir a todos e muito menos para os fazer escolher ou nomear directores.

A vantagem é que esta medida for para levar em frente e representando cerca de 15% dos PCE em exercício, isto vai naturalmente criar pressão sobre a adesivagem mais militante.

A partir do site da Lusa (sem link para não assinantes):

Presidentes de escolas rejeitam penalizar docentes que recusem entregar objectivos

Cerca de 180 presidentes de conselhos executivos debateram a avaliação dos professores e definiram princípios para associação de dirigentes de escolas públicas.

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Diário de Notícias, revista NS, 21 de Março de 2009 (cortesia do João B.)

Fica tudo a brincar aos músicos, aos engenheiros, aos consultores, à apanhada. Bem me parecia que A. A. não estava preocupado com a melhoria das aprendizagens, mas tão só com um enorme ATL feito á medida da desregulação dos horários de trabalho.

Ainda gostava de saber como é que muitas crianças poderão ficar a praticar desporto quando a esmagadora maioria das escolas do 1º CEB e Jardins de Infância não têm quaisquer equipamentos ou espaços adequados para isso ser feito em segurança.

Mas isso são detalhes, claro. Desde que a porta esteja aberta é o que interessa.

E também ó bvio que as famílais «mais abastadas» deixam os seus filhos a «brincar» nos colégios privados. Exactamente.

Turin Brakes, 72

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Não aprecio excessivamente como ensaísta e confesso que pouco como romancista, mas tem uma vida extremamente interessante e esta é uma introdução, na primeira pessoa, ao seu período inicial.

Porque o ME anunciou ter encomendado os estudos essenciais para a revisão do modelo de avaliação (e do próprio ECD) ao CCAP e à OCDE, a Maria Lisboa enviou-lhe o Parecer Preliminar do Doutor Garcia Pereira.

Eis os talanitos côderosa a comprovári:

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Escolas normais para crianças com trissomia 21

Num raro acesso de lucidez sobre questões educativas, Henrique Monteiro escreve hoje no Expresso o seguinte:

Confesso que não sou extraordinariamente dotado para entender as subtilezas da nossa Educação [começa bem]. Mas, por mais que me esforce, não entendo por que razão há ciganos à parte e deficientes integrados.

E conclui, como se não tivesse dado ainda por nada ao fim deste tempo todo:

O que me choca é a farsa igualitária que o Ministério da Educação representa (no fundo para poupar dinheiro com o ensino especial). Se deficientes são integrados em turmas normais, porque estranho motivo se deixam ciganos à parte?
Confesso que só tenho uma resposta: o nosso sistema de ensino, determinado pelas DREN deste mundo, não tem regras de bom senso. Baseia-se numa ideologia tosca, parola e ignorante que não procura – mas prejudica – a excelência no ensino.

Bem vindo ao mundo real, caro director Henrique Monteiro. Já não era sem tempo que via pelo menos um pouco de luz, embora acredite que para outras matérias continue estremunhado. Desde logo porque difere as responsabilidades para os alvos fáceis, poupando os alvos verdadeiramente responsáveis por isto.

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Recorte da edição online (em papel é ao alto de toda a página), graças aos préstimos do Maurício Brito.

Violência sobe para polícias e desce para ministros

Os ministros da Administração Interna e da Educação anunciaram ontem uma descida de 14% nos casos de violência nas escolas e nas imediações. A PSP, no entanto, registou um aumento de 18%.

Claro que após tanto tempo de preparação, os dados do ME não iriam ser outros, pois não? Seria sinal de grossa incompetência. É só fazerem como com o bullying e limparem as estatíticas das ocorrências que consideram não se enquadrar nos conceitos usados.

Aliás o que significa «violência»? Depende da perspectiva…

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Por onde começar?

Pela ameaça de nega do amigo Chávez?

Pela Comissão de Ética e pela discriminação positiva?

Pelo Provedor?

Pelo Carrilho?

Pelos números das manifs?

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