Março 2009


Ra Ra Riot, Ghost Under Rocks

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O embrulho final que o Teodoro me entregou… com o jardim dele em fundo.

Sobre os sapos sucessivos que nos obrigam a engolir

Basta, já chega de engolir sapos!

Primeiro, foi a saída do estatuto da carreira docente. Uma coisa muito bem edificada, sim senhores, do ponto de visto teórico, mas com resultados muito perversos e muita desadequação prática. Dir-se-ia que é como uma aula muito bem preparadinha, mas que, quando implementada, não resulta. Quando isso acontece, há que parar, suspender, analisar, redefinir o plano, as estratégias, adequar aos intervenientes todo o processo, etc., etc, etc.. Era o que devia já ter sido feito com o tal dito cujo.

Depois, o primeiro concurso para professor titular. Nem todos os cargos contaram, nem toda a participação na vida da escola resultou em pontos. Quem esteve fora da escola, por motivos válidos e para benefício da mesma e dos alunos, descontou. Valeu tudo, até pôr a língua de fora deu pontos. Foi uma corrida aos pontos, um ver-se-te-avias, se te sai o titular na farinha amparo. 99 pontos não foram suficientes, pois, no nono escalão, não bastavam 94 ou 95, ou lá o que era, e tinha de haver uma seriação por ordem decrescente (as tais queridas quotas). E nós a explicarmos às outras pessoas o que estavam a fazer connosco e elas a não perceberem (ou a não quererem perceber – esperem queridos, que quando vos bater à porta já é tarde!)

De seguida, ver colegas teus, a continuarem a progredir na carreira, porque passaram aos tais titulares (com menos habilitação académica que tu, mas isso é o que menos importa, para esta gente). E tu não. Tu estás encalhado, ou melhor, congelado (para não falar nos dois anos e meio em que todos estiveram). Agora tens que esperar, prestar a prova pública e ser aprovado, estar 6 (?) anos no escalão em que te encontras, ter sido opositor a outro concurso de titulares. Não falemos do concurso extraordinário para professores titulares, aquele que apareceu à escondidinhas, em Junho ou Julho. Esse foi de rir. Isso mesmo, uma piada.

Depois, a avaliação docente  (os mais crentes falam em ADD para cima, ADD para baixo, a torto e a direito), as mega manifestações (feitas por aqueles que supostamente estão contra quem chega a horas), os abaixo-assinados, as moções, os sindicatos a aproveitarem a boleia dos professores, o desentendimento nas escolas, os alunos a terem piores aulas, a ressaca com os alunos, o estatuto do aluno, os alunos a portarem-se pior, os professores a não entregarem e a entregarem objectivos, o Garcia Pereira a dar o seu parecer, a ministra a fazer dos conselhos executivos os carrascos, os conselhos executivos a não quererem desempenhar esse papel, a engolir mais este grande sapo, descalça lá essa bota, que não fomos nós que provocamos isto tudo.

Agora, os vínculos laborais, os concursos (pois é, está tudo ligado, não é?), o pairar no ar que este é o último concurso nacional, os professores a ficarem sem quadro, sem quadro de zona pedagógica, sem vagas, sem alunos, os Directores a poderem vir contratar directamente o pessoal, os professores a irem bater às capelinhas de currículo na mão (os mais velhos, mais desgastados e com mais falta de paciência para essa marmelada; os mais novos,  mais espevitados,  a darem mais jeito, por ganharem e reclamarem menos).

Depois, é dizer que vão todos para o raio que os parta, que eu estou farta de engolir sapos.

Rosa Henriques

Professora, Lisboa

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Ela ainda não escreve, mas parece que ditou o essencial, com mais uns retoques.

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Não desmerecendo ninguém, ao Teodoro que teve a missão de embelezar e entregar toda a encomenda, sendo que a obra do Antero já está encostada à parede que lhe foi destinada.

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O secretário de Estado Jorge Pedreira deu-se hoje ao esforço de qualificar os professores que não entregaram os OI como os coitadinhos que não cumprem a lei.

Não vou entrar pela vereda de afirmar que os democratas também não cumpriam todas as leis do Estado Novo, sendo desse ponto de vista (e de outros) uns coitadinhos.

Nem sequer vou considerar novamente acintosa esta linguagem, como desrepeitosa a atitude muda e queda de Maria de Lurdes Rodrigues que, após dizer que ia «divir» as respostas com os seus auxiliares, ficou o resto do tempo sem responder a ninguém.

No trio da 5 de Outubro há uma imensa falta de cultura democrática, mas isso já sabíamos.

Mas o que me ocupa aqui é mesmo o secretário Pedreira, ele sim um coitadinho dos verdadeiros que, vendo-se detentor de um cargo político por obra e graça de jogos de nomeação política, é obrigado a ir ao Parlamento responder a deputados que – por muitos defeitos que a nossa democracia tenha - ainda foram efectivamente eleitos.

Porque o secretário Pedreira, tal como o secretário Lemos e a ministra Rodrigues, é um coitadinho merecedor do nosso dó pois interrompem a sua denodada acção governativa para se ir explicar ao Parlamento. O que me parece inconcebível.

Pior, fazem-no dar explicações sobre reles professorzecos que insistem em não fazer aquilo que a lei efectivamente não obriga a fazer. Coidadinho dele.

E coitadinho dele ainda mais porque, depois de achar que todos os zecos incumpridores devem ser castigados em termos de progressão e «concurso» [sic], acaba a declarar que até pode não ser assim, tudo depende dos órgãos de gestão porque a lei é geral e abstracta, mas depois é aplicada caso a caso.

Coitadinho de quem é obrigado a tamanho exercício de contorcionismo intelectual.

Quanto a todos nós, somos coitadinhos porque o temos de aturar, mas ao seu tom de escárnio constante para com aqueles muitos milhares de professores que ousam discordar das leituras arrevezadas que o secretário Pedreira tem das leis que emanam da 5 de Outubro, elas próprias uma manta de retalhos de escasso sentido.

E coitadinhos de nós porque ainda tivemos de levar com o secretário lemos a tentar ser jocoso com os deputados acerca dos dados da violência escolar.

The Stranglers, Toiler On The Sea

Com mais ou menos semana é o que se está a passra em muitas escolas e agrupamentos: a aprovação de documentação relativa à avaliação dos doentes a três meses do final do ano lectivo.

Este é apenas um caso de aprovação dos instrumentos a menos de 3 meses da sua entrega pelos avaliados.

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Eu sei que está a dar a audiência da Ministra – será?, só vi o Pedreira e o Lemos no minuto que liguei! – na Assembleia da República, mas acho que não mereço tamanho castigo numa manhã sem actividades lectivas a caminho de uma tarde com três reuniões e logo em dia de aniversário.

Deixei a gravar para ficar bem indisposto mais tarde.

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(c) António Carvalhal

Alanis Morissette, Thank You

Hard-Fi, Can’t Get Along (Without You)

É a resposta do Presidente da Comissão Executiva Instaladora da EB 2/3 de Macedo de Cavaleiros ao pedido de Certidão de Teor motivado pela notificação, com o anúncio das penalizações, dirigida a 70 docentes, por não terem entregue os Objectivos Individuais.

Note-se que esta resposta é de calibre bem superior às dadas pelo Ministério da Educação, mesmo se alega como base da sua fundamentação o nº 4 do artigo 40º do ECD para justificar a introdução dos OI no simplex, o que é de duvidosa validade.

Este exemplo serve ainda para demonstrar como, pelo país, há muito bom órgão de gestão pronto para sacrificar os colegas a troco do sossego da tutela.

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Ou seja o despacho 8065/2009: despacho_8065_2009_teip2_listagem_escolas_prioritarias.

Portaria valteriana (nº 303/2009) para tentar desenrascar o problema das habilitações para leccionar castelhano, a que alguns chamam espanhol.

Mas afinal sempre havia algum problema?

Se puder divulgar, agradecia.

http://www.peticao.com.pt/responsabilizacao

Creio que será difícil os professores não concordarem com isto.

L.

Olá Paulo,
Um amigo meu, historiador (Julião Soares Sousa – http://juliaosousa.blogspot.com), iniciou uma petição para a

Candidatura de Henrique Rosa à presidência da República da  Guiné-Bissau http://www.peticao.com.pt/henrique-rosa.

Se puderes divulgar, agradecia.

G.

Não percebo, muito sinceramente, o sentido desta queixa num Orçamento de milhares de milhões de euros:

Ministério da Educação estima gastar 600 mil euros com horas extraordinárias irregulares e horários mal atribuídos

Lembremo-nos que isto significa, para todo o país, menos do quintuplo do valor do famoso contrato com João Pedroso.

Ainda se estivessem preocupados com isto (já antigo), ou isto, ou mesmo isto, ou ainda isto, para não falar na mais recente derrapagem  em matéria de Obras Públicas:

Ministro minimiza derrapagem de 11 milhões nos molhes

Não se deve ignorar que este é o ministro-jamé que tem a seu cargo parte da responsabilidade na distribuição dos Magalhães, outro negócio cujos contornos financeiros ninguém parece conhecer.

E estão preocupados com um gasto adicional, num universo de 140.000 horários, com um valor inferior a 3 apartamentos ali na esquina da moda, ao preço antigo, que agora nem deve dar para 2?

Brincamos, não?

PS só leva a votos Jorge Miranda se tiver garantia prévia de aprovação

O PS só levará a votos no Parlamento o nome do constitucionalista Jorge Miranda depois de ter a garantia de que o seu candidato obterá os dois terços necessários para ser eleito provedor de Justiça.

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