Agora que se aproxima o final do 2º período há questões que deveriams er equacionadas com seriedade por todos os envolvidos, acaso alguns deles estivessem para levar isto mesmo a sério.
- Até que ponto o ME está disposto a manter a farsa em que se transformou o processo de Avaliação do Desempenho Docente apenas com objectivos eleitorais. Só que for muito crédulo acreditará que esta avaliação será feita de forma credível e servirá para distinguir efectivamente o mérito. O que se passa é uma imensa manta de retalhos de metodologias, que não é fruto de nenhuma «autonomia» mas sim de uma completa falta de preparação técnica, de uma descoordenação das indicações dadas ao longo do tempo, de uma incapacidade política para assumir a responsabilidade pelo evidente fracasso e, por fim mas não menos importante, um imbróglio legislativo lamentável.
- Até que ponto estão os sindicatos e movimentos independentes de professores disponíveis para levar a «luta» para patamares de radicalização que alienarão grande parte da opinião pública e agravarão fenómenos de afastamento da comunicação social como se verificou nestes últimos fins de semana com os encontros realizados dia 14 em Leiria e ontem em Lisboa. O mesmo se diga quanto à realização de manifestações de descontentamento convencionais sem uma eficaz auscultação da situação nas escolas e, principalmente, realizada por quem ainda tenha um crédito de credibilidade mínimo junto da generalidade dos docentes.
- Até que ponto estão os diversos agentes institucionais envolvidos (partidos, Parlamento, CCAP, CNE, Provedoria de Justiça, Tribunal Constitucional) disponíveis para assumirem as suas funções e responsabilidades em prazo útil para que este processo de ADD não se transforme numa enorme confusão que afectará gravemente não apenas o final deste ano lectivo como o arranque do próximo. Porque é isso – seja qual for a proporção dos que não acabem por (não) entregar os OI, existindo ou não penalização para tal acto – que se adivinha neste momento, colocando definitivamente em risco o clima na larga maioria das escolas e quebrando o espírito de coesão essencial para um bom trabalho de equipa em prol dos alunos.
- Até que ponto estão os professores, individualmente e sem o conforto das multidões, dispostos a manter atitudes de coerência e sacrifício em defesa de uma causa que os mobilizou de forma massiva até há pouco tempo. E envolvo nisto não apenas avaliados como avaliadores e PCE que sempre se mostraram avessos ao modelo de ADD (indo a manifestações, fazendo greves, participando em iniciativas de diversos outros géneros) mas que a certa altura parecem estar disponíveis a passar um pano sobre tudo isto e, em nome da não-rebelião ou em defesa da vidinha, com argumentos mais ou menos válidos, encerrar esta fase da «luta» e esperar que as coisas mudem no próximo ciclo de avaliação.
E lanço estes assuntos para discussão porque me parece que há demasiada gente sensibilizada para voltar às casernas (num sentido figurado, claro) e enterrar este machado de guerra enquanto parecem esperar que apenas alguns outros tratem de achar uma solução mágica que, de um momento para o outro, permita resolver a situação com danos mínimos.
Era bom que a discussão não fosse feita à pedrada.
Março 22, 2009 at 4:41 pm
Quando um homem pensa…
Março 22, 2009 at 4:56 pm
“Até que ponto estão os diversos agentes institucionais envolvidos (partidos, Parlamento, CCAP, CNE, Provedoria de Justiça, Tribunal Constitucional)…”
não fazendo favores políticos, mas analisando coerente e racionalmente a bagunça legislativa existente e, principalmente, se o que está na mesa tem mesmo alguma coisa a ver com a melhoria da qualidade de trabalho docente e consequentemente com a melhoria da qualidade de ensino
Março 22, 2009 at 4:59 pm
Nem à pedrada nem ao jeito do Pedreira.
Vamos tentar um novo patamar cívico? Seremos capazes de, sem deixar de combater ESTAS políticas, descolar o foco dos cuidados da população, professores incluídos, DESTE Governo para A qualidade educativa a que temos direito nestas e em TODAS as escolas públicas ou garantidas pelo erário público?
Março 22, 2009 at 5:08 pm
Paulo, estou de acordo consigo. O texto que se segue, apesar de curto, levou mais de uma hora para ser aprovado no Teatro Aberto, em Lisboa, entre opiniões e sugestões de 180 pessoas que pensam. Em linguagem moderada de mais para o gosto de alguns, suficiente para outros, pareceu-nos a todos que resumia o principal do ponto a que chegamos. Com mais ou menos holofotes, interessa-nos é que as vozes(cada vez menos, reconheço) não se calem.
“Os 180 PCEs reunidos, em Lisboa, no dia 21/3/2008, aprovaram por unanimidade a seguinte resolução:
Os Presidentes dos Conselhos Executivos reunidos em Lisboa, continuam a manifestar a sua preocupação na defesa da Escola Pública.
A não suspensão do modelo em vigor, proposta em ocasiões anteriores é susceptível de inviabilizar, no espaço da actual legislatura, a construção de um sistema de avaliação de desempenho docente digno e justo.
Conforme assinalámos a seu tempo, a aplicação em curso do modelo de avaliação esgota-se num conjunto de procedimentos de natureza administrativa que não cumprem os princípios e finalidades da avaliação do desempenho dos docentes.
As objecções e as reservas anteriormente manifestadas em relação ao modelo de avaliação estão, assim, a ser confirmadas na prática.
Neste quadro de análise, a leitura da legislação no que respeita à entrega dos objectivos individuais, determina a recusa, pelos Presidentes dos Conselhos Executivos, da adopção de medidas arbitrárias que possam, de alguma forma, penalizar os docentes.
Os Presidentes dos Conselhos Executivos aqui presentes reafirmam a sua total disponibilidade para contribuir na construção de soluções de avaliação do desempenho docente sérias, credíveis e justas.
Por considerarem importante promover a uniformização de medidas – já de si ferida pela adopção diferenciada de procedimentos nos Açores e na Madeira – entendem ser indispensável divulgar e fazer subscrever junto de todas as escolas do País a posição aqui assumida.”
Março 22, 2009 at 5:09 pm
Muito bem dito.
Março 22, 2009 at 5:14 pm
#4,
Vou reproduzir o documento em post, visto não me ter sido enviado (ao contrário de um ou outro protesto quanto a um outro post de 6ª feira).
Março 22, 2009 at 5:20 pm
Dos diversos agentes institucionais envolvidos, cremos que só poderemos contar com a Provedoria de Justiça, sobretudo depois da sua cadeira principal ficar vazia.
Quanto ao resto…são mais as parras do que as uvas…
Março 22, 2009 at 5:20 pm
[...] Março 22, 2009 Declaração dos PCE Reunidos No Teatro Aberto Posted by Paulo Guinote under Avaliação, Educação, Lutas, Posições Conseguido a partir de um comentário num post mais abaixo: [...]
Março 22, 2009 at 5:25 pm
Quem me dera não ter ali uma carrada de testes e poder ficar aqui algum tempo a reflectir convosco.
Do que o Paulo salienta, penso o seguinte:
1. Sim, o ME quer levar esta farsa até ao fim para poder dizer, aquando das eleições que a reforma da educação está a decorrer e, pela 1ª vez, os docentes estão a ser avaliados.
2. Os sindicatos ou movimentos avançarão se sentirem terreno para isso. Terreno somos nós, as bases.
3. Resta-me alguma esperança que vivamos num estado de direito e as ilegalidades deomnstradas venham a ser reconhecidas por quem de direito.
4. E nós?
Aí é que está o busílis da questão!
Se a fase dos OI resultou na divisão: uns entregam/ outros resistem ( apesar de NENHUM ser – pensante concordar), o que vai acontecer na fase dos relatórios de auto-avaliação?
Muito sinceramente, digo-vos: sou lutadora mas não sou Kamikaze.
Na 1ª fase da luta fiquei sozinha em todo o agrupamento. Na 2ª fase, só se sentir a força de um colectivo, serei capaz de resistir.
Até lá, espero que os 23 deputados peçam a confirmação da ilegalidade; que os sindicatos não parem a luta jurídica contra este ECD ( mãe deste modelo de avaliação), que os PCE corajosos tb se batam com medidas concretas e eficazes contra esta falta de seriedade da nossa avaliação; e que colegas resistentes na escola possam MUITOS manter-se firmes sentindo-se seguros da sua posição.
Março 22, 2009 at 5:44 pm
Só consigo dar um contributo para o ponto 4, na minha escola fomos 21 a não entregar mas só conseguimos saber quem somos 2/3, destes já contamos com menos 2 para a fase que se seguiu e que foi através de requerimento pedir o esclarecimento da base legal do que nos foi dito na notificação. Os que restamos queremos agir unidos, crendo e convictos de que a razão está do nosso lado. Quanto a entregar a autoavaliação o sentido, por agora, é de que é um dever e um direito ao qual não queremos renunciar.
Esperamos que as instâncias a quem foi colocada esta questão da ADD se pronunciem a tempo e a sério.
Pelo meu lado estou ansiosa para que saia o parecer relativo à gestão, embora me pareça que lá na escola vão continuar a fazer o que está a ser feito um pouco por todo o lado.
Para o PCE da minha escola o mail da DGRHE e FAQ(s) são lei. :{
O cenário é cinzento!
Março 22, 2009 at 5:52 pm
A desistência só dará mais argumentos como o (asqueroso) utilizado até à exaustão sobre as aulas de substituição. Como se depois da luta (“manipulada como é hábito”) os Srs. Professores tenham vindo à razão e, finalmente, se tenham passado a “portar bem” e o ME tenha tido sempre razão…
Ah, e mais votos ao PS, claro!
Desistam, desistam colegas. E logo se verá o alcance do desastre. Em vez de se contar com os outros para a luta, temos que contar connosco, sozinhos, cada um tem de lutar pelo si. É ao nível do indivíduo que se tem de ganhar esta luta. Claro que em grupo é mais fácil, mas eu sei que foi por não ter desistido nesta fase que alguns se aguentaram. E para a próxima não sei, mas tenho de lutar contra a maré de mais contra informação. Temos de nos manter unidos, custe o que custar!
Março 22, 2009 at 5:54 pm
Na minha escola foi “vendida” a ideia de que estariam “todos” a entregar OI. Muitos desistiram de lutar por causa disso. No fim, afinal, ficou meio/meio… e a nível Nacional?
Como teria ficado o resultado se não tivessem acreditado na campanha nacional de descrédito da nossa luta?
Março 22, 2009 at 6:16 pm
A saga dos OIs parece que afinal ainda não acabou.
Março 22, 2009 at 6:18 pm
A nível nacional, muita gente entregou. Há muitas escolas/agrupamentos em que todos entregaram e a vida continua como se não se passasse nada.Claro que o que chega aos blogs são os dados das escolas mais contestatárias.
Na minha, uma secundária, entregaram cerca de 70%. Tendo em conta o ambiente actual e as reivindicações, não tenho dúvidas que quase todos vão entregar a auto-avaliação.
Março 22, 2009 at 6:34 pm
Um pequeno contributo para o ponto dois, uma manifestação de descontentamento não convencional: marcar uma manifestação de professores para junto da embaixada da Finlândia com o objectivo de os professores portugueses alertarem o Ministério da Educação finlandês e os professores dos restantes países da UE, para as políticas desastrosas que estas … nos estão a infligir aqui no Portugal. Pedir ajuda ao governo finlandês para enviar um ministro para nos governar. Há livre circulação de pessoas, por isso bem podem enviar um ministro).
Se o sampaio e o socrates foram à Finlândia tomar balanço para nos insultarem, é agora a nossa vez de ir pedir ajuda à Finlândia …
Manifestações junto da assembleis ou da casa do sr silva, nunca mais.
Março 22, 2009 at 7:35 pm
COMO VAI O PS CONSEGUIR OUTRA MAIORIA, (mesmo que relativa)
A política está ferida de morte!
Os políticos apesar de não terem uma ordem, ou uma classe, agem naturalmente como tal, qualquer que seja a sua orientação partidária.
As últimas décadas foram marcadas pela subida ao poder de alguns oportunistas que nada tinham na vida e os quais ainda foram premiados por milhões num compadrio que nada fez pela gestão da coisa pública.
São alguns destes senhores que detêm os nossos recursos que deveriam estar a ser bem utilizados na criação de emprego, no desenvolvimento das PME e no futuro da nossa segurança social.
Para a classe política continua a ser necessário manter escravizada e analfabeta a classe trabalhadora. Por quê?
Porque os políticos estão enterrados até aos cabelos e são cúmplices de grande criminalidade. A justiça nada poderá fazer a não ser que a mandem prender também.
Perante isto e alguns laivos de revolta social, a politica dedica-se ao estudo das grandes massas e põe a sociologia ao serviço da política. É necessário controlar as multidões, as manifestações, os blogues…
Por fim, como já repararam, até então não havia dinheiro para nada. Mas por culpa da famigerada CRISE, surgiram biliões de euros e de dólares para o sector financeiro, para minorar o roubo que o ladrão infligiu aos ladrões.
Como vai surgir a tal MAIORIA?
Muito fácil.
A marcação dos actos eleitorais é propositada, enviando as legislativas para o final do ano, quando deveriam ser as primeiras a ser realizadas. (Março 2009)
A primeira eleição (europeias – Junho 2009) será a da vingança no PS, marcada também por uma enorme abstenção.
Depois, assistiremos a uma campanha orquestrada com o apoio dos média, que vai manipular os mais incautos com os milhões que vão esbanjar. Vai aparecer dinheiro para tudo!!! Qual CRISE.
Só espero estar enganado!!!
E poder pedir-vos desculpa por este comentário.
Março 22, 2009 at 7:44 pm
Segundo informação da Fenprof foi cerca de 50000 o número professores que não entregaram os OI’s.
Segundo informação (em off e de duas fontes) da 5 de Outubro são cerca de 40 000 a 45 000 professores que não entregaram os OI’s.
É muita gente! É um grande exército disposto a “lutar” do qual o ME não pode ignorar.
Mas não se pense que daqueles docentes que entregaram os OI’s houve uma desistência. Há sim um cansaço temporário e que mais tarde capitalizaremos.
Uma vez que a maioria dos docentes considera que uma greve prolongada é impossível então teremos de aguardar o resultado das providências cautelares interpostas pelos sindicatos. A haver um resultado favorável em pelo menos 5 providências cautelares teremos o “moral” das tropas em cima e haverá mais gente a juntar-se aos 40000.
Entretanto, o parecer do Garcia Pereira e o facto deste parecer ter sido acolhido pelos grupos parlamentares da oposição para eventual pedido, ao TC, de uma revisão sucessiva do ECD e dos Dec-Regulamentares da ADD colocou o PS nervoso e em situação incómoda. Mais incómodo e insustentável para o PS será o parecer jurídico sobre a novo regime de gestão e administração escolar.
Lembrem-se que um governo, qualquer que ele seja, não gosta de ter um cutelo em cima da sua cabeça: a possível declaração de inconstitucionalidade por parte do TC de parte do enorme edifício legislativo criado por este ME. Ora se daqui a dois anos o TC declarar inconstitucionais algumas normas jurídicas teremos o colapso da instituição que gere o ensino não superior em Portugal.
Entretanto haverá eleições e se o PS não tiver a maioria absoluta poderemos ter a certeza que a contestação dos professores ganhará novo alento.
Demorará tempo, mas resta termos paciência e determinação.
Março 22, 2009 at 7:51 pm
Até que me convençam de que estou enganada, resistirei a esta espécie de avaliação.
Quem está nas escola sabe bem a farsa que isto é.
Na minha escola, aparentemente (porque não há dados oficiais) só 10 não entregámos os OIs depois de mais de 80% ter assinado uma moção de não entrega dos ditos. Depois começaram a fazer contas e concluiram que havendo muitos que não iam pedir aulas assistidas bem que podiam tentar obter um Ex ou um MB nem que seja à custa da luta de alguns e vai daí, um grande número pediu a observação de aulas. Aqui começa, aliás, continua a palhaçada. Na sala de professores fala-se nas aulas observadas em código, porque afinal a consciência não está muito tranquila. Dão-se aulas como nunca se deram, usam-se materiais que nunca se utilizaram e no dia X avaliadora e avaliada melhoram a toilete! Parece patético? É patético e penoso de ver tanta coluna vertebral dobrada.
De referir que TODOS os actuias avaliadores da minha escola são muito ZELOSOS/ adesivos e têm levado o seu “posto” muito a sério…
Sei que a maioria dos professores continuam contra tudo isto, mas a chantagem feita pelo ME fez efeito. Estão à espera que alguém continue a luta que eles próprios abandonaram.
Temos de ser capazes de desmascarar toda esta fraude. Espero o parecer do Dr Garcia Pereira e espero que os sindicatos dêem continuidade à luta jurídica. Ainda acredito que vivemos num estado de direito … se bem que às vezes não pareça.
Março 22, 2009 at 7:54 pm
#17 Pedro
Não sei se virá carradas de dinheiro, pois muitos dos fundos estão a ser desaproveitados e os planos de pedido em muitos casos terminaram.
O que poderá haver é muita manipulação de imagem, de dados, de obras e coisa e tal.
Julgo que será mais no campo da imagem que o Ps irá argumentar. Ganhar a opinião pública.
A crise veio pra ficar e para continuar uns largos anitos.
Março 22, 2009 at 8:03 pm
Ao contrário do que toda a gente diz, eu não sinto que a luta foi inútil. Nunca tanto se falou de escola, nunca tanto se falou de professores.É certo que no início levamos “porrada” de toda a gente, mas a pouco e pouco o discurso foi mudando. As maravilhas das reformas da educação são, hoje, vistas por muitos como grandes fracassos. Antes, não se conseguia ler um jornal sem se ficar num estado de ira brutal. Agora, confesso, já dá gosto ler e constatar como há, já, muita gente a perceber a demagogia e propaganda brutal com que este governo procura esmagar quem se lhe opõe.
Para todos os efeitos, encostamos a ministra às boxes. Raramente aparece e perdeu o ar triunfal com que se passeava quase diariamente pela comunicação social.Para além disso perdeu a credibilidade. No final pode dizer o que quizer que ninguém a leva a sério. Mais, quando Sócrates olhar para ela, verá sempre o rosto da ameaça da sua tão desejada “maioria absoluta”.
A ADD como a ministra imaginou já não existe. O que existe hoje é uma caricatura que, estou em crer, nem ela vai querer avaliar. Foi triste que muitos colegas nossos tivessem cedido e entregue os OI mas, isso, não altera o fracasso deste modelo. Para todos os efeitos não passou.
Agora as grandes questões que se relacionam com o ECD, essas sim, mantêm-se de pé e são um desastre.
Enquanto este ECD não fôr alterado os professores não podem descansar.
Acontece que, neste momento, estão exaustos, mas isso não significa, ao contrário do que muitos podem pensar, que enterraram as armas. Aquilo que eu sinto é que há nas pessoas um “desgosto” profundo e um cansaço que a qualquer momento volta a explodir.
Março 22, 2009 at 8:04 pm
#14,
Aqui nunca fiz qualquer estatística e continuo a dizer que qualquer cálculo pecará por falta de fundamento.
Março 22, 2009 at 8:04 pm
Não vejo qualquer saída senão continuar. É a única possível para quem quer ser coerente. Se nada mudou, porque mudaríamos a nossa forma de sentir? Claro, que muitos ficaram pelo caminho, mas nunca seria de pensar o contrário. Isso é que seria surpresa.
Estamos sozinhos? claro que sim! a Luta é nossa e colá-la a quaisquer outros iria desvirtuá-la. Não são interesses políticos que nos motivam nem outros que não sejam a melhoria da escola pública com o que isso implica de avaliação justa.
Pelo facto de estarmos sozinhos temos recolhido muito mais apoios do se estivessemos em companhias que colassem “etiquetas” na nossa luta. É preciso olhar para trás e ver o ponto de onde partimos: a ministra colhia aprovação unânime. Neste momento, falar em ministra é sinónimo de repúdio pelo governo. Fizémo-lo sozinhos, e com muitas ajudas do ME! Fomos a primeira classe profissional, e até agora a única, a contestar os abusos da maioria absoluta.
O que nos espera? mais abusos, como não poderia deixar de ser!
Volto a afirmar que os CEs não precisam de OIs nem de auto-avaliações para nos avaliar. As grelhas de avaliação estão feitas e não referem OIs nem auto-avaliações. É simples: fez x acções e isso dá y pontos! Como tal, será de esperar que no fim apareça a ordem: avaliem todos! Os PCEs terão que obedecer (SIADAP oblige) e os nossos governantes poderão dizer que avaliaram todos os professores.
Resta continuar, porque o mundo dá muitas voltas sobretudo neste ambiente de “crise” que de financeiro tem pouco. Trata-se de uma crise de avaliações! Todos os fiascos são devidos a espertezas para superar OIs e arrebatar excelentes nas avaliações. Claro, que com $$$$ à mistura! Mas esse problema também já se fez sentir nas nossas fileiras…
Um dia ainda veremos que não há excelentes se estiverem lado a lado com mediocres. Um excelente influencia tudo à sua volta. O individualismo desta avaliação vai acabar com a escola onde é possível ser feliz. Continuarei a minha luta.
Março 22, 2009 at 8:05 pm
#20,
Nem “toda a gente” diz isso.
Embora se queira fazer crer, mesmo das mais inesperadas origens.
Março 22, 2009 at 8:18 pm
#20, é verdade que a nossa luta não foi inútil. Duvido que o próximo governo tenha a ousadia de implementar “reformas” sem a concordância dos professores.
suomi, a ideia de uma manif em frente à embaixada da Finlândia, com cartazes a exigir uma avaliação dos profs portugueses semelhante à dos finlandeses teria um impacto interessante!
E tb se luta com o humor
Março 22, 2009 at 8:25 pm
Também gostei desta ideia do Suomi.
Março 22, 2009 at 8:34 pm
É muito importante reflectir, Paulo…
Fundamental, diria:
1 – Até que ponto o ME está disposto a manter a farsa em que se transformou o processo de Avaliação do Desempenho Docente apenas com objectivos eleitorais.
R1: Estarão disponíveis até ao fim. E muito sinceramente, nesta altura do campeonato, espero que assim seja. Na altura devida explicarei o porquê. Porque alguns trunfos devem ficar guardados para o final…
2 – “Até que ponto estão os sindicatos e movimentos independentes de professores disponíveis para levar a «luta» para patamares de radicalização que alienarão grande parte da opinião pública” e “Até que ponto estão os professores, individualmente e sem o conforto das multidões, dispostos a manter atitudes de coerência e sacrifício em defesa de uma causa que os mobilizou de forma massiva até há pouco.”
R2: Pressionados ou não, penso que ao terem entregado os OIs uma grande parte dos professores acabou por desistir de lutar.
E a verdade é que a única forma de recuperarmos a unidade será convencendo os professores que entregaram os seus OIs a pedirem a sua devolução.
E isso passa por um trabalho exaustivo de convencimento e mobilização por parte de sindicatos e movimentos.
Pergunto: Se não houver penalização para os professores que não entregarem os OIS, porque não solicitar a sua devolução?
Se a maioria dos professores solicitar a devolução dos seus OIs, após as confirmações das providências cautelares e de uma eventual resposta em tempo útil da Provedoria de Justiça e do Tribunal Constitucional, a avaliação ficará mais claramente comprometida neste ano e enfraquecerá a lógica mediático-socretina do “avaliamos os professores”.
3 – Até que ponto estão os diversos agentes institucionais envolvidos (partidos, Parlamento, CCAP, CNE, Provedoria de Justiça, Tribunal Constitucional) disponíveis para assumirem as suas funções e responsabilidades em prazo útil para que este processo de ADD não se transforme numa enorme confusão que afectará gravemente não apenas o final deste ano lectivo como o arranque do próximo.
R3: Ainda acredito na justiça. E acredito que até ao fim deste ano lectivo as entidades institucionais irão preocupar-se com o cumprimento das leis e nunca com eventuais interesses políticos.
Apenas deixaria uma pequena mensagem aos membros do CCAP e do CNE: eu, se fosse membro de um dos órgãos, cá ficaria muito envergonhado se, para “agir em conformidade”, fosse necessário – além de um parecer de um prestigiado advogado, de uma posição inequívoca de centenas de PCEs ou de algumas providências cautelares aceites – surgir uma qualquer “reprimenda” de uma Provedoria de Justiça ou de um Tribunal Constitucional dando conta das ilegalidades de um processo que, a olhos vistos, já não tem qualquer nexo.
Mas muito envergonhado mesmo!
…
…
Março 22, 2009 at 8:34 pm
Paulo
Eu sei. Só queria reforçar a ideia.
Março 22, 2009 at 8:36 pm
Formas de luta originais?
Horário lectivo e não-lectivo, cumprido na escola na sua totalidade!Cada minuto, bem controladinho! Só que no fim do dia , as malas cheias de papéis ficam lá na escola, não vão para casa! Vamos ver quanto tempo dura esta serenidade toda!
Março 22, 2009 at 8:38 pm
Reflectindo…
Não nos podemos dividir em “os que entregaram os OIs” e os que “não entregaram os OIs”, mas sim entre os que estão contra uma avaliação sem pés nem cabeça e os que se baterão por uma avaliação séria e honesta. Apesar de não haver nenhuma “fórmula científica” para avaliar um professor a verdade é que sabemos quem são os bons professores, os que cumprem, e os maus… A união deve pois ser à volta de uma avaliação justa e da qualidade do ensino e da escola pública.
Aos sindicatos o que é dos sindicatos, aos partidos o que é dos partidos e aos movimentos o que é dos movimentos… Neste momento o nosso grande inimigo é o PS (este PS, o PS de Sócrates, como quiserem). Devemos desmontar toda a propaganda e os ataques aos professores. A nossa luta deve ser centrada aí. Mas não nos podemos esquecer que sindicatos e outros partidos tentarão combater-nos ou aproveitar a nossa luta (foi o que aconteceu em Leiria…, mas mesmo um “cracházinho” pode fazer mossa…).
Março 22, 2009 at 8:43 pm
Já tenho o portátil..uma virose….agora estou a instalar alguns dos programas que perdi…tinha lá algum amaterial que aardeu…sorte ter metido grande parte na minha pen…quanto á problemática não auguro nada de bom..quando muito suficiente mais…o tempo não joga a nosso favor …avec le temp tout se oublie…e se vocês confiam na justiça eu tenho sérias dúvidas…olhem o caso casapia, apito dourado, bpn…nã..daí só se for milagre..acho eu…oxalá esteja enganado…
Bem vou jantar…um abraço e até logo se for possível…
Março 22, 2009 at 8:48 pm
Bendito seja BB. Fizeste-me lembrar da minha pen …já não sabia dela.
Março 22, 2009 at 8:51 pm
Nós, aqui na Ordem também fomos atacados, felizmente, o electricista que nos trata das máquinas resolveu o problema…
Curiosamente, foi logo após o lançamento da nossa tentativa de angariar o patrocínio do Dr. João Pedroso…
Março 22, 2009 at 8:55 pm
Mauricio, soube de uma pessoa que pediu os Objectivos de volta e lhe recusaram.
Março 22, 2009 at 8:57 pm
Os apelos à unidade “já eram”!
Há coisas contra as quais não se pode lutar!
A “unidade” foi falsa e viu-se! Aconteceu que todos tivemos motivos individuais e não de classe que contribuiram para as grandes, mas falsas manifestações de unidade.
Também eu só agora me apercebi dessa realidade, embora já ande “nisto” há 32 anos. Ainda quis acreditar que agora era a sério! Como me enganei!E como lamento!
Quem não se enganou foi o ME. Sabem bem com o que contam…sabem bem a porcaria de classe que os profs. são.
Alguma vez na vida conseguiremos aceitar, de coração nas mãos, hierarquias, sejam lá de que tipo for, entre nós? Será que a nova figura do “Director” já nos fez esquecer as “guerrilhas” vividas só para as eleições dos Cons. Directivos e Cons. Executivos?
Já se esqueceram do exemplo dado pelos professores contratados no ano passado, quando na sequência do Memorando ficou decidido que esses tinham de ser avaliados? Já se esqueceram que em vez de apontarem os “canhões” ao ME, os apontaram aos possíveis avaliadores, ameaçando-so de processos em tribunal e queixas ao ME?
E aquilo era só “a brincar”, imagine-se se fosse a sério!
Somos uns pobres de espírito.
Somos uns pobres de alma.
Somos uns pobres de integridade!
Somos uns pobres de honestidade!
Março 22, 2009 at 9:00 pm
FCP, calma.
Como diz o Paulo ” há uma aldeia…”
Às vezes, poucos tb fazem alguns estragos…
Março 22, 2009 at 9:18 pm
[...] longe… mas ainda se vai afogar muita gente. Ir para os Comentários O Paulo G. retoma aqui a questão de saber até que ponto cada um dos contendores está disposto a ir, procurando refletir [...]
Março 22, 2009 at 9:18 pm
Reb, 33,
E isso é legal?
Março 22, 2009 at 9:25 pm
A luta dos professores têm sido uma parte bem visível da escassa oposição a este Governo. O bloco cedo percebeu os dividendos de apoiar os professores, o PCP deu um tiro no pé ao afastar uma deputada que conhecia bem a nossa causa, mas já arrepiou caminho e procura recuperar o que deixou pelo caminho. O PSD perde em não clarificar uma posição global preferindo não se comprometer demais.
Março 22, 2009 at 9:26 pm
os PCE’s não representam a classe docente,
os Sindicatos estão desgastados perante a hipocrisia do ME,
perante isto, o (des)governo vai tentar manter este simplex de ADD até ao final da legislatura e irá tentar arrasar com a classe docente perante o seu eleitorado, porque a luta, a contestação na rua e as greves, vão ser arma de arremesso contra os professores.
No entanto e apesar de parecer contraditório, deveria ser marcada, ainda antes da Páscoa, uma greve por tempo indeterminado em Maio, mesmo que a não venhamos a fazer ou que sejamos apenas 40 ou 50 % a aderir.
Consequências de uma nova contestação / greve de professores no 3º período :
1- ou o governo suspende finalmente o vergonhoso simplex de ADD
2- ou será, quase de certeza, o rastilho que falta para a revolta social.
E O desGOVERNO SABE DISTO!
Março 22, 2009 at 9:27 pm
coeh,
os professores têm a arma definitiva nas eleições e não podem falhar o alvo, desperdiçando tiros.
http://fjsantos.wordpress.com/2009/03/22/ja-se-ve-a-praia-ao-longe-mas-ainda-se-vai-afogar-muita-gente/
Março 22, 2009 at 9:53 pm
Paulo,
Considero que o balanço que fazes neste post é muito pertinente. Como estou quase “sem tempo”, agradeço-te apenas que o tenhas feito com inequívoca clarividência.
Há também nos comentários algumas ideias com interesse e a explorar – por exemplo do Suomi e do Pedro, entre outros.
Abraço
Março 22, 2009 at 10:08 pm
Lamentavelmente muita gente continua a confundir comentários a posts com mensagens para o autor do blog (para isso têm o mail) e outro(a)s necessitam de desabafar e não olham onde…
O que é que eu tenho a ver com isso? Dirão. Nada! Só que, andando à procura de debate e confronto de ideias apenas encontro o deserto ou a tentativa de protagonismo. Lamentável
Março 22, 2009 at 10:18 pm
Maurício,
Pedir os OI de volta, quando delegados e dirigentes sindicais os entregaram e aconselharam, quem deviam esclarecer e apoiar, a entregá-los. Pois se calhar… Não me parece.
E sem fatalismo, mas com realismo quantos dos que não os entregaram vão manter a coerência?
Março 22, 2009 at 11:03 pm
Elisabete,
Um eu garanto…
Março 22, 2009 at 11:15 pm
#42,
Vamos a isso, António!
Qual a reflexão que faz, de acordo com o post?
Março 22, 2009 at 11:30 pm
O facto de ter sido feita a entrega dos OI por alguns alguns professores, tal não sgnifica que eles desistiram da luta, como algumas vozes afirmam. Acautelaram o porvir e esperam para ver o que isto dá. Mas não se julgue que baixaram definitivamente os braços.
Na meu Agrupamento apenas uma meia dúzia de docentes pediu aulas assistidas.
No meu Departamento, do qual sou o coordenador, ninguém solicitou aulas assistidas.
Na semana passada, a PCE do meu Agrupamento perguntou-me se eu estaria disposto a ir avaliar noutra escola, bastante distante da minha. É claro que disse que não, com o argumento de que não avalio na minha escola e, por conseguinte, também não vou avaliar os de fora. Quem os tiver para avaliar que os avalie. Nem que fosse numa escola ao lado da minha, não me disponibilizava para o fazer.
Temos de seguir o exemplo dos professores franceses, que continuam a resistir à reforma dos seus governantes (http://partilhadosaber.blogspot.com/2009/03/professores-franceses-continuam.html).
Todas as lutas pela honra levam mais tempo a chegar a resultados concretos, mas tenho a convicção de que ganharemos esta ‘guerra’.
Se não for antes, pelo menos no dia das eleições legislativas…
Março 22, 2009 at 11:34 pm
#45
Fernanda 1(?)
Não precisa de me dar razão…
Março 22, 2009 at 11:52 pm
#47
António (?)
Claro que não.
Mas não posso?
Março 23, 2009 at 12:11 am
#48
Fernanda 1,
Pode, mas não deve, isto é, se não tem nada a dizer… simplesmente não diga ! Faz-me perder tempo (não é que eu tenha testes para ver…), mas há melhores maneiras de ocupar o tempo.
PS. O ponto de interrogação era para o numeral “1″ não para “Fernanda”…
Março 23, 2009 at 1:54 am
#15
#17
Não estou assim tão optimista, Pedro.
Não creio que o nº dos que não entregaram OI’s seja superior a 20 mil (ainda assim um bom nº).
Penso que as providências cautelares são sobre questões diferentes, pelo que não será feita jurisprudência.
Também não creio que o próximo governo, PS sem minoria, ou PSD (hipótese pouco provável) vá mudar algo de significativo.
Se não juntarmos 10 ou 15 mil numa greve por tempo indeterminado não creio que consigamos o fim da divisão da carreira.
#19
“A crise veio pra ficar e para continuar uns largos anitos.”
A crise é muito subjectiva. As grandes empresas (associadas ao sistema) obtêm lucros cada vez maiores.
Depois, a manipulação estatística tudo muda.
Março 23, 2009 at 4:16 am
Eu avisei!
Que o radicalismo que se verificou na luta contra a ADD iria provocar o desânimo e a frustação.
Nunca gostei de unanimidades! E era unanimidade a mais!
Ainda bem que a maioria dos professores, entregou os OIs.
Ainda bem que 99,9999% vai entregar a sua Ficha de auto-avaliação.
Não há modelos justos, há modelos exequíveis!
Simplifiquem o que for complexo!
Março 23, 2009 at 11:29 am
#51
é estranho que depois de duas licenciaturas e um mestrado ainda não seja capaz de evitar colocar uma vírgula entre o sujeito e o predicado…
Março 23, 2009 at 12:38 pm
O PROBLEMA CARO GUINOTE É QUANDO AS PEDRADAS SÃO LANÇADAS POR QUEM AGORA APELA A UM DEBATE SEM ELAS. O DESÂNIMO DE MUITOS ACONTECE TAMBÉM QUANDO SE TENTA DESVALORIZAR QUEM LUTA COM GARRA E DETERMINAÇÃO. A POLÍTICA DE TERRA QUEIMADA: EU É QUE SEI TUDO, OS OUTROS SÃO FRAQUITOS E NÃO PERCEBEM NADA DISTO, NÃO TERÁ BONS RESULTADOS NO QUE À LUTA DIZ RESPEITO. MAS FICO DESCANSADO PORQUE OS TRIBUNAIS É QUE VÃO RESOLVER ISTO TUDO!
Março 23, 2009 at 2:32 pm
#52, também me saltou logo à vista
Março 23, 2009 at 3:14 pm
Telmo, 46,
Às vezes é preciso espicaçar a malta…
…
Março 23, 2009 at 4:12 pm
Independente das reflexões que se façam , a verdade é que o ambiente na maioria das escolas ficou pesado.
Quem entregou os objectivos, na minha perspectiva ( e esses podem aduzir muitas razões da vidinha para tal) entregou-se! Como é óbvio teremos de manter relações profissionais com todos. Agora, relações de amizade e solidariedade é outra questão!
Estou farto de ouvir lamúrias nos cantos da sala e pseudo-avisos do tipo “vocês vejam lá”!
Então, quanto aos que pediram avaliação científica, para esses apenas boa tarde. Nada de conversas e confianças.
Março 23, 2009 at 5:25 pm
Se cada um de nós só tivesse a visão do universo da sua escola como seria?
Pela minha parte, perguntar-me-ia: “Como é possível que tudo aparente estar normalizado? Ainda há tão poucos meses tantos pareciam revoltados…”
Março 23, 2009 at 7:27 pm
#56
Se, a partir de agora, os professores passarem a cumprimentar-se diariamente, pelo menos quando se cruzam pela primeira vez, em vez de muitos virarem a cara para não ter de dizer bom-dia, então isto dos OIs já foi muito positivo…
Março 23, 2009 at 11:02 pm
Caro Paulo Guinote:
O Governo pretende levar a farsa até ao fim, tanto mais que está na recta final enquanto Governo. Estamos quase no final de Março. Depois vem Abril, Maio e Junho. Julho e Agosto são meses de férias, Setembro vai ser o mês da campanha eleitoral para as legislativas e Outubro, legislativas. Quer isto dizer que o Governo tem à frente apenas e só apenas 3 ou 4 meses. O Governo vai levar a farsa até ao fim, em primeiro lugar, porque ele é estruturalmente farsante e, em segundo lugar, porque se não a levasse até ao fim, isso representaria, na lógica dele, uma imensa derrota política, para mais em ano de eleições. Só que a própria aplicação prática do modelo de avaliação tem revelado que ele não presta, é injusto, está mal concebido e o diabo a sete que já sabemos e vai sendo cada vez mais visível para a opinião pública e até para alguns OCS. Portanto, impõe-se que tudo seja repensado, que esse modelo estapafúrdio seja substituído por um modelo justo, sério e bem concebido! Com a actual equipa do ME, isso não se consegue, está fora de questão! É fundamental que, no mínimo, o PS perca a maioria absoluta porque sem ela não acredito que faça (admitindo que forme Governo de maioria relativa) o que tem feito. Acho que cada pessoa que verdadeiramente está contra a postura e as práticas do ME e do Governo, de uma forma geral, tem um papel decisivo a desempenhar junto de amigos, familiares, conhecidos, vizinhos, colegas, etc, no sentido de os esclarecer e contribuir para um novo panorama a partir de Outubro! A batalha jurídica também é importante e tem o seu lugar insubstituível, mas ela não é nem deve ser a única linha de acção, é bom ter presente! Diversas acções junto da Assembleia da República, entretanto já em curso, são também fundamentais e alguns frutos hão-de dar. É certo que uma parte significativa da opinião pública vai abrindo os olhos e percebendo as coisas, apesar de ainda existir muito ódio mesquinho para com os professores, grande parte dele consequência da estratégia demoníaca do Governo, no sentido de virar a opinião pública contra os professores. Acredito que o nível desse ódio possa descer, mas penso que tem faltado, até da parte dos sindicatos, acções suficientes e continuadas de esclarecimento da opinião pública! Várias acções poderiam e deveriam ser desenvolvidas nesse sentido! Apesar de o Governo estar na recta final, a luta deve continuar e até se aprofundar e o mês de Setembro será particularmente significativo, inclusivamente porque é o mês de regresso às aulas e, portanto, de início de um novo ano escolar. Penso que, nele, podem e devem ser desenvolvidas determinadas acções de luta, até originais! Por exemplo, a realização de uma marcha silenciosa com os professores todos vestidos de preto. Aqui o silêncio é obviamente simbólico (há silêncios que gritam) e silêncio esse que seria interrompido a partir de determinado momento, a ser definido. O texto já vai um pouco longo, mas deixo a pergunta: perante esse caminho de luta (a não começar apenas em Setembro, mas a continuar desde já), a maioria dos cidadãos vai querer mais 4 anos de inferno na educação?…
Março 23, 2009 at 11:11 pm
#59,
A ideia para Setembro foi algo que surgiu já por ocasião da manifestação de 8 de Março.
Mas há quem prefira gritar mesmo.
Março 23, 2009 at 11:17 pm
Mais do que incompetência estamos a lidar com estupidez. E assim é muito mais difícil.
Falei há pouco com uma pessoa que dá aulas na univarsidade de Paris 8. Na quinta feira esteve na manifestação. O governo não ficou indiferente. Aqui saem 140000 professores para a rua e a ministra afirma que o que mais a marcou foi uma carta de uma aluno a dizer que gostava muito do magalhães e que iria votar PS quando fosse grande! Consequências políticas duma alarvidade destas? Nenhuma.
Prós e contras sobre futebol, sic noticias “O dia seguinte” (futebol) TVI 24 “Prolongamento” (futebol).
Assim vai o país!
Março 23, 2009 at 11:26 pm
E eu gosto de futebol!
Questões levantadas pelo Paulo:
Até que ponto o ME está disposto a manter a farsa em que se transformou o processo de Avaliação do Desempenho Docente apenas com objectivos eleitorais.
-Até ao fim. Para parar, reflectir e emendar é preciso massa cinzenta!
Até que ponto estão os sindicatos e movimentos independentes de professores disponíveis para levar a «luta» para patamares de radicalização que alienarão grande parte da opinião pública
-Não sei. Acho que os movimentos independentes resistirão mais. Que podemos esperar de sindicatos que não souberam o que fazer com tanta mobilização?
Até que ponto estão os diversos agentes institucionais envolvidos (partidos, Parlamento, CCAP, CNE, Provedoria de Justiça, Tribunal Constitucional) disponíveis para assumirem as suas funções e responsabilidades em prazo útil para que este processo de ADD não se transforme numa enorme confusão que afectará gravemente não apenas o final deste ano lectivo como o arranque do próximo.
-Os partidos até acharem que podem tirar dividendos. A provedoria de justiça está em banho-maria. O TC é uma esperança. CNE. O que é isso?
Até que ponto estão os professores, individualmente e sem o conforto das multidões, dispostos a manter atitudes de coerência e sacrifício em defesa de uma causa que os mobilizou de forma massiva até há pouco tempo?
-Eu, até ao fim. Os outros…(alguns) são o inferno.
Março 23, 2009 at 11:41 pm
Desconheço NÃÃÃO pela metade.
J’irai jusqu’au bout