Muito mediador cultural (e não só…) vai ser necessário quando deixarem os miúdos 12 horas na escola e eles só falarem a sério com os pais nos fins de semana em que os ditos não forem obrigados a trabalhar.
Nessa altura acho que vão ser necessários é mediadores parentais (e maternais).
Mediadores culturais nas escolas, precisam-se
O sistema de ensino português tenta “uniformizar” os alunos, mas as crianças ciganas
não querem perder a sua cultura.
Entretanto, só por curiosidade, gostava de saber o que fazem na Escandinávia para integrar – numa perspectiva multicultural – os alunos não indígenas.
É que tudo isto é tudo muito bonito mas a verdade é que após 15-20 anos de estudos e produção teórica sobre estes fenómenos pouco foi feito de concreto, excepto umas «experiências-piloto» aqui e ali para fundamentar esses mesmos estudos.
E mais do que eficazes intervenções no terreno, estes episódios acabam é por fazer nascer mais um Observatório ou uma Estrutura de Missão ou seja lá o que for que sirva para dar um complemento de rendimentos a uns quantos «cientistas sociais» que depoios produzem uns relatórios giros mas quase sempre para arrumar na gaveta.
Março 19, 2009 at 8:38 am
É que nem duvide!
Daqui a uns anos será preciso vasculhar muito para encontrar uma escola que ainda o seja: um local onde se ensine (nada de ter medo desta nobre palavra) e se aprenda.
Março 19, 2009 at 9:33 am
Nesta perspectiva deturpada do multiculturalismo, para que as minorias não percam a sua identidade, deveríamos, com certeza, legalizar e incentivar a excisão feminina, a poligamia e acrescentar o romani e o criolo ao magalhanês, como língua obrigatória no país, para que essas minorias possam ser devidamente integradas.
Vamos mudar todos, mas para que cultura minoritária? É a minha questão…
Março 19, 2009 at 9:49 am
#2,
Para um pout-pourri que tenha a benção do B. S. Santos.
Março 19, 2009 at 9:55 am
Não se esqueçam que além da multiculturalidade estão a chegar às escolas muitos miúdos com NEE mais graves que poderiam estar nos centros de recuperação (até aqui estavam) mas que o ME não nos deixa fazer os encaminhamentos, terão que integrar as escolas normais, mas sem condições de todo o tipo, nem a EE consegue dar a volta porque há poucos professores…temos salas em que os professores estão a ficar em stress… e vai agravar no próximo ano…
Março 19, 2009 at 10:08 am
Homens de pouca fé!
Março 19, 2009 at 10:11 am
Eu chou om gitano que vinde nas fieras prodiduto cuntrafeito, acho mal sirmos descremeniodas pois achim num pudemos ingamar o próximo em ducomentos e copusas achim.
Eu thirei o 6ºano nos ifas e cumu viem siei escrever e cuntar até 100.
Vucês sum tudud uns rachistas do caracho.
Março 19, 2009 at 11:37 am
Paulo,
o meu contributo para o teu circo está aqui:
http://fjsantos.wordpress.com/2009/03/19/gerir-a-diversidade/
Bem sei que é um discurso politicamente incorrecto no seio da “classe docente” e em particular neste espaço… mas não és só tu quem gosta de pensar pela sua própria cabeça.
Feitios.
Março 19, 2009 at 11:44 am
#7,
Não discordo da tua leitura.
Não sei porque será correcto ou incorrecto.
Politicamente ou não.
Depende.
Sempre tive que me “governar” com todos na sala de aula, azuis, azuis-claros e azuis-escuros.
Até ao momento sem resultados demasiado complicados, apenas com o esforço óbvio e a necessidade de recuar até aos meus tempos de aluno para me “enroupar” na pele deles.
Março 19, 2009 at 1:13 pm
O link está partido, ou seja, não percebi bem o que se cita.
Falo com algum conhecimento de causa, os mediadores culturais com ciganos são eficazes, existem, ou sejam deram-lhes formação, uns recibos esverdeados, e um pontapé para nem isso gastarem.
Para mim é parte do que nos queixamos: falta nas escolas quem saiba fazer o que os professores nem sabem nem devem: psicólogos, assistentes sociais, mediadores…
Março 19, 2009 at 3:32 pm
E PORQUE NÃO CAPACETES AZUIS A SERVIREM DE MEDIADORES ?
http://dunazulx.spaces.live.com/blog/cns!E3F29B1545515506!3910.entry
Lá voltamos nós ao mesmo refrão da Escola Multiusos.
Essa história de a cultura cigana ser motivo de interesse para o resto dos alunos, também se aplica aos brasileiros, aos romenos, aos ukranianos, aos russos, aos moldavos, aos cabo-verdianos, aos angolanos, aos moçambicanos, aos alentejanos, aos lisboetas, aos altos, aos de olhos azuis, aos mongolóides, aos autistas, aos esquizofrénicos, aos cancerosos, aos doentes de SIDA, aos toxicodependentes, às mulheres, aos homossexuais e por aí fora.
Isto que se propõe é a transformação da escola num jardim zoológico de espécies protegidas, um centro comercial ignóbil onde cada um leva a sua mercadoria para vender e expôr.
Esta ideia é o resultado do cruzamento do mito da Arca de Noé com as baboseiras malmastigadas do multiculturalismo à la Boaventura Sousa Santos, um dos mais destacados mandarins que parasitam o aparelho de Estado.
Isto não é uma escola, mas apenas um espectáculo de La Feria, com um guião inspirado no eduquês.
Março 19, 2009 at 10:03 pm
Sinceramente não sei para que servem os moderadores.
Já trabalhei com turmas PIEF nas quais a maioria era de etnia cigana. Nunca tive problemas. Tive sorte? Não sei!
O que é certo é que, há ciganos e ciganos.
Mas tb recordo uma situação em que um aluno de etnia cigana fez-me peito. Não me fiquei.
Só lhe apertei o colarinho da camisa…
Foi remédio santo!
Março 20, 2009 at 2:11 am
Os moderadores servem para os miúdos ciganos irem à escola. Os mediadores também servem para as miúdas ciganas não abandonarem a escola.
Chega?
Já agora, também podem servir para ensinar a professores que os ciganos já cá estão, em Portugal, desde o séc XVI, o que não sucede com brasileiros, romenos, ukranianos, russos, moldavos, cabo-verdianos ou angolanos, o que pelos vistos alguns professores não sabem.
Março 20, 2009 at 8:47 am
#12
O RSI, uns portões bem fechados à chave, muros altos e arame farpado, fazem então o mesmo papel do que os mediadores…
Os celtas, os iberos, os árabes os judeus, os franceses e, dizem que também alguns ETs, também por cá andaram.
Penso que uma escola com um currículo a sério, com uma boa história e uma boa literatura e já para não dizer uma boa filosofia, resolveria o assunto de forma muito mais eficaz, sem ser preciso recorrer ao folclore e ao embuste.
Mas para isso seria preciso um governo sério e intelectualmente honesto.
Os mediadores e outros terapeutas sociais são pagos para dizerem banalidades e para se auto justificarem na sua missão da treta.
Março 20, 2009 at 8:52 am
#12,
Portanto, a discriminação trata-se por ordem cronológica, é isso?
Março 20, 2009 at 9:44 am
O Centro Comnercial das Olaias bem que precisava de uns mediadores.
Março 20, 2009 at 1:32 pm
As escolas já são um circo há muito tempo!
Março 20, 2009 at 1:52 pm
É interessante ver o que se fez, o que foi estudado e quais as conclusões dos casos Sueco e Holandês, nos anos 60/70, por um lado, e do conceito Inglês, dos anos 80/90 até hoje em dia.
Em forma muito breve: nos anos 60 e 70, nos países que tiveram muita imigração, começou-se por uma política de adequação do sistema às comunidades recém-chegadas (mediadores, tradutores, turmas separadas…), para se concluir depois que essa estratégia mantinha a divisão cultural, e, no futuro era prejudicial, quer para o grupo de crianças, quer para a sociedade globalmente.
É que a escola é um meio de “socialização” e “enculturação”, para TODOS, não um fim em sim mesmo. As diferenças são os pontos de partida e acompanhamento familiar.
Em inglaterra, com muito menos sucesso, mas mais populista, ainda hoje se recorre bi,tri,tetra ou quinto-linguismo, nos panfletos das escolas e na tentativa de comunicar com os pais.
A mesma questão se põe acerca da escola laica versus escola multi-religiosa, mas nem entremos por aí..
Março 20, 2009 at 4:27 pm
Para os eduqueses a riqueza cultural e a diversidade de opiniões resume-se à transformação do espaço escolar em verdadeiros reality shows, onde cada um expõe aos outros a sua “história de vida”, na maior parte dos casos reduzida a hábitos e a costumes gastronómico-musicais.
Nesta perspectiva multicultural de partilha de “modos de vida”, os livros e as narrativas elaboradas são uma chatice, porque obrigam os professores e os alunos a aprofundarem uma cultura comum e a racionalizarem as diferenças civilizacionais, com um objectivo humanista.
Fica tudo muito mais fácil e politicamente correcto quando o folclore e o espectáculo se substituem ao saber e à compreensão do Outro.
Março 20, 2009 at 6:28 pm
Os ciganos fazem parte da História de Portugal. Omitir isso em História, pelo menos no 11º ano, ou fingir que a Inquisição ou o Hitter apenas perseguiram judeus, é um erro científico e pedagógico, acho eu.
Não me leram a defender patetices do tipo ensinar a língua dos imigrantes aos não-imigrantes, ou sequer falar de multiculturalismo, que por acaso faz parte dos cursos EFA’s de nível secundário, e que não é conceito exactamente do meu agrado.
Muito simplesmente no caso dos ciganos portugueses, e uma vez esgotadas as soluções repressivas (em mais de 400 anos não deram resultado) parece-me civilizado estabelecer pontes que facilitem a ida dos miúdos à escola. Só isso.
E não me venham com a conversa de que os ciganos é que não querem e por aí a fora: estou a falar de crianças e do seu direito à escola.
O h5n1 não sabe o que é um mediador: neste caso não é um terapeuta social, nem tem nada que ver com eduquêses: é um cigano que constrói essa ponte, através do conhecimento que tem dos seus e da formação que lhe é dada para conhecer as regras da escola, evitando de resto que aos professores fique a responsabilidade de a fazerem, sozinhos e sem rede.
Conheço casos em que funcionaram muito bem (em Coimbra), e casos onde bem senti a sua falta (numa escola da Maia que de repente virou batalha campal, pela simples impossibilidade de se esclarecer um mal-entendido).
Março 20, 2009 at 10:13 pm
#19
O mediador será assim como que uma espécie de intérprete tribal.
Não ponho em causa a competência do dito, mas apenas o propósito de uma escola que precisa deste tipo de personagens, como se estivéssemos em plena expedição a um território inimigo.
Simplesmente patético, meu caro, uma vez que se aceitem este tipo de regras claramente raciais e de demarcação territorial, travestida em faz-de-conta-que-é-inclusão.