Boa noite.

Sou professor há 10 anos e hoje, pela primeira vez, dirigi-me a um sindicato (FENPROF de Viseu) afim de esclarecer algumas dúvidas na interpretação do regulamento do concurso.

Entrei, disse um simpático boa tarde à funcionária que estava na recepção, apresentei-me e perguntei se me podia ajudar no esclarecimento de algumas dúvidas. Recebi de volta um tímido boa tarde e a pergunta se era sindicalizado.

Quando disse que não, fui de imediato informado que para ser atendido teria de me sindicalizar. Caso contrário não me atenderia. Por esta altura já se tinha juntado à conversa um dos nossos representantes (sindicalista) que apoiou de imediato a resposta da sua funcionária.

Perguntei se tinham alguém à minha frente para atender (razão que para mim seria suficiente para a recusa de me atenderem), qual o meu espanto quando disseram que não. Tinham ordens da direcção para atender só sindicalizados. Esclareceu-me ainda que tinham de pagar a funcionários e arrendamento de espaços, pelo qual só atendiam professores sindicalizados.

Numa última tentativa disse que a minha mulher era sindicalizada, mas a resposta foi na mesma direcção, não o podemos atender, a sua mulher que venha cá.

Desejei uma boa tarde e vim embora. Claro que na rua e para mim perdi a postura e balbuciei uns adjectivos para qualificar o que se tinha passado, uma hora depois ainda me saía fogo pelas narinas. Isto de ser do Norte. Ai ai.

Como se não chegasse a chantagem da Tutela fui chantageado por um Sindicato: “…se se sindicalizar, já o posso atender.” Está tudo doido.

Sei que precisamos dos sindicatos para nos representarem, mas ceder a este tipo de chantagem vai contra os meus valores.

Não sei bem quem estará interessado em ler ou ouvir este relato. Mas não ficava bem comigo mesmo se não o fizesse chegar a mais alguém. Talvez o envie para alguma crónica do leitor do JN, Público ou outro.

Obrigado pela atenção.

Helder Vale