Propositadamente não abordei o episódio-Paredes de Coura, até ver onde as coisas chegavam.

Recapitulemos os acontecimentos:

  • Os professores do Agrupamento de Escolas de Paredes de Coura decidiram suspender todas as actividades extra-lectivas que impliquem a deslocação de alunos e docentes para fora do espaço escolar, nomeadamente o desfile de Carnaval.
  • A Confap veio a terreiro gritar aqui-d’el-rei que sem desfile as crianças ficam irremediavelmente traumatizadas e lesadas e evocou a existência de um motim num excesso de linguagem muito típico.
  • Em alternativa, o Conselho Pedagógico decidiu realizar o desfile dentro do espaço escolar, mas a DREN decidiu que não, interferindo directamente no funcionamento interno do estabelecimento de ensino.

Perante isto, é impossível deixar de citar aqui parte de um mail recebido sobre o tema, de alguém exterior à comunidade escolar:

Hoje fiquei absolutamente indignado com a situação ocorrida em Paredes de Coura.

Pelos visto uns senhores da DREN foram à escola ameaçar os professores que ou iam ao desfile de Carnaval (viu a notícia da TSF?) ou lhes íam acontecer problemas.

A Presidente terá sido ameaçada de demissão pela DREN e parece que convocou os senhores professores para a mascarada promovida a serviço lectivo (é um desfile na rua e como os pais estavam chateados porque os meninos estavam tristes por não haver Carnaval a Senhora DREN ordenou que se fizesse e mandou uma equipa para tratar disso).

De acordo com outro mail, consta que:

Amanhã na manifestação os professores vão de negro e pelos vistos receberam ordens expressas para não prestar declarações.
A presidente ponderou demitir-se e foram os colegas que lhe pediram para fazer a convocatória que eles aguentavam…
O texto da DREN parece que é giro como pérola gramatical…
100 anos depois da República e 35 anos depois do 25 de Abril a liberdade de expressão ainda custa.