Imaginemos que eu queria ser reconhecido como um excelente professor, entregava os OI, requeria duas aulas assistidas e seguia o simplex2.

Como sou professor quasi-generalista, lecciono naturalmente História e Geografia de Portugal e Língua Portuguesa (grupo de recrutamento 200), mais as excreescentes ACND Estudo Acompanhado e Formação Cívica (safei-me ao matírio da Área de Projecto). Dou ainda aulas de Iniciação à Informática a um grupo de alunos com NEE.

Como pertenço ao Departamento de Ciências Sociais e Humanas, as minhas aulas assistidas  para efeitos de detecção da excelência do meu desempenho- 2 – e o meu porta-folhas essencial deveriam recair na componente do meu horário relativa à disciplina de HGP.

Ora, essas aulas representam apenas 7 horas semanais do meu horário lectivo, o que significa que a minha excelência seria avaliada com base em 2 aulas relativas a 30% do meu horário.

Quanto aos restantes 70% do meu horário lectivo, o simplex2 acha que serão irrelevantes e eu poderei cometer os maiores atropelos que, desde que esteja presente e tenha 100% de assiduidade, posso ser considerado um Excelente Professor.

Poderemos considerar este um método que avalia efectivamente a qualidade de um Professor?

Isto é algo que se possa levar a sério?

Eu acho que não. Como tal, não me sujeito a uma ficção útil para efeitos eleitorais. Não porque receie submeter-me a uma avaliação bem concebida – tenho suficientes para mostrar no meu currículo académico – mas sim porque é um método cheio de erros, lacunas e mistificações.

Como tal, nem estou preocupado se entregar os OI influi, ou não, na entrega da ficha de auto-avaliação. Afinal quem recusa este modelo de ADD está a pensar entregar a ficha de auto-avaliação?