Belém fez-me Bem
Toda esta movimentação, longa, uma maratona de desgaste, consciente e responsável, tem o seu lado bom. Tem revelado muitos dos nossos, que nos fazem bem, nos fazem sentir e pensar bem. Pensei antes, confirmei em Belém. Sem, ou com megafone, ouvi muito do que nos pode reciclar o sangue e oxigenar sem ferver. Vamos rir e pensar, encher o peito de ar e adiante. Tenho descoberto gente que me honra, pares com qualidade, intelectual, cultural, artística, humana, discursiva, …, com gosto nas coisas terrenas e gozo nas etéreas, gente estimulante, gente daquela que precisamos, gente inteligente, que nos oferece contributo, que me, e nos, orgulha. Assim, poderemos angariar reconhecimento, tacto, e sensibilidade na acção. Permitam-me a imodéstia de me encostar, de pretender acompanhar. Que vos espreite, que convosco reflicta, aprenda e informe, ninguém me pode impedir. Quando me encosto é para partilhar prazer. Procuro ser discreto e não abusar. Agradeço sempre que me critiquem com frontalidade construtiva. Fiz teatro, sei o significado exacto da frase: “sai de cena quem não é de cena”, sempre proferida naqueles instantes de adrenalina nervosa que antecedem as pancadas de Molière. A Adrenalina, pode não deixar sequelas, há, até, quem dela necessite para se sentir vivo, no corpo não provoca um sismo. Se for colectiva, pode ser abismo, mais se não for reflectida.
Macada infértil no verbo e na atitude, urlo, urras, e alarde desnecessários, não nos soma, nem acrescenta energia, subtrai. Divergências defendidas com franqueza, não subtraem, acrescentam. Ninguém é dono da verdade, esta banalidade todos sabemos, mas às vezes esquecemos que os decibéis não são uma função contínua e crescente em correlação directa com a autoridade. Não é por falar mais alto que nos fazemos ouvir melhor. Vozes sobrepostas não se ouvem, nem nos deixam falar, e, quando uma voz não se ouve, não nos obriga, nem ajuda, a pensar. Falar mais alto não nos torna mais másculos(as) nem mais convergentes no que é essencial. O que é essencial é pensar e o pensamento não tem sexo. Ontem foi um dia de primavera, hoje é um dia de chuva, e vento que me enlouquece, ontem foi dia de sair à rua e estivemos todos juntos, hoje é dia de recolher a casa, nada nos impede de continuar, tão ou mais juntos, vamos explorar este milagre.
Esta maratona uniu-nos e pôs-nos a pensar, é a melhor arma que poderíamos ter conquistado. A internet facilita-nos o pensar colectivo, que nos pode beneficiar, que colocámos ao nosso serviço, para encontrar, ou construir, inteligência colectiva. Já reparei em pensamentos que se repetem, repicam e replicam, ou sobrepõem, ajudam a esboçar um sorriso e reforçar confiança. Pensar o mesmo, ou em simultâneo, não introduz ruído. De ontem, tenho tido, hoje, a recordação recorrente de um conselho, sábio, que ouvi, com uma pronúncia que é linda e é música, o de não esquecermos o egoísmo de trabalhar pela nossa felicidade. Também acho. Tenho tentado formular assim e não tive competência nem inspiração para tanto, não me frustra nem deixa invejoso, subscrevo, não perco autoridade pelo facto de não ser ‘de Portugês’, não me obriga a requerimento, em papel selado ou timbrado, pelo espaço e autorização para ter voz. Não se me pode coibir o direito de sublinhar ou enfatizar, porque sou Português. Posso me inibir mas não me maltrato, há que trabalhar com, por e pelo sorriso. É uma exigência individual saudável, que pode contagiar. Que eu saiba, ainda é um direito, certamente é um dever para com soi même.
Não se falou só de desgraças próprias, ou de infortúnios nossos por comportamentos alheios, se existem, é inevitável que nos assaltem. Faz bem pensar com os seus botões e reflectir com outros casos e acasos, com fermento de luz construtiva. O que é mais válido em on, o que arrasta para o fundo em off. Vi muita gente, que recordo na retina, alguma gente que me falou e ouviu, algumas e alguns me fugiram entre os dedos, fiquei sem lhes saber os nomes. Quando nos reencontrarmos, quando revirmos os rostos, reavivarmos o sorriso e a gargalhada, apresentamo-nos, temos tempo, é deixá-lo correr, viver e confiar. Vamos espalhando, e repartindo, brilhos no olhar e brisas de ar encefálico, puro e refrescante. É bom conhecer o rosto dos names and nicks, ouvir o som, e a voz, das letras.
Alguns pensaram ou pensarão: perdi um sindicato, isto só se discute em off, para permitir (Re)Flectir, ganhei os professores e a confiança na lei. O deserto também esteve presente, com epicentro em Alcochete. De uma família que dá maus exemplos, onde pontifica um membro licenciado por fax de conta, falou-se também.
Tudo isto nos diz respeito, porque nos envergonha dolorosamente. Enquanto Engenheiro, ou Técnico, é avaliado pelo que faz nessa actividade, eu não sou avaliador, sou avaliado raso. Embora pense que aquelas casas jeitosas falam por si, e de si, dele. São mau sinal, denunciam sintomas preocupantes e parecem nascer de práticas inquietantes. Pode até alegar que não tem responsabilidade, só assinou… O quê?
Enquanto PM, já é diferente, é avaliado por todos nós, pela prática enquanto tal, o cargo não requer canudo sequer. Diz-me respeito, tanto a mim como a um Juiz ou a um Motorista nos carris.
Falou-se muito de justiça e de casos de puliça. A defesa da justiça, que, quando se mete ao caminho, imprime alma no alcance, esteve presente em corpo. Um certo Alcag@te, no espírito, corria de boca em boca. Dizia-se que envolve o sistema judicial Inglês, pode ser que dê nalguma coisa. Envolvendo quem envolve, estamos mais habituados a que fique em águas de bacalhau. Não temos memória de caso semelhante, ou equivalente, que resulte numa açorda condimentada, ou pézinhos de Alcoentrada. Mas não é preciso tanta pressa. Há aquele quadradinho com um abcesso, que foi retirado à ZPE, que isso foi com ele, foi; ou vamos alterar o calendário? Basta e basta. Basta que é bastante. O bastante que me baste. Passou-se. Três dias antes da saída desastrada de um governo de gestão, que, fruto de uns tempos divertidos, que eram fonte de inspiração imensa de uns gatos, a quem podemos estar gratos, regressou, com as unhas de fora, caro, pesado, destrutivo e desastroso. Quando chegar a factura, logo sabemos o volume de cintura do estrago, e o benefício do aperto. Vamos fazer por rir muito, pela nossa saúde, não de desgraças alheias, mas de nos conquistarmos. Façamos por sorrir da recompensa de exigirmos, de nos superarmos.
Vamos seleccionar o que é útil, o que tem sinal mais e é superlativo, o empurrão na ambição de ser maiúsculo. Por mim, vou-me esforçando a procurar por dentro, se encontrar algo, extraio o que julgar que vale, limitado pelo que possa eu valer. Procuro o que possa dar qualidade à vida nossa, conjunta, ou nas nossas casas. Na minha tem feito tanto bem. Qualidade é devida, se perdermos o respeito por nós próprios, adoece.
As sinapses funcionam em comunicação, vamo-nos lendo e abrindo. Pensar não faz barulho. A conversar, mesmo que seja em silêncio, até nos ouvimos melhor. Pela minha parte, ainda que não te possa ouvir, escuto. Não temo pólos opostos, se surtir magnetismo atraem-se. Vamo-nos falando, com, mais do que menos, açucar nas palavras, e nos sotaques. É isso aí, cara, num tou expressando conselho, só desejo, que me parece subversivo. Bamo-nos bisitando e bamo-nos encontrando por aqui. Ai-Ué, Kanimambo, Nô Pintcha, Saravá, Cretcheu na Morabeza. No aconchego e afago deste <A HREF=”http://educar.wordpress.com/“> Umbigo </A> sagrado e cerebral, de peso informativo, documental, solidário, humano, comunicacional, formativo, de relações e abertura, ouvidos a disenso elegante, que, divertido, vai descobrindo símbolos e bandeiras, amarelo, sorridente q.b., e, em crescendo, vai construindo linguagens.
Quem se diga mal informado(a), procure também por aí, onde a informação é constante e a inteligência frequente. Esses, por exemplo e amostra, reduzida, por sinal. Todos nos dizem respeito directamente:
<A HREF=”http://www.profblog.org//”>ProfAvaliação </A>
<A HREF=”http://legoergosum.blogspot.com/“>As Minhas Leituras</A>
<A HREF=”http://fjsantos.wordpress.com/“>(Re)Flexões</A>
<A HREF=”http://http://educacaosa.blogspot.com/“>Educação S.A.</A>
<A HREF=”http://diasdofim.blogspot.com/“>Dias do Fim</A>
Para mais, é olhar aí para o lado, e etc, não se olha só para o umbigo próprio, nem exclusivamente para o que nos apoquenta, e que devia começar em casa, de pequenino(a), antes que se (des)troce o destino.
Quando parecer pouco claro, ou exagero, opina, educado(a), frontal, concorda e discorda se te apraz, se achas que não vale a pena, avisa e explica, sem pedrada que respinga, desliga, rasga a folha, não cuspas nem regorgites. O espírito crítico devia ser accionado de mansinho, de pequenino(a), de preferência antes da escola/armazém. Vamo-nos puxando as orelhas, sem colocar orelhas de burro, nem virar para a parede, de costas. Nem acima nem abaixo dos costados, mais ou menos robustos, o físico não é para aqui chamado, todos elevados.
Ah! e não perderia tempo com picardia à traulitada, nada de disenteria, precisamos de ar limpo, respirável, e de conservar energia. Um plize técnico. Dispenso o que é alarde e o que é alarve.
Dia 24 de Janeiro, em Belém, fez-me bem. Só estou autorizado a cantar por gestos ou por escrito, é o que vos recomenda o vosso otorrino, mas apeteceu-me procurar o Nobre do povo e os Heróis do mar revolto, para a paz nas ondas da nossa terra. Digam o que disserem, lembrei-me daquela lufada de ar fresco, a democracia é jovem, diz-se dela, jovem era eu, presenciei e foi redentor, na realidade vai longe, parece miragem. <A HREF=”http://www.youtube.com/watch?v=PsJpeR2K-is“>Foi bonita a festa pá</A>. Tudo recomenda alerta, para evitar a necessidade de outra, com, ou sem, fogo de artifício.
Um dia, vai ser necessário reconstruir e renascer, preferiria que não fosse das cinzas. A nossa terra chama-se Portugal. Não é fénix. A ser animal, nesta altura, é caranguejo inanimado, com uma bota preta, pesada e feroz, no buraco da toca tapado, se estrebuchar e der um passo tímido, cansado, o mais que pode é deslizar para o lado. Assim, nunca mais vamos ao encontro do que é longe e é distância.
Vamo-nos namorando, seduzindo e encontrando. Vamos falando.
Até já.
Teodoro Manuel
Janeiro 26, 2009 at 9:33 am
Parabéns, Teodoro.
São tantas as emoções e por vezes tão profundas que acabamos sempre por aprender algo mais.
Acabamos sempre evoluindo.
Torna-se inevitável…
… e essa inevitabilidade sabe tão bem…
Janeiro 26, 2009 at 11:16 am
Mais uma vez, um texto muito bom.
Parabéns.
Vê lá, não nos habitues mal!
Janeiro 26, 2009 at 2:28 pm
um texto gralhado para profs grelhados
Janeiro 26, 2009 at 2:35 pm
Belém fa sempre bem…
Janeiro 26, 2009 at 2:49 pm
Por aqui, costuma dizer-se: Estás bem? Vais a belém?
ESTOU BEM. VENHO DE BELÉM
Janeiro 26, 2009 at 2:52 pm
eu tb estou bem, obrigado
Janeiro 26, 2009 at 4:50 pm
A mim Belém fez-me sentir bem e Teodoro por todos e mais alguns dos motivos que apontas.
Janeiro 26, 2009 at 4:59 pm
O sentimento expresso de um reconhecimento de que não se está só… na alegria e na tristeza… gostei Teodoro.
Mais uma boa razão para voltarmos a este espaço.
Janeiro 26, 2009 at 8:18 pm
É sempre bom ler um texto destes cheio de tudo, de vida…
Parabéns Teodoro
Janeiro 26, 2009 at 8:25 pm
Gostei, Teodoro, muito bem!
Gostava de também ter estado lá, mas a verdade é que não dá para ir sempre – Lisboa ainda fica longe!…
Janeiro 26, 2009 at 8:30 pm
gostei de o ler. Também lá estive.
Janeiro 26, 2009 at 10:13 pm
Não estive lá, mas já tenho pena! Lido assim, parece ter sido bom lá estar… mesmo descontando esse teu dom de tudo embelezar com as cores da tua pena de poeta!
Janeiro 26, 2009 at 10:21 pm
Parabéns Teodoro!
Janeiro 26, 2009 at 11:12 pm
Estive em Belém. Gostei.
Conheci o Paulo Guinote. Gostei.
Venha o NIB e a próxima acção.
Janeiro 27, 2009 at 12:02 am
Belém foi muito bom. Por várias razões. Uma delas é ter sido a razão deste texto.
Janeiro 27, 2009 at 1:39 am
Sabes?
Gosto muito desta Ministra, dos seus cães amestrados e, até, do “nosso 1º”!
Têm sido uns patrocinadores incansáveis do nosso convívio e da nossa manutenção física (a quantidade “festas” em que participei e de quilómetros que palmilhei à custa deles…).
Mas gosto deles, sobretudo, pela união que nos trouxeram, pelas pessoas bonitas que me proporcionaram conhecer, pelo que de melhor trouxeram, à superfície, em cada um de nós.
Todas as moedas têm um reverso… e este é o reverso do mal que nos quiseram (querem) fazer.
É verdade, Teodoro,
foi bonita a festa, pá… festa que se está a tornar miragem…
Li uma vez, algures (escrito não sei por quem):
“Tudo o que é dado é fácil tirar porque não foi interiorizado”
Infelizmente, a verdade é que Abril, foi sonho e conquista de muito poucos!!!! À maioria, foi apenas dado… e tudo o que é dado é facilmente roubado porque não custou, não foi adquirido, não foi interiorizado.
Também escrito não sei por quem:
“A Liberdade é o exercício diário de sermos seres comprometidos connosco mesmo, com os outros, com o que nos rodeia. Encolher os ombros, é deixar que outros tomem decisões em nosso nome. Que outros disponham da nossa vida. As ditaduras instalam-se quando os Homens colocam nas mãos de outros a decisão sobre as suas vidas…quando “encolhem os ombros”!”
É preciso que em Belém, no Marquês, no Terreiro do Paço… nas escolas de cada um de nós, não se “encolham os ombros”. Só assim podemos exercer o nosso dever de ser livres. Sim, porque ser livre é um dever… não um direito, como muitos pensam.
Mais um texto feliz! Como diz o Manel: “ainda nos habituas mal”!
Janeiro 27, 2009 at 2:41 am
Maria Ema,
se for por palavras essas,
não me custa ficar mal habituado.
importante mesmo é que ouçamos
o que a terra nossa precisa ouvir
e dizer, e dizer
E dizer:
sejamos felizes,
esforçar por sê-lo.
não será isso mesmo,
do que mais carecemos?
E, se fosse?
o fazer por,
e o selo
Janeiro 27, 2009 at 1:12 pm
Gostei. Lamento não ter ido….
Janeiro 27, 2009 at 3:01 pm
Belo texto! Em Belém: Conhecem-se os rostos, ouvem-se as vozes, partilham-se as palavras, sente-se o fervilhar dos sentimentos e da alegria. Encontramo-nos e recentramos a necessidade do reconhecimento e da justiça. Não desistimos e sentimos o “feedback” dos outros.
Belém: encheu de grandes Almas, de gente Corajosa e muito Digna.
Parabéns, Teodoro!
Janeiro 27, 2009 at 3:19 pm
Parabéns, Teodoro, pelo teu texto.
Janeiro 28, 2009 at 12:11 am
Quem é o Teodoro?
O texto não é umbiguista, é eguista, ou será ego-ista?
Bale!
Janeiro 28, 2009 at 1:01 am
Moriae, #21,
sou ninguém, estou aqui
Janeiro 28, 2009 at 2:35 am
É curioso … qdo inquirimos as pessoas em modo positivo, geralmente somos ignorados. Em contrapartida, diz ‘ai’ ou outra treta qquer …. porque assim tens feed-back imediato.
Há sempre o rebanho que diz sim a tudo …
Janeiro 28, 2009 at 4:14 am
ao menos sobre alguma coisa parece que fiquei esclarecido
há aqui alfinetada colectiva
procuro, sempre, o não e a razão, sem esta não adianta, nem ai nem ui valem sem porquê
dei o nome e mostrei o rosto, tenho dito alguma coisa de mim, poupo indicar a busca
comecei por responder que sou ninguém
o/a Moriae tem um nick giro é tudo que sei
não tenho o ip, nem senha e contra-senha do Umbigo
não me assanho, baleu p’las (v)ocas
Janeiro 28, 2009 at 8:59 pm
O Teodoro foi vítima do meu mau feitio. Devia ter estado calada e despejar o fel num quadro ou qquer coisa menos agressiva.
É que nem li o texto com atenção … :/
Gostei ‘das b’ocas’!
Cumprimentos,
M.
Fevereiro 1, 2009 at 3:12 am
Já agora, retire-me da sua mailing list, ok?
Grata,
M.