C/conhecimento:
Exmo. Sr. Presidente Da Assembleia da República
Grupos Parlamentares
Exmos. Srs. Deputados do P.S.
Ao longo dos últimos três/ quatro meses dirigi-vos várias “cartas”, creio ser esta a quarta. Nunca obtive qualquer resposta da Vossa parte nem tão pouco a (pequena) delicadeza de acusar a sua recepção (tão só, de uma que fosse). É com profundo pesar que vos dirijo esta missiva. Talvez a minha concepção de Política, baseada na Verdade e em Valores (para muitos subjectivos) de Consciência Ética – Cívica e Moral, esteja em desuso numa sociedade que faz vingar a mentira, a aparência e a dissimulação. Não me interessam os jogos político-partidários, que confesso abominar no contexto da política actual – sou apenas uma desconhecida mas cumpridora cidadã e profissional que sempre conduziu, e continua a procurar conduzir, a sua actuação por princípios de Verdade, Honestidade, Verticalidade, Integridade e Justiça.
Gostaria apenas de vos lembrar que os docentes portugueses são uma classe profissional com habilitações académicas/científicas que, no mínimo, se situam ao nível da Licenciatura para que, de ânimo leve, sejam continuadamente insultados, humilhados e rebaixados até e, nomeadamente, na sua capacidade de leitura, de interpretação e de avaliação das consequências/impactos (designadamente de enquadramentos jurídicos) como reiteradamente o tem feito o M.E.
A estratégia do Governo por Vós sustentado e apoiado assentou no desprestígio social / degradação da imagem pública do Professor, com suporte na Mentira, na desinformação da opinião pública, no medo e na intimidação, na divisão dos cidadãos deste país e dos próprios professores.
Como é possível vir apelar-se à união dos Portugueses em torno de um objectivo comum, quando aquilo que se fez foi virá-los uns contra os outros. E, que causa comum?:
-o combate às desigualdades sociais? – Não!;
-o combate ao fosso crescente entre os mais ricos e um número crescente de pobres? – Não!
-o combate ao empobrecimento da classe média com as consequências conhecidas ao nível da própria actividade económica? – Não!
-o combate à corrupção, aos clientelismos e à falta de transparência? – Não!;
-o combate ao desemprego e encerramento de pequenas e médias empresas que, de resto, não são apenas de agora? – Não!;
-o combate para serviços de saúde capazes de prestar assistência de qualidade, em tempo oportuno e em condições de dignidade aos portugueses? – Não!;
-o combate para uma Justiça eficaz, célere, acessível à generalidade dos cidadãos e consequentemente justa? – Não!
-o combate a tantas Imoralidades existentes neste país de escassa riqueza? – Não!
- …
O combate central da Política do Governo e, ao que parece, o problema fulcral da Nação é … a Avaliação dos Professores.
A vós, deputados da nação, representantes (por via da Constituição) de todos os cidadãos portugueses:
- NADA vos disse… as concentrações de cem/ cento e vinte mil professores;
- NADA vos disse… a profunda participação dos professores nas duas últimas greves;
- NADA vos disse… os constantes e frequentes problemas que ao longo dos tempos foram equacionados e publicamente divulgados, nomeadamente, por professores;
- NADA vos disse… as reiteradas posições de Escolas e Professores que argumentaram e muitos vos enviaram sucessivos documentos;
- NADA vos disse a mobilização de professores que criaram movimentos/ associações e outras formas de organização sem filiação política ou sindical;
- NADA vos disse… as posições que, por via da actuação dos professores ou seus representantes legais, foram tomadas pela Procuradoria / Provedoria da Justiça;
- Nada vos disse … a posição da Inspecção Geral da Educação no sentido de ser inexequível a sua participação no Processo de Avaliação tal como foi concebido;
- NADA vos disse … a posição do Conselho Científico da Avaliação dos Professores – CCAP (criado “na dependência directa do membro do Governo responsável pela área da educação”) e o seu “não funcionamento”;
- NADA vos disse … a posição do Conselho das Escolas, também criado pelo M.E.;
- NADA vos disse … as petições assinadas e entregues;
- NADA vos diz … as injustiças que têm sido equacionadas;
- NADA vos disse … as palavras com que, em quatro anos, foram “diabolizados” os sindicatos que em matéria laboral ainda são, legalmente, o parceiro negocial do governo;
- NADA vos disse … as posições recentes de Conselhos Executivos, nomeadamente de “Escolas Públicas de Referência” a nível nacional;
-…
- NADA vos disse … Absolutamente NADA!
“A manutenção dos grandes privilégios da classe profissional”, insustentável quando comparada com as outras, foi o argumento que vos satisfez. Pois bem, atrever-me-ia a sugerir-vos uma troca: que, durante um ano, viésseis beneficiar dos meus imensos privilégios e grandes benesses.
“Corporativismo e instrumentalização” foram as palavras que bastaram: a uns para se considerarem donos da razão e a outros para tudo sustentar.
A vós, pouca diferença farão as minhas palavras que continuareis, longe dos problemas e longe das pessoas, sentados nas cadeiras desse parlamento ou em outras a que tereis “direito”: não por competência; não decorrente de qualquer sistema de avaliação; não por mérito especial; não pelo cumprimento dos vossos deveres, nomeadamente na fiscalização continuada, das garantias da legitimidade/ legalidade/ constitucionalidade no tratamento dos cidadãos; não por uma actuação de rigor, de isenção, de imparcialidade e de justiça na apreciação das questões que afligem ou lesam direitos; mas tão só decorrente de um sistema político/parlamentar ultrapassado e distante dos eleitores.
Termino, senhores deputados, com palavras abruptas dirigidas a um órgão que deveria merecer todo o meu respeito: Não nos surpreendamos quando a Europa recuperar e nós (a população) continuarmos cada vez mais na sua cauda. Talvez, Portugal, esteja condenado (há muito/assim continuará e percebe-se porquê) à Mediocridade!
Respeitosamente,
.
Lisboa, 22 de Janeiro de 2009
Mª João Pires Fernandes
(Cidadã e contribuinte Portuguesa e Professora da Esc. Secundária de Sacavém)
Janeiro 23, 2009 at 9:42 pm
Uma carta que eu gostaria de ter escrito. Subscrevo-a integralmente.
A sua indignação é igual à minha. Obrigada por a exprimir tão bem.
Janeiro 23, 2009 at 9:48 pm
Eu cá acho que não merecem nem uma única palavra.
Janeiro 23, 2009 at 9:54 pm
Brilhante!!!
Irei fazer circular esta carta pelos meus contactos, porque a considero um exemplo de Cidadania.
Janeiro 23, 2009 at 10:02 pm
Pois os senhores dep+tados só estão interessados na vidinha deles, numa maneira de “saltarem” para directores de Empresas Privadas e estatais e ganharem chorudas reformas, que nós depois pagamos , claro está!!!!
Janeiro 23, 2009 at 10:19 pm
Está excelente.
No entanto, são pérolas a porcos, salvo seja.
Janeiro 23, 2009 at 10:22 pm
Em primeiro, queria agradecer a quem continua nesta luta (sou contratada há 10 anos e não vou entregar os meus objectivos individuais). Segundo, em relação à carta, tenho a dizer – BRILHANTE. Por último,queria fazer uma observação: sei que no parlamento tem assento uma deputada PS que, até ter ido para lá, foi professora, nunca a vi votar a favor da suspensão deste modelo de avaliação, injusto e desajustado. Como eles mudam, quem a ouvia falar!!! Até dá dó.
Força amigos desta luta.
Janeiro 23, 2009 at 10:35 pm
mas tem graça!
o ministro ss soube mostrar outras, deveria ter começado por esta para ver a força da nossa chantagem, louvado seja!
deviam ter vergonha na cara mas não se usa.
vou divulgar.
é excelente
Janeiro 23, 2009 at 10:35 pm
geofila espero que não estejas a falar de uma deputada algarvia. Se for estamos a falar da mesma traidora.
Janeiro 23, 2009 at 10:37 pm
tenho vergonha destas deputadas professoras. PS não voto ,sou professor.
Janeiro 23, 2009 at 10:58 pm
Amo a Liberdade, ensino a Liberdade e respeito todos os amantes da Liberdade antes e depois de Abril!
Como avançar com carta de Atenas, Agenda 21 e outras matérias de interesse para a Educação Ambiental com representantes na AR que não amam a Liberdade e não amam os Docentes. Para já luto por dentro. Não sei o futuro. Mas enquanto dentro do sistema e enquanto Professor digo Não SS, Não a António Inseguro, Não João Vergado e Não e Não a Alberto Tristins!
Janeiro 23, 2009 at 11:05 pm
Esssa espécie de professores,actuais deputados, fugiram para a política porque não querem trabalhar. Todos nós sabemos que, para a política, vão mesmo só os medíocres.Tiraram um curso ou pseudo.Não querem saber do país para nada. Degladiam-se durante as campanhas!Insultam-se e são capazes de pisar a própria mãe para obterem lugares, reformas absurdas pagas com o dinheiro que foi subtraido aos Professores de verdade, aos que dão a cara e preparam o futuro.
É degradante a postura destes indivíduos.Chegam a ter atitudes de mesquinhez.Merecem ser destratados…
Janeiro 23, 2009 at 11:07 pm
Gostei desta carta, e quanto a esses deputados do PS, penso que está tudo sobejamente dito. É claro que eles não estão lá(?) para zelar pelo bem do país. Alguns são professores, mesmo? Não me parece… Então, o que estão a fazer no parlamento e como lá chegaram? Aconselho-vos a continuar a luta, mas sem perder tempo com políticos.
Até breve.
Janeiro 23, 2009 at 11:14 pm
Parabéns, Maria João!
Subscrevo inteiramente!!
Janeiro 23, 2009 at 11:59 pm
Afixe-se.
Janeiro 24, 2009 at 12:40 am
Parabéns mais uma vez, João.
Muito obrigado.
Janeiro 24, 2009 at 12:50 am
Simplesmente genial!
Esta colega escreveu o que a tantos vai na alma.
Obrigada!
Janeiro 24, 2009 at 2:44 am
Para a Maria João, que não baixa nunca os braços e é uma voz que não se cala, um grande, grande abraço de solidariedade.
Janeiro 24, 2009 at 10:33 pm
Maria João
foi um privilégio, num espaço de tempo tão curto, conhecer-te o nome, por escrito, confirmar, aqui, a fibra, conhecer a figura hoje, e, num relance, confirmar que não precisas de canela, porque não és pastel, és de massa, terna, e não tenra
Janeiro 24, 2009 at 11:03 pm
Os professores estão chateados porque perderam um privilégio ilegítimo que este Governo teve a coragem de eliminar: perderam a possibilidade de se reformarem com 36 anos de serviço (30 anos de serviço no caso do Ensino Básico). Também estão chateados porque perderam o regime de promoções na prática automáticas. Este Governo fez bem em acabar com essas situações, pois não deve haver uns portugueses a pagar impostos para outros “mamarem” à sua custa. A avaliação é absolutamente necessária para separar o trigo do joio. Há professores excelentes e professores incompetentes e/ou “baldas” (sei-o de experiência própria na qualidade de pai). Por isso concordo com este Governo, com o qual aliás não me identifico, quando quer estabelecer um sistema de avaliação rigoroso, em vez de um sistema de avaliação facilitista como existia antes e como pretendem os sindicatos e os movimentos corporativos dos professores.
Janeiro 24, 2009 at 11:31 pm
Obrigada a todos!
Obrigada Teodoro pela simpatia.
Sabe, deveras, bem conhecer-mo-nos pessoalmente!
Gostaria de ter visto por lá muitos mais… mas, por lá, senti muita fibra, força e convicção… como disse Pessoa, “tudo vale a pena se a alma não é pequena”!
Janeiro 25, 2009 at 1:09 am
19:
1- Eu pago TODOS os meus impostos, que não são poucos!
2- promoções automáticas (não me refiro a professores – que nunca o foram!), ajudas de custo, subvenções, acumulações, cartões de crédito/ telemóvel/ secretária/ motoristas/despesas de deslocações/ subsídios de integração/ re-integração/ de representação/de residência/de almoços/…, senhas de presença e afins; vencimentos chorudos auto-decididos e sem qualquer controle externo; prémios por incompetência e má gestão; distribuição de lucros e prémios em empresas públicas que dão prejuízos, progressões com mérito em situação de licença prolongada, de desvinculação anterior, de conhecimento de favores ou outras afins; …; custos desmedidos e derrapagens de 50/100/200 ou mais % sem explicações em obras/ obrinhas e “obretas” públicas; desaparecimentos de milhões de euros aos quais o tribunal perde o rasto; empreitadas sem concurso público ou atribuídas pelo Estado a Empresas a quem o Estado pôs em tribunal; juros de bancos adquiridos pelo estado mais elevados e altamente concorrenciais ao próprio banco estatal; nomeações políticas para cargos que deveriam ser de competência técnica; pagamentos avultados de serviços a empresas externas quando o Estado tem pessoal qualificado para o trabalho; contratações e admissões na função pública bem remunerados com competência “familiar/ amigável”; reformas Bem abonadas para 12/ 15 /20/ anos de serviço; Reformados por incapacidade – e não só, com 50 aninhos mas readmitidos no estado (em acumulação); indemnizações chorudas por saída e avença posterior ou readmissão; cargos intermédios, de chefias, de direcção… não tiveram congelamentos e continuaram sempre a progredir; …; continuam a ser pagas com os meus impostos e de todos os portugueses (e creio que com os seus)… por aqui anda muito “joio” que consome recursos fabulosos dos portugueses;
3- a incompetência e os “baldas” (que regra geral desenvolvem técnicas fabulosas de dissimulação e engodo) não se combatem com processos de avaliação mas com denúncia/ exposição e instauração de processos de averiguação/ disciplinares;
4- Sou mãe – Encarregada de Educação e professora e sempre (nas duas qualidades) denunciei a incompetência… e sabe que mais? – as coisas esbarram nas chefias, nas direcções regionais e afins (porquê???)
Talvez isto explique a contínua mediocridade deste país que quer esconder com a exposição e calúnia de uns a incompetência perpetuada, “geneticamente” assegurada e impune de outros!
Hoje, pergunto-me: que razões terão levado, por exemplo e entre outros, António Guterres a querer ir embora e a não mais se envolver???
Janeiro 25, 2009 at 1:13 am
#19 Manuel diz:
Os professores estão chateados porque perderam um privilégio ilegítimo que este Governo teve a coragem de eliminar: perderam a possibilidade de se reformarem com 36 anos de serviço (30 anos de serviço no caso do Ensino Básico).
Só se for pra si!
Era tão bom que as pessoas se informassem antes de começarem a atirar postas de pescadas…
Janeiro 25, 2009 at 1:15 am
Se todos os portugueses fossem avaliados…
A começar pelas cúpulas… Isso é que era, isso que era de louvar.
Agora começarem a avaliar por baixo a ferro e fogo… sem avaliar aqueles que mais prejudicam o país.
Janeiro 25, 2009 at 1:21 am
Olinda
Nesta gente que só diz mal dos professores e inveja a sua situação, só não percebo porque não foram também eles para o ensino…
Janeiro 25, 2009 at 1:24 am
Credo Jurema, cruzes, não queríamos encontrar-nos por lá com estas avestruzes.
Janeiro 25, 2009 at 1:27 am
Também não iam durar muito. Só se enfiassem mesmo a cabeça na areia.
Janeiro 29, 2009 at 8:41 am
Colega
Os meus PARABÉNS pelo artigo que escreveu. Considero-o excelente.
Não me alongando em considerações sobre alguns comentários, porque o não merecem, apenas refiro o incomodo manifestado por muitos cidadãos sobre os “previlégios” dos professores, estranhando que não se sintam incomodados com os PREVILÉGIOS dos políticos do nosso país. Muitos dos cidadãos incomodados, provavelmente, se experimentassem uma semana a exercer as funções de professor, devolviam de imediato todos esses previlégios.