Uma colega, nascida aqui pelas bandas da margem sul e docente há já alguns anos na escola onde fiz o ensino secundário e depois me estreei nas lides, inquiriu-me por mail acerca da ausência aparente de PCE da zona de Lisboa, em especial da margem sul do Tejo, e mesmo Alentejo, já que Santarém não fica assim tão longe.

Para mais porque sempre foi uma zona caracterizada por uma forte tradição de contestação.

Confesso que não é a primeira vez que me perguntam isso, mesmo em outras fases deste processo, e que eu me inquiro sobre a razoável apatia que se nota em algumas destas zonas, outrora dadas a muitas lutas.

A explicação é múltipla, em especial quando se conhecem, directa ou indirectamente alguns dos protagonistas, pois há de tudo um pouco: os acomodados que não se querem chatear com nada desde que a vidinha deles decorra normalmente, os adesivos de corpo e alma em busca da purga do corpo docente, aqueles que nada mais saberiam fazer se deixassem de ser PCE e agora Directores, acredito mesmo que existam crentes verdadeiros na fé ministerial.

Mas eu tenho uma explicação mais perversa e provocadora quando se conhece o percurso pessoal  e político de alguns PCE da zona: habituados desde novinhos a obedecer a hierarquias que cultivavam a obediência por sobre a reflexão, apenas foram mudando de mandantes para as suas acções e agora apenas defendem o seu papel de tiranetes de segunda às ordens dos tiranetes lá do alto. Alguns, se calhar ainda há 10-15 anos os veríamos a gritar por isto e aquilo e há 20-25 certamente queriam a revolução à porta de casa.

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Mas mudaram de vida. Há mesmo os que, com escasso pudor, justifiquem o amochanço com uma eventual maturidade e acusando de radicalismo os antigos colegas que agora querem subjugar e intimidar com ordens de serviço sempre prontas a disparar.

Basta vê-los a salivar por lançar o concurso para Director Executivo.

Hei-de ainda vê-lo(a)s a comprar fatiota nova no dia em que tomarem posse, em especial se for ocasião para beija-mão ministerial.

Pelo meio, claro, ainda há muita gente boa e corajosa, só que se amedrontada perante esta viradeira do avesso que tornou uma das zonas teoricamente mais activas e contestatárias na rectaguarda do movimento de contestação dos docentes durante 2008.