Janeiro 2009


Confesso não ter grande conhecimento das posições de Joel Neto sobre nenhum assunto em particular. Não faz parte das minhas leituras regulares, por nenhuma razão em especial, mas apenas porque alguém meu amigo e conterrâneo insular de JN que o conhece me disse que não valeria muito a pena. Sei que é um mau método, mas há que confiar nos amigos.

Joel Neto prosador e escritor é mainstream o suficiente para também não me atrair muito, mesmo se as capas dos livros são interessantes e os títulos das obras suficientemente atractivos. Não me ocorre agora nenhum, mas é porque estou cansado.

No entanto foram vários os mails que hoje me pediram para dar atenção à crónica seguinte, publicada na Notícias-Sábado, em que Joel Neto aparentemente incita os professores a terem decoro e qualifica como obscenidade a sua conduta.

jneto

Ora bem, lida a crónica, escrita com prosa escorreita, moderada inventiva e algo entre a ironia quase fina e o sarcasmo mal disfarçado, sou obrigado a resumir os argumentos do cronista da seguinte forma:

  • Os tempos estão maus.
  • Há gente a perder o emprego.
  • Os professores deviam ficar caladinhos com o que têm.

É uma forma de ver as coisas, aquela forma a que eu costumo considerar o culto da mediocridade ou o elogio do nivelamento por baixo. Joel Neto defende, em suma, que se há quem esteja mal, todos – ou pelo menos os professores – devem estar mal. É uma espécie de Trabalhador da Silva, mas com crónica assinada na imprensa.

Joel Neto não parece capaz de pensar de forma contrária, ou seja, que o errado é estar tanta gente em más condições apesar da chuva ininterrupta de subsídios europeus nos últimos 25 anos. Joel Neto não parece perceber que esse é o raciocínio do miserabilismo. Chega mesmo a dizer que há quem tenha deixado de telefonar porque deixaram de «ter cabeça para os afectos». É uma frase interessante, mas cheguei a pensar que iria escrever que tinham deixado de ter dinheiro para usar o telemóvel 3G.

Joel Neto parece mesmo incomodar-se que os professores apareçam na televisão. num exercício, a traço médio entre a graça e a graçola, escreve que os professores «aceitam completamente ser avaliados, desde que não sejam nunca alvo de avaliação».

É giro.

Joel Neto deve ter olhado para esta frase e ter sentido algum orgulho em ter alcançado uma espécie de redondel argumentativo.

E, rendido ao estilo, escorregou para a generalização fácil sobre toda uma classe profissional.

Claro que seria fácil devolver na mesma moeda e falar daqueles jornalistas que fazem peças a pedido ou por encomenda. Ou que passeiam às custas dos promotores dos eventos sobre os quais fazem reportagens. Ou que vão lá fora fazer entrevistas com tudo pago por quem interesse em opiniões, no mínimo, satisfatórias. Ou que saltitam das redacções para os gabinetes ministeriais e vice-versa. E que usam os amigos nas redacções para fazerem passar as mensagens do poder. Se ele precisar, posso dar-lhe detalhes. Mas nunca consideraria a hipótese de afirmar que todos os jornalistas são biscateiros.

Nada disso será obsceno. Ou a Joel Neto ainda não lhe ocorreu denunciar isso.

Mas há jornalistas e jornalistas. Há que saber distinguir o trigo do joio. No caso dos jornalistas a avaliação é nebulosa. Escuso-me mesmo a comentar como tem sido feita no grupo para que é produzida a revista em que ele escreveu esta prestimosa crónica.

Mas Joel Neto acha que, em nome da miséria do proletariado actual, todos devemos baixar os braços e desejar ser miseráveis também.

Eu acho essa atitude quase obscena.

Porque se rende à fatalidade da mediocridade.

Pior, critica quem não cede a essa fatalidade e ainda luta contra ela.

São atitudes.

Junto envio, para divulgação no seu blogue, tomada de posição dos docentes do Agrupamento de Escolas da Lousã.
Assinaram a recusa da entrega dos Objectivos Individuais 102 dos 116 docentes.

Gratos pela atenção
A educadora do AEL

Conceição Duarte

Chega-me por mail a informação que numa escola, cuja identificação omito por opção pessoal e não por pedido, o prazo para a entrega dos Objectivos Individuais é a primeira semana do 3º período.

Eu acho inteligente. E ainda sobra algum tempo para a negociação dos ditos, caso isso seja indispensável, o que acho ser.

Mais ninguém pensou nisto? É que eu não conheço prazos legais para esta pseudo-fase do processo de ADD, portanto…

Imaginemos que eu queria ser reconhecido como um excelente professor, entregava os OI, requeria duas aulas assistidas e seguia o simplex2.

Como sou professor quasi-generalista, lecciono naturalmente História e Geografia de Portugal e Língua Portuguesa (grupo de recrutamento 200), mais as excreescentes ACND Estudo Acompanhado e Formação Cívica (safei-me ao matírio da Área de Projecto). Dou ainda aulas de Iniciação à Informática a um grupo de alunos com NEE.

Como pertenço ao Departamento de Ciências Sociais e Humanas, as minhas aulas assistidas  para efeitos de detecção da excelência do meu desempenho- 2 – e o meu porta-folhas essencial deveriam recair na componente do meu horário relativa à disciplina de HGP.

Ora, essas aulas representam apenas 7 horas semanais do meu horário lectivo, o que significa que a minha excelência seria avaliada com base em 2 aulas relativas a 30% do meu horário.

Quanto aos restantes 70% do meu horário lectivo, o simplex2 acha que serão irrelevantes e eu poderei cometer os maiores atropelos que, desde que esteja presente e tenha 100% de assiduidade, posso ser considerado um Excelente Professor.

Poderemos considerar este um método que avalia efectivamente a qualidade de um Professor?

Isto é algo que se possa levar a sério?

Eu acho que não. Como tal, não me sujeito a uma ficção útil para efeitos eleitorais. Não porque receie submeter-me a uma avaliação bem concebida – tenho suficientes para mostrar no meu currículo académico – mas sim porque é um método cheio de erros, lacunas e mistificações.

Como tal, nem estou preocupado se entregar os OI influi, ou não, na entrega da ficha de auto-avaliação. Afinal quem recusa este modelo de ADD está a pensar entregar a ficha de auto-avaliação?

Yellowcard, Believe

Este frequente comentador do blogue nas últimas semanas (estreou-se enquanto tal no passado dia 17), tem optado em algumas intervenções por me interpelar directamente em tons de apocalipse-agora-e-já.

Como li a minha conta de obras de guerrilha psicológica, divirto-me com os desvarios retóricos da criatura, ao ponto de aqui reproduzir a parte final, mais directa e personalizada, de um dos seus  mais recentes e tonitruantes comentários, à qual falta a apenas aquela coisa divertida de me chamar profeta e dizer que eu estou no Monte Sinai:

Onde anda Dr. Paulo Guinote ????

A quem serviram os apelos à Desobediencia Civil ????

A quem serviram os apelos à não entrega dos Objectivos Individuais ????

A quem serviram os insultos ????

Defender a Escola Publica nada tem a ver com posturas que em nada a dignificam.

Onde anda Dr. Paulo Guinote depois de ter incendiado as escolas??????

Onde anda Dr. Paulo Guinote depois de ter colocado PROFESSORES CONTRA PROFESSORES ?????

ONDE ANDA ??????

PARA ONDE VAI QUANDO O SEU BARCO ADORNAR POR COMPLETO ?????

PARA ONDE VAI DR. PAULO GUINOTE ?????

Será que sabe !!! Será que tem a consciencia tranquila !!! Será que os seus colegas o vão poder encarar olhos nos olhos ???? Será !!!!! Será !!!!

Não há que hesitar: perante isto sinto-me ultrapassado pela potência da argumentação, pelo rigor das acusações, pelo adivinhável rubor inflamado do meu acusador. Nem quero crer que use lentes de contacto pois, pelo ímpeto, já teriam saltado há muito das órbitas dilatadas pela indignação tão bem simulada.

Caso fosse eu muito vaidoso, acreditaria que sou alguém importante e não um zeco de subúrbio, vivendo numa pequena aldeia do deserto, defronte de uma serrania protegida até lhe quererem colocar um Fripor em cima.

Entretanto, chamem lá os bombeiros, se é verdade que fui eu a incendiar as escolas… Ao menos salvem as bibliotecas, que se lixem os interactivos.

Como é possível que um governo escudado na chamada “legitimidade democrática” altere todo o quadro legal em que se estruturava a Escola Pública Democrática Portuguesa, cujos princípios estão consignados na Constituição da República, instituindo um quadro que faz da Escola uma empresa, operando, deste modo, um verdadeiro “golpe de estado” na Educação?

Não haverá mecanismos legais que processem um governo que tendo apresentado ao Povo Português um programa leve a cabo outro?

Como é possível continuar impune um governante que recorre a mecanismo de chantagem e intimidação para obrigar que se cumpra pela força, o que pela razão e justiça os professores se recusam a fazer?

Chantagem e intimidação não são crimes?

Nenhum professor consciente teve dúvidas, ou tem, que a chamada “avaliação” dos professores, instituída pelo actual governo absoluto nunca teve como objectivo aferir o mérito de um professor, mas tão só , promover mais um mecanismo ao serviço de arbitrariedades. Como se compreenderá que, quem consiga estômago bastante para participar nesta embrulhada legal e neste processo de “avaliação” sinuoso e subjectivo, possa ser um bom, muito bom, excelente professor e os milhares, cuja consciência cívica e moral não o permita, sejam professores medíocres, lançados no fundo da tabela dos concursos?

A máscara caiu: Eis para que serve a avaliação deste governo: Medir o grau de subserviência de um professor.

A excelência de um professor não se mede em formas, made in Chile, a excelência de um professor constrói-se todos os dias, dando-lhe condições materiais para ter acesso à cultural e não, como fizeram, reduzindo-os à indigência; a excelência de um professor constrói-se, exigindo-lhe formação científica e pedagógica, e não, como fizeram, retirando-lhe a formação; a excelência de um professor constrói-se, promovendo a sua liberdade e dimensão humana e não, como fazem, sujeitando-o a comportamentos desviantes da sua dignidade.

Eis o governo que temos: Até o partido que os levou ao Poder hipotecaram!: É este o partido que Mário Soares fundou? É este o partido que ajudou a construir a democracia portuguesa?

Não.

Os professores portugueses têm o dever cívico de dizer: Não. Os professores têm o dever cívico de defender a Democracia que Abril fez nascer.

Anabela Almeida

Troca de mails, cuja reprodução foi autorizada pelo meu interlocutor.

Caro colega,

Gostaria de saber a sua opinião, como pessoa que, provavelmente, terá acesso a muito mais informação do que eu.

Na minha escola [do Agrupamento De Escolas de Castelo de Paiva], o prazo de entrega dos OI termina 2ª feira. Depois de toda a luta, já uma grande maioria os entregou.

O orgão de gestão informou que, expirado o prazo, terão que elaborar uma lista de nomes dos “incumpridores” e enviá-la à Direcção Regional (DREN, neste caso). Não sabem para que querem a lista, mas deduzem que seja para instaurar processos disciplinares. Mais foi dizendo que, sem OI, não aceitaria a ficha de auto-avaliação no final do processo.

Como sabe, as moções anteriormente assinadas deixaram de fazer sentido. Grande parte dos professores, a nível nacional, entregou ou vai entregar os OI. Um dos argumentos dos sindicatos era o de que seria impossível processos disciplinares a 120.000 professores. Ora, já não somos 120.000.

Gostaria que me dissesse o que pensa do que lhe escrevo. A opinião dos sindicatos, já a conheço. Mas os sindicatos (eu não sou sindicalizado) são também parte interessada nesta matéria. E, infelizmente, perderam esta causa. Todos perdemos.

Digo eu…

Cumprimentos

Leitor devidamente identificado que solicitou anonimato

Resposta minha:

Colega,

Essa situação é comum a muitas escolas.
E o dilema estende-se a muitos colegas.
Torneando a questão e evitando os chavões típicos do discurso sindical (e é público e sabido a minha relação não pacífica com os sindicatos), eu diria o seguinte, baseado na minha experiência pessoal e conversas com colegas.

a) Nós vivemos com a nossa consciência e devemos agir de acordo com ela, em muitos casos sem olhar para o que fazem ao nosso redor, sob pena de perdermos o respeito por nós mesmos.

b) Dito isto, nunca incitarei ninguém a fazer algo, se sentir que isso pode ter consequências negativas insuportáveis para essa pessoa e/ou família,

c) Ainda dito isto, se todos seguirmos a maioria, não restará ninguém para marcar a diferença e deixar as sementes para algo novo. Os sindicatos foram praticamente derrotados. Restamos nós. Podemos ser só 12.000 em vez de 120.000 mas mesmo assim seremos muitos e não serão poucos os que entregaram os OI que, perante o ataque aos colegas, recuperarão parte da sua dignidade.

Não sei se lhe respondi tão directamente como gostaria, mas é a única forma que encontro, neste momento, para reagir a este tipo de falta de coragem que assolou muitos colegas, fruto de uma paciente táctica de erosão desenvolvida pelo ME.

Um enorme abraço e toda a minha compreensão (faça o que fizer)

P.

SOS Professores Desinformados

Ex.ºs Srs.,

Estou metido em manifestações e reuniões há mais de um ano, e começa-se a desenhar um padrão que me é particularmente desagradável e muito frustrante.
Aos sábados manifesto-me, segunda feira reunimo-nos e planeamos formas de luta, a partir de terça, não se fala mais no assunto e alguns até aproveitam para ir entregando os objectivos e no próximo sábado em que houver jornada de luta, toca a tirar o cartaz e a t-shirt do armário, que aí vamos nós em romaria para a manifestação. Mas, andamos a brincar às manifestações? O aspecto folclórico e alegórico da luta chega para ficarmos contentes e com a sensação de dever cumprido?
Sou um professor sindicalizado há muitos anos e consigo continuar a ver que os professores, pelo menos os meus colegas, não são instrumentalizáveis, ao contrário do que  alguns reclamam e outros desejam.
Não consigo compreender a falta de orientação, liderança e esclarecimento dos sindicatos dos professores, como é que depois das grandes manifestações se parou e se deixou arrefecer um processo que parecia bem encaminhado.
Procuro alguém que me explique como é que neste momento estamos a fazer a luta individualmente e escola a escola, ou melhor, professor a professor, já que, pelo menos na escola onde estou, é cada um por si e não sentimos nenhuma espécie de apoio.
Apenas conseguimos ouvir o silêncio.
Como é que se perdeu o timing e o momento criado pelas grandes manifestações? Estamos à espera de Junho para tomar iniciativas? ou será que estamos à espera das eleições e do aval das agendas politicas?
Enquanto o Correio da Manhã o DN e a TSF vão lançando informações e desinformações, e os despachos de gabinete ministerial se vão sucedendo a um ritmo impossível de assimilar, alguns intimidados resistentes continuam a lutar, mas com a duvida a surgir na mente.
Enquanto as cúpulas sindicais se degladiam para assumir protagonismo e alguns colegas obtém os seus 15 minutos de exposição mediática, outros, mais espertos, mas menos conscientes fazem contas aos dias que vão ganhar aos “Otários” que ao não entregarem objectivos perdem dois anos de contagem de tempo de serviço, outros ainda, fazem contas aos ganhos resultantes das passagens de escalão através de comissão de serviço e ainda, há os que fazem as contas aos ganhos resultantes dos cargos de direcção. Só por aqui, já podem ter uma ideia de onde e como vai ser investida a poupança obtida com os anos de congelamento de carreiras e de salários.
A hierarquização vertical e a divisão das carreiras são outros aspectos que permitirão aos professores serem meros preenchedores de fichas ou confirmadores de muito anunciadas estatísticas de sucesso escolar.
Os sindicatos merecem todo o meu respeito e continuo a ser sindicalizado, mas, para merecerem a representatividade eles têm realmente que representar. Representem-nos Porra!
O mundo tende para a justiça e ela pode tardar, mas chegará, mas, é preciso fazer alguma força nesse sentido, existe alguém com capacidade para liderar, sem ter no horizonte as eleições do outono?
As nossas lutas não foram em vão e alguns ganhos existiram, mas, se elas só serviram para tirar a cara do Dr. Lemos e da Dr.ª Rodrigues da TV e para colocar lá diariamente a cara do Dr. Pedreira, então, o resultado foi muito escasso e fizemos demasiada força para tão pouco ganho.
Dos 212 signatários do pedido de suspensão já somos só 4 que confirmadamente não vão entregar os objectivos, será que somos como aquele grupo de soldados japoneses que não receberam a noticia do fim da 2ª grande guerra e que ficaram 30 anos escondidos na floresta à espera do fim do conflito? Se assim é, alguém nos avise. Será que somos figurantes de alguma nova versão de “O Triunfo dos Porcos” ou do “Ensaio Sobre a Cegueira”? Alguém nos avise. É que corremos o risco de estar iludidos a pensar que somos um pequeno grupo de espartanos que vão impedir os persas de chegar a Roma ,e, mais tarde, vir a descobrir que tudo não passou de um sonho sem sentido.
Deixem-se de brincadeiras, tomem decisões e adoptem formas de luta sérias e consequentes, garanto que há professores com querer e com qualidade para uma luta a sério. Não dêem a desculpa do dinheiro, os trabalhadores do saneamento fizeram uma semana de paralisação sem tirar o lixo.
Alguém diga alguma coisa, o que é que se passa? “Está alguém em casa?!”

José Semedo

sobe-e-desceNa revista Sábado desta semana, há uma farpa insidiosa contra os professores na rubrica “Sobe & Desce”.

A ministra da Educação “sobe” porque defendeu maior rigor nos exames, em particular nas questões de escolha múltipla… diz o jornalista. Tanto quanto sei, é o contrário. O ME queria reduzir o número de respostas possíveis de 8 para 4 em cada questão. Isso resulta num aumento de probabilidades de acertos “à sorte” da ordem dos 100%. As probabilidades de acerto “às cegas” aumentavam de 0,125 para 0,250. Isto é, fica mais fácil para quem não sabe.

Mas o jornalista “parece” que percebeu tudo ao contrário e afinal (surpresa) os professores é que são contra o aumento do rigor.

E que tal, em nome da defesa do rigor, porque é que os professores não sugerem que cada questão de escolha múltipla só tenha 1 resposta possível? Segundo estes parâmetros, isso seria um rigor imbatível.

JF

Adenda (minha): Para além do que o JF escreve, o jornalista subiu MLR a destempo visto que o Me até recuou na posição inicialmente divulgada pelo GAVE que daria 0 pontos a quem falhasse apenas uma das alineas em exercícios com – por exemplo – ordenação de acontecimentos ou conjuntos de V/F.

Mas tudo isto são detalhes… que se explicam pela pressa, algum desconhecimento e um certo e determinado voluntarismo. Para não acrescentar mais nada.

Desde ontem o contador do WordPress está completamente incoerente, adicionando e retirando entradas ao blogue e a posts específicos, na ordem dos milhares.

Não tenho estado a registar os momentos, mas de há meia hora para cá o número de entradas reduziu-se em mais de 1.000. Os números para ontem baixaram em 3.000. Curiosamente, o Sitemeter não dá a indicação de tal tendência.

Estranho.

cm30jan09

Correio da Manhã, 30 de Janeiro de 2009

Como escrevia Alberto Gonçalves na Sábado de 5ª feira: há quem tenha chegado demasiado depressa a um patamar de poder, sem ter tido tempo para arrumar devidamente o passado.

Com tudo o que me tem sido relatado e tenho lido sobre a situação das Escolas, parece-me importante contar o que tem acontecido na minha escola :

No início de Novembro fizemos uma reunião geral onde estiveram presentes 2/3 dos professores (já não me recordo dos números), onde chegámos ao consenso de não entregar os OI (larga maioria das opiniões) e decidimos promover um abaixo-assinado (quase unanimidade, com alguns votos contra e abstenções) em que assumíamos que éramos contra esta avaliação. Em 3 dias recolhemos um número de assinaturas superior a 90% dos professores da Escola. Uma larga maioria não entregou os OIs no primeiro prazo. Não sei os números certos mas foram poucos os que entregaram.

Depois do /Simplex/, nova calendarização, entrega dos objectivos até dia 16 de Janeiro. Nova reunião, na jornada de reflexão (mas realizada na quarta-feira depois das reuniões dos Departamentos), desta vez com menos gente (44 professores, menos metade dos docentes da escola) . Novo manifesto, assinado por pouco mais de 50 professores…

No último Pedagógico, informação do PCE*: 30 e tal professores entregaram os OIs, 70 e tal _não_ entregaram.*

Esta semana surgiu um convite do PCE para uma reunião de trabalho, dirigida ao profs que não entregaram OI na sexta-feira 30 de Janeiro às 18h30 (reunião sem convocatória formal, logo sem faltas a quem não for…).

Estiveram presentes muitos professores (não os contei mas perto de 60) e a reunião começou com a seguinte informação do PCE:

1) Na próxima semana os docentes que não entregaram os OI serão notificados.

2) Os docentes terão um novo prazo (5 dias úteis após a notificação)

3) O PCE não vai definir objectivos de ninguém

4) Quem não entregar os OIs não será avaliado.

Depois de justificar os vários pontos começámos o debate:

Se os 3 primeiros pontos são pacíficos, a primeira questão foi a da necessidade de se entregar objectivos para se poder ser avaliado. Também se discutiu facto de alguns professores terem PCE que definem os OIs e outros não…o mesmo acto por parte dos avaliados, (possíveis) consequências diferentes…Cada lado esgrimiu os seus argumentos e cada um manteve (acho) a sua opinião.

Depois a discussão mudou de tema, e já não foram as questões jurídico-administrativas que se discutiu, mas sim as questões de fundo: Não entregar objectivos era mais que ser contra esta avaliação. Era ser contra o processo de implementação desta reforma, e contra a forma como as nossas condições de trabalho tinham sido diminuídas. Entregar os objectivos era dar cobertura a todas as atrocidades que têm vindo a ser ditas dos professores, era dar razão a quem diz que “os professores não querem ser avaliados, agora que não conta para nada e é uma avaliação simplista já entregam os objectivos…”

Do outro lado os argumentos: Já toda a gente entregou, vocês são os únicos, a economia está má, ninguém sabe como vai ser o dia de amanhã, o emprego vai estar em causa…

Até agora tudo tem decorrido na normalidade (se é que se pode chamar normalidade ao que se tem passado na Escola nos últimos anos!!) com respeito mútuo, mantendo-se as relações inter-professores (C.Executivo inclusive) num nível próprio de uma Escola.

Pessoalmente estou curioso para ver quantos vão agora entregar os objectivos….

Já é madrugada de sábado, estou cansado (por isso o discurso “atabalhoado”), vou entrar de fim de semana mas não queria deixar de relatar a situação na minha escola.

André Ramos

PQZP
ES Pinheiro e Rosa – Faro

sol30jan09b

Na notícia de Margarida Davim hoje inserida no Sol (p. 17) ficamos a saber pelas declarações de Alexandre Ventura, actual Presidente do CCAP que os estudos deste tipo podem ser feitos da seguinte maneira.

  • Numa semana.
  • Fazendo visitas a escolas com agendamento pelo ME e com base em relatórios do ME.
  • Visitando sete autarquias do partido no poder e a de…  Gondomar.
  • Que numa semana, com esses materiais, a equipa formada por um inglês, um irlandês, uma holandesa e uma húngara, conseguiram fazer o dito estudo à maneira da OCDE.
  • Que «o estudo foi encomendado, mas as recomendações não», o que significará que os especialistas fizeram as recomendações por sua conta e risco (pelo que deveriam ser melhor pagos do que o contrato original). Ficamos sem saber se a introdução foi encomendada ou não, assim como a bibliografia bem sumária que foi usada.

Acrescenta Alexandre Ventura que quando participou neste estudo, não sabia que iria desempenhar as funções de Presidente do CCAP. Acredito que sim e reservo-me a fazer o comentário que me ocorre que inverteria a lógica linear e causal sugerida por AV.

Só receio que o CCAP, com esta presidência, passe a funcionar com estes métodos e abordagens que seguem de «perto a abordagem e metodologia da OCDE».

Para os resistentes e também para os mais inseguros, aqui vai mais uma “forcinha”!!!

O Agrupamento de Escolas de Alvide, Cascais,  entregou ontem uma moção assinada por 57 docentes a reafirmar a posição de recusa face à implementação do modelo (O Agrupamento tem cerca de 110 docentes mas os que assinaram pertencem todos à escola sede, que tem um total 90 professores).

Luisa Covas

MOÇÃO

Relativamente ao modelo de Avaliação do Desempenho dos Docentes, regulamentado pelo Decreto Regulamentar 2/2008 de 10 de Janeiro, os Professores e Educadores do Agrupamento de Escolas de Alvide, abaixo assinados, consideram que as alterações introduzidas pelo Decreto Regulamentar 1-A/2009, em nada modificam os princípios e a filosofia que lhe estão subjacentes:

  • Pelo contrário, consagram situações de desigualdade na avaliação das diferentes categorias de professores, acentuando as injustiças decorrentes da divisão aleatória da carreira docente em professores titulares e não titulares e continuam a originar situações paradoxais de avaliadores com formação científico-pedagógica inferior à dos docentes por eles avaliados;
  • Mantêm as quotas para as classificações de Excelente e Muito Bom;
  • Retiram, provisoriamente, da avaliação deste ano lectivo, os itens do abandono escolar e das classificações dos alunos, para serem retomados a partir do próximo ano;
  • Desvalorizam a componente científico-pedagógica da função docente, privilegiando a componente organizacional e administrativa.

Por outro lado, não foi promovida qualquer discussão pública sobre o modelo de avaliação, nem tão pouco foram esclarecidas as dúvidas apontadas na moção subscrita neste Agrupamento e enviada à Senhora Ministra da Educação e outras entidades, em Novembro de 2008.

Em conclusão, esta pretensa versão “simplex” não é mais do que a consequência e o reconhecimento da inconsistência e inexequibilidade de um modelo de avaliação injusto, burocrático e sem qualquer carácter formativo, que não promove a melhoria do ensino.

Pelo exposto e em coerência com as posições assumidas anteriormente, os professores e educadores abaixo assinados,

§         Reafirmam a sua decisão de não prosseguir com actividades relacionadas com a implementação deste modelo de Avaliação do Desempenho;

§         Reiteram a o seu empenho em cumprir todas as funções que decorrem da sua actividade profissional, como sempre têm feito, enquanto professores conscientes dos seus deveres para com os alunos e para com a comunidade educativa em geral;

§         Reiteram a intenção e a necessidade de serem avaliados por um modelo justo, credível e formativo que promova, efectivamente, o mérito e a melhoria do ensino.

Apelam, ainda, a que se inicie rapidamente, um processo sério de revisão do Estatuto da Carreira Docente, pela dignificação e melhoria do Ensino Público.

Agrupamento de Escolas de Alvide, 22 de Janeiro de 2009

Madness, The Harder They Come

Sei que há versões mais canónicas, mas os Madness são velhos cúmplices… mesmo quando se nota que o apogeu já foi.

exp30jan09sol30jan09

Ou a ascensão de um anjo…

A tal coisa da carta rogatória inglesa que faz parte da campanha negra e orquestrada para denegrir o nosso sexto Armani, primeiro fax a contar do meio, para usar a expressão do Fafe:

maumaria

Já sei, apenas está sob investigação. Mais nada. pode acontecer a qualquer um. Sem ironia.

Para compilação de dados, pedia que quem pudesse me enviasse para o mail guinote2@gmail.com:

  • Cálculo do número de (não) entrega de OI nas respectivas escolas, com dados o mais rigorosos que seja possível.
  • Notificações que tenham recebido dos respctivos órgãos de gestão quem não fez a entrega.
  • Descrição da situação, escola a escola, agrupamento a agrupamento, dos procedimentos em decurso em relação a quem não entregou os OI.

Porque é necessário fazer um balanço não só das moções, mas sim de todo o resto, em especial do mosaico em que se tornou este processo e que, por enquanto, ainda é difícil de aclarar.

E porque o ME vai, por certo, usar em breve uma barragem de números para provar que o seu modelo de ADD está em movimento, quando neste momento se trata de algo não previsto nas etapas definidas no ECD que pode ser de má memória em muita coisa, mas que neste particular até é bem claro.

Transparência na AP. O Software Livre ao serviço da cidadania

Exemplo: quase 100.000 euros por 1 armário persiana; 2 mesas de computador; 3 cadeiras c/rodízios, braços e costas altas.

Deve ser tudo debruado a platina e marfim, não esquecendo pele de escaraminhões virgens da Polinésia Francesa (esta é para ti, Cristina).

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