Em post anterior aludia a muitas situações que, não sendo divulgadas graças às novas tecnologias, acabam por ficar no remanso dos gabinetes e, por variadíssimas razões, não chegam ao conhecimento da comunicação social e da opinião pública.

Ao contrário, do que aquele senhor Valente afirma, o telemóvel não é a causa do mau comportamento e das brincadeiras disparatadas. Pelo contrário, é o veículo que permite conhecê-las e denunciá-las. Só que infelizmente há quem prefira esconder, em nome da tranquilidade natalícia das almas, do que enfrentar com clareza as situações.

Mas como o Natal passou e para o Ano Novo ainda faltam uns dias, vou divulgar uma situação que me foi comunicada há alguns dias, não sei se «encomendada» por alguém. Acho que não, pois os dados enviados – com o pedido de reserva do emissário e da escola – permitem perceber com clareza que tudo isto é infelizmente do mais verdadeiro que existe no nosso quotidiano escolar, mesmo fora dos grandes centros urbanos, teoricamente mais dados a este tipo de atropelos.

Tenho aqui um assunto que creio ser muito interessante divulgar. Não terá relevo especial, ou seja, não acredito que seja algo que acontece só por aqui. Tenho a certeza, aliás, de que coisas bem piores se passarão noutras escolas.
Indo directo ao assunto:
Temos este ano na escola uma turma de 7º ano com miúdos levados da breca. Já fizemos vários conselhos de turma, muita declaração, muito plano, enfim, a papelada toda que o Paulo também conhece. Num conselho de turma antes deste de final de período, decidiu-se enviar para a Direcção Regional do Alentejo um documento em que se descrevia detalhadamente o mau comportamento generalizado dos alunos (cospem uns nos outros, 3 foram apanhados a roubar uma papelaria aqui em [nome da localidade], casos de bullying…, isto, claro, para além das coisas mais normais…), solicitando autorização para que a turma fosse dividida.
A resposta chegou há poucos dias e foi lacónica: «não há enquadramento legal».
drea
Num país em que tanto despacho e circular faz as vezes de lei e em que as leis são aplicadas retroactivamente e/ou por antecipação, é curioso que, quando se chega a estes assuntos os responsáveis se remetam logo para os vazios legais.
Não havendo enquadramento legal, não estando proibido por lei, qual o problema em permitir o que é solicitado, se é reconhecidamente vantajoso para todos?
Não, não, não pode ser, é preciso haver uma alineazinha num decretozinho qualquer para se fazer qualquer coisinha.
E depois ainda falam em autonomia, descentralização das competências e não sei o que mais…