Em post anterior aludia a muitas situações que, não sendo divulgadas graças às novas tecnologias, acabam por ficar no remanso dos gabinetes e, por variadíssimas razões, não chegam ao conhecimento da comunicação social e da opinião pública.
Ao contrário, do que aquele senhor Valente afirma, o telemóvel não é a causa do mau comportamento e das brincadeiras disparatadas. Pelo contrário, é o veículo que permite conhecê-las e denunciá-las. Só que infelizmente há quem prefira esconder, em nome da tranquilidade natalícia das almas, do que enfrentar com clareza as situações.
Mas como o Natal passou e para o Ano Novo ainda faltam uns dias, vou divulgar uma situação que me foi comunicada há alguns dias, não sei se «encomendada» por alguém. Acho que não, pois os dados enviados – com o pedido de reserva do emissário e da escola – permitem perceber com clareza que tudo isto é infelizmente do mais verdadeiro que existe no nosso quotidiano escolar, mesmo fora dos grandes centros urbanos, teoricamente mais dados a este tipo de atropelos.
Tenho aqui um assunto que creio ser muito interessante divulgar. Não terá relevo especial, ou seja, não acredito que seja algo que acontece só por aqui. Tenho a certeza, aliás, de que coisas bem piores se passarão noutras escolas.Indo directo ao assunto:Temos este ano na escola uma turma de 7º ano com miúdos levados da breca. Já fizemos vários conselhos de turma, muita declaração, muito plano, enfim, a papelada toda que o Paulo também conhece. Num conselho de turma antes deste de final de período, decidiu-se enviar para a Direcção Regional do Alentejo um documento em que se descrevia detalhadamente o mau comportamento generalizado dos alunos (cospem uns nos outros, 3 foram apanhados a roubar uma papelaria aqui em [nome da localidade], casos de bullying…, isto, claro, para além das coisas mais normais…), solicitando autorização para que a turma fosse dividida.A resposta chegou há poucos dias e foi lacónica: «não há enquadramento legal».

Dezembro 26, 2008 at 3:10 pm
é como dizes, Paulo. Fazem “leis” para tudo o que lhes convém mas não encontram enquadramento legal para situações de indisciplina.
Também é incrível que se tenha que pedir autorização superior para reagir a situações dessas!
Como podem as escolas funcionar devidamente qdo não têm autonomia nem para gerir as situações diíceis com que se deparam?
Dezembro 26, 2008 at 4:20 pm
Deus queira que isto não aconteça!
Mas tenho a impressão de que a sociedade só acordará para a triste realidade da indisciplina das escolas, quando numa Escola, de um pistola real partir uma bala real com consequências dramáticas!
Como diz António Barreto, as sociedades só mudam de comportamentos por necessidade ou por imposição!
Quando os pais sentirem que a sua escola não é segura por causa do filho dos “outros pais” haverá o reverso da medalha: exigirão a sanção do “menino” mas também a sanção do encarregado de educação. Como já acontece em muitos países nórdicos!
Nunca aprendemos com os maus exemplos dos outros países e chegamos sempre com 10 anos de atraso!
Dezembro 26, 2008 at 4:25 pm
Nos colégios privados, não há problema:
Os pais convocam uma reunião e impõem a “expulsão” do aluno tresmalhado que é convidado a sair! Tudo feito à margem da lei.
CURIOSIDADE:
Este é um assunto que não vejo tratado nos média! Porquê?
Dezembro 26, 2008 at 4:49 pm
#3 pORQUE não convém. O meu protesto ficou lavrado com a minha aposentação voluntária: perdi uma pipa de massa mas ganhei em sossego! Este é o verdadeiro cerne da questão: a baderna em que se deixou caír a escola pública. Não há hipótese com estas situações de indisciplina!! Não é propriamente as pistolas de plástico cujos culpados , (da situação, i.e.) são os sindicatos, maxime o Nogueira. Este lá vai fazendo o papel que lhe atribuíram mas que quanto a isto o homem está inocente! Aliás dizerem que os responsáveis da suspensão da avaliação são os sindicatos é passarem-nos mais um atestado de menoridade mental. O verdadeiro problema do país é a Educação. Mas para issso ser alterado vão ser preciasa gerações. Eu desisti. Estou farto. Acabaram-se-me as forças. Os mais novos que sigam a luta. Encostei às boxes.
Dezembro 26, 2008 at 4:56 pm
Atenção:”um vídeo” pode ser tão desonesto como o 1º ministro dizer que foi por obra dele que desceram as taxas de juro na habitação… depois, depois “aquela distância” todos ficam mal no retrato…
Dezembro 26, 2008 at 4:57 pm
opssss! «àquela»
Dezembro 26, 2008 at 7:18 pm
No site do correio da manhã o vídeo(já lá não está) não desfigurava a cara da professora. Ficava-se a saber quem era. Lamentável.
Dezembro 26, 2008 at 7:56 pm
“(…) é incrível que se tenha que pedir autorização superior para reagir a situações dessas! Como podem as escolas funcionar devidamente qdo não têm autonomia nem para gerir as situações diíceis com que se deparam?”
Eu creio que as escolas têm a autonomia necessária para lidar com situações deste tipo. Seguramente não são situações fáceis, mas quando uma escola dirige uma carta à DREA como foi o caso está a passar um atestado de absoluta incompetência a si própria. Excepto, e não sabendo o teor da carta da escola em causa, se o ofício consistisse num pedido de ajuda expresso, nomeadamente ao nível de recursos humanos.
Infelizmente numa sociedade como a nossa, tão marcada por décadas de ditadura, existe a tendência de procurar na instituição que se encontra no degrau hierárquico superior autorização/ajuda para fazer o que quer que seja. Também não admira que assim seja uma vez que o nosso sistema educativo se rege por uma tendência hipercentralista.
P.S. Sugeria ao Paulo Guinote que tivesse mais cuidado ao tentar ocultar dados de documentos que lhe são enviados. O nome da escola é perfeitamente identificável se aumentarmos o tamanho da imagem.
Dezembro 26, 2008 at 8:06 pm
#8
Como se distribuía a carga horária?
É necessário pedir autorização.
Dezembro 26, 2008 at 8:13 pm
É o que eu digo:
ELES FAZEM, REFAZEM, DESFAZEM E TORNAM A FAZER O QUE LHES APETECE E QUANDO LHES CONVÉM…
É A REPÚBLICA DAS BANANAS!
Obs – Se tivessem enviado o pedido na véspera de Natal, com sorte, poderia ter enquadramento legal, embuído do espírito natalício…
Dezembro 26, 2008 at 8:15 pm
A vontade move montanhas: se o pedido fosse atendido, todas as implicações inerentes à constrituição de 2 turmas- tipo horários, etc & tal – com afinco e vontade tudo se conseguiria.
Mas fizeram questão de cortar logo o “mal” pela raíz!
Dezembro 26, 2008 at 8:29 pm
eu estou um bocadinho como o #8 : porque é que perguntaram? faziam e pronto. depois argumentavam com a autonomia e o vazio do enquadramento legal.
a autonomia passava a ser a lei….;)
fora de tempo: sem as boxes não há campeões. muita saúde para as boxes.
Dezembro 26, 2008 at 8:56 pm
Desdobrar turmas implica mais horas para pagar.
Paga quem?
As escolas (pelo menos a minha) não têm dinheiro para papel higiénico quanto mais para pagar horas não autorizadas…
Dezembro 26, 2008 at 10:45 pm
De uma ministra que até aos domingos adora despachar estranha-se que para coisas bem importantes e graves não mexa uma palha e, pelo contrário, tudo faça para esconder a podridão que vai nas escolas.
Reles incompetente!