
E lá vai a terceira referência a Eric Hanushek, um dos mais prolíficos autores da corrente de investigação mais ligada à Economia da Educação, que está na base das políticas actualmente em desenvolvimento através de toda a Europa.
Neste caso as conclusões parecem decalcar exactamente a lógica da nossa tríade ministerial: controlar salários, ligar directamente os incentivos remuneratórios à melhoria dos resultados.
Dezembro 9, 2008 at 2:48 pm
Tentei comentar sem sucesso, e garanto que não utilizei “gros mots”…
(tentarei mais tarde)
Dezembro 9, 2008 at 4:05 pm
Perguntas decorrentes do conceito pós-moderno de Economia da Educação e às quais certamente os três ministeriais não responderiam:
1- Quem toma a decisão da mudança?
2- Porquê a mudança?
3- De quem parte? De especialistas em educação? De grupos de pressão com interesses determinados?
Neste mesmo estado do Texas foi recentemente colocada a questão: “valerá a pena dar continuidade à escola para alunos de 10-11 anos ou será a mesma substituida com vantagem por um ensino através do computador”?
Também se sabe que é o estado onde, nos 2 últimos anos, maior número de armas de fogo têm sido apreendidas aos estudantes e onde a violência em meio escolar atinge números preocupantes.
Dezembro 9, 2008 at 4:58 pm
Parece que este tipo de abordagem peca por dois defeitos básicos:
1. Inclui as escolas num tipo de abordagem social das organizações, em que a indiferenciação do tipo de trabalho prestado serve para camuflar a perversão do ponto de partida: a escola enquanto empresa inserida num mercado de produtores e consumidores que se regem por estritos cálculos comerciais de input-output de valor acrescentado.
2. A ignorância ostensiva dos currícula e a ocultação deliberada das finalidades do sistema educativo.
Esta forma de analisar o problema das escolas, dos docentes e dos resultados escolares, é em si mesma uma perversão ideológica e uma política redutora do próprio acto educativo, na sua essência pedagógica uma relação pessoal de contornos subjectivos e inclassificáveis em termos tecno-científicos.
Ou seja, é possível julgar uma relação pedagógica e descrevê-la, mas faz toda a diferença quando se pretende medir, decompomdo-a em parâmetros quantificáveis para a calcular com contornos de aparente rigor científico.
Só seres humanos com determinada formatação em termos de formação e desenvolvimento pessoal, nomeadamente com falhas em termos éticos e filosóficos, podem insistir neste tipo de análise organizacional da educação, desvalorizando ou deixando de lado os factores culturais, passionais e relacionais que representam a essência da própria actividade.
Dezembro 9, 2008 at 5:47 pm
“The best way to improve the quality of instruction would be to lower barriers to becoming
a teacher, such as certification, and to link compensation and career advancement more
closely with teachers’ ability to raise student performance.”
Isto diz tudo sobre o pensamento destes autores, quando dizem que para se promover a qualidade da educação é reduzir as “barreiras” , incluíndo a certificação, para se ingressar na carreira de professor.
Assim professor pode ser qualquer um!
Baixa formação à entrada da profissão e certificação profissional (isto já existe em muitos Estados dos Estados Unidos) para aqueles que adquirem algum tempo de experiência.
Isto não me causa admiração, pois tive um ex-colega de faculdade que no 3º ano de uma licenciatura em Matemática, emigrou para os Estados Unidos na década de 80 e ao fim de um ano de experiência obteve o certificado profissional de professor no Estado do Delaware!
Falamos aqui muitas vezes no ensino anglo-saxónico, mas reafirmo mais uma vez que o ensino não superior anglo-saxónico é excelente somente para uma elite que pode frequentar escolas privadas com um rigoroso modelo disciplinar e de uma exigência por vezes desumana.
Nos Estados Unidos um professor permanece em média 10 anos na sua carreira. Há dias a CBS mostrou a reportagem de um indivíduo residente no estado do Texas que nasceu na altura da 1ª grande depressão e foi despedido pela 1ª vez na 2ª grande depressão. Trabalhava como vendedor de electrodomésticos num hipermercado e durante os anos 50 e 60 tinha sido professor de literatura inglesa. Após ser despedido foi-lhe oferecido emprego como professor numa escola dos arredores de Austin, dizendo ele que mesmo assim “perderia metade dos rendimentos.”
Imaginem ao que chegou o estatuto de professor nos Estados Unidos.
Como diz o h5n1 ” Só seres humanos com determinada formatação em termos de formação e desenvolvimento pessoal, nomeadamente com falhas em termos éticos e filosóficos, podem insistir neste tipo de análise organizacional da educação, desvalorizando ou deixando de lado os factores culturais, passionais e relacionais que representam a essência da própria actividade.”
P.S. Esse meu ex-colega já não é professor, mas sim trabalha numa empresa de marketing onde aufere um vencimento 6 vezes maior do que o salário de um professor.