Exm(os) Srs. Encarregados de Educação,
Ao fim de três anos de sucessivos atropelos às nossas condições de trabalho e de uma atitude sistemática de menorização e desrespeito por parte desta equipa ministerial, chegou o momento de dizer BASTA!
Porque há momentos em que trabalhar, de qualquer forma e a qualquer preço, é mais indigno do que parar, hoje fazemos greve por nós, por vós e pelos Vossos filhos.
Assim, exigimos:
- a revogação deste Estatuto da Carreira Docente, aprovado apenas pela maioria parlamentar que suporta este governo, numa lógica meramente economicista e que agrava seriamente as nossas condições de trabalho, divide a carreira docente, artificialmente, em professores titulares e professores não -titulares num concurso ferido de ilegalidades e injustiças insanáveis, cria uma prova de ingresso na carreira sem sentido, e impede dois terços dos professores de atingir o topo da carreira, independentemente do seu mérito profissional.
- a suspensão imediata deste modelo de avaliação que é inexequível, injusto, pouco transparente e extremamente burocratizante, que nos está já a roubar tempo precioso para a preparação das nossas aulas. O regime simplificado que o governo agora nos propõe é, apenas, um regime de excepção para este ano lectivo, pois aplicar-se-á na íntegra no próximo ano, ou seja, a responsabilização dos professores pelo abandono escolar e a avaliação do professor baseado no desempenho escolar dos seus alunos mantém-se.
- horários condignos de trabalho que evitem jornadas de trabalho contínuo de doze horas na escola, acrescidas do trabalho que o professor inevitavelmente tem de realizar em casa.
- acesso a formação gratuita de qualidade na nossa área de docência, a que somos obrigados por lei, e que estamos, muitas vezes, a suportar na íntegra.
- um modelo de gestão democrático das escolas oposto ao modelo do Director omnipotente, proposto pelo ME.
- mais recursos humanos nas escolas (professores, auxiliares e técnicos especializados) para podermos prestar um auxílio real aos nossos alunos com mais dificuldades, sobretudo todos os que necessitem de Educação Especial, para cumprir efectivamente o desígnio da Escola Inclusiva.
- turmas mais pequenas, para garantir um ensino de qualidade e mais individualizado.
Em defesa da Escola Pública!
Dezembro 2, 2008 at 10:10 pm
“cria uma prova de ingresso na carreira sem sentido”
Péssima medida de facto.
Dezembro 2, 2008 at 10:59 pm
Pois um amigo meu, professor há mais de três décadas, que já foi delegado sindical, que conheci como um lutador por um estatuto da carreira docente quando ainda não havia estatuto algum; professor que fez trabalho e provas públicas para passagem ao 8º escalão; professor que luta pela dignificação do estatuto do professor e acredita que a dignidade não é tirada nem oferecida por qualquer ministra ou ministro mas por aquilo que cda um é capaz de construir; porque acredita que a liberdade é um valor e que o professor que se dedica à escola e aos seus alunos não deve ser tratado da mesma forma que o absentista; que acha que não dve haver uma carreira única porque o cantar o Joana come a papa da educadora de infância não exige trabalho igual à explicação da Crítica da Razão Pura do professor do ensino secundário; porque não gosta ser cordeirinho nem carneiro, este meu amigo não fará greve. Ainda que ser minoria esteja a ser difícil, muito difícil. É bom contar com amigos assim.
Dezembro 3, 2008 at 1:59 am
Aposentada há um mês, lamento não poder fazer greve. Defendo a avaliação dos docentes. Também fiz exame para o 8º escalão (já quando esse exame se tornou voluntário). Empenhei-me, ao longo de quase 37 anos de docência, no ensino secundário, no sucesso dos alunos e na defesa da escola pública garante da qualidade da educação e do ensino para todos. Neste momento, e para lutar pela melhoria dessa qualidade, só há uma alternativa: Greve geral no dia 3 de Dezembro.
Dezembro 3, 2008 at 10:34 am
#2:
Não sei se o Luís é apenas ignorante ou pretende tratar os professores como estúpidos.
Apenas lhe digo que a educadora que refere pode muito bem ser uma educadora titular, e o professor de filosofia “apenas” professor. O seu suposto amigo, tendo cabeça para pensar e sendo coerente com as suas ideias, teria aqui uma boa razão para fazer greve.