Para aí com mais de 40 meses de atraso.
Eu sei que em Portugal é habitual o atraso nas empreitadas e nas medidas inadiáveis, mas esta teve custos extremamente graves, nomeadamente a transformação da Educação em Portugal num delírio caótico, fruto de muito disparate legislado, mas também da criação de um clima irrespirável no sector, com uma absoluta impossibilidade de diálogo à conta da «firmeza» e «determinação» da senhora Ministra, qualidades que alguns reputam de excelentes, mas que qualquer fundamentalista religioso ditador convicto possuem em igual quantidade.
A «saída de cena» de MLR – apesar do alargado perfil ontem no Público, talvez à laia de epitáfio político, antes de rumar a outras paragens daqui por menos de um ano – é muito tardia para o bem da Educação em Portugal, mas é boa para demonstrar até que ponto se pode insistir num erro enorme de casting, pensando-se que isso é «coragem política».
Não, é apenas a clássica burrice.
Remeter Maria de Lurdes Rodrigues para uma segunda linha do combate político teria sido uma medida acertadíssima para o Governo, digamos assim, logo pelos finais de 2006, quando ainda estava em semi-estado de graça junto da imprensa e não tinha sido submetida à crueldade de um contraditório nas ruas, nos jornais, nos blogues e nas televisões.
Quando alguns poderiam ter ainda a ilusão que ela era uma espécie de Thatcher lusa, falhada que foi a encarnação anterior na pessoa de Leonor Beleza. quando podria parecer que tinha quebrado os sindicatos e a clase docente.
Agora, é tarde.
Com ela parece que também mandaram Valter Lemos voar baixinho. É justo. Os dois conseguiram unir, nem que seja de forma reactiva e visceral, quase toda a classe docentes, armandinas e santos excluídos que são pessoas de maior alcance de visão.
O problema é que, sob os holofotes, ficou Jorge Pedreira, agora finalmente desvendado para o grande público nas suas qualidades políticas e retóricas mais que duvidosas. Como a sua ministra, pedreira reage mal ao confronto, usa da tirada acintosa para com os professores com demasiada facilidade e tem dificuldade em esconder uma sobranceria cuja origem não se alcança.
O que não melhora grande coisa.
Mas, nesta mesma edição do Expresso, temos direito a uma peça sobre a actual ministra da Saúde e a forma como ela conseguiu, sem grandes inflexões para além do tom com que lida com as pessoas. Diz Ana Jorge que «é importante ouvir e saber estar no lugar dos outros».
Simples mas um universo de impossibilidades para Maria de Lurdes Rodrigues, demasiado preocupada consigo mesmo e com as suas vergonhas, que se esperam apenas políticas.
E Ana Jorge deixa-se entrevistar sem ser necessário apresentar fotos delicodoces a acompanhar. Porque há que ter pudor e sentido do lugar que se ocupa.
Maria de Lurdes Rodrigues vai ter um low-profile, dizem. É um acto de caridade para todos nós, já que não a podem afastar de vez. Mas poderiam, ao menos, trocar os secretários de estado e darem-nos alguém que seja suportável ver e ouvir?

Novembro 29, 2008 at 12:06 pm
Entretanto continua a campanha dos “opinadores”.
No JN, Paulo Ferreira prepara o ambiente para as Margaridas Moreira actuarem ao seu estilo
http://jn.sapo.pt/Opiniao/default.aspx?opiniao=Paulo%20Ferreira
Já chega, não chega?
00h13m
Bons espíritos aguardavam que da ronda negocial de ontem entre federações e Ministério da Educação brotasse um acordo, ou uma espécie de acordo, que pelo menos ajudasse a serenar os ânimos das partes em litígio. Os bons espíritos enganaram-se: das reuniões apenas brotou a agudização do conflito em torno do modo de avaliação dos professores. Como, de resto, seria de esperar. O problema central é há muito tempo evidente: só a “cabeça” da ministra satisfará por completo o íntimo desejo não dos professores, mas dos seus supostos representantes. Tudo o resto é poeira.
Havia dúvidas sobre isto? Mário Nogueira esclareceu-as ontem, à saída do encontro com Maria de Lurdes Rodrigues, quando pediu abertamente a demissão da ministra e, de seguida, apelou de peito cheio aos professores “com ‘P’ grande” para aderirem em massa à greve geral agendada para a próxima quarta-feira.
O que quer Mário Nogueira dizer? Duas coisas. Um: os professores com “p” pequeno que não aderirem à greve são criaturas inferiores que devem ser apontadas a dedo e estigmatizadas nas escolas em que leccionam (este muito torcido conceito da democracia mostra bem o estado a que este conflito chegou). Dois: o líder da Fenprof percebeu que a divergência está, agora, no “ponto de rebuçado”. Quer dizer: os níveis de adesão à próxima greve são fundamentais para se perceber para que lado partirá a corda, de tão esticada que está. Se os professores ficarem em casa aos magotes, Mário Nogueira não se calará com o pedido de demissão da ministra. Se, porventura, a adesão for escassa (e o conceito de escassa é importante, uma vez que as expectativas estão muito altas), Mário Nogueira será obrigado a puxar pela cabeça para inventar novas formas de luta, porque esse seria um sinal de capitulação dos docentes.
Nada destes jogos deve, contudo, fazer esquecer o essencial. As etapas do tradicional processo de decisão foram todas queimadas durante as últimas semanas. Por isso, é tempo de o Governo seguir em frente e pôr em marcha a avaliação dos professores, fazendo publicar o respectivo decreto-regulamentar. Os docentes usarão, em resposta e até ao limite, se assim o entenderem, todos os recursos de protesto – e são muitos – que a democracia põe ao seu dispor. E, como são crescidinhos, arcarão com os custos de não cumprirem a lei. O que não pode acontecer, em nome dos interesses dos alunos e dos pais dos alunos, partes igualmente interessadas neste processo, é prolongar mais este percurso pejado de avanços e recuos.
Já chega de reclamar mais e mais diálogo. Esse tique “guterrista” dá um certo jeito à Esquerda avessa à tomada de decisões e à Oposição ao Governo. Mas tem o seu limite. No caso, o limite já foi há muito ultrapassado. O país precisa de seguir em frente.
Novembro 29, 2008 at 12:09 pm
Também li essa notícia e fiquei mais esclarecida: não têm ninguém para colocar no lugar dela. Resta o Pedreira para dar a face. Mas o homem parece uma cassete. Repete sempre o mesmo, sem se aperceber que as palavras estão gastas e perderam o sentido…
Reparaste que ele admite, pela 1ª vez, que se baseou no modelo chileno pq tem ajudado muito a desenvolver a escola no chile?
Oh, como é insuportável ler alarvidades!!
Novembro 29, 2008 at 12:13 pm
Todos parecem uma K7. Tudo é repetido até à exaustão.
Deveriam ser todos calados e substituídos. o M.E. deveria desaparecer.
Novembro 29, 2008 at 12:16 pm
[...] In A Educação do meu Umbigo [...]
Novembro 29, 2008 at 12:18 pm
Aconselhos “nogueiristas” e os anti-nogueiristas a irem à página do JN de hoje.Traz uma repotagens em vídeo sobre o dia a dia de Nogueira.
http://jn.sapo.pt/multimedia/video.aspx?content_id=1051718
Muito muito que custe é na comunicação social que se ganham batalha. Folgo em ver que os sindicatos o sabem e que isso está a incomodar Rangel
Novembro 29, 2008 at 12:19 pm
Uma pergunta:
Quem é que arriscaria ir para os comandos do ME sabendo que teria de ser fiel ao PS, ao Sócrates e ao mesmo tempo não seguir o caminho actual?
Novembro 29, 2008 at 12:20 pm
http://livresco.wordpress.com/2008/11/27/humoral-da-historia-ovacao-a-ministra/
Novembro 29, 2008 at 12:22 pm
5. é na comunicação social que se ganham batalhas…sem dúvida…
Novembro 29, 2008 at 12:24 pm
Temos de utilizar as mesmas armas que o Rangel: fogo combate-se com fogo
Novembro 29, 2008 at 12:28 pm
Isto está tudo ligado: enquanto roubam os professores e os ofendem ao mesmo tempo, injectam 1500 milhões de euros a fundo perdido no BPN – gerido por gatunos.
Perguntem ao José Sócrates e ao Vítor Constâncio porque só levantaram 300 milhões de euros e não levantaram os 500 milhões (resposta: porque os outros 200 milhões foram roubados):
http://livresco.wordpress.com/2008/11/25/tavares-moreira-caso-bpn-estranho-episodio-ainda-nao-esclarecido/
Novembro 29, 2008 at 12:28 pm
Livresco
A comunicação social actual é uma prostituta de beira de estrada.
Um sindicato se quiser aparecer tem de pagar. Sei-o bem, até sei de um sindicato a quem foram pedidos € 1.500 .
É triste mas tem de se pagar esse preço. É dinheiro bem empregue.
Porque do outro lado há fortunas do nosso dinheiro disponíveis para serem gastas em agências de comunicação.
Novembro 29, 2008 at 12:30 pm
Esta é uma oferta ao José Sócrates e à sua RTP:
http://livresco.wordpress.com/2008/11/24/manuel-antonio-pina-minha-querida-lavandaria/
Novembro 29, 2008 at 12:34 pm
11. Vamos à luta…fogo com fogo…é de bom grado que dava 1 euro…140.000 euros é dinheiro que se vê…uma campanha online com angariação de fundos online e através de depósito bancário…temos de arranjar dinheiro para aparecer na comunicação social mainstream…
Novembro 29, 2008 at 12:40 pm
Um dos blogs de professores que o “Engenheiro” José Sócrates e o Paulo “Inocente” Pedroso “Eu não gosto de meninos” quiseram calar:
http://livresco.wordpress.com/2008/11/25/um-dos-blogs-que-incomoda-este-fascismo-encapotado-em-vivemos/
Novembro 29, 2008 at 12:45 pm
Dedicado ao vendido e dá cá um tacho:
http://www.scribd.com/doc/2447946/JORGE-PEDREIRA-o-exsindicalista
Novembro 29, 2008 at 12:47 pm
o Jorge Pedreira é outro “cromo” da enorme caderneta deste (des) governo
Novembro 29, 2008 at 12:48 pm
Outro traumatizado
Novembro 29, 2008 at 12:50 pm
Talvez com problemas com a sua altura e com os tacões…a outra não fala do seu passado…o outro é não assumido…só gente com problemas…resolvam a vossa cabecinha não lixem é os outros…
Novembro 29, 2008 at 12:51 pm
Dedicado ao José Sócrates e ao fascismo encapotado e cínico:
http://www.scribd.com/doc/2576479/Publico-Lusa-governamentalizada-a-forca-Eduardo-Cintra-Torres
Novembro 29, 2008 at 12:57 pm
Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008
O impasse do Estado (Em actualização)
Enquanto preparo a Festa do V Aniversário Do Portugal Profundo deste sábado, 29-11-2008, pelas 13 horas em Capuchos, Alcobaça (ver abaixo o post sobre a Festa, cujo programa mais logo desenvolverei, e que subirá acima deste), obrigo-me a olhar para a situação de impasse do Estado e dos jogos da baixa alta política do País.
◘
Baseado nos factos – sempre os factos, os tais com quem não adianta ralhar – vamos traçar, em conjunto, uma linha conjectural sobre o BPNgate.
Os factos podem ser conferidos abaixo nos meus posts abaixo: “Dia de fiéis defuntos” de 2-11-2008, “Gates do poder” de 7-11-2008, “SIRESP” de 12-11-2008 e “SSgate” de 25-11-2008 – além das notícias que têm aparecido sobre este caso em vários media.
1999
Em 1999 o ministério do Trabalho e da Solidariedade, liderado pelo dr. Eduardo Ferro Rodrigues – e cujo secretário de Estado da Segurança Social a partir de 28-10-1999 é o dr. José António Fonseca Vieira da Silva (esse mesmo, o actual ministro) em substituição do prof. Fernando Ribeiro Mendes – decide depositar uma parte importante do dinheiro da Segurança Social no nóvel BPN.
Ascensão nebulosa do BPN/SLN
A hidra SLN (Sociedade Lusa de Negócios)/BPN (Banco Português de Negócios) desenvolve rapidamente novas cabeças, ao mesmo tempo que circulam rumores e notícias de promiscuidade política, off-shores e negociatas – mas como nem a sociedade, nem o banco, fazem subscrição pública de acções, ou outra operação de angariação de capital em Bolsa e, como nunca foram cotados, a opacidade é bastante maior. Em 2001, num negócio de que, consta, Oliveira e Costa se terá ressentido, José Roquette e Dias Loureiro vendem o grupo Plêiade à SLN – mas Dias Loureiro tem de assumir funções de administrador da holding e de participadas, mantendo-se, segundo revela o CM, “vogal da SLN até 2007″ e sendo referido ao negócio SIRESP. Dias Loureiro disse agora que preveniu o administrador da supervisão do Banco de Portugal António Marta sobre o BPN, mas este diz que Dias Loureiro mente ou está confuso porque se tratou do inverso: Loureiro ter-lhe-ia pedido audiência para se queixar do Banco de Portugal “andar tão em cima do BPN”…
SIRESP
Em 23 de Fevereiro de 2005, três dias depois das eleições legislativas que a coligação no poder perdeu, o Governo PSD/PP, sendo ministro da Administração Interna o dr. Daniel Sanches, adjudica por “538,2 milhões de euros” o contrato do SIRESP (Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal) a um consórcio liderado pela SLN.
Chegado o novo poder socialista e perante o clamor da opinião pública para a prioridade dessa despesa pública em tempo de aperto financeiro, para o contrato de dimensão exorbitante, queixas fortíssimas dos concorrentes sobre o concurso e o processo de adjudicação, o negócio é declarado nulo pelo governo de José Sócrates. Todavia, e para espanto geral, o Governo socialista decide em Maio de 2006, segundo noticia o Jornal de Negócios de 18-5-2006, adjudicar novamente o contrato do SIRESP ao mesmo consórcio liderado pela SLN (holding do grupo que inclui o BPN, a Sociedade Lusa de Negócios (SLN) – a justificação de António Costa é que agora o contrato era de apenas… “485,5 milhões de euros”, embora o sistema no novo negócio também possua menos “funcionalidades”. É normal que o BPN também tenha vantagem no negócio: a SLN é a sua empresa-mãe e no negócio do consórcio liderado pela SLN com o Estado, o BPN há-de ser o banco onde se realizam as operações, mesmo movimentos menores.
Queda de Oliveira e Costa
A crise financeira e económica internacional provoca o agravamento dos problemas no BPN, sujeito, pela sua natureza, ao comissionismo das dependências políticas e pessoais. Apertada pelos problemas de solvabilidade e ainda o receio da operação Furacão, rende-se a guarda no BPN: sai José Oliveira e Costa que – diz-se deixou um buraco de 700 milhões de euros nas contas do banco – e entra Karim Abdul Vakil (Diário Económico de 19-2-2008). Mais tarde, este também se demite e em Julho, após a novela da pensão do BCP, os accionistas empossam o prof. Miguel Cadilhe na presidência do banco e da SLN.
Cadilhe
Cadilhe pretende apurar todas as negociatas anteriores do BPN/SLN – e presume-se também o caso SIRESP. Encomenda auditorias, institui o rigor e passa a colaborar com as autoridades de supervisão e outras. Por outro lado, surgem notícias das relações do banco com a política: apuram-se, até agora, empréstimos volumosos a dirigentes políticos do PSD, como Arlindo de Carvalho e Duarte Lima (“perto de 20 e cinco milhões de euros em operações de crédito”) – mas ainda estamos no início das revelações. Ainda falta revelar o papel do eng.º Ângelo Correia no BPN/SLN, nomeadamente na fase intermédia entre Oliveira e Costa e Cadilhe, na qual pontificou.
Todavia, aflito o banco pela falta de liquidez, derivada da depressão económica e do levantamento de depósitos e outros activos, Cadilhe reclama o apoio do Governo para resolver a crise: o Tesouro meteria 600 milhões no banco convertidos em acções. Sócrates não gosta das decisões da gestão Cadilhe e decide travá-lo, enxutando o banco da escassa liquidez, com o levantamento de 300 milhões de euros da Segurança Social, quando o BPN mais carecia dela. Para cobrir a retirada do dinheiro da Segurança Social – uma decisão do Governo – a Caixa Geral de Depósitos empresta 200 milhões de euros (em 10-10-2008) e o BCP também empresta (o BCP?!…). Cadilhe passa a navegar à vista do poder, mediante o favor e controlo dos empréstimos de curto-prazo de alta-remuneração.
Porém, Cadilhe percebe que o Governo ensaia no BPN a mesma manobra praticada no BCP. Avisa os accionistas privados para que não acorram à segunda tranche do aumento de capital do banco, que fazia parte do seu plano de recuperação e, concluídas as auditorias, previne o Ministério Público e chama a Polícia Judiciária à sede do banco em 28-10-2008 para participação-crime e fornecimento de informação e documentos sobre alegados actos graves praticados no grupo/banco.
Governo socialista
Cinco dias depois, em 2-11-2008, o Governo nacionaliza o BPN e em 7-11-2008 o governador Vítor Constâncio aceita a nomeação do socialista Francisco Bandeira para presidente do BPN, ainda antes da nacionalização entrar em vigor. E logo depois, o Presidente da República promulga o decreto-lei de nacionalização do BPN e a lei-quadro das nacionalizações logo em 11-11-2008. Corrido Cadilhe do banco, o Governo volta de mansinho a socorrer a liquidez do BPN. E, em vez dos tais 600 milhões do plano Cadilhe, segundo o Sol de 15-11-2008, o custo da nacionalização para os cofres do Estado (e os porta-moedas dos portugueses) pode chegar aos “1500 milhões de euros”.
E agora depois do sal, a pimenta.
A nebulosa política do BPN/SLN
A SLN/BPN é uma nebulosa. Por lá passaram muitos políticos – e de vários quadrantes, com destaque maior para o PSD, partido do dr. José Oliveira e Costa – como administradores, membros dos órgãos sociais, colaboradores, accionistas, grandes devedores – para lá das comuns operações do depositante, devedor de empréstimo, fiador, avalista, investidor, segurado, etc. Nada de mais em muitos casos e, por vezes, nada de menos.
Espaço 1999
Falta preencher o espaço 1999 do SSgate com algumas informações:
1. Quem abriu a conta da Segurança Social no BPN em 1999, em que data e porquê?
2. Que volume de depósitos da Segurança Social foi colocado no BPN em 1999 e porquê?
3. Que grandes movimentos de depósito e levantamento da conta da Segurança Social no BPN, e respectivos saldos, aconteceram de 1999 a 2002 (2.º Governo Guterres), 2002-2004 (governo Durão Barroso), os nove meses de Governo Santana Lopes e o Governo Sócrates desde 2005, e porquê?
4. Quais os grandes movimentos de depósito e levantamento da Segurança Social no BPN em 2008 e porquê?
Creio que quem passou pelo BPN e pela Segurança Social tenha essa informação e esteja a aguardar a melhor oportunidade para a facilitar ao público. Pois, a informação é como uma garrafa de vinho velho: perde o valor quando é aberta. Mas a informação há-de ser logo disponibilizada, suponho, se o Governo der notícia imprecisa sobre os grandes fluxos de depósitos e levantamentos ou se os seus detentores perderem a paciência com o ritmo do jogo.
A ponte
Noutra secção, o desaparecido José Oliveira e Costa retorna. Protege-se na justiça de qualquer tentação de estilo Blackfriars de frati neri e, amargurado como se crê e retaliador como o dizem, fala extensamente ao juiz Carlos Alexandre e ao procurador Rosário Teixeira, presume-se que deixando alguns poderosos ouvidos atentos e muitas orelhas a arder.
Cavaco, o BPN e a SLN
Por outro lado, importa desmistificar a relação entre a SLN, Dias Loureiro e o Prof. Aníbal Cavaco Silva. Porque a névoa só interessa a terceiros.
Revelaram os jornalistas Jesus Zing e Ana Paula Lima no JN de 5-11-2008 que Oliveira e Costa terá pedido ao prof. Cavaco Silva “para entrar simbolicamente no capital social da Sociedade Lusa de Negócios (SLN)”. Essa informação foi explorada no Expresso de 22-11-2008, num trabalho de Nicolau Santos e Isabel Vicente, com ACC, Â.S. e J.R.:
“O Presidente da República (PR), Cavaco Silva, foi um dos muitos accionistas que a Sociedade Lusa de Negócios (SLN) cativou para o seu capital ao longo dos anos. Cavaco teve um pequeno número de acções que manteve por pouco tempo, tendo-as vendido em 2003, segundo informação prestada ao Expresso em Janeiro pelo próprio Banco Português de Negócios (BPN). Também a sua filha Patrícia foi accionista da SLN.”
Tenho o Prof. Cavaco Silva e sua mulher como pessoas sérias e nada de mal penso deles – nem quero. A Presidência da República emitiu um comunicado logo no dia seguinte (23-11-2008) a explicar a relação de Aníbal Cavaco Silva e sua mulher com o BPN.
Porém, importa dizer – sempre em nome da verdade – que a explicação face às notícias, e às insinuações que a partir delas se fizeram, não é completa e não responde à notícia do Expresso. Tem razão João Miranda no Blasfémias quando falou em 23-11-2008 em “non-denial denial”. O comunicado é omisso sobre a SLN. Mas deveria, e deve, ser claro e completo também sobre a SLN e a alegada compra e venda de títulos dessa sociedade por Cavaco Silva e sua mulher: porque creio que Cavaco Silva nada tem a esconder e porque assim acaba qualquer tentativa de usar informação não-publicada para o condicionar ou sujeitar. Mais: é certo que a SLN não estava cotada em bolsa, mas é possível e legítimo subscrever, comprar e vender, acções de sociedades não cotadas em bolsa. Pode questionar-se apenas a prudência de Cavaco se eventualmente entrou, como diz o JN de 5-11-2008, mesmo “simbolicamente”, “no capital social” de uma sociedade, a SLN, liderada pelo seu ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, referido em casos polémicos como os perdões fiscais a empresas com relevo maior para a Cerâmica Campos de Aveiro e os pedidos e despachos de perdão alegadamente batidos na mesma máquina de escrever.
Portanto, o prof. Cavaco Silva deve divulgar quando e quanto, comprou (ou subscreveu) e vendeu acções da SLN e a quem – possivelmente à própria sociedade. O Presidente não quererá alimentar polémica: então, encerre-a. Assim, devolverá a pimenta com que lhe querem queimar a língua. Creio que as decisões tomadas pelo Presidente da República nada tiveram a ver com essas operações de investimento que considero legítimas, nem tão pouco com financiamentos eleitorais de dirigentes ou accionistas do grupo SLN/BPN ou até a colaboração eventual de Dias Loureiro na organização das campanhas presidenciais do prof. Cavaco Silva.
Dias Loureiro e a demissão do cargo de conselheiro de Estado
As notícias das relações do dr. Dias Loureiro com a SLN/BPN geraram um escândalo que maculou o seu cargo de membro de Conselho de Estado indicado pelo Presidente da República, que também é atingido. O escândalo não foi atenuado pela entrevista televisiva a Judite de Sousa muito longe da forma do seu discurso de Macau sobre a memória e a epopeia e mais ao estilo do Checkers Speech de Nixon.
Desculpou-se o presidente, aborrecido com o efeito colateral que o assunto lhe trouxe distante da sorte do seu fiel ex-secretário-geral do PSD e actual apresentador “emocionado” do Menino de Ouro socialista. Reagiu Dias Loureiro, mostrando-se disponível para se demitir se o Presidente da República entendesse que seria o mais conveniente. Marcou entrevista e o Presidente recebeu-o. Depois da entrevista, informou que não renunciava ao mandato. No dia seguinte, 25-11-2008, o próprio Presidente selou a sua confiança em Dias Loureiro, vindo, temo, a sofrer, sem necessidade, o sobressalto político das diligências judiciais que sobre este possam impender.
Fiel à posição democrática de que os cargos e os mandatos não são dos representantes, mas do povo que os detém, entendo que o dr. Manuel Dias Loureiro se deve demitir de conselheiro de Estado, evitando que o cargo fique eventualmente manchado por qualquer diligência judicial. Livre da contingência do cargo, poderá decerto encontrar espaço para provar a correcção do seu comportamento no caso.
Compreendo a delicadeza da posição da dra. Manuela Ferreira Leite, apertada entre a pressão de correlegionários notórios e o incómodo do Presidente, mas não existe outro caminho moralmente possível senão aguentar, limpar e renovar.
O capricho
A decisão do Governo sobre o BPN, como noutros casos, é do chefe do Governo, o primeiro-ministro José Sócrates – o ministro Teixeira “não-há-mais-instituições-com-problemas-de-solvabilidade” dos Santos já não contava antes, nem depois do caso BPP, conhecido publicamente menos de duas semanas depois da declaração peremptória do ministro (6-11-2008)…
Sócrates intervém no BPN, secando-lhe a liquidez com o levantamento dos 300 milhões da Segurança Social e depois, insatisfeito, com a resposta da administração, nacionaliza-o, para terminar a celeuma provocada por Cadilhe e nomear uma administração da sua confiança. Mas além da vantagem de assentar a poeira e terminar com o barulho, neutralizando fluxos de comunicação contrários – Cadilhe ficou desagradado com a falta de apoio para o seu plano de salvação do banco -, a nova equipa e tutelas terão acesso a informação útil que até agora não possuíam e que já parece ter começado a ser usada.
O problema dessa neutralização e utilização de informações é o custo directo: 1500 milhões é mais do dobro de 600 milhões que Cadilhe solicitava… Mas o custo do capricho de Sócrates não é apenas directo. Existem custos indirectos da repercussão do mini-pânico BPN sobre o resto do sistema financeiro – de que o caso BPP é o primeiro exemplo -, provoca-se o aumento da despesa no Orçamento de Estado, um desequilíbrio maior do défice e perda de bem-estar do povo.
Esta é mais uma história triste do Estado de que sobra o povo. A Pátria nem entra neste filme negro. Todavia, é a Pátria que se enfraquece e o Povo quem sofre a desgraça das elites que, com poucas excepções, o usam e desprezam.
Novembro 29, 2008 at 12:58 pm
Apareçam – por cá ando:
doportugalprofundo.blogspot.com/
Novembro 29, 2008 at 1:40 pm
Mas o que é que a Ana Jorge tem feito?
Com a Saúde empresalização e falta de médicos a tempo inteiro no SNS não se pode fazer muito. E olha que os enfermeiros não andam nada satisfeitos, http://www.sep.org.pt/
Quanto a MLR, concordo com o que escreveste. E já que não querem mudar a sra mais valia darem-lhe 2 secretários de estado minimamente competentes.
Novembro 29, 2008 at 1:41 pm
Com a empresalização da Saúde…
Novembro 29, 2008 at 1:58 pm
http://www2.uol.com.br/debate/1267/fotos/miseria.jpg
Novembro 29, 2008 at 1:58 pm
http://bulimunda.wordpress.com/2008/11/29/almeida-santos-socrates-e-imbativel-e-o-resto/
Novembro 29, 2008 at 3:11 pm
Avaliação dos professores não é sectorial, diz Sócrates
O secretário-geral do PS, José Sócrates, frisou hoje que a avaliação dos professores é uma questão do primeiro-ministro, do Governo e do partido, não podendo ser encarada como um problema sectorial.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=12&id_news=361394
Novembro 29, 2008 at 3:11 pm
na mesma notícia
José Sócrates fez questão de sublinhar que não está disposto «a esperar mais 30 anos» até que seja aplicado um modelo de avaliação dos professores.
(E ele a dar-lhe, anda a repetir-se muito o sr. PM!!!)
Novembro 29, 2008 at 3:19 pm
A Ministra é apologista do aforismo de Voltaire:
“Um mau costume que dure há séculos deve ser imediatamente extirpado”.
Simplesmente, errou no “mau costume” e acrescentou-lhe outro.
Novembro 29, 2008 at 3:21 pm
Eu sei que em Portugal é habitual o atraso nas empreitadas e nas medidas inadiáveis, mas esta teve custos extremamente graves
O que aqui preocupa uma mera comentadora nem sempre lúcida é que a causa subjacente ao “mandar calar” não seja propriamente o balão de ensaio em que foi convertido o ensino nestes 3 últimos anos, mas sim outros “valores” de accountability a apurar em Outubro de 2009;
Mas poderiam, ao menos, trocar os secretários de estado e darem-nos alguém que seja suportável ver e ouvir?
Seria sem dúvida uma prenda de Natal para quem não se inclui num rol muito materialista, sempre seria um paraísto terrestre para a visão e para a audição, em suma, seríamos brindados com valores estéticos, o que para quem aprecia as letras e as artes plásticas se traduziria numa opção, no mínimo, “artística”. Seria muito exigente pedir que o investimento de arquitectura paisagística e de engenharia de som fosse estendido a mais uma frente localizada a Norte (é que pensamos nos colegas de lá e assistimos a debates na tv).
Novembro 29, 2008 at 3:22 pm
…paraíso…
Novembro 29, 2008 at 3:53 pm
a propósito do interveniente 1 quer parecer-me, com base nos meus 33 anos de serviço, num curriculum académico-humano bem interessante e numa capacidade para a frustração fora do comum, que o/a colega ou anda distraído/a ou, para si, os constantes atropelos à sua dignidade,feitos pelo nosso Ministério não lhe dizem respeito!Se tal acontece, ou… nasceu assim, e não pode ser culpabilizado/a,ou está debaixo de um qualquer foco político que o/a levará à salvação ou… não quer entender que todo este movimento ultrapassa Mários e Nogueiras e etecetras.
É o grito de uma classe que HOJE, só hoje e talvez amanhã, se uniu na defesa da verdade da dignidade e da cidadania que desde sempre julgou por bem (e tão bem)ensinar!
Novembro 29, 2008 at 4:00 pm
Li mal … afinal a opinião era do articulista! Lamento, por mim! A idade não perdoa a idade e a as taças… Mas, não é nas taças que se entorna o tempo?!…
Novembro 29, 2008 at 4:51 pm
Neste momento, assiste-se a um impasse semelhante à crise dos misseis de Cuba: qualquer pretexto vai servir para usar a bomba atómica. Com o Fócrates a colar-se à Sinistra, arrastando o governo, colocou-se numa situação irreversivel porque não pode ceder; caso contrário, é o suicidio politico. Por outro lado, se os professores cederem, jamais terão autoridade moral nas próximas décadas, sendo tratados como meros funcionários obedientes e sujeitos a todas as arbitrariedades da tutela.
3 hipoteses se avizinham: saem os 2 de cara lavada, sai um de cara lavada ou saem os 2 de cara suja. Aceitam-se apostas…
Novembro 29, 2008 at 4:55 pm
Inacreditável!!!!
EX-SINDICALEIRISMO
Foi nomeado Director-Geral do Ensino Superior o nosso colega Jorge Pedreira, Prof. Auxiliar da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, que exerceu as funções de Vice-Presidente da segunda Direcção do SNESup (1993-96) e de Presidente da terceira (1996-98). Quem conhece a capacidade de trabalho e brilhantismo do Prof. Jorge Pedreira, que neste Sindicato tem numerosos amigos e admiradores, sabe que o Ministério da Educação fez, com esta nomeação, uma valiosa aquisição [para ajudar a destruir a classe].
In,
http://www.mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/2008/09/ex-sindicaleirismo.html
Novembro 29, 2008 at 5:24 pm
As medidas em Portugal ou são excessivas, tipo “fazemos coisas que ninguém faz no mundo (só se for no Chile)”, ou então fica tudo incompleto.
“Sócrates manda Calar ministra da Educação”. Então? Calar e parar não seria o mais adequado?
Ainda mais completo não seria fazer um Conselho de Ministros para decidir: falarem todos menos, aparecerem todos menos, pararem todos mais? Talvez a saúde psíquica dos portugueses melhorasse!
Novembro 29, 2008 at 5:25 pm
mario silva, acho que o desespero é tão grande, que tenho assistido por parte de alguns professores de muito “low-profile” a uma atitude tão radicalizada, que nem os sindicatos os conseguirão controlar.
Nem os sindicatos nem o governo conseguirão controlar os professores, quando vejo pessoas que nunca foram a uma manifestação, nem nunca fizeram uma greve, na linha da frente da radicalização.
Há dias um sindicalista disse que se encontrava verdadeiramente “assustado”.
Compreendo-o.
Tenho a impressão que até Mário Nogueira e o resto da Plataforma sabem que se deram um passo em falso será o fim do velho sindicalismo e o começo de um novo, talvez com os movimentos muito auxiliados pelo novo fenómeno da blogosfera.
Novembro 29, 2008 at 6:11 pm
#36- concordo com esta análise. Ainda hoje em conversa com amigos não professores se falou do assunto. Nunca os sindicatos dos professores pensaram ter o “poder ” que têm hoje em mãos. Só que não tiveram estofo para tanto ( ou quiseram pô-lo a render juros) e daí o miserável entendimento com o ME depois de 8 de Março. Nessa altura tudo se teria resolvido.
Agora dificilmente de lhes perdoará oytra saída em falso.
A ideia de que as grande dificuldades da avaliação foram resolvidas, poderão tê-lo sido mas só para este ano. Se caímos nesta esparrela no próximo ano voltaremos ao mesmo. Não esqueçam que o “modelo se mantém, isto é, para o ano bisa-se! Nâo há paciência!
Novembro 29, 2008 at 6:14 pm
Até me esqueci do post. Queria lembrar que a profilaxia tem o seu timing. Depois disso não tem efeito.
Novembro 29, 2008 at 6:19 pm
Colegas, (eu sei que não tem nada a ver com o post, mas… tinha que o escrever em algum lado.)
Acabei de ver na Sic Notícias:
Sócrates reunido com ministra dda educação e mais alguns socialistas
O Vitalino diz que “a ministra da educação não está isolada”.
Cheira-me a esturro!
É só para prepararem-se…
Não há paciência. Esta gente farta-se de reunir.
Novembro 29, 2008 at 6:31 pm
Aparentemente parece que as grandes dificuldades foram ultrapassadas.
Agora se um professor pedir um avaliador que não existe na escola, vão procurá-lo a outra escola mais próxima, Este avaliador além dos que tem de avaliar na sua escola tem de conciliar o seu horário com o professor de outra escola, e pagam-lhe uma remuneração extra? Resolvido?
Quem quiser ter as famosas classificações de mto bom e excelente tem o complex total. Resolvido?
Os avaliadores começam a estar sujeitos ao PCE, numa linha orientadora de antecipação da nova gestão, deixam de representar os professores de departamento. Concordam?
Querem que apresentemos os nosso O.I., mesmo que não queiramos. Resolvido?
O desagregamento feito nos itens/indicadores, podem ser novamente agregados. Como se avaliam os Parâmetros? Resolvido?
O modelo é para ser aplicado em força no ano lectivo seguinte.
Novembro 29, 2008 at 6:40 pm
Sobre a reunião socrates, MLR e militantes, preparemo-nos para um fogo cerrado durante o mês de Dezembro. Vai valer tudo!
Por isso é essencial aderirmos de forma inequívoca às formas de luta agendadas pela Plataforma!
Novembro 29, 2008 at 6:43 pm
Adenda a 41:
em simultâneo com formas de luta a nível de escola, claro está!
Novembro 29, 2008 at 6:53 pm
“A «saída de cena» de MLR – apesar do alargado perfil ontem no Público, talvez à laia de epitáfio político”
Hum!, quer dizer que a filha de um padre (parece que a “coisa” tem vergonha disso) está de conserva?
Novembro 29, 2008 at 6:55 pm
stella, acho que tens razão, a coisa vai endurecer, tenho medo da maioria absolutíssima providenciar armas com demasiado poder de fogo para podermos ripostar, a coisa está difícil e vai ficar ainda mais.
Novembro 30, 2008 at 2:46 am
É que saiu mesmo de cena! fui consultar o site do ME e a última saída foi a Fafe! claro que houve um congressozito ou outro, mas para quem tinha saído duas ou mais vezes por semana nos meses anteriores, tornou-se uma donzela recatada.
Vale a pena ler os desmentidos do ME na página da imprensa. “O ME desmente que …” visto no passado é interessante. Gostei de ler que a Fenprof ao afirmar que só cento tal escolas tinham suspendido a avaliação estava a confirmar o que o ME sempre disse: que a avaliação nas escolas continua.