Tornei-me gradualmente, ainda no início da idade adulta, um descrente em matéria de colectivos. Ainda mais dos colectivos por inacção ou daqueles em que os indivíduos se escondem por entre as massas.

Sei, por observação directa, que protegidos pela multidão, há indivíduos extremamente corajosos, que gritam a plenos pulmões a revolução total e outras coisas igualmente desinteressantes.

Acho que é por isso que não gosto de claques desportivas, sempre fui resistente a manifestações e só vou a enormes concertos musicais quando não pode mesmo deixar de ser.

Por deformação, desconfio das tomadas de posição unanimistas, de braço no ar ou caído. Deve ser por isso que há quem me ache um bocado reaccionário, pois – apesar da prática de trabalho em equipa não me desagradar nada – sou fortemente individualista num sentido algo radical, ou seja, no de que cada indivíduo deve ser responsável pelos seus actos e não se acobertar atrás do colectivo. Seja ele qual for: evangélico, sportinguista, socialista, neo-liberal, fundamentalista, multiculuralista ou mesmo minoritário, que é o tipo de colectivo normalmente mais intolerante, acho eu.

Por isso, mesmo achando de enorme coragem e dignidade as posições assumidas nas escolas e agrupamentos de todo o país e de ter participado este ano em mais manifestações do que participei ou participarei provavelmente em todo o resto da minha vida, considero que a chave de tudo está na nossa coerência individual e na tradução da nossa adesão a determinados princípios em actos concretos.

Se não gostamos deste modelo de avaliação está nas nossas mãos, individualmente, esvaziá-lo ao não nos tornarmos seus colaboradores activos.

O colectivo de que eu mais gosto – talvez mesmo o único - é aquele que se constrói pela soma das vontades e atitudes individuais, conscientes e livres. Não por pressão dos pares ou conveniências do momento.

Já sei que há quem, não sei o quê, não sei que mais, se lá estivesses é que vias como é difícil. Estou farto destas ladaínhas. Por isso mesmo, reservo-me o direito de, individualmente e em nome próprio, tomar as atitudes que só a mim responsabilizam de não adesão a este modelo de avaliação do desempenho ou da sua contestação passo a passo.

Não porque tenha medo de ser avaliado. Felizmente tenho bons resultados da minha prática pedagógica a apresentar e o meu currículo está repleto de avaliações nos últimos 20 anos. Julgo que mais do que qualquer responsável actual do Ministério da Educação.

Apenas porque, se discordo dele, não posso esperar que venha a onda para, disfarçadamente, me incluir nela e ninguém quase dar por isso. E, depois de tudo correr bem, sacar da fotografia e mostrar que estive lá.

Por isso mesmo ignorarei por completo a estratégia da DGRHE de tentativa de recolha dos Objectivos Individuais por via informática e ilegal. Nada na lei me obriga a tal, nada na lei permite ser penalizado por isso.

Quanto ao resto, se necessário for, também tomarei as decisões individuais coerentes com o que tenho defendido. Sem esperar mais pelos colectivos, pelas ondas e pelo fim dos medos alheios, resultado da escassez de convicções firmes.

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