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Aos professores não propriamente, a começar por todos aqueles que se preocupam com a imagem dos docentes na opinião pública, assim como com a estabilidade do seu trabalho quotidiano, coisa que tem vindo a ser defendida de forma exemplar, não dando o flanco a investidas de alguns apêndices da 5 de Outubro na «sociedade civil».

A mim, em concreto, não me interessa especialmente pois, se isto fosse obra de dentro da classe significaria que alguém anda a pensar com os pés e não é sequer jogador de futebol. Ali´s, se há coisa que eu nunca fiz ou faria seria reencaminhamento de sms de origem incógnita.

Apelar ao «caos geral» é algo errado e que interessaria muito mais à tutela, porque assim ganharia legitimidade para «impor a ordem» nas escolas.

Este tipo de jogo sujo, facilmente detectável na própria blogosfera, não seria novidade, pois seria a reacção atrasada ao início das movimentações de contestação que podemos datar nos primeiros meses deste ano.

Algum tempo depois notou-se a tentativa de usar o mesmo método para fazer uma espécie de contra-barreira de sedinformação junto dos docentes. Nas vésperas das duas manifestações isso aconteceu.

Só que esta é outra fase. Apesar dos medos e intimidações (olá Norte!) neste momento a informação sobre a resistência a esta política educativa sem nexo é feita com rostos facilmente identificáveis, mesmo quando não são os tradicionais.

Os movimentos de professores activos (Apede, Promova, MEP, MUP, etc) têm líderes claramente conhecidos para quem os quiser contactar. Aliás, neste momento, há quem tenha orgulho em dar o rosto pelas suas convicções e por uma luta comum. É muito mais vulgar que se recorra ao pedido de anonimato para evitar represálias ao nível local, não ao global.

Para além disso, os órgãos de gestão das escolas e agrupamentos estão na posse de muito mais informação que a generalidade dos docentes.

Se alguém sabe o que quer, para um lado ou outro salvo a naturas percentagem dos que perdem o rumo nestas situações (serão os míticos 7%?) são exactamente os PCE. Tentar influenciá-los por SMS seria uma idiotice pegada.

Assim sendo, resta deduzir que isto não passa de uma inábil manobra de alguém, eventualmente com proximidade a alguns grupos de professores (afinal quantas pessoas receberam esta mensagem? eu não…), com o objectivo de acreditar que estamos em presença de uma sublevação anónima e multiforme, atentatória da ordem pública.

Ora isso é a última coisa que os professores estão a fazer: o que estão a fazer é a assinar com o seu nome os documentos (moções, requerimentos, abaixo assinados, pedidos de esclarecimento) que estão a usar para demonstrar a sua insatisfação e a injustiça que lhes está a ser feita.

Apelos anónimos e envergonhados julgo que só poderão ter origem do outro lado da «barricada», mesmo que seja a partir de peões voluntaristas e um pouco atrasados no método. Essa fase, de estabelecimento de redes de contactos por esse meio, já passou.