Caro colega:
Enviamos em anexo a moção assinada por todos os professores ao serviço (excluem-se dois por se encontrarem de atestado médico) na Escola Secundária de Palmela, num total de 91 assinaturas. Foi hoje entregue ao Presidente do Conselho Executivo. Esta é mais uma voz a juntar a tantas outras.
Agradecemos a divulgação.
Os professores da Escola Secundária de Palmela
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MOÇÃO COM VISTA À SUSPENSÃO DA APLICAÇÃO DO NOVO MODELO DE AVALIAÇÃO EM NOME DE UMA AVALIAÇÃO PROMOTORA DO SUCESSO E DA DIGNIFICAÇÃO DA CARREIRA DOCENTE
EXMO. SENHOR PRESIDENTE DO CONSELHO EXECUTIVO
EXMO. SENHOR PRESIDENTE DO CONSELHO PEDAGÓGICO
COM CONHECIMENTO A:
EXMO. SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA
EXMO. SENHOR. PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
EXMO. SENHOR PRIMEIRO MINISTRO
EXMA. SENHORA MINISTRA DA EDUCAÇÃO
EXMO. SENHOR PROCURADOR GERAL DA REPÚBLICA
EXMOS. SENHORES MEMBROS DO CONSELHO CIENTÍFICO PARA A AVALIAÇÃO DE PROFESSORES
À semelhança de tomadas de posição noutras escolas do país, os professores da Escola Secundária de Palmela, abaixo assinados, declaram o seu mais veemente protesto e desacordo perante o novo Modelo de Avaliação de Desempenho introduzido pelo Decreto Regulamentar n.º 2/2008.
Não questionam a avaliação de desempenho como instrumento conducente à valorização das suas práticas docentes, com resultados positivos nas aprendizagens dos alunos e promotor do desenvolvimento profissional.
Consideram que a Avaliação de Desempenho constitui assunto demasiado sério, que deve resultar de uma ampla e séria discussão, não devendo, por isso, estar sustentada em arbitrariedades, desconfiança e vazio de conteúdo. Advogam um modelo de avaliação resultante de um amplo debate nacional consistente entre professores – seus legítimos representantes – e a tutela que motive os docentes e fomente a qualidade e o prestígio da escola pública. O Modelo de Avaliação regulamentado pelo Decreto Regulamentar nº. 2/2008 não assegura a justiça, a imparcialidade e o rigor, não valoriza, de facto, o desempenho dos docentes e não beneficia a aprendizagem dos alunos;
Os critérios que nortearam o primeiro Concurso de Acesso a Professor Titular geraram uma divisão artificial e gratuita entre “professores titulares” e “professores”, Nesta “lotaria ministerial” ficaram de fora muitos professores com currículos altamente qualificados, com anos de trabalho dedicado ao serviço da educação e com investimento na sua formação pessoal, gerando nas escolas injustiças aviltantes. Desencadearem situações paradoxais como, por exemplo, os avaliadores possuírem formação científico-pedagógica e académica inferior aos avaliados.
Este Modelo de Avaliação configura, igualmente, uma lógica burocrática desviando os reais objectivos que devem presidir ao processo de ensino-aprendizagem e criando outras situações paradoxais como a existência de avaliadores oriundos de grupos disciplinares muito díspares dos pertencentes aos dos avaliados.
Por outro lado, a sua apressada implementação tem desviado as funções dos professores para tarefas burocráticas de elaboração e reformulação de documentos legais necessários à implementação deste Modelo de Avaliação em detrimento das funções pedagógicas. As escolas são, neste momento, cenário de professores afogados em burocracia, instabilidade e insegurança, situação inconciliável com o verdadeiro propósito da docência. Como pode haver ensino de qualidade e sucesso escolar se os professores investem a maior parte do seu tempo (que no momento ultrapassa largamente as 35 horas semanais) na elaboração e preenchimento de um emaranhado de documentos burocráticos nos quais ancora este Modelo de Avaliação?
Não é legítimo que:
a avaliação de desempenho dos professores e a sua progressão na carreira se subordine a parâmetros como o sucesso dos alunos, o abandono escolar e a avaliação atribuída aos alunos, criando desigualdades devido ao facto de algumas disciplinas/anos/turmas estarem sujeitos a avaliação externa e outros não;
se desprezem variáveis inerentes à realidade social, económica, cultural e familiar dos alunos que escapam ao controlo e responsabilidade do professor e que são fortemente condicionadoras do sucesso educativo;
se discriminem os docentes que leccionam turmas com situações problemáticas e com maiores dificuldades de aprendizagem. A imputação de responsabilidade individual ao docente pela avaliação dos seus alunos configura uma violação grosseira do previsto na legislação em vigor quanto à decisão da avaliação final do aluno, a qual é da competência do Conselho de Turma sob proposta do(s) professor(es) de cada área curricular disciplinar e não disciplinar;
se penalizem os docentes pelo uso de direitos constitucionalmente protegidos como sejam a maternidade/paternidade, doença, participação em eventos de reconhecida relevância social ou académica, cumprimento de obrigações legais e nojo, nos critérios de obtenção de Muito Bom ou de Excelente.
Rejeitam, igualmente, um modelo que impõe uma avaliação entre pares, parcial e perigosa, porque criadora de um péssimo ambiente na escola. Por outro lado, a grande maioria não tem formação nem experiência em supervisão que lhe permita a avaliação dos seus pares. A formação que o Ministério da Educação tem vindo, recentemente, a proporcionar aos avaliadores, para além de não abranger uma parte significativa dos mesmos, é perfeitamente extemporânea, dado que decorreu, em grande parte, já depois do início do novo ano escolar, numa fase em que tudo deveria estar pronto para o arranque do “dito processo avaliativo” e em que os professores andam sobrecarregados com todas as actividades inerentes ao funcionamento do presente ano lectivo.
O horário de trabalho dos professores imposto pelo Ministério da Educação não se ajusta às inúmeras tarefas e funções que lhes são atribuídas ou solicitadas. Dez ou onze tempos de trabalho individual não são suficientes para a planificação de aulas, a análise das estratégias mais adequadas, a criação de recursos diversificados e inovadores, a elaboração de recursos para os apoios educativos e para os alunos que exigem um ensino diferenciado, a preparação de instrumentos de avaliação de diagnóstico, formativa e sumativa, a correcção dos mesmos, a reflexão sobre os resultados, a reformulação de práticas. Para além destas funções, há ainda a participação nas reuniões dos órgãos de gestão intermédia sem esquecer a dinamização/participação em actividades extra-curriculares e de intervenção na comunidade educativa que também constituem parâmetros da actual avaliação dos docentes.
O Ministério da Educação exige aos professores uma avaliação que lhes vai consumir o tempo e a alma em reuniões e documentos em prejuízo claro da sua vida profissional, porque, quer queiramos quer não, os principais lesados serão sempre os alunos.
Os avaliadores terão que inventar tempo para pôr de pé uma estrutura avaliativa megalómana que o Ministério da Educação criou e que ele próprio não é capaz de sustentar, como se pode ver pela incapacidade de preparar e colocar no terreno inspectores para avaliação dos Coordenadores.
Outra questão prende-se com o regime de quotas que impõe uma manipulação dos resultados da avaliação, gerando nas escolas situações de profunda injustiça e parcialidade, devido aos acertos impostos pela existência de percentagens máximas para atribuição das menções qualitativas de Excelente e Muito Bom, estipuladas pelo Despacho n.º 20131/2008, e que reflectem claramente o objectivo economicista que subjaz a este Modelo de Avaliação.
Há ainda dúvidas e confusão lançadas pela Informação n.º 2 da DGRHE/ME, sem assinatura, já que este documento se baseia na Lei do Orçamento de Estado para 2009, ainda não aprovada e que, presumivelmente, irá produzir alterações à legislação em vigor no sentido de desobrigar as escolas da publicação em Diário da República da delegação de competências para efeitos da avaliação de desempenho docente;
O próprio Conselho Científico da Avaliação dos Professores (estrutura criada pelo ME e, neste momento, sem Presidente e não reunindo desde Julho) nas suas recomendações, critica aspectos centrais do modelo de avaliação do desempenho como a utilização feita pelas escolas dos instrumentos de registo, a utilização dos resultados dos alunos, o abandono escolar ou a observação de aulas, como itens de avaliação;
Enquanto todas as limitações, arbitrariedades, incoerências e injustiças que constituem este modelo de avaliação não forem corrigidas, e, ainda que, no presente ano lectivo, o modelo se encontre, apenas, em regime de experimentação, os professores signatários desta moção, por não lhe reconhecerem qualquer efeito positivo sobre a qualidade da educação e do seu desempenho profissional, solicitam ao Conselho Pedagógico e ao Conselho Executivo a suspensão de toda e qualquer iniciativa relacionada com a avaliação por ele preconizada.
(adaptação de textos produzidos por colegas de várias escolas)
ESCOLA SECUNDÁRIA DE PALMELA, 30 de Outubro de 2008
Novembro 5, 2008 at 7:47 pm
Divulgue! Envie mails a todos os seus contactos! Copie e faça circular na sala de professores! Elucide os seus colegas!
URGENTE ATENÇÃO DE TODOS OS PROFESSORES
A Lei 12A de 2008 generaliza a precaridade a todos os professores!
Já chamei a atenção, a vários colegas, para o que diz a lei 12-A de 2008, só que, como de costume, o pessoal pensa que isto é só para os outros, para os mais novos, para os que têm contratos precários, para quem não está nos quadros…
Só que pela lei 12-A de 2008 deixou de haver quadros, pela lei 12-A passou a haver mapas de necessidades, por seviço, e cada escola/agrupamento é um serviço. E é tão fácil meter alguém na rua. É tão fácil, nos dias de hoje, criar um horário zero (e se passarmos para as autarquias…).
Pois! Some-se: avaliação (SIADAP) + esta lei + alargamento do professor generalista e cruzemos intenções.
Esta lei foi feita exactamente para reduzir pessoal sem grandes problemas e sem grandes possibilidades de contestação judicial. Pode não ser o nosso problema mais premente, pode demorar uns dois anos (eleições pelo meio) mas rapidamente começaremos a ser postos fora.
por: Maria Lisboa
COMENTÁRIO:
É por aqui, pelos mapas de pessoal, que a precaridade dos professores de nomeação definitiva vai começar. Leia com atenção:
‘Mapas de pessoal
1 – Os mapas de pessoal contêm a indicação do número de postos de trabalho de que o órgão ou serviço carece para o desenvolvimento das respectivas actividades, caracterizados em função:
a) Da atribuição, competência ou actividade que o seu ocupante se destina a cumprir ou a executar;
b) Do cargo ou da carreira e categoria que lhes correspondam;
c) Dentro de cada carreira e, ou, categoria, quando imprescindível, da área de formação académica ou profissional de que o seu ocupante deva ser titular.
2 – Nos órgãos e serviços desconcentrados, os mapas de pessoal são desdobrados em tantos mapas quantas as unidades orgânicas desconcentradas.’ In Lei A 12 de 2008
Como bem refere Maria Lisboa, se o conceito de professor generalista for estendido atá ao 6º ano de escolaridade, vão ficar com horários zero milhares de professores efectivos do 2º ciclo do E.B. Esses milhares de professores ficarão fora dos mapas de pessoal. É por aí que a precaridade desses professores vai começar.
In http://www.professoresramiromarques.blogspot.com/2008/03/lei-12a-de-2008-generaliza-precaridade.html
Novembro 5, 2008 at 8:34 pm
Pedro Castro Diz:
Novembro 1, 2008 at 7:31 pm
Para aqueles que têm memória curta!
1 – Em finais de Setembro começou a circular um e-mail, de um tal Zeferino, a convocar uma manifestação para o dia 15 de Novembro.
2 – O mail em questão foi rodando por toda a web e foi consolidando nas pessoas a ideia de uma manifestação.
3 – Em alguns blogues apelou-se a um compasso de espera, noutros a adesão à ideia foi imediata.
4 – Os movimentos independentes, percebendo que o desespero dos professores era cada vez maior começaram a promover a manifestação de 15 de Novembro.
5 – A Plataforma foi-se mantendo calada.
6 – Nos blogues a agitação foi crescendo e também foi a crescendo a revolta dos docentes.
7 – Chegou-se a desafiar aqui neste blogue [A Educação do Meu Umbigo], já que ninguém reagia, para os movimentos chegarem-se à “frente” em vez de se perder tempo a criticar os sindicatos.
8 – Algumas individualidades dos movimentos legalizam a manifestação para 15 de Novembro.
9- Em alguns sindicatos ligados à Fenprof, assistiu-se de forma espontânea à adesão a essa manifestação.
10 – Depois de estar muito tempo em compasso de espera MN, convoca uma manifestação para 8 de Novembro, dizendo, para espanto meu, que a manifestação de 15 de Novembro já era muito tarde.
11 – Alguns sindicalistas da Fenprof começam com provocações aos movimentos, chegando a afirmar que à “MANIFESTAÇÃO DE 15 de NOVEMBRO NÃO IRIAM PROFESSORES MAS SIM PROVOCADORES”
12 – É óbvio que nos blogs houve trocas de insultos de ambas as partes.
13- Consultando sempre o blog do MUP e o site da APEDE verifiquei que houve sempre da parte destes em geral uma atitude de reconcialiação.
14 – Pelo contrário no site da Fenprof houve comunicados que apelavam à unidade mas que terminavam com um parágrafo final com remoques provocatórios e divisionistas.
15 – Houve muita gente neste blog, entre os quais o autor do mesmo, que adoptaram sempre uma atitude conciliatória.
16 – Pelo contrário MN e alguns dirigentes sindicais andaram sempre com insinuações “à malta dos blogs”.
17 – Depois houve várias tentativas de reunião, ou foram anunciadas várias tentativas de reunião, às quais MN procurou sempre evitar.
18 – Reparei que a “aflição” da Fenprof aumentava à medida que as moções de pedido de suspensão da avaliação proliferavam pelas escolas.
19 – A Fenprof e a Plataforma chega sempre tarde. Já a coisa vai em andamento e lá aparecem os delegados sindicais aflitos a tentarem cavalgar a onda.
20 – Conheço muitos delegados sindicais que estão com o “coração” na manifestação de 15 de Novembro.
21- O mesmo posso dizer de alguns dirigentes sindicais, que em surdina me dizem que MN já deveria ter rasgado o entendimento.
22- Também, tenho que dizer a verdade, não houve por parte dos movimentos sinais de coordenação nas posições e pouca preocupação na logística.
Mas disto tudo tenho que tirar estas conclusões:
a) a Plaforma chega sempre atrasada aos acontecimentos.
b) Os movimentos e os blogs de professores são cada vez mais imprescindíveis.
c) A Plataforma ou desamarra-se do entendimento com o ME ou está ferida de morte.
d) Não chega aos movimentos somente “botar faladura”, mas têm que se assumir como estrutura organizada destinada a ocupar o vazio deixado pela Plataforma, NO CASO, reforço, NO CASO DESTA NÃO MUDAR DE ATITUDE FACE AOS ACONTECIMENTOS.
e) Movimentos e Plataforma têm que ter em conjunto um plano B.
f) Mas se Plataforma continuar amarrada aos velhos procedimentos passivo-reinvindicativos, então os movimentos têm que ter os “to…..” no sítio para assumirem as rédeas da luta sem se deixarem cair em alguns protagonismos pessoais, que desde já lamento.
SOMENTE DESEJO QUE TANTO 8 E 15 SEJAM DOIS MOMENTOS DE SUCESSO DOS PROFESSORES!
Sem deixar de agredecer ao Paulo Guinote e ao Ramiro Marques pelo equilíbrio das posições que sempre foram assumindo ao longo desta “viagem”.
Fonte: Lobos e cordeiros,
http://www.educar.wordpress.com/
Novembro 5, 2008 at 10:34 pm
Parabéns Palmela!
Novembro 6, 2008 at 2:52 am
CARTAZ PARA DINAMIZAÇÃO DA MANIFESTAÇÃO
ABUSEM DA CÓPIA! ENFEITEM AS ESCOLAS! ALIMENTEM A LUTA!
http://www.mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/2008/10/cartaz-para-dinamizao-da-manifestao-de.html
Novembro 6, 2008 at 9:48 am
Na minha opinião se todos os colegas pensassem que afinal está tudo mal E NÃO É SÓ PARA OS MAIS NOVOS o movimento seria maior. INFELIZMENTE nem todos pensam assim, e ainda existe muita desunião.
Novembro 6, 2008 at 2:09 pm
Muitos parabéns pela iniciativa, que mais uma vez teve que partir dos mesmos do costume.Fica o registo. Fico feliz que todos tenham assinado, agora só espero que sejam coerentes com as ideias que estão na moção e com as quais concordaran«m, assinando
Novembro 9, 2008 at 12:43 pm
Vão mas é trabalhar.
Não querem as avaliações porquê?
Vão mas é ensinar aos nossos alunos o amor à pátria para lutarem contra a colonização do nosso país pelos pretos, brasucas e gentinha do leste europeu.
Pela pátria contra o desperdício do ensino.
tantos professores no desemprego que querem ensinar e esta gente só pensa nas manifestações e em não ensinar nada de jeito.
Agora até vamos ter um preto que vai querer mandar no mundo.
VIVA PORTUGAL.
Novembro 9, 2008 at 12:49 pm
E já agora porque não um cão a mandar…?E um chinês…’ Não sabia que o Salazar era Gay..?
Pois é …..a ignorância não tem avaliação…
Dezembro 23, 2009 at 12:56 am
Os professor têm que ser avaliados. Este pode não ser o melhor modelo, mas por algum lado se tem que começar. O posso, quero e mando (de alguns professores/as) para prejudicarem sem serem penalizados sacaneando a vida de alunos tem que acabar. Porque o fascismo já devia de ter acabado! Há escolas em que reinam os alunos, outras onde os alunos têm o comportamento civilizado, caso da escola Secundária de Palmela em que abusam os professores. Só acontece porque há os que se calam com medo de represálias e dos seus filhos serem tomados de ponta.
Muitos professores não querem é ser avaliados, é essa a realidade.