ABAIXO-ASSINADO
Os professores do Agrupamento de Escolas Coura e Minho – Caminha, abaixo assinados, em Reunião Geral de Professores realizada em 29 de Outubro de 2008, pelas 16 horas e 30 minutos, pronunciaram-se sobre o actual Modelo de Avaliação de Desempenho Docente:
1. Os docentes deste Agrupamento não questionam a avaliação de desempenho como instrumento conducente à valorização das suas práticas docentes, com resultados positivos nas aprendizagens dos alunos e promotor do desenvolvimento profissional – pelo contrário, exigem-na;
2. Todo este processo de avaliação de desempenho de docente tem sido conduzido pelo ministério com total ausência de diálogo com os professores, uma grande falta de transparência e grande pressão sobre os órgãos de gestão e pedagógicos das escolas para implementação de todo o processo. A aprovação retroactiva de procedimentos administrativos, nomeadamente no caso de delegação de competência de poderes de avaliação é o exemplo de que este é um processo apressado e irreflectido;
3. No entanto, este modelo de avaliação é baseado numa divisão artificial da classe docente, independentemente da sua competência pedagógica, técnica e científica. Desencadeia situações paradoxais de avaliadores possuírem formação científico-pedagógica e académica inferior aos avaliados, ou mesmo não possuírem conhecimentos científicos certificados e reconhecidos nas áreas disciplinares que avaliam;
4. O actual modelo de avaliação de desempenho docente, assente numa perspectiva desmesuradamente burocrática, quantitativa e redutora da verdadeira acção docente, dá primazia aos meios, estratégias, planificações e recursos utilizados, em detrimento do processo de ensino-aprendizagem, pois a sua apressada implementação tem desviado as funções dos professores para tarefas de elaboração e reformulação de documentos legais necessários à sua implementação em detrimento das funções pedagógicas;
5. O trabalho acrescido, na tentativa de operacionalizar o processo de avaliação de desempenho docente, tem constituído uma efectiva sobrecarga de trabalho, muito para além das 35 horas exigidas por lei, com prejuízos evidentes na vida pessoal e profissional dos professores, nomeadamente por parte dos professores avaliadores. A escola, neste momento, é um cenário de professores afogados em burocracia, instabilidade e insegurança, situação inconciliável com o verdadeiro propósito da docência. Não pode haver ensino de qualidade e sucesso escolar se os professores investem a quase totalidade do seu tempo não-lectivo na elaboração e preenchimento de um emaranhado de documentos burocráticos nos quais ancora este modelo de avaliação;
6. Não é legítimo que a avaliação de desempenho de docente dos professores e a sua progressão na carreira se subordine a parâmetros como o sucesso, abandono escolar e avaliação atribuída aos seus alunos, já que a imputação de responsabilidade individual ao docente pela avaliação dos seus alunos contraria a norma que a decisão quanto à avaliação final é da competência do Conselho de Turma;
7. Os professores deste agrupamento rejeitam a penalização do uso de direitos constitucionalmente protegidos como sejam a maternidade/paternidade, doença, participação em eventos de reconhecida relevância social ou académica, cumprimento de obrigações legais e nojo, nos critérios de obtenção de Muito Bom ou de Excelente;
8. O regime de quotas permite uma manipulação dos resultados da avaliação, podendo gerar nas escolas situações de profunda injustiça e parcialidade, provocadas pela existência de percentagens máximas para atribuição das menções qualitativas de Excelente e Muito Bom;
9. Este modelo de avaliação de desempenho produz um sistema prevalentemente penalizador e não performativo de futuros desempenhos, além de que não discrimina positivamente os docentes que leccionam ou desenvolvem projectos com as turmas mais problemáticas e com maiores dificuldades de aprendizagem.
Face ao exposto, e porque os objectivos individuais e colectivos dos professores do Agrupamento de Escolas Coura e Minho são, naturalmente, ensinar os alunos e prepará-los para uma sólida construção de um projecto de vida, procurando sempre transmitir-lhes valores de democracia e cidadania que lhes permitam uma intervenção na sociedade como seres interventivos, autónomos e independentes:
— Solicitam a suspensão imediata do modelo de avaliação do desempenho decretado pelo governo e o pronto início de um processo de negociação entre as organizações representativas dos professores e o Ministério da Educação que conduza a um outro modelo de avaliação assente no fim da divisão da carreira docente;
— Apelam aos sindicatos e aos movimentos de professores para que estabeleçam uma verdadeira plataforma de entendimento que permita a realização de uma única e grande manifestação de professores no próximo mês de Novembro.
Caminha, 29 de Outubro de 2008
Outubro 29, 2008 at 9:31 pm
Bem, já perdi a conta…
Outubro 29, 2008 at 9:44 pm
A Sinistra está a contá-las.Nem pia…Ou está a arrumar a trouxa,ou está a arrumar a trouxa.
Outubro 29, 2008 at 9:59 pm
nem quero saber o que ela faz!
A vida dela não me diz respeito!!
Só quero distância.
Outubro 29, 2008 at 10:06 pm
A arrumar a trouxa no ME!Os esbirros estão a despejar os alka-seltzer no tubo do gás.
Outubro 30, 2008 at 2:36 pm
Diz a nota à comunicação social da FENPROF: “os docentes perceberam o sentido político do dia 8 de Novembro”.
A FENPROF, que capta por uma faculdade superior – talvez por intuição mística – o sentimento geral dos professores, é quem detém a chave do que deve, neste momento, ser feito, porque só ela alcança o verdadeiro conhecimento da realidade.
O que ela decidiu na sua sapiência – a manifestação do dia oito de Novembro – é algo que os professores só podem aceitar, porque eles perceberam o sentido político de tal gesto.
Pois perceberam: a FENPROF imagina-se, à imagem da versão leninista da função do partido comunista, a cúpula que pensa, a um nível superior, aquilo que as “massas” sentem, mas não são capazes de pensar nem de construir formas de organização e de acção adequadas e eficazes.
A metáfora da “propagação” usada no texto quando se fala em informações que se têm propagado na blogosfera (parágrafo 5) é muito elucidativa do modo como a FENPROF pensa. O que se propaga ou é evanescente, como o ar, sem consistência nem solidez, ou é vírus, que ataca as defesas de uma cidadela, que merece ser combatido para que esta esteja incólume.
É igualmente significativo constatar o modo como se refere o diálogo entre o Sindicato e os representantes dos Movimentos. Diz-se aí que estes “apenas solicitaram a possibilidade” de uma reunião. Ou seja: eles próprios, quais súbditos de um soberano esclarecido, vieram “solicitar” – não exigir! – uma reunião, se for “possivel”. E o Sindicato, garante da concórdia geral, “aliás”, aceitou na sua infinita sapiência e bondade.
Não será já tempo já de aprender a pensar e a funcionar a partir de outros critérios, que não a distorção dos factos e a megalomania de uma pseudo-ciência que só alguns detêm, esses que decidem o melhor que os outros devem fazer?
Aconselho a estes senhores da FENPROF o estudo do que diz Hanna Arendt sobre os malefícios da dicotomia, que se instalou no pensamento e na acção políticas, entre os que sabem e decidem – só alguns iluninados – e os restantes que executam o que os outros decidiram.
Também aconselho a estes senhores evitarem cair na cegueira de que acusam a Ministra: não saber ouvir, não ser humilde e emendar o erro, não ser capaz de aceitar que a verdade não está ao alcance apenas de alguns.
Vasco Tomás
Outubro 31, 2008 at 5:04 pm
Boa….
É a somar…somar…
Vamos lutar pela dignidade dos professores…pela saude dos professores e essencialmente pela qualidade do ensino dos nossos alunos.
Vamo-nos unir… somos muitos.
Novembro 6, 2008 at 6:56 am
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